Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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“Os mais intransigentes são os pequenos países”

“França acusa “países mais pequenos” de serem fatores de bloqueio com a Grécia @TSFRadio 

Finalmente o Ministro das Finanças Francês desmascara a cara de pau da nossa ministra das finanças (e de outros pequenos países) que em público vão dizendo que nada tem a ver com as negociações, que é com as instituições, e que, afinal, no Eurogrupo tem destruído qualquer hipótese de apoio. “Não. A Alemanha não é um factor de bloqueio. Posso garantir que o mais duro não tem sido a Alemanha; têm sido os países mais pequenos que, ao longo destes anos, têm feito esforços consideráveis”. Note-se que ninguém teve de implementar um programa tão extenso e doloroso como a Grécia. Ninguém. E ninguém teve consequências tão negativas.

Das incongruências do Syriza à estupidez portuguesa e de outros pequenos países que impedem o acordo com que outros condescendem se põe em perigo a União Europeia. Registe-se para que alguém não se lembre de mistificar ou de vir com ar pesaroso, hipocritamente capitalizar para ganhar mais um voto em setembro/outubro.

MythBusters: o problema é a dívida pública; o problema é o Syriza

Já assinalávamos sistematicamente os verdadeiros mitos, como aquele que diz que o grande problema, o que nos levou à crise foi a dívida pública. Ainda hoje nos media internacionais quando nos apontam o dedo como a próxima vítima do colapso iminente da Zona Euro, é o peso da enorme dívida privada comparada com o resto do mundo que nos condena.
Na Grécia está outro mito a nascer, à boleia de um governo incongruente que é de o de lhes atribuir todas as asneiras praticadas ao longo de 5 anos.
Nas chancelarias não se admite que a incompetência dos seus atos tenha resultado numa crescente oposição. Solução? A força. A interferência total. A pose de quem manda. E assim se deita tudo a perder.

Busted!

Europa: tragam-lhe comprimidos para a memória

Então não devemos confrontar os credores? Sim, claro!
A nossa desgraça também foi esta ao longo dos últimos anos. Podíamos ter sido um bocadinho mais como os irlandeses, por exemplo. Em vez disso tivemos um ministro das finanças que lá fora era confundido com os elementos da troika. Lembram-se?

Afrontar os credores, à moda do Syriza? Não, isso seria estúpido. Estou a chamar estúpido ao governo grego? Não me atrevo a tanto. Noto que nós não somos mesmo a Grécia, no sentido em que não passamos nem metade das provações. É difícil, de fora, saber exactamente em que ponto está a moral, o amor próprio,o ressentimento e a capacidade de diálogo dos gregos. Será que ainda querem ou é bom para eles ficar no Euro? Se até para Portugal vou tendo dúvidas (que aumentaram com este processo grego) como me posso atrever a zurzir nos gregos sobre esta matéria?

Passos Coelho pede

Passos Coelho curva-se.

No final deste cinco meses o que vejo é que em termos de gestão política estão bem uns para os outros, troika e governo grego. Muita sacanagem de parte a parte.
Mas em termos de responsabilidade quanto ao sucesso de um acordo não há comparação, a do eurogrupo é muito maior. Se, como hoje disse Merkel, a solidariedade é uma pedra basilar da União, então, numa posição de manifesta fragilidade do povo grego e onde há óbvia corresponsabilidade europeia no estado a que a Grécia chegou, a solução teria de ter isso em especial consideração. Como é que uma proposta grega tão bem recebida há exatamente uma semana passou a ser manifestamente insuficiente dois dias depois? Quem é que inventou obstáculos ao acordo? Porquê? Com que resultado?

Nós por cá temos que confrontar os credores com o fracasso das políticas seguidas, confrontá-los com uma alternativa exequível de mútuo interesse. A situação grega e as ameaças que acarreta devem servir para responsabilizar as partes precisamente para a necessidade de maior humildade, franqueza e inteligência na gestão da política europeia e de muito maior equilíbrio, racionalidade económica e social e menor apoio a preconceitos levemente racistas ou nacionalistas. Acima de tudo, os nossos políticos (locais e europeus) devem procurar abandonar a lógica de relacionamento credores/devedores. Esse ato singelo será fundamental para que ainda haja futuro para a União Europeia.
Sejamos crescidos. Ontem foste tu, hoje sou eu, amanhã quem sabe?

União Europeia?

Deixa aqui excertos de um texto cuja leitura recomendo vivamente (“WHERE IS MY EUROPEAN UNION?“), escrito a 28 de junho de 2015 por um europeu, Alex Andreou que não conheço de lado nenhum mas com o qual me identifico largamente:

“(…) I am a Europhile. Not only that, I am a product of the Union. I have structured my life around the idea of free movement; my identity around the notion that I can be more than one thing: Mykonian, Greek, Londoner, British, European. For the first time in my life, I am beginning to wonder, whether the European project is now simply too broken to be fixed. 

Do not misunderstand me. I am passionate about the notion of a Europe of partners, united around principles of solidarity and trade. I just think we have taken wrong turns. So many and so wrong that I feel very uncertain as to whether we can ever find our way back.  (…)

Last winter, I stood outside the Opera House in the centre of Athens looking at the posters in the window. I was approached by a well-dressed and immaculately groomed elderly lady. I moved to the side. I thought she wanted to pass. She didn’t. She asked me for a few euros because she was hungry. I took her to dinner and, in generous and unsolicited exchange, she told me her story.

Her name was Magda and she was in her mid-seventies. She had worked as a teacher all her life. Her husband had been a college professor and died “mercifully long before we were reduced to this state”, as she put it. They paid their tax, national insurance and pension contributions straight out of the salary, like most people. They never cheated the state. They never took risks. They saved. They lived modestly in a two bedroom flat.

In the first year of the crisis her widow’s pension top-up stopped. In the second and third her own pension was slashed in half. Downsizing was not an option – house prices had collapsed and there were no buyers. In the third year things got worse. “First, I sold my jewellery. Except this ring”, she said, stroking her wedding ring with her thumb. “Then, I sold the pictures and rugs. Then the good crockery and silver. Then most of the furniture. Now there is nothing left that anyone wants. Last month the super came and removed the radiators from my flat, because I hadn’t paid for communal fuel in so long. I feel so ashamed.”

I don’t know why this encounter should have shocked me so deeply. Poverty and hunger is everywhere in Athens. Magda’s story is replicated thousands of times across Greece. It is certainly not because one life is worth more than another. And yet there is something peculiarly discordant and irreconcilable about the “nouveau pauvres”, just like like there is about the nouveau riches. Most likely it shocked me because I kept thinking how much she reminded me of my mother. 

And, still, I don’t know whether voting “yes” or “no” will make life better or worse for her. I don’t know what Magda would vote either. I can only guess. What I do know, is that the encounter was the beginning of the end of my love affair with the European project. Because, quite simply, it is no longer my European Union. It is Amazon’s and Starbucks’. It is the politicians’ and the IMF’s. But it is not mine.

If belonging to the largest and richest trading bloc in the world cannot provide dinner for a retired teacher like her, it has no reason to exist. If a European Union which produces €28,000 of annual GDP for every single one of its citizens cannot provide a safety net for her, then it is profoundly wicked. If this is not a union of partners, but a gang of big players and small players, who cut the weakest loose at the first sign of trouble, then it is nothing.

Each one of us will have to engage in an internal battle before Sunday’s referendum. I will be thinking of you, Magda, when I vote. It seems as honest a basis to make a decision as any. “

O provincianismo pode matar a Europa

Nós somos a Grécia e somos a Alemanha e somos Portugal. A Grécia não é o Syriza, a Alemanha não é Merkel e nós não somos Passos.
Há a política grande, do projeto europeu, e a política menor de vistas curtas que se mede pelo líder nacional de cada momento.
Quando separamos demasiado uma da outra, o líder se resume à sua nacionalidade e a cada momento, a coisa corre mal. As tragédias aparecem e aprofundam-se.

Por onde queremos ir? Até onde os nossos líderes nos conseguem levar? O que os move verdadeiramente quando têm que procurar soluções?

De que têm medo?

Eu troco já uma maioria absoluta do PS por uma solução duradoura, económica e politicamente aceitável por todos que resolva de forma permanente o problema grego e dos restantes países, peças do dominó (como o nosso), que se alinham face a uma certa ideia auto-destrutiva, flageladora de Europa.
E tu?

Adenda: Vale a pena ver este dois minutos da intervenção do líder do Liberais no parlamento europeu: Guy Verhofstadt.

Negação (pós-troika e a saúde)

“Não, não foi preciso um doente terminal com hepatite C, em desespero, ter acesso aos telejornais para que o ministério da Saúde adquirisse um medicamento que curava e salvava a vida a muitos pacientes dessa doença.

Não, o Boston Consulting Group não afirmou que a quebra da despesa absoluta per capita em saúde posicionou o país na cauda da Europa. Também não afirmou que Portugal é o país da União Europeia com menor acesso a novos medicamentos.

E não, pagar a taxa moderadora não demoveu ninguém que de facto precisava de cuidados de saúde de deslocar-se a uma consulta num centro de saúde ou hospital.

Afinal, não é verdade que perder o emprego, ou parte do salário, ou da pensão bem como sofrer um corte total ou parcial dos apoios sociais num país a envelhecer tenha relação com a redução de pelo menos 1.250.000 de consultas em cada ano, em centros de saúde, desde que começou a austeridade. Um casal com dois filhos que tenha um rendimento mensal per capita igual a 315 euros já não está isento das taxas moderadoras.

Portugal está melhor, os portugueses é que estão pior.”

Publicado no Diário Económico.

Eu gosto do acordo ortográfico

Viram a cena do acordo ortográfico na reunião da CPLP?
Para destruir basta um. Se seguirmos esse critério bastará sempre um para acabar com a política ou com qualquer coisa. E um, ou dois arranjam-se sempre. Em especial ignorantes cheios de saber. É mato. A história é triste, sim muito triste. Apetece usar do bom português vernáculo que Camões talvez reconhecesse ou talvez não. Dizem que Camões não escrevia como nós. Alguém que avise os do contra. AO menos isso.

As três bancarrotas do PS

“(…) O FMI veio para Portugal em 1977 para resolver um problema que os comunistas tinham criado nos anos anteriores. Mario Soares salvou a democracia liberal que garantiu que o CDS não fosse ilegalizado e salvou o país com um pedido de ajuda externa.
Era tão mau que no momento seguinte fez um governo com o mesmo CDS de Mesquita Nunes.
O FMI veio para Portugal em 1983 depois do descalabro dos governos do PPD e CDS de Sa Carneiro e Balsemão. Mario Soares fez um governo com o PSD de Mota Pinto para salvar o país.
O FMI veio para Portugal em 2011 depois de todos os atávicos ultramontanos, os conservadores de direita e de esquerda e os cínicos terem decidido colocar Portugal numa situação de grande fragilidade externa. (…)”

Excerto de uma prosa de Ascenso Luís Simões no Facebook​.

Epidemia fatal

Última hora: foi reconhecida cientificamente uma nova epidemia 100% fatal. Há investimentos colossais já a serem aplicados para combater este flagelo mas pouco mais têm conseguido do que adiar o desfecho terminal. A doença chama-se V.I.D.A., é sexualmente transmissível. Esta doença produz efeitos secundários surpreendentes variando literalmente de infetado para infetado. Mais novidades a todo o momento.

CGD: a última oportunidade?

Não tem que vir no programa eleitoral, será certamente uma batalha contra um estado instituído de captura do próprio Estado, mas a reforma da Caixa Geral de Depósitos tem de ser uma prioridade do próximo governo. Penso na cultura da instituição, na sua missão, no seu alinhamento com a política económica do governo. Tanto mais quanto mais se acreditar que o banco público deve ser um instrumento de política económica, promotor das boas prática no sector financeiro e exemplo de boa gestão ao serviço do bem estar social que o Estado pode e deve desempenhar.
Deixar tudo na mesma com os parâmetros atuais acabará por oferecer argumentos poderosos a quem a quiser privatizar, daqui a umas voltas eleitorais.
Era bom que não repetíssemos erros do passado. Ninguém deve querer um Estado mais eficiente, mais competente, menos capturado, mais útil do que quem acredita plenamente no papel fulcral que ele tem em qualquer sociedade saudável, coesa, dinâmica e feliz.
É, não devemos fazer coisa por menos, com paixão e tudo.
As últimas oportunidades para fazer as coisas bem feitas raramente nos são anunciadas.