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Pobres mas honrados*

"Ministro antecipa indicador, que o INE só divulga amanhã." in Diário Económico de hoje.

Os números das Estatísticas Oficiais do Emprego só vão ser divulgados amanhã pelo INE (ou às 11h, ou às 15 horas).

Atendendo à multiplicação de declarações feitas pelo Ministros das Finanças sobre o que se passou no 1º trimestre em termos de Emprego, parece que sabe mais do que o comum dos mortais e esse simples parecer não é bom para o INE, como é óbvio. Títulos como o que surge hoje no Diário Económico destroem boa parte daquilo que é suposto distinguir o INE de qualquer Direcção-Geral do Governo.

Mas o que é certo é que me custa a  compreender que o Ministro se decidisse inventar um número correndo o risco de ser desmentido pelos números oficiais.

Pelo menos a mim parece-me dificil compreender que este Ministro o fizesse. E como poderão saber, este tipo de declarações dura já há alguns dias, tendo passado pelo próprio Primeiro Ministro em comentário às estimativas da Comissão Europeia para o desemprego nacional em 2006.

Seja de que forma for que se olhe para a questão, a situação parece-me difícil de entender. Por um lado, os custos políticos seriam assinaláveis perante um potencial erro de previsão do Ministro (feito em cima da divulgação oficial como sucedeu ontem) e, por outro, tanta expectativa e insistência no discurso sobre os números do 1º trimestre (recordo que o Inquérito ao Emprego do INE tem divulgação trimestral) poderia também ser confundida como uma tentativa de condicionamento dos números oficiais. Em todos os casos parece recomendável que os ministros deste e doutros futuros governos se contenham e aguardem serenamente a divulgação oficial dos números da conjuntura económica. 

Fica a posição oficial do INE que encontramos hoje no Diário de Notícias e a justificação do Ministro:

" (…) Fonte oficial desta entidade, a única que calcula a taxa de desemprego para Portugal, declarou ao DN que "o INE está a ultimar os trabalhos relativos ao Inquérito ao Emprego, pelo que nada ainda foi entregue [ao Ministério das Finanças]". Habitualmente, a informação deste tipo é apresentada aos membros do Governo apenas algumas horas antes da divulgação pública, seguindo a prática da generalidade das autoridades estatísticas da União Europeia.

Fernando Teixeira dos Santos baseou a sua expectativa de travagem do crescimento da taxa de desemprego no facto de se estarem a verificar sinais "mais animadores" de recuperação económica."

* Para que não haja dúvidas no título refiro-me ao INE e falo, como sempre, exclusivamente em meu nome pessoal.

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