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E se o PSD/CDS estivessem no governo em 2011?

Há uma pergunta que muito poucos têm feito mas a que valia a pena regressar para sermos honestos com a nossa consciência. Se o PSD/CDS estivessem no governo em 2011, será mesmo que não tinham conseguido falir a Irlanda, a Grécia, Portugal e a Espanha como o fez o PS português na sequência da maior crise financeira internacional?

Recordem-se quão completamente desligada da realidade foi a sua campanha eleitoral, as promessas que fizeram já com a troika cá.

O PSD/CDS teriam mesmo feito diferente? Por muito batido que seja o tema, as PPP tiveram um impacto irrisório na dívida (excelente para vender jornais e indignar muita gente, mas insignificante para o desfecho da crise local), o TGV e o Aeroporto, por inacreditável que possa parecer a muitos portugueses, não foram construídos e o resto do mundo esteve mesmo perante a pior crise em 90 com os países mais atrasados da Zona Euro a revelarem-se como os mais vulneráveis no mundo desenvolvido.

É curioso como se fala tanto das PPP e de supostas despesas colossais dos governos socialistas mas olimpicamente se ignora o que se passa de forma quase instantânea numa crise de grandes dimensões: o desemprego disparou, bem como as falências, esmagou-se o investimento, o consumo, em suma, parou a economia e, como disse, automaticamente, disparam as despesas do Estado e esmagaram-se as suas fontes de receita ao que se juntou o tirar de tapete dos nossos poderosos parceiros que num instante (literalmente) com uma frase, fizeram disparar o custo da dívida presente e futura.

Em que é que o PSD/CDS teriam conseguido e querido fazer diferente para evitar o colapso? Em 2009 teriam sido o único governo a reduzir despesa quando a União combinava estimular a despesa pública para evitar que a economia colapsasse (é daí que vêm os projetos de recuperações de escolas, por exemplo)? Isso é credível? E mesmo que o tivessem feito teria alterado alguma coisa face ao essencial que se passou em 2010 e 2011? Não acredito, muito francamente. Em economias com elevadíssimas dívidas nas empresas, no setor financeiro, nas famílias e, posteriomente, nos Estados nada do que estava ao alcance de um governo de uma pequena economia aberta, comparativamente bem mais atrasada do que os países dominantes da zona monetária em que estava integrada teria feito grande diferença.
Que sentido faz dizer que o PS faliu sozinho Portugal (e mais um punhado de países?!) perante estes factos históricos? Politicamente, o PS pode queixar-se de uma trágica coincidência histórica, mas quem queira olhar com realismo para os factos talvez consiga, na melhor das hipóteses, discutir o grau de mistificação com que teríamos enquadrado a situação inevitável imposta pela Europa (afinal até parece que a Espanha não “faliu” não é?), mas o essencial não estava sob controlo do governo português como não estará no futuro próximo se a conjuntura externa voltar a degradar-se. É esse o nosso grau de vulnerabilidade.

Em suma, em que é que queremos acreditar, nos factos ou numa narrativa simplista que nos dá um culpado absoluto, aqui à mão, para simplificarmos a nossa cabecinha?

Sublinho, de novo, que o próximo governo, seja de que partido for, corre o sério risco de enfrentar outra grande crise financeira internacional com consequências dramáticas para Portugal e para vários outros países. O próximo Primeiro Ministro pode muito bem vir a ser acusado de falir ainda mais países do que faliu José Sócrates. Essa é que é essa, seja qual for o programa político económico local que venha a implementar. Ainda assim, como a incompetência que este governo demonstrou em várias áreas sectoriais como as da educação, saúde, justiça e também na política europeia, a escolha a fazer em outubro não é indiferente. Para enfrentar uma batalha difícil é ainda mais importante escolhermos quem tem o coração e a cabeça no sítio certo.

E pode até ser, quem sabe, que a crise não chegue a surgir e que tenhamos, nesse caso, ganho quatro anos de trabalho pela modernização da nossa economia, sem deixar ninguém para trás, a única forma de deixarmos de sofrer de tão elevados níveis de vulnerabilidade, dentro do contexto da Zona Euro.

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