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A inversão do Ónus da Prova

Nunca se pode agradar a todos, bem sei. Sempre terá havido descontentes pelo mundo com as políticas do dia. Mas se me faltavam provas de uma evidência para a qual me tinha alertado, elas vieram em dose múltipla nestas últimas duas semanas em que andei em campanha eleitoral por quase todo o país. Hoje é impossível estar na política sem ter sobre nós uma nuvem de presunção de culpa.
Tentar chegar ao diálogo na rua com as pessoas levando propaganda política na actual conjuntura económica e política é muitas vezes correr para o pior insulto, para o mais visceral rancor e, porque não dizê-lo, ódio. Enchi a barriga de tachista, chupista, ladrão, explorador, desocupado, malandro e bem pior. Nas oportunidades em que consegui ir além de preservação da integridade física e em que o interlocutor se dispôs a ouvir, percebi que nada daquilo era dirigido ao partido que representava (inteiramente desconhecido pela maioria). A reacção era contra “os políticos”. Perdoavam-me por ser novo (o que parece ser uma vantagem junto destes portugueses ressentidos) e alguns destes, poucos, lá acenavam com um benefício da dúvida perante um novo partido, ainda que dizendo entre-dentes: são todos iguais. Ouvi disto de norte as sul, mais numas zonas que noutras é certo, mas posso afirmar a transversalidade.

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Porque a capacidade de construção exige uma elevação da auto-estima

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"(…) amamentaram-no, mudaram-lhe as fraldas, disfarçaram as traquinices, fizeram-lhe bli, bli, bli no labiozinho (…)"

É sempre preferível alguém de fora fazer este discurso que se segue (no Púbico de hoje). Agradecimentos a José Miguel Júdice.

Laurinda Alves na linha de partida

17.04.2009, José Miguel Júdice

Os jornalistas ajudaram o BE a nascer, amamentaram-no, mudaram-lhe as fraldas, disfarçaram-lhe as traquinices

Uf! Finalmente temos todos os cabeças de lista para as eleições europeias conhecidos. Custou, mas foi. E o meu coração está habitado por alegria e paz. Talvez por isso afirmo: previa pior e acho que os portugueses terão a possibilidade de escolher entre candidatos de qualidade bem acima da média – admita-se que bastante baixa… – da classe política portuguesa.
Realmente Miguel Portas, Ilda Figueiredo, Vital Moreira, Paulo Rangel, Nuno Melo e Laurinda Alves asseguram respeitabilidade, animação, combate duro, energia a rodos, boa televisão – o que não é pouco nos tempos que correm.
Laurinda Alves? Perguntará o amigo leitor, pensando talvez que acrescentei um nome feminino para cumprir a lei das quotas. Ou, pior ainda, pensando que é um lapso meu. Não, amável leitor. Laurinda Alves existe: é uma brilhante jornalista, que se revelou politicamente no combate do referendo ao aborto (do lado da penalização), que é uma pessoa decente e representa um novo partido (sabia isso ao menos, leitor desatento?) que se chama Movimento Esperança Portugal. O MEP tem como ambição situar-se numa zona entre o PS e o PSD; por isso, num lugar mais congestionado do que a famosa Praça do Marquês de Pombal, antes do túnel, que revelou um triste Frei Tomás do início do século XXI em que se transformou um catãozeco do final do século XX.
Falemos pois um pouco do MEP. Começando por registar que a comunicação social lhe não tem dado atenção rigorosamente nenhuma – o que, registado, me permite abrir a boca com surpresa. Pois então entra no mercado um novo produto para concorrer com os que já por aí andam, velhos e relhos, e nem assim merece a atenção de uma reportagem, a graça de uma entrevista, o favor de uma curta notícia?