Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Sporting: saudades do futuro

Sporting 2011/2012: marcou mais golos que nas últimos quatro épocas;  sofreu menos golos em casa que nas últimas quatro épocas. Fez mais 11 pontos que nas últimas duas épocas mas não fez o melhor resultado classificativo das últimas quatro épocas.

Encheu o estádio como nunca o havia feito desde que mudou para a casa nova em 2003/04 e terá tido melhores assistências do que o campeão. Chegou à sua 5ª meia-final europeia. Poderá conquistar a sua 16 Taça de Portugal voltando a apanhar o palmarés do FCPorto nessa competição.

Em suma, voltou a jogar à bola e pôs os adeptos com saudades imensas do futuro.

P.S.: O Sporting juntou mais um titulo de campeão nacional de juniores aos 5 que já tinha: 6 em 8 possíveis.

A liberdade ainda é uma criança.

Uma ironia qualquer.

Fez um cravo com uma palhinha, uns fiapos de papel vermelho e uma tira de fita cola verde.

Teve de responder com os demais, o que era a liberdade para eles. A professora comprometeu-se a fazer divulgar tal o saber da pequenada.

Veio o caminho a contar-me o que era o 25 de abril, quem tinha sido Salazar, coisas de que o pai haveria de ver nas notícias por estes dias. Tudo muito equilibrado e simples. “Salazar era um senhor que não se dava muito bem com as pessoas que pensavam pela sua cabeça.” “Chegava a mandar prendê-las, não era amigo da liberdade [que tinham acabado de definir do alto do seu saber de 5 anos]“. “No tempo de Salazar era difícil encontrar a cidade tão suja”.  O desafio fundamental da professora: O teu pai costuma ver notícias? Então pergunta-lhe o que foi o 25 de abril.

Tem 5 anos, frequenta uma IPSS de inspiração católica.

Perto de casa, não havia cravos de papel nas mãos de crianças também de 5 anos e mais que saíam da escola pública. Será que alguém lhes explicou o que era isso que ia dar nas notícias? O que está por detrás da pompa e da circunstância das cerimónias? O que justifica a festa e o encontro de tantos que insistem na celebração? Será que vão perguntar aos país quando e se eles virem notícias?

O melhor do 25 de abril persiste, resiste e há-de guiar-nos. A liberdade ainda é uma criança com não mais de 5 anos. Como deve ser.

Algures por ali, no vídeo em baixo, assaltou-me um vómito, o nojo (atualizado)



A frase de Pedro Passos Coelho:

” ‎(…) são estas estruturas, que perduraram ao longo de muitos anos, que mantiveram muitas vezes as pessoas na dependência do Estado e na pobreza; dependentes, muitas vezes desde a criação de determinadas prestações, da esmola que o Estado lhes dá (…)”

O que o Estado dá é esmola, a esmola é a mãe da pobreza. Acabe-se com a esmola (sem nada que a supere) e acaba-se com os pobres. Se não tivessem inventado o Rendimento Social de Inserção não teríamos pobres. Parece ser esta a tese. Acabe-se com tudo isto que eles acabam… por morrer? Não sei. Não entendo!
Alguém com estas convicções, no meio de uma das maiores crises dos últimos 100 anos, é primeiro ministro do meu país. Um país que manifestamente é uma ficção. Eu vejo um filme muito diferente. Se ao menos pudesse mudar de canal… Resta-me o nojo e a liberdade de expressão.

O regresso do Czar: Marat Ismailov

26 de Fevereiro de 2012 – Sporting 1: Rio Ave 0



Fala como um verdadeiro Leão: Domingos Paciência

O mulato da palavra (em defesa do acordo ortográfico e em resposta ao jeito de desgarrada)

O mulato da palavra

Há nesta terra fidalguia madura,

donos da língua, patronos do antigo.

Confundem mundividência pura

com um inaceitável castigo.

 

Julgam-se mordomos da história,

mas o que amam é ditadura,

ignoram a antiga obra,

que lhes prova a alma impura.

 

Que foi fraca a nossa embaixada,

que nos coloniza o estrangeiro,

gente pobre e ensimesmada,

nunca chamará bunda ao traseiro.

 

Agarram-se à imagem do seu passado,

defendem uma moral indistinta,

recuperam um dicionário calado

ignorando crimes sem tinta.

 

Zurzem no esforçado linguista,

criminoso ouvinte fora da quinta

douto e interessado copista

que converteu o verbo dito em tinta.

 

Para eles a língua sempre velha,

para nós algo que se renova,

para eles não é propriedade alheia,

para nós a fala é a prova.

 

Fieis de um estúpido princípio,

abominam a natural transformação,

ignoram a riqueza desde o início,

desta coletiva construção.

 

Língua minha pátria mui amada,

dou-te para aumentar a tua lavra,

deixando-me da conversa fiada,

dos que abominam o mulato da palavra.

 

Nota: Atrevi-me a este ridículo de poesia como desgarrada de resposta ao vizinho Fernando que me sabe no role dos “Arjumentos!

Ratings e Europa – Déjà vu: isto resolve-se com mais um PEC.

Também publicado aqui: “Ratings na Europa: “We are about to attempt a crash landing” “.

Notas breves sobre a descida generalizada de ratings na zona euro e uma música com história:

  1. Como se comentava há pouco no twitter (http://bit.ly/zVh2R7) “Como a UE não se federaliza, a S&P federalizou a análise” e relevou o estado geral da zona euro como mais importante do que as condições particulares dos vários países afetados.
  2. Mas será que os ratings ainda fazem mossa? A partir do momento- nesta tarde – em que começou a correr o boato de que iriam acontecer, interromperam-se as escaladas nas bolsas de valores, o euro desvalorizou rapidamente para mínimos de vários meses, os juros da dívidas soberana dispararam na periferia e entre os países expectavelmente afetados pela descida do rating. Como se fossem surpresa…
  3. As reacções dos vários Estado, aqui bem representadas pela reação do Mínistério das Finanças português (ver “Governo português lamenta decisão da S&P“), dão bom testemunho do carater paradoxal desta situação e das justificações para as descidas de rating, mas recordam também como passámos já à fase histórica no sentido em que tudo isto parece já uma história contada repetidas vezes sem que haja escriba capaz de alterar o guião.
  4. O que se segue Europa? Mais moralismo, mais tacanhez, mais negação? Continuarão as reuniões políticas a ser conversas entre condóminos incapazes de perceber que por muito diferente que seja a vista que cada um consegue disfrutar dos seus diferentes andar de residência o destino de todos está condicionado pela qualidade dos alicerces que não souberam fundamentar nem , agora, escorar?
  5. As histórias fantásticas de Laurie Anderson parecem menos surreais e mais cristalinas. Vale a pena ouvir:

Cesária Évora

Ergue-se o cálice em honra dos vencedores

Mas que pomada! No cálice restava apenas um gole cor de caramelo daquele inacreditável moscatel. Venâncio da Costa Lima, Reserva 2006. Cada gota fazia questão de se expandir com estalo pelo palato, aquecendo com a amplitude de uma névoa todas as papilas conhecidas e já esquecidas que ocupavam aquele palco de eleição.

Vasco fez-se a ele e virou o copo sobre a mesa em sinal de remate.

O Sporting voltara a ganhar com classe e empenho, vingando-se do digno Setúbal que assim, naquele néctar, fazia a vénia devida ao vencedor.

Saúde!

REM separam-se ao fim de 31 anos

Não será a melhor mas é a que apetece ouvir: It’s the end of the world as we know it (and I feel fine). Somebody hurts other time. Let’s party with: