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Por nossa causa

Fevereiro 10, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política

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Uma boa lista por nossa causa.

"(…) Há, no Ocidente, quem queira conscientemente evitar abordar o essencial. Porque é absolutamente irrelevante se os cartoons são ou não ofensivos, se são ou não ‘despropositados’. Não há aí matéria de discussão. Todos os dias nos deparamos na imprensa com opiniões ofensivas e/ou despropositadas. Por isso é que são opiniões. Por isso é que  são publicadas em páginas de jornais. Por isso é que lhes podemos contrapor argumentos sem medo. E é tudo isso que nos enriquece enquanto membros de uma comunidade democrática, com opiniões que são tantas vezes execráveis mas nunca atentatórias da integridade de quem delas discorda. (…)"

7 comentários to “ Por nossa causa ”

  1. # 1 homemDASneves Says:
    Fevereiro 10th, 2006 at 14:0

    olha esta:)
    “I DISAGREE with what you say and even if you are threatened with death I will not defend very strongly your right to say it.”
    the Economist

  2. # 2 Rui MCB Says:
    Fevereiro 10th, 2006 at 15:0

    É a barbárie à solta… Por isso é que subscrevi a lista e gastei o meu latim aqui e fora daqui, para aí desde que ganhei consciência.

  3. # 3 JPN Says:
    Fevereiro 10th, 2006 at 16:0

    Já tive oportunidade de, na Natureza do Mal onde li em primeira mão o texto de onde retiras o excerto, chamar a atenção para a infelicidade da expressão “absolutamente irrelevante” quando estamos a falar de algo que mobiliza questões tão profundas como a identidade cultural e religiosa das pessoas. Também esse entendimento dogmático da democracia, com esse autoritário não há discussão possível, é muito infeliz na minha opinião. obrigado.

  4. # 4 JPN Says:
    Fevereiro 10th, 2006 at 16:0

    Já tive oportunidade de, na Natureza do Mal onde li em primeira mão o texto de onde retiras o excerto, chamar a atenção para a infelicidade da expressão “absolutamente irrelevante” quando estamos a falar de algo que mobiliza questões tão profundas como a identidade cultural e religiosa das pessoas. Também esse entendimento dogmático da democracia, com esse autoritário não há discussão possível, é muito infeliz na minha opinião. obrigado.

  5. # 5 JPN Says:
    Fevereiro 10th, 2006 at 16:0

    desculpa a repetição Rui.

  6. # 6 Rui MCB Says:
    Fevereiro 10th, 2006 at 16:0

    O “é absolutamente irrelevante” está lá precisamente para que não se confunda a defesa da opinião com a opinião expressada. Substitui por exemplo uma enunciação exyensa das situações que sejam comparáveis aos cartoons com maomé. Sem o “é absolutamente irrelevante muito provavelmente não teria subscrito o manifesto, pois corria o risco de que pensassem que só o havia feito porque o que estava em causa era exclusivamente o “gozar com o islão”. Dito isto não percebo de que dogma é que fala.

  7. # 7 JPN Says:
    Fevereiro 19th, 2006 at 20:0

    Parece que escrevemos com as mesmas palavras mas não temos delas o mesmo entendimento. Também me parece que não devemos evitar “jogar ao gato e ao rato” com elas e que uma forma de o tentar evitar é circunscrevermo-nos ao seu significado. Se eu digo que é absolutamente irrelevante que eles sejam ofensivos é isso exactamente que eu digo. E então o que digo é que é absolutamente irrelevante se ofendi alguém. Ou seja, estou a dizer que é absolutamente irrelevante que alguém se possa sentir ofendido. Se disséssemos outras coisas poderíamos dizer por exemplo: ” se ofende o outro deve ser proibida a expressão dessa ofensa”. Eu nunca o disse nem nunca diria tal afronta aos direitos e liberdades das pessoas. Mas não era disso que falávamos. Era de ser absolutamente irrelevante. Ora não há nada que seja relativo ao homem e muito menos a sua sensibilidade, a sua cultura, as suas crenças, que seja irrelevante. Para quê consagrarmos a liberdade de expressão se já destituímos o humano da sua relevância? O que eu contestei foi uma expressão que me pareceu extraordinariamente infeliz e que vai até em contramão daquilo que os seus autores, pelas suas sensibilidades, cultura, sabemo-lo, defendem.

    Eu não falei de um dogma,falei de um entendimento dogmático da democracia. O que é que será um entendimento dogmático? Não será aquele que entende que não se deve discutir algo porque essa mesma coisa não tem discussão possível?

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