Adufe sans frontiers

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
Subscribe
  • Home
  • Sobre
  • Contactos
  • Translator


… começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas rua…

Abril 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa, Religião

Share

21h00? Porque não? 

Republica-se um excerto da Rua da Judiaria [texto de Damião de Góis (ligação para uma bibliografia ficcionada) (1502-1574)]:

«500 Anos: O massacre de Lisboa V

March 27th, 2006 – Testemunhos

Antes que el Rei fosse de Lisboa para Almeirim, ordenou Tristão da Cunha à Ã?ndia por capitão de uma armada, da qual, e do que nesta viagem se fez se dirá adiante, no ano de mil quinhentos e oito, em que tornou. Pelo que nestes dois capítulos, que são já derradeiros desta primeira parte tratarei de um tumulto, e levantamento, que aos dezanove dias de Abril, deste ano de mil quinhentos e seis, em Domingo de Pascoela fez em Lisboa contra os cristãos-novos, que foi pela maneira seguinte.

No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, e os corpos mortos, e os meio vivos lançavam e queimavam em fogueiras que tinham feitas na Ribeira e no Rossio a qual negócio lhes serviam escravos e moços que com muita diligência acarretavam lenha e outros materiais para acender o fogo, no qual Domingo de Pascoela mataram mais de quinhentas pessoas.

A esta turma de maus homens, e dos frades, que sem temor de Deus andavam pelas ruas concitando o povo a esta tamanha crueldade, se ajuntaram mais de mil homens da terra, da qualidade dos outros, que todos juntos segunda-feira continuaram nesta maldade com maior crueza, e por já nas ruas não acharem cristãos-novos, foram cometer com vaivéns e escadas as casas em que viviam, ou onde sabiam que estavam, e tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes. Nas quais cruezas não se esqueceram de meter a saque as casas, e roubar todo o ouro, prata, e enxovais que nelas acharam, vindo o negócio a tanta dissolução que das igrejas tiraram muitos homens, mulheres, moços, moças, destes inocentes, despegando-os dos Sacrários, e das imagens de nosso Senhor, e de nossa Senhora, e outros Santos, com que o medo da morte os tinha abraçado, e dali os tiraram, matando e queimando sem nenhum temor a Deus assim a elas como a eles.

Neste dia pereceram mais de mil almas, sem que na cidade alguém ousasse de resistir, pela pouca gente de sorte que nela havia por estarem os mais dos honrados fora, por causa da peste. E se os alcaides, e outras justiças, queriam acudir a tamanho mal, achavam tanta resistência, que eram forçados a se recolher a parte onde estivessem seguros, de não acontecer o mesmo que aos cristãos-novos. (…)

Passado este dia, que era o segundo desta perseguição, tornaram terça-feira este danados homens a prosseguir a sua crueza, mas não tanto quanto nos outros dias porque já não achavam quem matar, pois todos os cristãos-novos que escaparam desta tamanha fúria, serem postos a salvo por pessoas honradas, e piedosas que nisto trabalharam tudo o que neles foi.”»

Continua aqui.

Os comentários estão fechados.

← Mais funcionários públicos
Mais logo no Largo de São Domingos ao Rossio →
  • Receba por Email

    • Inscreva-se aqui
    • Siga-me no twitter.
  • Subscreva o Adufe

    • Entradas (RSS)
    • Comentários (RSS)

  • Comentários

    • Rui MCB em O “Novo” abono de família e o apoio à natalidade – aspectos práticos
    • judith de oliveira em O “Novo” abono de família e o apoio à natalidade – aspectos práticos
    • Francisco Luiz em “Caso Esmeralda: Texto Integral do Acórdão” (actualizado)
    • Fil J em Documentário de 1965 sobre Leonard Cohen
    • Todos pela liberdade (3) « BLASFÉMIAS em Não me visto de branco, mas também não passo mais cheques do dito
  • Artigos Recentes

    • Haverá relação entre o celibato e a pedófilia?
    • Gipsy – Shakira & Nadal
    • Noite perfeita
    • História do canário e demais fauna
    • Weapons of Mass Creation
  • Categorias

    • As Crónicas e os Contos
    • BD
    • Blogologia
    • Brasil
    • Ciência e Tecnologia
    • Cinema
    • Curiosidades Estatísticas
    • Desporto
    • Ecologia e Natureza
    • Economia
    • Educação
    • Electrico 28
    • Fotografia e Pintura
    • Gastronomia
    • INE
    • Justiça
    • Letras e Livros
    • Lisboa
    • Media
    • MEP
    • Mimos
    • Palavras dos Outros
    • Pessoal
    • Poesia e Música
    • Política
    • Portugal
    • Post patrocinado
    • Publicidade
    • Religião
    • Saúde
    • SCP
    • Sociedade
    • Teatro
    • Viagens
    • Video
    • Web
  • Arquivos

    • Março 2010
    • Fevereiro 2010
    • Janeiro 2010
    • Dezembro 2009
    • Novembro 2009
    • Outubro 2009
    • Setembro 2009
    • Agosto 2009
    • Julho 2009
    • Junho 2009
    • Maio 2009
    • Abril 2009
    • Março 2009
    • Fevereiro 2009
    • Janeiro 2009
    • Dezembro 2008
    • Novembro 2008
    • Outubro 2008
    • Setembro 2008
    • Agosto 2008
    • Julho 2008
    • Junho 2008
    • Maio 2008
    • Abril 2008
    • Março 2008
    • Fevereiro 2008
    • Janeiro 2008
    • Dezembro 2007
    • Novembro 2007
    • Outubro 2007
    • Setembro 2007
    • Agosto 2007
    • Julho 2007
    • Junho 2007
    • Maio 2007
    • Abril 2007
    • Março 2007
    • Fevereiro 2007
    • Janeiro 2007
    • Dezembro 2006
    • Novembro 2006
    • Outubro 2006
    • Setembro 2006
    • Agosto 2006
    • Julho 2006
    • Junho 2006
    • Maio 2006
    • Abril 2006
    • Março 2006
    • Fevereiro 2006
    • Janeiro 2006
    • Dezembro 2005
    • Novembro 2005
    • Outubro 2005
    • Setembro 2005
    • Agosto 2005
    • Julho 2005
    • Junho 2005
    • Maio 2005
    • Abril 2005
    • Fevereiro 2005
    • Janeiro 2005
    • Dezembro 2004
    • Novembro 2004
    • Outubro 2004
    • Setembro 2004
    • Agosto 2004
    • Julho 2004
    • Junho 2004
    • Maio 2004
    • Abril 2004
    • Março 2004
    • Fevereiro 2004
    • Janeiro 2004
    • Dezembro 2003
    • Novembro 2003
    • Outubro 2003
    • Setembro 2003
    • Agosto 2003
    • Julho 2003
  • Meta

    • Iniciar Sessão
    • RSS dos Posts
    • Feed RSS dos comentários.
    • WordPress.org
  • Economia & Finanças

  • Onde estão os Números?

  • Páginas

    • Contactos
    • Sobre
    • Translator
  • Adufe

    Follow this blog
  • Blogroll

    • 100 Nada
    • A Aba de Heisenberg
    • A Barbearia do Senhor Luís
    • A Blasfémia
    • A Invenção de Morel
    • A Metamorfose
    • A Natureza do Mal
    • A Origem das Espécies
    • A Palavra Aberta
    • A Vida Breve
    • Abrupto
    • Activismo de Sofá
    • Adufe 1.0
    • Adufe 3.0
    • Almocreve das Petas
    • AmericaBlog
    • António José Seguro
    • Arrastão
    • Atlântico Expresso
    • Avatares de um desejo
    • Ânimo
    • Banco Corrido
    • Bibliotecário de Babel
    • Bios Politikos
    • Bioterra
    • Bloga-me Mucho
    • Blogo Existo
    • Blogouve-se
    • Bloguítica
    • Cachimbo de Magritte
    • Causa Nossa
    • Cão de Guarda
    • Cibertulia
    • Cinco Dias
    • Claras em Castelo
    • Claudiarium
    • Climate Crisis
    • Coisas como elas são
    • ContraFactos
    • Coreia do Norte
    • Corta Fitas
    • Cortex Frontal
    • Crítico
    • Crónicas da Terra
    • Crónicas de Campanha
    • Da Literatura
    • Delito de Opinião
    • Economia & Finanças
    • Errante
    • Escola de Lavores
    • Especulador Prudente
    • Espreitador
    • Estado Civil
    • Euronext Lisbon
    • Farto Disto
    • Fernando Nobre
    • Francisco Sena Santos
    • Frenchkissin
    • Gattopardo
    • Geração Rasca
    • Get a Second Life
    • Glória Fácil
    • GLQL
    • Goodnight Moon
    • GranoSalis
    • Há Mouro na Costa
    • Ideias Soltas
    • In Verbis
    • Insónia
    • Intima Fracção
    • Jorge Seguro Sanches
    • Klepsydra
    • Kontratempos
    • Laurinda Alves
    • Livre Indirecto
    • Lua
    • m.m.botelho
    • Ma Schamba
    • Mais Actual
    • Mar Salgado
    • Margens de Erro
    • Marketing de Busca e SEO
    • Marquesa
    • Mas Certamente que Sim!
    • Mau Tempo no Canil
    • Mãos ao ar!
    • Melhor é possível
    • Memória Inventada
    • Memória Virtual
    • Minha Rica Casinha
    • Miniscente
    • Miss Pearls
    • MLS Blogue
    • Movimento Esperança Portugal
    • Movimento Liberal Social
    • Mudar o Mundo
    • Mundo Pessoa
    • Na Web 2.0
    • Nabisk (Benquerença)
    • O 31 da Armada
    • O andarilho
    • O Canhoto
    • O Carmo e a Trindade
    • O céu sobre Lisboa
    • O Fio dos Dias
    • O Insubmisso
    • O Insurgente
    • O meu filho e eu
    • O Mundo de Cláudia
    • O Mundo Perfeito
    • O País do Burro
    • O Valor das Ideias
    • Observatória da Imprensa
    • Onde estãos os números?
    • Os dedos
    • Outro, Eu
    • Peão
    • Penamacor
    • Ponto Media
    • Portugal dos Pequeninos
    • Povo de Bahá
    • Pura Economia
    • Quase em Português
    • Quatro Caminhos
    • Rastos de Luz
    • Respirar o mesmo ar
    • Retórica
    • Retorta
    • RIP – 100 Nada
    • RIP – Tugir
    • Rodrigo Santoro
    • Rua da Judiaria
    • Rui Tavares
    • Saúde SA
    • Sarah Adamo.
    • Sem Pénis nem Inveja
    • Snowgazestarkiss
    • Sociedade Aberta
    • Sociedade Anónima
    • Still kissin’
    • Strange Lepton
    • Tempo dos Assassinos
    • The Old Man
    • Timshel
    • Todos pela Liverdade
    • Um Amor Atrevido
    • UnderWorld
    • Vem da China
    • Viagens no Espaço
    • Vida das Coisas
    • Voz do Deserto
    • Welcome to Elsinore
  • Utilitários

    • As melhores taxas de juro
    • Bloglines do Adufe
    • Blogservatório
    • Casa da Leitura
    • Dicionário
    • European-Mediterranean Seismological Centre
    • Neste Momento
    • Penamacor no Sapo
    • Português Exacto
    • Sporting Clube de Portugal


Adufe sans frontiers © 2007 All Rights Reserved. Using WordPress Engine Algumas imagens são Royalty Free da Corbis
Entries and Comments.

Prosumer 1.4 made by Nurudin Jauhari



Estatísticas