Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for January, 2005


As questões "fracturantes" revisitadas

Parece, dizem, que referendar questões relacionados com os direitos dos homossexuais no mesmo dia em que se votou para a presidência dos Estados Unidos terá tido um efeito bola de neve em favor da candidatura Republicana. Como se a questão que tocava mais fundo em alguns estados onde a moral cristã é lei tivesse contagiado a outra votação, como se votar em John Kerry fosse incoerente com votar a favor da igualdade de direitos para os homossexuais, como se a presidência se resumisse a isso… Dizem, lá na América, desde o momento em que se começaram a conhecer os resultados definitivos. Provavelmente, dizem bem.

Por cá Santana Lopes tenta o mesmo jogo, lançando o isco ao eleitorado mais conservador que eventualmente esteja a pensar ficar em casa. Parece-me que desta vez, o PS não mordeu o isco e Sócrates capitalizou a sua posição já antiga de distanciamento face à igualdade absoluta de direitos (envolvendo, por exemplo, a questão dos direitos de adopção). Para este PS há ainda um caminho a percorrer nesta matéria (consultar arquivos do adufe para conhecerem a “evolução/discussão” que por aqui se fez) e, claramente, face aos problemas em cima da mesa, esta não será uma prioridade na próxima legislatura e, muito menos, nesta campanha eleitoral. Apesar da minha opinião sobre o assunto, parece-me muito bem. Assim como me teria parecido muito bem o oposto, caso Sócrates tivesse a história passada de Zapatero. A táctica ao serviço da estratégia. Esta é uma daquelas situações…

Lisboa – A Outra Margem

E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham p’rá escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada?
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

lisboa_outra_margem.jpg
Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam. Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham p’rá escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sozinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham p’rá escola: a novidade.

E com uma estrela na mão direita
E os olhos grandes e voz macia
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.

Maria Rosa Colaço

Outra geografia dos adufadores


Há poucos dias acenderam-se luzes no extremo Norte habitado do Canadá, em Israel, no Sul da Austrália, mais umas quantas na península arábica… Em Moçambique há um candeeiro (olá José Flávio), no Brasil (os Despenseiros e muitos outros) e nos Estados Unidos há vários (olá Nuno Guerreiro, olá João HJ, olá visitante de longa data que aqui chega regularmente do Worldbank)… Há duas semanas uma outra luz nos confins da Amazónia pôs-me a pensar num velho que lia romances de amor.
Há lá coisa mais estimulante para um mamífero curioso do que um mapa vagamente familiar cheio de cativantes ilustrações iluminadas por luzes tremeluzentes?
Isaac Assimov uma vez escreveu que foi o que foi em boa parte porque ficou fascinado pelos mapas. Primeiro o de Brooklin, depois o de Nova Iork, do seu país, do mundo e não ficou por aí. Foi divagando de forma informada rumo às estrelas e ao amago do átomo partilhando o que via como cartógrafos renascentistas fizeram dos vários mundos. Repetiu um raciocínio simples, um exercício para-enciclopédico.
Pudesse eu dizer ter feito uma fracção do mesmo, no final do meus dias, e dispensava algumas respostas às questões filosóficas mais universais. Provavelmente, nunca passarei de um banal diletante mas ainda sonho com esta secreta grandeza de que partilho aqui uma face.
E agora vou tomar uma vacina; a ver se acabo a correspondência de Fradique Mendes.

Celorico de Basto

Só como curiosidade informo que – a propósito da “história” do poder de compra concelhio e da ameaça do presidente da câmara do município em processar o INE -, independentemente dos méritos da metodologia que não quero comentar, na penúltima versão do dito estudo, divulgada em 2002, Celorico de Basto ocupava o mesmíssimo lugar, o último.
Lembram-se de ter havido estardalhaço na altura?

Um esforço de ficção

Por este andar, na noite das eleições alguém há-de insinuar que tivemos fraude eleitoral. Ou que foi maliciosamente infectado com a gripe para prejudicar a campanha. A imaginação é o limite. Acho eu.

Virgílio Poltronas

PS: Conselhos emprestados – o bom cliente e o choque tecnológico

Sobre o choque tecnológico e os detalhes que se lêem no programa do PS, um conselho emprestado.

Muito provavelmente o próximo governo fará mais por estimular o desenvolvimento tecnológico do país se, em relação ao que já compra e ou que de novo desejar adquirir, for um cliente exemplar na exigência de uma boa prestação de serviço/fornecimento, do que pela implementação de qualquer medida de subsidiação que venha a praticar.
O político condicionará o que encomendar, podendo desencadear um “choque” de qualificação na administração pública de acordo com o seu ideário político/operacional. Condicionará as áreas prioritárias de investimento público – podendo privilegiar as “intensivas em tecnologia”. Determinará o perfil dos recursos humanos a contratar, dos equipamentos; em suma fará o pedido ao mercado. Contudo, deverá garantir que seja a concorrência leal no mercado a prover-lhe aquilo de que necessita. O peso do Estado cliente na economia poderá ser o elemento decisivo para o desenvolvimento, ou não, de alguns projectos inovadores no país, poderá, sublinho. No entanto, não deverá condicionar a escolha dos vencedores por preceitos de “interesse nacional”. O concurso deverá ser público e internacional, salvo raríssimas excepções.
Naquilo que politicamente for definido ser a esfera do Estado, este deve ser servido pelos melhores entre os melhores. A máxima é esta e será já um choque implementá-la.

Além disso, canalizar verbas para subsidiação será retirar investimento necessário à racionalização da Administração Pública. Uma racionalização que, não tenho dúvidas, para ser bem sucedida exigirá em muitas organizações do Estado investimento considerável.

A prática de atribuição de subsídios e criação de benefícios fiscais ao sector produtivo, neste país, tem-se revelado desastrosa para muitos, particularmente para a classe média que tem sido crescentemente chamada a contribuir para o financiamento do Estado. Não nos enganemos, não é José Sócrates que me dá garantias de transformar as raras excepções positivas de intervencionismo do Estado junto das empresas, em prática generalizada. Tenho ainda alguma esperança que tenha competência para condicionar positivamente e de forma informada as tais prioridades de que falo.
Se conseguir fazer do Estado um cliente modelar já terá valido a pena votar neste PS, e a próxima legislatura já terá valido mais a pena que qualquer uma das anteriores.

Não nos iludamos, a tarefa é suficientemente árdua e exige conjugação com a aposta na desburocratização e no reforço do papel regulador do Estado. Exige, obviamente, um combate duro contra muitos interesses parasitários (pois todos os subsídios e benefícios em vigor deverá ser criteriosamente escrutinados). Um combate duro contra muita corrupção instituída e latente. Um tipo de corrupção que, pasme-se, na cabeça de muitos infractores (políticos inclusive) não é já percebida como tal.

Essa era uma guerra que gostaria de ver José Sócrates comprar. Antes de eventualmente podermos desenhar medidas de intervenção pontual e temporalmente bem limitadas por parte do Estado, há esta prova crucial a superar. Uma prova a ter em mente do primeiro ao último dia de governação e que nos ajudará a todos a perceber e interiorizar uma das premissas fundadoras de democracia: a política ao serviço do país, de todos os portugueses.

Julgo que na mesma linha, ler o editorial de hoje de Sérgio Figueiredo no Jornal de Negócios.

Há esperança

Se conseguir encontrar um ou dois colaboradores, prometo regressar ao activo. (BLoguítica)

Mas qual é o perfil dos colaboradores? É preciso pagar como na fórmula 1 ou até dá dinheiro? Aguarda-se concurso público?
Tenho a certeza que no meio de tantos leitores não será por isso que deixarás de editar o Bloguítica. Até por aqui deve haver algum heterónimo interessado em ajudar.

Ora agora processas tu…

Santana diz que “está montada uma mega-fraude” em torno das sondagens lê-se no Público.

Se o Santana levar isto para a frente e ganhar em tribunal, no próximo ano, se os valores da inflação e do PIB não forem iguais às previsões que estão contidas no orçamento que o seu governo aprovou, também vou processá-lo!

Sérgio

Coisas boas desta esfera

Um ano a Tugir em Português. Muitos outros a ter voz. Houvesse mais assim e a política seria um “lugar” a visitar com prazer, acompanhado da família. Ainda há esperança para o PS e para Portugal. É bom ter este pretexto para felicitar alguém. Parabéns Carlos Castro e Luís Novaes Tito.

Hoje estou num daqueles dias…

… em que encho o servidor de rascunhos. Provavelmente amanhã deito tudo fora – no amanhã acho-me quase sempre mais sensato – mas por agora as teclas quase fumegam. Reservo, poupo, economizo. Publicar e publicar seria um desperdício e, como muitas vezes por aqui sucede, uma exposição ao ridículo desnecessária.
Encho o peito com a fragância do jacinto rosado que enfeita a sala e recolho-me dobrando os deditos viciados – pôr as “culpas” nos dedos… Este aqui fica como válvula de segurança de uma panela de pressão, apitando teimosamente.

Pequena prosa dedicada à Catarina.