Categories
Política

Apelo à inscrição nas primárias a favor de um país inteiro

Seguro apela a inscrição nas primárias contra a corte de iluminados de Lisboa” Jornal de Negócios

 

Eu sou pela inscrição nas primárias a favor de um país inteiro. Para que a política suba de nível. O urbano iluminado que há em mim entende-se perfeitamente com a raiz rural que muito prezo, raizes lá de Penamacor, vejam bem.
Eu vivo numa tensão pacífica e, espero (procuro), profícua. E tu? És do contra? Para termos alguém a colocar portugueses contra portugueses podemos deixar ficar o governo que lá está.

Categories
Política

Porque me afastei progressivamente de Seguro

Afastei-me progressivamente de Seguro (ou por outras, acabou-se-me a paciência para lhe dar o benefício da dúvida) precisamente porque não lhe encontrei nem um fio de raciocínio (diferente do status quo) que nos pudesse guiar pelos conturbados tempos que ainda temos pela frente, nem uma compreensão do passado recente que me parecesse adequadamente ajustada à realidade. Imaginem portanto o que penso quando vejo esta aposta estratégica da sua campanha em que se apresenta como o tipo que quer discutir ideias. O sensação de ridículo impera. Mas a tragédia é que provavelmente esta lacuna de substrato não é reconhecida, provavelmente pensará (pensarão) que conseguiram mesmo uma grande coisa ao nível das propostas e que são os justos defensores da verdade passada onde tantos são reduzidos exclusivamente à condição de culpados, traidores e, objetivamente, inimigos a abater. Não restem dúvidas, os inimigos para quem se entrincheira desta forma, estão dentro do partido e são eles próprios, de si mesmos.
Juntando a isto a superioridade moral, a antinomia campo-cidade, rurais-urbanos, genuínos-falsos, simples-cultos, fieis-infieis, altruistas-egoistas, esforçados-oportunistas, vítimas-agressores, só me obriga a constatar que haverá um estreitíssimo caminho para a paz no PS num dia seguinte. O PS não pode repetir esta argumentação separatista que nada, mas mesmo nada, tem a ver com a discussão de ideias como qualquer cidadão dotado de juízo consegue compreender.
Estamos perante um supremo castigo que, este sim, dispensávamos: Seguro e a sua direção, em muitas das práticas que usam e na forma como dirigem e constroem a sua mensagem, são uma versão degradada e degradante do pior que este governo tem oferecido ao país. Tudo isto, mais que não houvesse, bastaria para ter de apoiar determinadamente quem se lhe opõem com um módico de elevação. No caso, António Costa.

Categories
Partido Socialista Política

De onde vem o dinheiro para as pré-campanhas de Seguro e de Costa?

De onde vem o dinheiro para as pré-campanhas de Seguro e de Costa? Quem paga, quanto custa? Eu estou disposto a ajudar no que conseguir o candidato que quero ver eleito, mas gostava que a coisa começasse direitinha e bem visível logo à partida, de parte a parte. Não encontro conforto em saber que “alguém há-de pagar” ou está a pagar. QUal é a cerimónia em torno do dinheiro? Ele não cai do céu e mais vale que os militantes, simpatizantes e demais democratas tenham isso bem presente a cada instante.
Gostava que estes “detalhes” passassem a ser encarados com naturalidade e total visibilidade. As boas práticas e a revelação de interesses são fulcrais para a saúde da democracia e devem estar presentes em todas as etapas do processo democrático. Todas. Cá por coisas que tenho em boa conta.
Agradece-se quem possa oferecer esclarecimentos. Para já, o que vejo, e o que ignoro, no me gusta. Detesto ficar na ignorância nestes “detalhes”, fragiliza tudo e todos, sem qualquer justificação legítima que consiga vislumbrar.
Entretanto, demora e demora o conhecimento das regras do jogo que potenciam todo o tipo de desenrascanços. Para quando o regulamento das primárias?

Categories
Política

Costa ou Seguro – pesquisa pessoal a inquiridos inevitáveis

Tenho tentado apurar entre amigos, familiares, conhecidos, colegas de trabalho, gente que vota, não vota, é de esquerda e de direita quantos é que acreditam que o atual SG do PS é a melhor aposta do partido para conseguir o melhor resultado eleitoral nas legislativas e o melhor para governar o país.
Rapidamente me falam de António Costa e a maioria que o prefere e lhe reconhece vantagens consideráveis face a António José Seguro é esmagadora em todos os estratos da minha amostra pessoal. A reação à pergunta é por vezes de incredulidade (particularmente entre os jovens adultos): como se isso fosse sequer matéria de dúvida.
Fica o registo. Procurarei atualizar daqui a umas semanas.

Categories
Política

O que vale um líder?

Seguro foi, objetivamente, um líder medíocre. Esforçado, dedicado mas insuficiente em vários parâmetros que poderemos discutir se para alguém, passados estes três anos, ainda não forem evidentes. Muitos, uma clara maioria de militantes do PS, atrevo-me a dizer, perceberam isso. Um deles teve a ambição e coragem para se chegar à frente a apresentar-se dizendo: “Eu consigo fazer melhor e creio que é a vontade maioritária do partido que me seja dada a oportunidade de o demonstrar o quanto antes. Eu tenho melhores hipóteses e condições de ser primeiro-ministro.”  Não tendo sido um tontinho isolado, mas antes um protagonista de uma maioria de vontades, foi imediatamente apoiado e está a sê-lo por todo o país. Só não vê quem não quer ver. E esta é uma mensagem política poderosa.
O que um líder não medíocre e convicto da sua certeza teria feito de imediato era aceitar a clarificação democrática. Como aliás creio sempre ter sido feito na história do PS. E isto é o fundamental que está em causa. Qual é o melhor líder para o PS e qual o melhor líder que o PS tem para apresentar ao país.
Ignorar esta realidade política incontornável, enterrá-la por baixo de manigâncias e conversões a reformas contra as quais se definiu a própria direção atual do PS quando foi eleita, desvalorizar esta realidade enquanto aspeto crítico num partido que quer protagonizar a governação do país  é um absurdo político que não consigo entender. É, ironicamente, a prova definitiva de que António José Seguro não tinha, nem tem as melhores condições para continuar a ser SG do PS e muito menos para vir a ser primeiro-ministro do país. Esta é uma razão necessária e suficiente para se mudar de liderança. Política simples e cristalina.

Categories
Política

Seguro: um Renzi Serôdio?

“(…) Seguro pode ainda tentar emular Matteo Renzi.”
João Cardoso Rosas em Questões Pessoais no Diário Económico

António Costa liberta o Renzi que há em Seguro, acabei de ler no artigo de João Cardoso Rosas no Diário Económico. Um Renzi tolhido por gente má como as cobras, sabotadores por todo o lado, durante 3 anos, mas agora é que é. Graças a Costa, tudo irá mudar…

Quando se transforma uma contrariedade, alguém que diverge, que se nos opõe na arena política interna, a própria governação anterior, do mesmo partido, na personificação de todo o mal e a fonte de todos os nossos problemas só há uma coisa a fazer: consultar ajuda especializada que nenhuma contra-argumentação política poderá valer.

Nada disto é novo nas batalhas políticas – a divergência, o antigo com o novo poder, o seu conflito e mediação, o que estava e o que quer estar… O que é novo é esta interpretação completamente unidirecional. Não valeria a pena tentar de facto mudar os termos (durante estes três anos)? Quem teria o poder de ditar essa agenda de reflexão interna? Mas para quê encetar uma discussão sobre o passado, digeri-lo e recicla-lo quando pudemos simplesmente chamar ao outro sabotador?

Houve uns arremedos de generosidade pelo meio, mas onde vi falha no momento seguinte não foi em quem é agora diabolizado. Ficamos contentes connosco, arranjamos um inimigo comum para unir as tropas e… perdemos qualquer hipótese de conseguir ter um partido competente para governar. Este é talvez o maior de todos os problemas, uma permanente perceção de ameaça de um inimigo que nunca se quis enfrentar evitando assim o próprio conflito com eventuais fragilidades do nosso pensamento, da nossa narrativa e das nossas capacidades.

Continuo a achar que, do que vejo, o PS só consegue (e consegue) ser um grande partido, com os recursos necessários para a tarefa que se avizinha, caso venha a ser governo, se os melhores de todas as fações conseguirem encontrar um termo de entendimento e colaboração. Não há assim tanta gente boa e boa gente na vida política com dedicação e competência para fazer bons governos… É um facto. Com Costa no poder será também assim, a tropa não será suficiente ainda que me pareça bem mais próxima do ideal, mas com a solução atual presa numa visão a roçar a paranoia, a autoindulgência e autocomiseração não vejo como. Que se mude e depressa para se voltar a tentar começar a conversar. Com outra liderança, naturalmente. Isto não vai lá com Renzis serôdios.

 

Categories
Política

Algumas razões para mudar de direção e apoiar António Costa

Não estou alinhado em fações internas, sou militante recente apesar de observador atento e eleitor regular desde sempre. Tenho amigos que hoje representam várias fações. Neste quase ano e meio de militância participei ativamente no que me foi possível, dando o contributo que sabia e pude dar, inclusive em iniciativas lançadas pela a atual direção.
Sempre que pude, em privado e, com menos detalhe, em público, comentei o que me parecia bem, mal e inaceitável. Este mês cheguei à conclusão pessoal definitiva de que o trabalho global da direção do partido não me dava garantias de cumprir com o mínimos exigíveis naquilo que se avizinha uma governação extremamente complicada e não cumpria sequer, também, com a gestão política exigível de quem lidera a oposição. Os 80 compromissos disseram-me muito pelo desequilibrio das propostas e pelo vazio e/ou superficialidade com que se referia a algumas áreas críticas da governação. Das pessoas recrutadas poucas me pareceram superar valores internos próximos e distantes da direção. Para mim funcionou como um balde água fria.

Bem antes de saber das intenções de António Costa, até antes das eleições, fiz esse diagnóstico e comentei-o com quem consegui dentro do PS. Por exemplo com camarados e não militantes que participam no LIPP Movimentos Sociais, grupo em que venho participando ainda antes de ser militante e que me levou a aproximar ao PS.

A noite eleitoral, pelo resultado absolutamente supreendente do PS e pela própria gestão política da noite eleitoral foi a minha gota de água. Se hoje António Costa não se tivesse afirmado como disponível eu estaria humildemente a preparar-me para o que antecipava, provavelmente conseguiria mudar pouco, provavelmente a mistificação venceria, co msorte bons ministros até supririam a ausência de balizas políticas internas em algumas áreas setoriais, provavelmente tudo pareceria bombeiro mas eu, em particular, estaria suficientemente motivado para cumprir com o que acho seria o meu dever e direito de militante: zelar pelo que interpeto a cada momento ser o melhor para o país.

António Costa veio facilitar-me a tarefa e com facilidade me junto aos militantes que afirmam que esta é, face à ameaça e à oportunidade perdida pela atual direção, a hora certa, a última hora para se lutar por um melhor PS que se apresente às legislativas. António Costa pelas competências que lhe reconheço e pela capacidade que já lhe vi em superar obstáculos, em reunir competências e pela avaliação que acredito os portugueses fazerem da sua carreira e da sua capacidade para governar está hoje melhor posicionado do que qualquer outro militante para garantir um melhor futuro imediato para o PS e uma melhor representação num governo dos interesses dos portugueses que se revêem no PS.
E é isto, pouco mais tenho a dizer. Interessam-me pouco as manchas passadas, as guerrilhas mais ou menos abjetas havidas que on the record e off the record me chegam aos ouvidos, de parte a parte. Nalguns caso, pude refutar as críticas (apenas naqueles em que vi com os meus próprios olhos provando o seu contrário – como seja a acusação de deslealdade- via foi generosidade que não pensava possível num grande partido…) noutros não tenho como avaliar nem devo fazê-lo confiando que em várias décadas de vida política haja pecados de parte a parte.
Esta direção foi esforçada, teve alguns bons momentos, nem tudo o que fez foi mal feito, deu provas de como ganhar eleições autarquicas num parte do país mas não chega, faltou-lhe o rasgo, a audácia e a capacidade de reação atempada demasiadas vezes. Sobraram-lhe inimigos reais mas exacerbados que tantas vezes lhes tolheram e surviram de desculpa para as suas fragilidades. E hoje, por estes dias, ao insistir em negar as evidências, ou recusar encarar com humildade e realismo o que os eleitores ditaram nas urnas, garante-me uma atitude que não quero ver no PS e que sei nada de bom trará neste mundo complicado para se assumir a política. Espero que a futura direção, se vier a conquistar o partido, tenha tudo isto bem presente. Creio que sim, por isso espero que uma maioria de militantes apoiem António Costa.

Categories
Política

A ténue diferença entre ser-se político e ser-se populista

A má imprensa tem sido um argumento apologético recorrente para resultados menos bons em eleições. Não negando que terá um papel não desprezível, não me convence como razão fundamental. Veja-se este post do João Nogueira Santos no Facebook:João Nogueira Santos no Facebook:

MPT e LIVRE vão ter 9,4% dos votos. Dois partidos sem meios, que ninguém conhecia, mas com candidatos com alguma notoriedade e com percurso reconhecido na vida pública.

Este resultado demonstra que afinal é possível a sociedade civil entrar no sistema para o mudar por dentro. Mas para tal é preciso que os seus membros mais reconhecidos e prestigiados, deixem-se de conversa e venham a jogo nas eleições, em atuais ou novos partidos. Obrigado Marinho Pinho e Rui Tavares pelo vosso exemplo e esforço.

É caso para dizer: Se eles conseguem, o que estará a correr mal? Será que o problema está sempre no outro? Marinho construi a imagem ao longo de anos, Rui Tavares também. Dos dois prefiro o exemplo do segundo, outros preferirão o do primeiro, mas o que é certo é que se fizeram políticos. Todos sabem o que pensa Marinho e Pinto, muitos sabem o que pensa o Rui Tavares.

Começar com uma folha em branco numa direção partidária de um partido com a dimensão do PS ou do PSD, com pouca densidade política reconhecida pelos eleitores nos anos que a antecederam (nota: camaradas de partido, não são eleitores comuns, o que releva é o que “sai para fora”) foi e está a ser parte do problema. A má imprensa não explica tudo. E isto tanto serve para os incumbentes no PS como para os que estejam a pensar ficar pela calada à espera da próxima oportunidade “segura”. A política ficou mais complexa, a aversão ao risco não é uma opção, atualizem-se!

Categories
Política

Quem descobriu agora que o PS assume que não tem varinha mágica ponha o dedo no ar

Óscar Gaspar, um dos mais influentes membros do órgão executivo do PS em matéria de gestão orçamental afirmou que: “Não há varinhas mágicas mas PS trabalhará para repor salários”

Segundo o PSD esta afirmação revela que “caiu a máscara ao PS”.

Nada disto é verdadeiramente espantoso, o  que é espantoso é que houvesse quem dissesse que o PS alguma vez tinha prometido ou garantido que isso se faria com um passe de mágica, num instante. Recordo por exemplo que quando todos os indicadores estavam a sair frustrados face às previsões da troika, com a recessão a ser muito pior, com o desemprego a ser muito pior, a dívida a evoluir muito pior, o PS  defendeu que o desvio não se resolvia com MAIS austeridade. No discurso de muitos o “MAIS” caiu para fazerem do PS o tal partido irresponsável.
Curiosamente, renegociou-se a dívida (com mais tempo e mais algum dinheiro), assinou-se mais austeridade e uns meses depois, um misto de  recuperação económica global, de fuga para a frente de muitos que emigraram e um efetivo travão a MAIS austeridade (via TC) começaram a dar proveitos. Os que ridicularizaram o PS quando antes tinha dito que precisavamos de mais tempo e mais dinheiro…


Quanto ao resto houve divergências importantes na composição da austeridade. Onde o PSD/CDS concentraram o sacrifício (excessivo e imediato) sobre a Função Pública e reformados, o PS teria disperso por todos os portugueses de igual rendimento minimizando a tomada de decisões dramáticas de muitas famílias e evitando o colapso do funcionamento eficaz de muitos serviços do Estado. Ou seja, onde o PSD/CDS optaram por violar a constituição, o PS muito provavelmente teria conseguido respeitá-la.
E onde o governo sempre quis ir além da troika desprezando qualquer entendimento (sendo arrogante mesmo), o PS teria desempenhdo o papel que  se esperaria de um governo que zelasse pelos interesses dos
portugueses: informado e consciente de que sem disputa política junto dos nossos parceiros (que preferem ser apenas credores), ficariamos muito pior.

Infelizmente aí não seguimos o exemplo da Irlanda, que curiosamente, sendo ainda mais papista do que nós (face à fé católica, não face à troika) lidou muito melhor  com a acusação da “culpa” e não cedeu a tudo o que lhe apresentaram. Lá foram negociando (mais os gregos) e nós  beneficiando apenas, parcialmente, do que eles conseguiram, como free rider bem comportado.

Entretanto temos menos produto, menos recursos, mais miséria, muito mais desemprego e muito mais dinheiro em dívida e necessidade de tempo para o pagar. Caiu a máscara ao PS, dizem eles. Não é verdadeiramente espantoso?

Categories
Política

Mais um novo partido a bater à porta da democracia

O LIVRE nasceu e tem uns modos diferentes. É um novo partido que tem gente muito boa e outra que não conheço. Tem neurónios e vontade e há-de ter uma imensa ingenuidade – o que em política é coisa de raro proveito (que não nulo…) e potencial desgraça. O que quer ser, sabe-se um pouco. Sabe-se também que se irá construindo, mais do que se propunham outros (ainda que na prática seja assim com todos). Pois que venham por bem e que se estabeleçam. Que pe0ecebam que só vale a pena com coração de maratonista. E que para o meu partido sejam uma saudável ameaça (até nos modos de fazer política e de organização interna, se forem capazes) e um adversário respeitável. Se assim for, terão certamente um lugar decente na nossa democracia. Afinal, é preciso sair do sofa, ou, como diz um amigo meu, descalçar a pantufa. E agora, faça-se política da boa que o país e o mundo bem precisam. Felicidades!