Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for February, 2006


10.000.000.000 + qualquer coisa

"Quanto custa o TGV?" Caxa do JCD via A Blasfémia.

Wishful thinking político (para terminar)

Continuação daqui

Pegando comodamente nas definições habituais, o socialismo de amanhã será aquele que, sem preconceitos quanto aos meios, não se esqueça dos seus objectivos e daqueles que quer defender.

Hoje, a luta – sim a luta, há sempre uma luta – faz-se nessas duas frentes. No entanto, para já, avaliando as terceiras vias ainda em vigor, parece haver um excessivo enfoque nos meios/métodos com a aquisição de traumas face a soluções do passado (traumas resultantes mais de maus diagnósticos históricos do que da confirmação da inadaptação dos métodos à realidade), bem como com um certo arregimentamento pouco sóbrio de soluções mais caras a uma suposta facção inimiga (os neo-liberais) que desencadeia habitualmente a perda das referências face à novidade dos instrumentos anteriormente proibidos. Esse é o problema. Nenhum método é mau por natureza, mas o inverso também é verídico.

Por cá talvez estejamos a enfrentar também este dilema mas era bom que pudessemos queimar essa etapa. A justificação financeira para a não inclusão da Saúde Oral no SNS é o pior dos caminhos. Sem dúvida o mais fácil, talvez mesmo bem aceite (tipos como eu podem, por exemplo, vê-lo como um mal necessário com que tenhamos de continuar a vivier), mas … Mas prova o erro: não será a saúde oral prioritária face a outros gastos do Estado?

A cultura de um povo começava nos valores mais básicos da dignidade humana. Só depois de se garantir esse provimento (dando e, quando possível, "ensinando a pescar") deveriamos considerar o resto, a alta cultura, digamos assim. E contudo para essa vai havendo dinheiro. Já vai sendo tempo de assumirmos estes difíceis (?) dilemas e decidir, por exemplo: ajudamos quem quer ir à Opera/fazer Cinema/fazer Teatro/escrever livros ou quem quer ter acesso a um dentista?

O que é certo é que não consigo ouvir um (1) deputado a completar as suas propostas com o deve e o haver. Da oposição diz-se que tem de se fazer sem explicar como e onde arranjar dinheiro, da posição diz-se que não há dinheiro porque não há, não se indo além de um triste remedeio e esconjurando qualquer tipo de análise global do Estado (é particularmente assim no parlamento, um pouco menos no Governo, felizmente).

Se calhar temos um défice de consciência de classe neste país, é o que é… O que, a ser um facto, só nos pode perspectivar o pior num cenário de crise mais profunda. Isso é matemático

A ler

"A Questão Nuclear" – Sérgio Figueiredo no Jornal de Negócios.

Wishful Thinking político

Já há mais de um nao que ando para pegar neste assunto. Hoje tive pretexto. 

Um dos problemas mais evidentes (e confrangedores) de saúde pública que enfrenta o nosso país é a saúde oral. Por mais voltas que se dê ao problema, há alguns factos históricos que estão intimamente relacionados com o mau estado de saúde das nossas bocas.

Tratar dos dentes sempre foi um luxo, nunca foi reconhecido e assumido como uma necessidade básica de cuidados de saúde e, como tal, nunca existiu oferta no seio do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Hoje o assunto esteve em debate no Parlamento

Uma larga fatia de portugueses continua sem ter acesso a cuidados de saúde oral – são efectivamente caros. Na conjuntura actual, o partido do governo afirma que alargar o âmbito do SNS à saúde oral seria dar um passo largo no sentido da falência do Serviço. Talvez seja assim, será seguramente assim se assumirmos um valente ceteris paribus quanto ao resto do SNS e enquanto não reconfigurarmos as prioridades ao nível das competências globais do Estado – cada vez a gastar mais no SNS perante uma medecina em evolução e perante uma população em  envelhecimento, mas a não abandonar nada de relevante no resto das suas funções habituais.

Assumido o dilema, convém sublinhar bem sublinhado que este é um custo global que nos envergonha enquanto país e é uma situação que nos perseguirá.

Desculpem que vos diga, mas convém sublinhar que é também assim que se paga o que corre mal na administração pública portuguesa. Enquanto este tipo de questões não puder ser encarada e resolvida teremos fortes motivações para não concedermos um milímetro àqueles que continuam a tomar como seu aquilo que é de todos. Se acham que exagero basta que saiam das grandes cidades (nem seria preciso) e olhem para a boca (também não é preciso) dos portugueses, talvez até dos vosso familiares que vivem na Santa Terrinha.

O mercado teve liberdade total para operar, mas o ajustamento para grandes fatias da população revelou-se insuficiente. Seria interessante contabilizar, por exemplo, que custos directos e indirectos para o país e para o próprio SNS terão sido justificados pela ausência de oferta para os portugueses menos abonados financeiramente. Qual o custo em dias de trabalho perdidos, anti-bióticos, internamentos, etc, associados a problemas de saúde potenciados por uma boca podre.

A racionalização de recursos, a optimização de processos de produção, o combate ao desperdício, às injustiças e à corrupção, a redução do âmbito de acção do Estado em muitas matérias, não deve reflectir-se de forma cega em todas as áreas. Há situações nas quais ainda precisamos de mais Estado (e sempre de melhor Estado). E é apenas a diferença de acção e de objectivos que distinguirá as opções políticas do futuro próximo.

A forma como conseguir o sol (em parte) da eira e a chuva (em parte) do nabal é o desafio que temos pela frente.

(continua)

Há assuntos que nunca saem de moda

Mais leitura recomendada, agora na blogoesfera: É o Miguel Silva no Tempo dos Assassinos. A não perder! 

" (…) Não pretendo adoptar uma postura hiper-moralizadora, para a qual não tenho convicção nem feitio, tal como não pretendo acusar toda a classe política de ser corrupta ou, no mínimo, mal formada. Mas as evidências apontam para uma realidade na qual o sector público tem vindo a beneficiar, de forma recorrente e muito pouco clara, determinados grupos em detrimento da esmagadora maioria da população. Perante a ilegalidade, é de importância fundamental adoptar medidas que limitem as oportunidades para o ilícito, ao mesmo tempo que se deve encontrar e punir adequadamente os infractores. Mas, para isso, é necessário também um sistema judicial a funcionar ao seu melhor nível, o que dificilmente se pode dizer que tenha vindo a acontecer recentemente. Assim, mais uma vez, para completar este longo périplo, voltamos a deparar-nos com a ineficiência dos serviços do Estado como principal entrave à prossecução do bem público. E, mais uma vez, as coincidências são mais que suficientes para que a desconfiança se imponha.

É seguramente difícil manter um nível de motivação com a causa pública quando esta parece não reverter a favor dos que dela mais necessitam. Torna-se difícil manter um nível elevado de interesse pela política quando os seus agentes parecem mais preocupados com os seus pequenos jogos e com os seus interesses particulares do que com o bem público. Por estas razões, talvez mais do que nunca, é necessário que os ânimos não se abatam, que o desinteresse não vença e que se exija mais e melhor. Não para a pátria, noção bacoca e abstracta, dada a interpretações numéricas dúbias, mas para as pessoas que neste país habitam. Deve ser para elas que a economia deve laborar. "

In Tempo dos Assassinos 

Leituras recomendadas

Maria Manuel Leitão Marques: "Um Anti-Kafka", da presidente da UCMA e vizinha esporádica no Causa Nossa. Encontram-se por lá pistas sobre o que poderão ser algumas das referência a introduzir pela Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa.

Manuel Mira Godinho: "Síndrome da Baía dos Porcos", um problema à solta no nosso governo relativo aos processos de tomada de decisão. 

E num registo mais cómico, Domingos Amaral: "O fundamentalista em nós", um texto dedicado à blogoesfera esse sítio que é um perfeito sucedâneo do que se pode ouvir numa viagem de taxi. 

Tudo no Diário Económico e on-line em regime gratuito desde as 14h00; a hora que marca o início da segunda vida dos diários de economia.

Última hora: Houve tremor de terra em Maputo, tudo bem na Maschamba

Benfica-Porto: prognóstico

Sendo impossível perderem os dois espero que oresultado final seja uma vitória do Sporting frente à Académica.

E para terminar deixo-vos os outros três tipos de resultados que deixarão muitos sportinguistas felizes (resultado de um estudo-caso feito com base nas reacções recolhidas no Estádio de Alvalade em vários eventos desportivos):

1. Empatam (não interessa se com ou sem golos);

2. O Porto perde (por meio golo serve);

3. O Benfica perde por pelos menos 5 golos de diferença.

A lição mal estudada

Eu devo ter ouvido mal, mas à hora de almoço pareceu-me ter ouvido Marques Mendes (lider da oposição em Portugal) dizer algo do género: o desemprego está a subir; teve uma subida brutal ao longo do último ano; essa subida brutal é já da responsabilidade do actual governo; este governo tem levado à actual situação através de sucessivas birras como sejam os projectos como a Ota e o TGV.

Não foi isto que ele disse pois não?

Ora bem: a malta não engoliu bem aquela história da Ota e do TGV (que começam a ser construidos lá para final da década). A malta também não grama ter desemprego elevado.

O que faz o líder da Oposição? Junta com cuspo as duas coisas na mesma frase.

Tirem-no deste filme e arrangem um actor melhor, depressa, a bem da governação. Caro Marques Mendes, não é bem isso que se retira dos ensinamentos de Frank Luntz.

E os revisionistas?

Está tudo aqui, num minúsculo manual com os custos e benefícios da liberdade de expressão. A resposta não poderia ser outra. Agora… um mentiroso é sempre um mentiroso.

Não vejam a 2:

Particularmente hoje, terça-feira e a esta hora (entre as 22h30 e as 23h30) não vejam a 2: (RTP 2). É demasiado perigoso. Extremamente perigo. Fujam da TV. Pelas vossas alminhas, não vejam mesmo. Não precisam de me agradecer… Não estão ao ver, certo?