Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Sobre mim? O céu estrelado

Hoje “fui” pela primeira vez a uma assembleia geral de militantes. Bom convivio, tirando a parte de se terem esquecido de avisar que já não havia reunião. Porta fechada, tudo bagunçado no interior, luzes apagadas. Não fora um discreto cartaz dos tempos em que o PS quase perdeu o punho para só restar a rosa e nada garantiria que não estava perante uma ruína. Nem telefonema, nem email, nem uma alma a abrir a porta ou então a mandar circular que não se passava nada.
Ao fim de um tempo e depois de várias tentativas dos camaradas que se foram juntando, lá se conseguiu saber o que se passava (bendito telemóvel) e soube-se mais do que se queria. Que tinha havido uma emergência na capital, sim mas também que os militantes “certos” foram avisados da desconvocação. Sobraram os velhos, os muito velhos e os novos, muitos novos. O que é certo é que nunca esquecerei este batismo cheio de lições. De coisas que não vêm no telejornal e que só muito de passagem se adivinham na amargura de alguns militantes que habitualmente dizem coisas de dentes cerrados.
No final foi muito estimulante ouvir a memória do PS ali no meio da rua, na boca de quem tinha a minha idade há 40 anos e já militava. Tudo isto bem no centro de Marvila, entre as 21 e 22 horas. De certa forma cumpriu-se a ordem de trabalhos. #40anos25abril

Eu, liberal

Vamos lá chocar os meus amigos mais à esquerda. Confesso que sempre achei estranho o conceito de indemnização (compensações por cessação de contrato de trabalho) por despedimento (nos casos em que o despedimento é legal).
Vamos lá chocar os meus amigos mais à direita: choca-se o regime policial associado à atribuição do subsídio de desemprego. Acho que o subsídio de desemprego deveria ser um direito de quem foi despedido em sentido estrito. Se quisesse continuar a recebê-lo até ao seu fim sem ter de estar sob termo de identidade e residência ou aceitar emprego, deveria poder fazê-lo.

Ando a tentar sistematizar os efeitos da minha costela liberal sobre o meu raciocínio político. E de facto, não, não se resume a ser completamente contra a instauração do voto obrigatório. De certa forma, o que escrevi ali em cima tem exatamente a mesma raiz.

O que este país precisa é de um Asterix em cada esquina

Poucas coisas nos mobilizam mais do que malhar noutros portugueses. Pelamo-nos por um tipo articulado que saiba malhar no outro recorrendo a um leque variado de lugares comuns. Podem até ser só provérbios populares.

Queixamo-nos dos alemães, do seu moralismo excessivo, dos seus telhados de vidros, mas o que é certo é que sem eco por cá, sem cultores da reciprocidade da culpa, a “culpa” que nos é vendida como um absoluto local, a coisa não colava. Temos paletes de malta superior por cá, provavelmente em processo de concentração por centrifugação dos que zarpam para a diáspora.

Duvida? É ver quem mais mobiliza a opinião pública e ao que recorre para o fazer. Insidiosamente tudo se simplifica e culpabiliza com recurso a bonitos estereótipos, preconceitos e bodes expiatórios. Os políticos são o alvo preferencial, mas sobra para todos. Quando lemos sentimo-nos superiores identificamo-nos com o crítico, elevamo-nos sobre o criticado para logo no texto seguinte sermos nós – pelos nossos hábitos e maneiras – as vítimas. Tragicamente somos portugueses. Será que conseguimos perceber isso? Pensar dá trabalho, já embarcar na turba que quer enforcar é só gozo. Poucos querem ser deputados do Xerife.

E assim se vai instalando a lei da selva. Viva Asterix!

Europa: Que nos lixem os mercados?

Ninguém consegue explicar com os argumentos habituais  com que nos convidam a definir a política económica e social pelo andamento nos mercados da dívida pública, porque é que bons alunos, maus alunos e alunos assim-assim estão a conseguir colocar dívida a preços cada vez mais baixos e, em vários casos, em mínimos absolutos desde que se criou o Euro. Se calhar era bom repensarmos a forma como definimos culpas, medimos rigor económico e definimos ou recusamo-nos a definir uma política fiscal comum.
É que o indicador mercados por estes dias (e em muitos outros dos últimos anos) simplesmente não tem leitura nem consistência para ser fulcro de qualquer projeto político e económico. Se há paradoxo evidente, que haja ilações claras.
Na Europa temos de nos entender e procurar um núcleo de interesse comum. E nos últimos dias a História tem-nos avivado alguns que traziamos esquecidos. Enquanto simplificarmos análises confiando em mercados, em fantasmas com quase 100 anos, em meias histórias sobre a crise recente e em preconceitos moralistas disfarçados de economicidade (com toque levemente xenófobo) mas sem fundamento factual, não nos safamos.

Um desempegrado como grão de areia no saco virtuoso de Vitor Bento

Os sacos de pesos com que Cristiano Ronaldo treinava para ser o melhor do mundo e de que Vitor Bento fala como uma virtude a acarinhar para construir algo melhor, transposto para o país são o quê?
Compara-se o sacrífício imposto com enormidades, brutalidades e colossalidades a centenas de milhares de portugueses com sacos de areia para treinar o músculo, sem uma palavra para o absurdo e ineficácia prática do excesso, e no final afirma-se que quem anda inquieto à procura de um caminho debatido e refletido por todos precisa de estudar. Pois precisa, precisamos sempre, E de que precisará Vitor Bento?

A leviandade e ligeireza com que nos esquecemos do que se está a passar no país e com o que se pode razoavelmente progetar para o futuro assusta-me e mobiliza-me.

Quem descobriu agora que o PS assume que não tem varinha mágica ponha o dedo no ar

Óscar Gaspar, um dos mais influentes membros do órgão executivo do PS em matéria de gestão orçamental afirmou que: “Não há varinhas mágicas mas PS trabalhará para repor salários”

Segundo o PSD esta afirmação revela que “caiu a máscara ao PS”.

Nada disto é verdadeiramente espantoso, o  que é espantoso é que houvesse quem dissesse que o PS alguma vez tinha prometido ou garantido que isso se faria com um passe de mágica, num instante. Recordo por exemplo que quando todos os indicadores estavam a sair frustrados face às previsões da troika, com a recessão a ser muito pior, com o desemprego a ser muito pior, a dívida a evoluir muito pior, o PS  defendeu que o desvio não se resolvia com MAIS austeridade. No discurso de muitos o “MAIS” caiu para fazerem do PS o tal partido irresponsável.
Curiosamente, renegociou-se a dívida (com mais tempo e mais algum dinheiro), assinou-se mais austeridade e uns meses depois, um misto de  recuperação económica global, de fuga para a frente de muitos que emigraram e um efetivo travão a MAIS austeridade (via TC) começaram a dar proveitos. Os que ridicularizaram o PS quando antes tinha dito que precisavamos de mais tempo e mais dinheiro…


Quanto ao resto houve divergências importantes na composição da austeridade. Onde o PSD/CDS concentraram o sacrifício (excessivo e imediato) sobre a Função Pública e reformados, o PS teria disperso por todos os portugueses de igual rendimento minimizando a tomada de decisões dramáticas de muitas famílias e evitando o colapso do funcionamento eficaz de muitos serviços do Estado. Ou seja, onde o PSD/CDS optaram por violar a constituição, o PS muito provavelmente teria conseguido respeitá-la.
E onde o governo sempre quis ir além da troika desprezando qualquer entendimento (sendo arrogante mesmo), o PS teria desempenhdo o papel que  se esperaria de um governo que zelasse pelos interesses dos
portugueses: informado e consciente de que sem disputa política junto dos nossos parceiros (que preferem ser apenas credores), ficariamos muito pior.

Infelizmente aí não seguimos o exemplo da Irlanda, que curiosamente, sendo ainda mais papista do que nós (face à fé católica, não face à troika) lidou muito melhor  com a acusação da “culpa” e não cedeu a tudo o que lhe apresentaram. Lá foram negociando (mais os gregos) e nós  beneficiando apenas, parcialmente, do que eles conseguiram, como free rider bem comportado.

Entretanto temos menos produto, menos recursos, mais miséria, muito mais desemprego e muito mais dinheiro em dívida e necessidade de tempo para o pagar. Caiu a máscara ao PS, dizem eles. Não é verdadeiramente espantoso?

Que sabes tu do futuro, puto?

Em 20 anos ninguém sabe o que vai acontecer. É verdade. Pode até acontecer que o rigor do tratado orçamental (uma construção pseudo-técnica que no final contará com o middle of the road assessment de cariz político) seja muito mais parcimonioso do que antecipado. No fundo, pode ser que os 0,5% de défice estrutural sejam literalmente para alemão ver e, na sua definição, muito mais reativo à realidade das coisas do que se teme. Sim, pode acontecer que na fachada se mantenha a cara austera e nos bastidores se labore com perfeita consciência de como funciona MESMO uma economia. Pode ser. Que assim seja, digo mesmo, à falta de melhor.
Mas pode também acontecer algo como sucedeu no passado recente da União Europeia: uma crença num projeto novo que haveria de se ir completando e aperfeiçando e que, contudo, nunca se moveu, nem perante alargamentos ambiciosos e a alta velocidade, nem acordos comerciais com impacto diferenciado nas economias europeias. Suponho que há 20 anos, aqueles que diziam que o Euro não iria correr bem também terão ouvido alguém calá-los dizendo que em 10, 15, 20 anos tudo iria mudar na construção do Euro.
Não quero com isto dizer que no futuro não aconteça precisamente o que tem de ser feito, digo apenas que hoje, face ao compromisso existente e ao que se conhece e reconhece como possível e mais previsível, anunciar grandes mudanças a 20 anos não é argumento de peso para avaliar a bondade e a justificação de inquietações manifestadas. Creio até que calar essas inquietações, como durante 12 anos calámos a necessidade de completar o fundamental da União Monetária, não nos levará firmemente a nenhum lado que nos interesse.
E termino com uma certeza, se o que muitos dizem que só se pode fazer pela calada, às escondidas dos mercados e dos eleitores dos países credores (!!!) demorar o tempo suficiente, uma bela rabanada de vento levará muitos mais dos nossos ao tapete, dificultando as probabilidade de ressureição. É isto a política a verdade à escala local e europeia. Isto e mais um punhado de gente arrogante e mal educada que não sabe sequer por onde começar a respeitar e discutir a opinião alheia. Cumprimentos especiais para as honrosas exceções.

Mais um novo partido a bater à porta da democracia

O LIVRE nasceu e tem uns modos diferentes. É um novo partido que tem gente muito boa e outra que não conheço. Tem neurónios e vontade e há-de ter uma imensa ingenuidade – o que em política é coisa de raro proveito (que não nulo…) e potencial desgraça. O que quer ser, sabe-se um pouco. Sabe-se também que se irá construindo, mais do que se propunham outros (ainda que na prática seja assim com todos). Pois que venham por bem e que se estabeleçam. Que pe0ecebam que só vale a pena com coração de maratonista. E que para o meu partido sejam uma saudável ameaça (até nos modos de fazer política e de organização interna, se forem capazes) e um adversário respeitável. Se assim for, terão certamente um lugar decente na nossa democracia. Afinal, é preciso sair do sofa, ou, como diz um amigo meu, descalçar a pantufa. E agora, faça-se política da boa que o país e o mundo bem precisam. Felicidades!

José Camilo Gomes Ferreira Lourenço

Que tal darem lugar aos mais novos?” Quem começa assim a sua argumentação é de facto um tipo de valor. Noutras terras e noutros tempos ouviam-se os mais velhos, dava-se-lhes até maior peso às palavras.  Até porque já tinham errado mais, já tinham ganho tempo para se humildarem, para poderem antecipar causas e consequências. Emprestar saber, perder vaidade.

Aqui menoriza-se uma pessoa à cabeça pela idade que tem. É logo o argumento decisivo. Tau! És velho, asneiraste de certeza em tantos anos. Desaparece!

É uma reação natural, típica de alguma “juventude” mal formada, arrogante até a um cúmulo difícil de imaginar. Essa, contudo, dificilmente chegará a velha, dificilmente terá lições de jeito para partilhar e, enquanto “nova”, pouco mais fará do que disparar ao lado, empolgada pelo espelho-meu.

A humildade e o que se aprende no erro e no acumular do passar dos anos e das comédias e tragédias assistidas e protagonizadas provavelmente nunca os atingirão. Serão eternamente “novos” e impolutos. Uns merdas.

Se até o Hollande já aceita austeridade…

Com o que a Alemanha quer ou está disposta a querer hoje: sem união bancária digna desse nome; sem banco central com os poderes clássicos completos; sem qualquer mecanismo de reação multilateral credível a crises típicas ou atípicas; sem qualquer vislumbre de um regresso a uma Europa das Nações (onde a Alemanha voltar a ser um entre 28) e com a progressiva conversão numa Europa de demonstrações financeiras, onde a política do cidadão se resume à fronteira local; com simpatia crescente por derivas pouco amigáveis para com a livre circulação de pessoas, etc, etc , a União Monetária e Europeia resistem quanto tempo (“mesmo” com todos a seguir o novo Hollande)?

Eu não faço ideia, mas desconfio que não dura muitos anos tempo. É que se a solução única se prova que não gera um futuro desejável ou um equilíbrio sustentável no espaço da União, é legítimo e expectável que muitos resolvam genuinamente procurar soluções em outros protagonistas além dos que, ou defendem a solução única, ou a encaram como uma fatalidade no exato momento em que assumem o poder, sem acrescentar qualquer agenda consciente desta ameaça.

Mas se calhar sou eu que estou a ver mal. Se até o Hollande agora é pela austeridade, é porque a austeridade em toda a linha é o caminho único. Oremos.