Sob uma cortina de fumo
A ler "Nova Refinaria em Sines" pelo Paulo Gorjão.
A ler "Nova Refinaria em Sines" pelo Paulo Gorjão.
A ler "Hamas" no Blasfémias pelo JCD.
… os posts políticos do Pedro Mexia (de ontem e de hoje)
Ao cuidado do INE:
"RESPOSTAS QUE VALEM DINHEIRO (1). Procuram-se dados estatísticos sobre o volume anual da publicidade online em Portugal. Dão-se alvíssaras a quem fornecer indicações sobre o seguinte conjunto de elementos: por cada ano desde o mais remoto possível (1995 seria óptimo!), os totais de pageviews, número de anúncios servidos, número de anúncios seguidos ("clicados") e volume de negócios. Estou interessado ao ponto de pagar. Quanto vale esta resposta?"
Uma bela pergunta implícita neste post do De Literatura.
Quando era Ministro em Portugal, Pina Moura vendeu parte da EDP, a empresa da energia de Portugal controlada pelo Estado português, à Iberdola (uma das maiores empresas da energia de Espanha).
A Iberdrola é um dos principais rivais/concorrentes da EDP/Hidrocantábrico. A Hidrocontábrico é outra empresa de energia de Espanha, mais pequena, controlada pela EDP.
O actual Ministro que tutela as participações do Estado na EDP, Manuel Pinho, pertence a um governo suportado pelo mesmo partido que suportava o governo em que Pina Moura foi Ministro.
Pina Moura é hoje presidente da Iberdrola em Portugal e deputado à Assembleia da República pelo PS, tendo encabeçado a lista pelo círculo da Guarda - se não estou em erro.
Como a Iberdrola tem mais de 5% do capital da EDP quer ter acesso às reuniões onde se tomam decisões estratégicas para a EDP.
Nem sei bem porquê, mas ainda bem que aconteceu. O relatório do Tribunal de Contas hoje divulgado parece estar a contribuir para desmistificar mais um desses mitos do rigor, competência e defesa do interesse nacional que nascem não sei bem como. Foi confrangedor ouvir Manuela Ferreira Leite hoje aos microfones da rádio a tentar justificar-se, mas bem mais confrangedor será ter de conviver com a pesada herança. Eis um excerto da prosa do Irreflexões desta madrugada na GLQL:
"Num assustador Relatório de Auditoria revelado recentemente pelo Tribunal de Contas (disponível aqui) ficamos a saber que a diferença entre os montantes transferidos e as responsabilidades assumidas pelo Estado podem atingir qualquer coisa como 1.800 milhões de euros, no cenário mais pessimista.
Isto sem contar com a perda de receita fiscal, que seria gerada pela actividade dos fundos de pensões privados.
Reparem, 1.800 milhões de euros que não correspondem a investimento em infra-estruturas, ou em desenvolvilmento humano.
São, tão só, o preço da arrogância e do tão propalado "rigor" da Dr.ª Manuela Ferreira Leite.
Preço esse que irá subir no dia em que fizermos as contas aos custos da venda da rede fixa à PT na economia nacional, das operações de securitização, etc., etc., etc.
Endividou-se brutalmente o país para compor cosmeticamente o défice em 2002, 2003 e 2004. Qualquer medida servia. Dinheiro deitado à rua!
Face a isto, antes pagar as SCUTS, o TGV e, nunca pensei dizê-lo, a Ota. Muito ou pouco reprodutivo, ao menos é investimento. (…) O que eu gostava de saber é quem é que vai responder por este crime contra as contas públicas."
Algum ex-governante deste país não enfia o barrete que se segue? Cabe ao actual governo, conseguir ser diferente. Está aqui tudo, nas linhas que se seguem. E na prática, temos o mesmo de sempre?
" (…) E há a questão da gestão. Que é a mais importante para o futuro desta gente. Gerir funcionários públicos não devia ser assim tão diferente de gerir funcionários privados. É gerir recursos humanos, é liderança, avaliação, motivação, desempenho, é delegar responsabilidades, impor objectivos, potenciar talento, abrir carreiras, atribuir prémios, gerir expectativas.
Ninguém gere empresas dando aumentos, grandes ou pequenos, iguais para toda a gente. E é miserável atribuir 1,5% a toda a gente ao mesmo tempo que se lhe diz que as progressões automáticas estão congeladas, que as promoções são miragens pois o número de concursos abertos é insignificante, que as promoções por mérito estão na prática suspensas porque faltou avaliar toda a gente e assim não é possível, vai-se reavaliar o sistema de avaliação e depois logo de se vê… Safa!
É responsabilidade do Estado e obrigação do Governo desenlaçar os nós que atou e deixou atar. E depois fazer como as empresas: definir um aumento global e delegar nas chefias de topo a responsabilidade de decidir como são distribuídos esses aumentos. É isso que muitos gestores privados fazem: O% para os de desempenho medíocre, 1,5% para os medianos e mais do que isso para os que cumprem e ultrapassam objectivos ambiciosos, para os que promovem a inovação, para os que ajudam a melhorar a «performance» colectiva.
Para que serve 1,5%? É o suficiente para premiar o mérito, se for diferenciado. Assim, 1,5% não serve para nada. Ou melhor, serve. Serve para insultar toda a gente."
Pedro S. Guerreiro in Jornal de Negócios
Não votarei em Cavaco Silva. O exemplo de hoje brilhantemente avaliado pelo Miguel Silva é apenas mais um lembrete de que recomendo a leitura.
" (…) As declarações de Cavaco revelam uma análise muito distorcida da realidade. A terem sido produzidas de boa fé, são um indicador das suas fraquíssimas capacidades para analisar a realidade. A sua visão do que o rodeia é curta. Demasiado curta para quem tem aspirações a ocupar lugares políticos de relevo. Talvez seja um técnico competente. Talvez. Mas foi esta falta de visão que fez dele um mau primeiro-ministro e há-de fazer dele, se for eleito, um mau presidente. Não se trata, nesta questão, de arrogância cultural. Trata-se de mérito e capacidade para estar à altura dos cargos desempenhados. Ou, mais concretamente, da ausência dessas características."
(Os sublinhados são meus, as certezas são de Vital Moreira)
"Primeiro, eram contra a novo aeroporto porque não havia estudos a provar a sua necessidade. Agora que os estudos aí estão, continuam a ser contra, porque acham que, apesar de não conseguirem refutá-los, os estudos são produto de uma conspiração de consultores, banqueiros, construtores civis e tutti quanti.
Dá pena ver nessa linha espíritos que deveriam sobrepor a razão à paixão ou aos seus interesses individuais ou paroquiais. São contra, por que não…"
Suponho que eu seja um apaixonado… Pelo menos o Virgílio Poltronas está incorrigível.
Só para que conste, os estudos a que eu, comum mortal, tive acesso são estes. Vital Moreira teve acesso a mais algum? É que eu tenho um monte de dúvidas que teimam em subsistir depois de ter passado por ali. É claro que podem ser as minhas limitações de entendimento…
O Carlos Castro oferece-nos hoje "A Ota não bate com a perdigOta". Na interpretação superficial de um comentador do Adufe que por aqui passou esta semana, deve ser mais um cavaquista na blogoesfera. No mínimo um marques mendista, um inimigo do governo… Um grande abraço, Carlos!
Para memória futura guardo o artigo de ontem de Luísa Bessa no Jornal de Negócios.
" (…) O Governo, que tanto gosta de projectos mobilizadores – no que não é diferente da generalidade dos governos, há que reconhecer – tinha outros desafios à disposição. Menos vistosos mas mais eficazes (…)"
A ler as várias notas autobiográficas do Lutz Brückelmann sob o tema: "Porquê sou um liberal de esquerda". É procurá-las no Quase em Português.