Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘INE’

De 20 a 69 euros, curioso número

Maio 08, 2008 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política No Comments →

Quem precisa dos Gatos Fedorentos…
Ainda que seja “apenas” um quadro da administração pública (e não um funcionário público) também aguardo esta punch line, daqui a dez anos ou daqui a 7, se em cada outro ano estiver no top 25% do sítio onde trabalho, provavelmente. O jornalista não deve ter percebido bem, só pode. Com este cenário não será seguramente necessário liberalizar o despedimento no Estado para reduzir o número de funcionários públicos.

“João Figueiredo explicou aos jornalistas que a proposta do Governo de transição para o novo regime de carreiras e de grelha salarial assegura que, quando ocorre uma mudança remuneratória, o trabalhador nunca poderá receber menos de 20 euros e poderá chegar a um ganho de 69 euros, avança a «Lusa».”
(…)
Para o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) esta proposta do governo não é minimamente aliciante para os trabalhadores, «que poderão estar 10 anos à espera da progressão para receber mais 20 euros».”

Bagão Felix avança com previsões para a taxa de desemprego

Fevereiro 15, 2008 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política 2 Comments →

Fiquei impressionado com a confiança e detalhe com que ouvi hoje de manhã Bagão Felix referir-se aos dados da taxa de desemprego para o quarto trimestre de 2008. Tal como fiquei impressionado com a segurança da desgraça que o INE irá divulgar hoje, anunciada por Luís Filipe Menezes. O PM ficou-se por um “falamos amanhã” (com um ligeiro sorriso nos lábios?)
Regresso contudo a Bagão Felix que mais do que generalidades avançou com detalhes da sua lavra:
- A taxa de desemprego terá descido ligeiramente;
- a taxa de variação em cadeia melhorou;
- esta evolução deveu-se a uma quebra significativa da população activa;
- a evolução da população activa deveu-se essencialmente a um reforço dos movimentos de saída ruma ao estrangeiro / emigração.

Factos/previsões a conferir com o destaque a divulgar hoje pelo INE a ver quem recebe o prémio de melhor adivinho.
ADENDA: Pois é, o adivinho mor é Bagão Felix, acertou em cheio.

Procuram-se estatísticas comparáveis sobre a Função Pública

Janeiro 17, 2008 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política 2 Comments →

Vital Moreira ao abordar as remunerações da Função Pública toca num ponto que nunca consegui ver esclarecido e para o qual lhe peço auxílio. A dada altura escreve:

“sendo as despesas públicas com pessoal na Administração Pública muito superiores à média da UE e da OCDE”

O que lhe pedia era as ditas estatísticas que sustentam tal afirmação. E faço-o porque já vi escrito isto e o seu oposto aparentemente tendo por base, em ambos os casos (?) universos não comparáveis. Ora porque num caso se estão a incluir as forças armadas e policiais e noutros não, ora porque num caso a GNR conta mas noutros países não, ou então é o problema de se lhes juntarem os professores e os médicos que são quadros especiais e podem ou não estar incluídos. E eu, com contrato individual de trabalho e desde sempre no regime geral da Seg. Social e a trabalhar para o Estado num Instituto Público entro ou não? Deveria? E nos outros países?
Em suma, onde é que com a certeza de ter dados estritamente comparáveis eu posso arranjar informação para efectuar contas a nível internacional? Na OCDE? No Eurostat? Muito sinceramente me confesso perdido.
Agradeço desde já a ajuda prestada.

Quem ganha menos que 60% do rendimento mediano em Portugal?

Janeiro 15, 2008 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política 2 Comments →

Aqui como em outros países da União Europeia, num regime de painel nacional vai-se realizando o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), um inquérito rico e cheio de potencialidades que já tive o prazer de explorar na sua anterior e mais enfesada versão vigente durante boa parte da década de 90. O INE vai fazendo o que pode (que não é mais do aquilo que lhe deixam fazer) quanto à exploração dos dados, mas justificava-se outro tipo de investimento face à riqueza da base de dados em presença.
Fica o resumo e a ligação para o relatório completo.

“O Instituto Nacional de Estatística apresenta os principais indicadores sobre o risco de pobreza e a desigualdade na distribuição dos rendimentos monetários a partir dos resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) realizado em 2006.
De acordo com este inquérito, a população residente em situação de risco de pobreza era de 18% em 2006 (20% de acordo com o inquérito de 2004 e 19% em 2005).
A distribuição dos rendimentos caracterizava-se por uma acentuada desigualdade: o rendimento dos 20% da população com maior rendimento era 6,8 vezes o rendimento dos 20% da população com menor rendimento (6,9 nos dois anos anteriores).
À semelhança de 2005, o impacto das transferências sociais (excluindo pensões) na redução da taxa de risco de pobreza em 2006 foi de 7 pontos percentuais.”

INE: As linhas e as entrelinhas (actualizado)

Setembro 13, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 1 Comment →

A presidente do INE deu hoje uma extensa entrevista ao Jornal de Negócios. Cristalina é o adjectivo possível. Deixo-vos dois excertos que me parecem particularmente significativos:

"(…) Diz que a missão "core" do lNE é produzir e difundir estatísticas com qualidade. Mas é também missão do INE promover a literacia estatística. Dado o défice de análise existente em Portugal, não acha que deveria dar esse contributo à literacia?  
 
- Penso que essa não é essa a missão dos institutos de estatística. A análise compete a analistas. A nós compete-nos produzir boas estatísticas e explicar como as construímos e como as fazemos. Apesar disso, não fugimos a fazer análise e fazemos algumas, nomeadamente nos destaques. Mas há outros exemplos: as alterações introduzidas nos anuários estatísticos nos dois últimos anos são um exemplo de que o INE não foge à análise que deve fazer "à posteriori", depois da consolidação da informação.  
 
- Há por vezes a ideia de que o INE poderia fazer mais, mas vive no Iimite de recursos. Se tivesse mais recursos faria diferente?  
 
- É preciso ter muita atenção quanto à missão dos institutos de estatística: não lhes compete fazer previsões, não lhes compete fazer análise económica. Compete-lhes sim dar estatísticas rigorosas para outros fazerem a análise.   (…)"

"Na revisão da nova lei de bases do sistema estatístico nacional não houve qualquer alteração na independência do INE face ao poder político, nomeadamente, mandatados superiores à legislação e impossibilidade de substituição da direcção. Porquê?    

- Para apresentar uma primeira versão deste projecto Lei ao Conselho Superior de Estatística, o INE desenvolveu um trabalho exaustivo na análise de muitos sistemas estatísticos ‑ europeus e não só. O modelo que foi apresentado ao Governo pelo CSE não se afasta significativamente de outros sistemas. No sentido que está a dizer há um caso ou dois.  
 
- As duas últimas direcções do INE foram substituidas com as mudanças de Governo. Não acha que deve ser conferida estabilidade de gestão ao INE ? Não propôs nada nesse sentido?  
 
- Como disse foi feito um estudo comparativo entregue ao CSE. A opção do Conselho foi a constante na proposta apresentada ao Governo.  
 
- Portanto a opção do CSE, da qual é vice‑presidente, é a de que não é central garantir essa independência?  
 
- O projecto‑Lei corresponde à proposta do Conselho…  (…)"

P.S.: Note-se que o CSE (Conselho superior de estatística) é presidido pelo Ministro da Tutela. Aliás, aqui fica a composição integral:

Presidente:                      Ministro da tutela do INE - Pedro Silva Pereira

Vice-Presidente:               Presidente do INE - Alda de Caetano Carvalho

Vogais:                       

 

 Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas

 Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

 Ministério da Cultura

 Ministério da Defesa Nacional

 Ministério da Economia e Inovação

 Ministério da Educação

 Ministério da Justiça

 Ministério da Saúde

 Ministério das Finanças e da Administração Pública

 Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

 Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional

 Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

 Ministério dos Negócios Estrangeiros

 Presidência do Conselho de Ministros

 União Geral de Trabalhadores

 Associação Nacional de Municípios Portugueses

 Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor - DECO

>  Banco de Portugal

 Confederação da Indústria Portuguesa

 Confederação do Comércio e Serviços de Portugal

 Confederação do Turismo Português

 Confederação dos Agricultores de Portugal

 Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional

 Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas

 Governo Regional da Madeira

 Governo Regional dos Açores

 Instituto Nacional de Estatística, I. P. - INE, I.P.

 Instituto Superior de Estatística e Gestão da Informação - ISEGI

 

A política, os media, o país e o INE

Agosto 30, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 5 Comments →

Eis uma reflexão (finalmente!) de Sérgio Figueiredo na Sábado. Sem mais comentários:

"Caras e casos
Sábado(30-08-2007)

Sérgio Figueiredo  -  Administrador da Fundação EDP   

A democracia é um número  
 
Um discreto ministro, recém-chegado a um Governo já em fim de ciclo, não conteve um desabafo, que ficou célebre, quando reagiu à divulgação de um indicador estatístico mais desfavorável: "É inadmissível que um instituto do Estado seja sistematicamente imparcial. É incompreensível que transmita a ideia de que a agricultura é um sector pobre. A administração pública não tem de transmitir essa ideia."  
 
Esta gafe parecia monumental, porque revelava um ministro desinformado sobre a autonomia técnica do Instituto Nacional de Estatística (INE) - uma autonomia consagrada na lei. Na verdade nem gafe era. Apenas um raro momento de sinceridade, em que um governante disse em público o que a maioria pensa em privado.  
 
Hoje a coisa está muito mais sofisticada: em vez de protestarem contra estatísticas incómodas, os governos preferem nomear dirigentes que não incomodam coisa alguma. Desapareceram os ministros a questionar o INE, simplesmente porque o INE não existe. Não por ter morrido aos pés de um PRACE qualquer, mas porque hibernou. Os ministros assim o quiseram. E os dirigentes nomeados também aceitaram. Esta direcção do INE, já lá vão quase dois anos, aceitou de livre e espontânea vontade ser manietada.  
 
Não é, infelizmente, uma história nova no INE. E que bom seria se fosse uma história exclusiva do INE. Mas o INE não é uma instituição qualquer. Até Salazar, num discurso oficial em Outubro de 1929 que marcou o arranque da primeira grande reforma da actividade estatística nacional, sabia que estava a erguer "uma das maiores e mais interessantes obras da ditadura".  
 
Pois o sistema estatístico nacional, tal como a liberdade de imprensa, também é um pilar fundamental da democracia. Os jornalistas são, por natureza, muito sensíveis ao ambiente que, sim ou não, permite que investiguem, editem e publiquem notícias e opiniões. Mas têm revelado uma absoluta apatia perante este eclipse de uma instituição que deve ir além do mero ritual: respeitar o calendário, despejar números a cru e divulgar indicadores sem conteúdo.  
 
Pode colocar a questão - mas o INE não continua a produzir estatística? Claro - e, não tenho dúvida, respeitando os mais elementares princípios de independência técnica e do segredo estatístico. Nem sequer é na qualidade da "produção" dos números que o INE presta hoje um serviço à sociedade pior do que no passado - o que era mau, continua mau; e as melhores estatísticas preservam a reputação. Mas se devolver a pergunta - lembra-se da última vez que o INE contribuiu para enriquecer o debate nacional? - nem os seus actuais responsáveis ousarão citar um caso.  
 
O INE não deve ser a favor ou contra o Governo. Não tem que ter opiniões sobre opções de natureza política. Mas tem o dever de explicar o significado das estatísticas que produz. O INE não pode demitir-se da capacidade de as interpretar, de afirmar (e não apenas insinuar) o que certos indicadores mostram, qual a realidade que reflectem. O País é pobre na reflexão e o INE tem responsabilidades nisso.  
 
Não temos os institutos independentes de conjuntura, como os "5 sábios" da Alemanha. Não temos um instituto de estatística com o poder e a influência do francês. A análise económica independente em Portugal nasce e morre no banco central - o que é perverso e sobretudo limitado.  
 
O País é pobre em instituições credíveis, isentas, independentes das várias formas de poder e, por conseguinte, merecedoras da confiança e do respeito da sociedade civil. Nos seus mais de 70 anos de História, o INE já se afirmou como uma dessas instituições. Mesmo na ditadura, ao desafiar Salazar quando este proibiu a taxa de analfabetismo (superior a 40%) apurada no Censo de 1940. Ou quando a PIDE fez visitas regulares às instalações do Instituto, suspendendo publicações e prendendo técnicos superiores.  
 
Há muito que o problema do INE não e um problema de estatística. É um problema de política. Todos os políticos sabem disso. Mas nenhum tem a vontade ou a capacidade de lhe dar a devida importância. Uma honradíssima excepção: Nuno Morais Sarmento, então ministro da tutela. O único que abriu os portões do INE a uma auditoria externa, comandada por uma dupla que, durante quatro décadas, dirigiu um dos mais conceituados INEs a nível internacional, o canadiano, e acumulou vasta experiência na avaliação de vários sistemas de estatística do mundo.  
 
Este trabalho competente, entre centenas de alterações propostas, concluía que não há INE independente enquanto o seu presidente não tiver um estatuto de efectiva independência - como os reguladores. No Portugal de 2007, não há PIDE, não há proibição explícita de indicadores ou publicações suspensas. A democracia encarregou- -se entretanto de as neutralizar."

As estatísticas só dão para tudo se deixarmos

Agosto 19, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política No Comments →

"A taxa de desemprego subiu ou desceu no 2º trimestre de 2007?" Esta é um pergunta que abordo a propósito de mais uma guerra de palavras a propósito de um indicador estatístico: desta feita entre Marques Mendes (líder do PSD) e Pedro Marques (Secretário de Estado).

Quantos somos?

Agosto 03, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Portugal No Comments →

" (…) O acréscimo populacional foi de 29 503 indivíduos relativamente a 2005, o que reflecte uma taxa de variação de 0,28%, valor inferior ao do ano anterior (0,38%), traduzindo um novo abrandamento no crescimento da população. Para este acréscimo populacional contribuiu um saldo natural de 3 403, que se traduz numa taxa de crescimento natural de 0,03% (0,02% em 2005), e, um saldo migratório de 26 100 indivíduos, representando uma taxa de crescimento migratório de 0,25% (0,36% em 2005). (…)

A taxa de mortalidade infantil (óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade por 1 000 nados vivos) atingiu 3,3‰ em 2006. Trata-se do valor mais baixo registado em Portugal. Em consequência também desta redução, a esperança de vida à nascença atingiu 78,5 anos, face aos 78,2 em 2005. (…)

in INE, Estimativas da População Residente de 2006(destaque). 

O texto integral com detalhe até ao concelho encontra-se aqui (Análise e metodologias) e aqui: (quadros estatísticos - xls e CSV). 

Então e em relação ao INE? (actualizado)

Julho 09, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 2 Comments →

Após ter lido este artigo de Vital Moreira, "Partidarização da Administração pública", de que sublinho este excerto:

" (…) Ora, no que respeita aos primeiros (normalmente ocupados em regime de requisição temporária), é perfeitamente lícito e natural que o factor da confiança política entre nos critérios de escolha, desde logo porque se trata de cargos de que depende a boa execução das políticas governamentais (desde o presidente de um instituto público a um director regional). Isto vale para todos os governos e para todas as instâncias de poder. O que importa é delimitar cuidadosamente as duas esferas e impedir a partidarização dos serviços administrativos. Mas a condenação demagógica da liberdade de escolha dos cargos directivos não ajuda a salvaguardar a isenção partidária da Administração propriamente dita.(…)"

Deixo uma pergunta directa a Vital Moreira sobre um caso que me toca mais de perto. O caso muito concreto do Instituto Nacional de Estatística.

Esta instituição em particular merece-lhe algum reparo específico no que toca à comparação com os restantes Instituto Públicos (IP) em que é lícito e natural  que o factor da confiança política entre nos critérios de escolha?

Recordo de forma menos abstracta que o INE rege-se de facto pela mesma legislação recentemente aprovada para todos os IP e, não estando em causa qualquer crítica velada de partidarização da dita instituição, recordo também que as duas últimas mudanças de governo coincidiram com o interrupção dos mandatos de duas direcções do dito Instituto.

No fundo, o que pergunto para este caso concreto é saber que limites devem existir para a relevância da confiança política de cada governo em relação à direcção o INE que encontra. Ou seja, qual o limite das esferas neste caso? O critério geral implícito para os restantes IP deve-se aplicar sem grandes dramas?

Desde já lhe agradeço a atenção que possa prestar sobre este tema.

(Seguiu por e-mail). 

ADENDA: Na volta do correio recebi a resposta que Vital Moreira teve a gentileza de enviar e que aqui reproduzo:

"No meu post falei do tema em geral, havendo porém casos especiais.

No que respeita aos institutos públicos comuns, a lei distingue dois tipos para efeitos da estabilidade dos seus dirigentes: (i) aqueles em que os dirigentes cessam automaticamente os seus mandatos com a substituição do Governo, no pressuposto da sua relação de confiança política; (ii) aqueles em que, por terem natureza essencialmente técnica, isso não sucede, podendo porém ser exonerados a todo o tempo.

Penso que o INE, pela sua natureza essencialmente técnica e pela credibilidade pública que as suas funções estatísticas deve possuir, deve pertencer ao segundo tipo. Melhor ainda, o INE deveria integrar à categoria de “entidades administrativas independentes”, para garantir a sua desgovernamentalização. É para isso que a Constituição prevê essa figura, diferente dos institutos públicos comuns.

Com os melhores cumprimentos

Vital Moreira"

Novo Portal do INE

Junho 26, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE 1 Comment →

O INE apresenta hoje o seu novo portal.
Muito sinteticamente acho que é bem melhor que a versão anterior.
De forma igualmente sintética parece-me que há opções estratégicas no mínimo polémicas que me parece dificultarem a navegação pelos dados estatísticos. A sugestão que faço desde já é que se privilegie a pesquisa avançada em detrimento da navegação directa na base de dados -  "Dados estatísticos" - cujos filtros tipicamente filtram muito pouco pois oferecem amiúde dezenas de páginas de resultados possíveis.
De qualquer forma estou certo que o INE estará interessado em obter o feedback dos utilizadores. Notem bem que o Portal deixa de requerer registo e o acesso é inteiramente gratuito.
INE -Novo Portal
 

Tal qual a floribella…

Junho 06, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política No Comments →

No passado dia 23 de Maio a presidente do INE afirmou em cerimónia pública (comemoração do 72 aniversário do INE) que a nova lei orgânica era muito boa segundo os entendidos (julgo estar a ser fiel à expressão exacta da senhora presidente). Hoje leio nos recortes de imprensa que um dos seus dois vogais da direcção (aparentemente em larga sintonia com o que aqui escrevi, provavelmente em simultâneo com as suas declarações publicas) afirmou publicamente que:

"O Instituto Nacional de Estatística não deve ser tutelado directamente pelo Governo da República. A ideia é defendida pelo vogal da administração do instituto, PEDRO DIAS, que avança que "o ideal seria um modelo aproximado do que está a ser posto em prática no Reino Unido", em que o sistema de estatística é tutelado pelo Parlamento, medida que visa, entre outras coisas,"restaurar a confiança do público nas estatísticas oficiais"  
 
"É a história da mulher de César: não só tem de ser séria, como também tem que parecê-lo. Não é correcto que os mandatos dos membros do conselho directivo do INE coincidam com os do Governo. E algo inaceitável, que advém do facto do INE ter sido apanhado por uma lei que foi criada para todos os institutos", critica."

in Diário Insular, 1 de Junho de 2007

Posto isto, estou confuso tal qual a Floribela… 

Em anexo fica cópia do artigo integral para memória futura.

Os estatutos do Instituto Nacional de Estatística e a credibilidade

Junho 01, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 1 Comment →

O mote:

A prosa:

Segundo a lei orgânica recentemente aprovada, objectivamente, o INE é exactamente igual a todos os restantes Institutos Públicos, o que sendo aparentemente muito democrático vai contra todas as indicações de boas práticas internacionais nesta área. 

Porquê?

Um instituto de estatísticas oficiais que tem a sua autonomia limitada ao pilar técnico como se reforçou com a actual lei (não possui autonomia financeira e tem a sua autonomia administrativa limitada pela lei geral) e que adicionalmente pode ver a sua direcção eleita e destituída directa e exclusivamente pelo governo de cada momento, não tendo de respeitar nenhum procedimento adicional de fiscalização, parece-me estar numa posição de risco elevado quanto à independência política (e concomitantemente quanto à qualidade) das estatísticas oficiais.

Recordo que no passado recente do INE, com dois governos distintos (coligação PSD/CDS e agora PS), as duas últimas direcções do INE não cumpriram com os respectivos mandatos de 3 anos. Com esta lei essa prática poderá manter-se e instituir-se sem constrangimento se assim for entendido pelo governo do momento.

Esperar que a alguma (pouca) atenção mediática sirva de dissuasor parece-me lirismo puro. Infelizmente, há que reconhece-lo, o INE não tem junto dos media (fruto da ignorância destes e de algum laxismo histórico do INE) o impacto de um Banco de Portugal. Imagine-se o que se diria se nos últimos 5 anos tivéssemos tido dois governadores do Banco de Portugal que não terminaram os seus mandatos, coincidindo com novos Governos a tomada de posse de um novo Governador.

Na oposição, daqui a uns anos, provavelmente o PS mudará de discurso e "provará do seu remédio" ; o que me espanta, nesta conjuntura, é que ninguém parece minimamente atento ou preocupado com aquilo que me parece ser um oportunidade mal aproveitada para dotar o país de um enquadramento legal que permita desenvolver um sistema de estatística maduro e emancipado.

Não me parece confortável para quem lá (cá) trabalha, nem recomendável para o país fazer recair exclusivamente sobre o sentido de Estado e de responsabilidade dos técnicos do INE (a estipulada independência técnica) a responsabilidade de reagirem, se necessário, a eventuais pressões políticas que venham a ocorrer.

Com esta lei orgânica e conhecendo a natureza humana e as tradicionais tentações do poder político seria de todo recomendável definir garantias adicionais nesta matéria. Mais que não fosse um processo de nomeação da direcção feito de forma colegial, reunindo um largo consenso político e, acima de tudo com projecção pública ficando bem claras as responsabilidades das direcções quanto à garantia da independência política. Algo que ao poucos, nomeadamente com as sucessivas interrupções de mandato vai perdendo o devido relevo. Nunca deveríamos manter como aceitável para o futuro uma nomeação exclusivamente governativa. Provavelmente também seria recomendável passarmos a ter mandatos não de 3 anos, mas com duração superior a uma legislatura o que forçaria os "partidos da alternância" a pensarem duas vezes quanto aos compromissos que deveriam assumir nesta matéria.

Perante o que foi agora definido na lei, parece-me inteiramente legítimo duvidar das intenções do poder político quanto à defesa da independência política do Instituto Nacional de Estatística no futuro. Se pensarmos que os consultores que o INE contratou há poucos anos, grandes especialistas internacionais na área, chegavam a brincar com o facto de o ministro da tutela lá no seu país ter pruridos em estreitar a sua relação com o presidente do INE local além de um aperto de mão na cerimónia da tomada de posse e olharmos para o poder do governo português e a falta de garantias/mecanismos de controlo que hoje existem, estamos conversados.

A velha parábola da mulher de César aplica-se ao INE como não se aplica a mais nenhum Instituto Público e isso deveria ter merecido um tratamento diferenciado na lei. A opção foi a oposta, infelizmente.

Recordo o que aqui se reproduzido em 16 de Novembro de 2006 e que transmite na perfeição o risco em que incorremos:

“ (…) Os organismos de estatística são uma espécie particular, diferentes a todos os títulos de todos os outros organismos governamentais ou institutos públicos. Não regulam, não inibem, não controlam e, definitivamente, não são executores de políticas governamentais. A sua eficiência é medida por duas virtudes:

• A capacidade com que detectam quais são os problemas – sociais, económicos ou ambientais – que prendem a atenção da classe política e do público em geral, não de uma forma temporária, mas permanente, e

• A inteligência com que fornecem informação resumida com a frequência e pormenor necessários, para que o governo, em particular, mas também que as empresas e o público em geral tenham uma melhor percepção do que está a acontecer à sua volta e façam melhores opções quando estas se apresentam. (…)”

(…) Por outro lado, é quase auto-evidente que a informação fornecida pelos organismos de estatística deve ser competente. Menos óbvio é o facto de ter de ser credível – como poucos utilizadores podem verificar directamente a precisão ou objectividade da informação estatística, a credibilidade necessária da informação estatística deve assentar na reputação de quem a fornece. (…).

Estamos preparados para sustentar que não é conveniente que um organismo de estatística seja agrupado com outros organismos oficiais para a definição do estatuto a que estão sujeitos no sistema da administração pública de um país. Nenhum outro organismo tem de se esforçar tanto para se manter demarcado do Governo e dos partidos, de qualquer sinal de que o que é medido e fornecido foi afectado por considerações que não sejam as da imparcialidade na escolha dos objectos e da objectividade na forma de os medir. Chamamos a essa demarcação “independência” e estamos preparados para insistir que, na ausência de uma independência verdadeira e demonstrável, a informação, por muito bem tecnicamente fundamentada que seja, não passará o teste da credibilidade.
(…)"

in Uma Avaliação do Sistema Estatístico Português -  Pontos fortes, pontos fracos e aspectos que requerem atenção imediata, Ivan P. Fellegi e Jacob Ryten respectivamente Presidente do INE do Canada  e Ex- Vice-Presidente do INE do Canada - Otava, Setembro de 2004.

Barco Negro

Maio 22, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Pessoal, Video 3 Comments →

Amália Rodrigues canta David Mourão Ferreira numa da mais comoventes e impressionantes interpretações que alguma vez ouvi.

O Público errou… outra vez.

Abril 20, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE No Comments →

Desta feita trata-se de uma calinada grosseira que faz título. Confunde-se o número de agregados familiares com a população: "Metade dos portugueses não têm rendimento suficiente para pagar imposto" … Naturalmente o que se passa é que nos pouco mais de 3,5 milhões de agregados que há no país, tanto "pesa" um agregado composto por um idoso viúvo quanto uma famílias composta por um casal com dois filhos. Ora se tivermos 10 agregados dos quais 6 forem compostos por idosos a viver sozinhos, com baixas pensões, e 4 forem compostos por, digamos, um casal com dois filhos, teremos 60% dos agregados que não pagam IRS mas também teremos que, em termos populacionais, representam apenas cerca de 27% do total.

O que se passa com o título referido é que é contrariado por uma realidade parecida com a do exemplo prático aqui dado logo, a menos que algo me esteja a escapar (e que não é referido na notícia), temos mais um disparate. (Mais detalhes aqui).

O INE tem informação estatística disponível para consulta sobre a estrutura populacional portuguesa, é só pesquisar um bocadinho… 

O primeiro grande número da governação de José Sócrates

Março 19, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política 10 Comments →

Défice 2006A valor hoje apurado para 2006 (-3,9%) corresponde a uma perspectiva muito positiva e absolutamente inesperada, na sua dimensão, quanto à evolução do controlo do défice público aproximando-se o valor do estabelecido como meta para 2007. Na realidade, perante as tradicionais tangentes ou ultrapassagens aos objectivos planificados e predefinidos, é significativo que esta primeira estimativa fique tão distante pela positiva do valor com o qual o governo português se havia comprometido: 4,6%. Um muito bom momento (relativo a factos concretos) para o governo de José Sócrates. Esperemos que da próxima vez e para memória futura de futuros governos, haja mais contenção, serenidade e sentido de Estado nos dias que antecedem a divulgação pública da informação.

Ao nível da dívida pública (suponho que por via do aumento das responsabilidades do serviço da dívida em ano de incremento internacional das taxas de juro), o cenário não é animador, contudo, se a estimativa agora divulgadapara o défice se confirmar e se servir de referência para o esforço de contenção que ainda falta realizar, o mínimo que se pode dizer é que estamos no bom caminho. Haja inteligência, serenidade e coragem para se perceberem as dificuldades, as armadilhas e os erros grosseiros que estão sempre à espreita no horizonte. 



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