Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Que tipo de político queres que eu seja?

Pedia-te a tua ajuda. Tenho interesse em saber que tipo de político queres que eu seja. Interessa-me o perfil mas também o como chegaste lá ou, se nunca pensaste nisso, que o faças e que o digas.

De preferência em público, mas também pode ser em privado.

Depois gostava que pensasses quão diferente ou semelhante tu próprio te achas desse político.

O que te falta ou o que te sobra que te impeça de te poderes reconhecer como essa figura ideal de político que tens dentro de ti e que queres ver representada por outro.

A seguir gostava que pudéssemos falar sobre o assunto. Sobre o que há nessa diferença que é bom ou mau. O que é que é um problema o que é que não é.

Achas que esse político existe já? Pode existir? Já existiu? Quem? E para o teres agora, se não andar já por aí, o que teria de acontecer?

Sabendo o que pensas sobre ele, gostava de discutir isso contigo: até que ponto a tua visão pode ou não ser concretizável? Quais os obstáculos, as eventuais impossibilidades ou mesmo, em que sentido alguma característica que idealizas no político pode levá-lo a ser aquilo que no fundo queres que ele seja ou que, pelo contrário, o afaste daquilo que profundamente desejas que ele consiga para ti, para nós.

No final tenho aqui duas marretas só para o caso de tu, que estás desiludido com os políticos, teres posto o teu político de sonho no topo de um inalcançável pedestal.

Não te assustes. Partir coisas pode dar um gozo tremendo. E o entulho é sempre bom para encher umas fundações.

A eternidade vê-se do cimo de um viaduto

A eternidade vê-se do cimo de um viaduto.

Na rádio a notícia da morte,

no sinal vermelho a projeção de um espelho.

E eu morto, a ver os carros passar, lá em baixo,

morto…

Vendo o mundo no momento seguinte ao do fim.

Mas quem é que não sabe o que vem depois da morte?

Uma buzina que está verde, enfim.

Cofres cheios: o reconhecimento definitivo do fracasso

Se recuperamos o acesso aos mercados de forma sustentável e duradoura como é apregoado e se as taxas de juro são baixas porque somos muito bons e fizemso o trabalho de casa (ignorando sistematicamente o papel do BCE como faz o governo), para quê ter 24 mil milhoes a pagar quase 4% de juros? Os tais €40 milhões ao ano só em juros negativos aos BCE mais algo entre €500 milhões a €900 milhões de juros pelo empréstimo que contraímos para ter essa almofada de que hoje se fala aqui?
Isto não bate certo com a narrativa do governo. Mas bate certo com a realidade. E a realidade é que a situação económica tem tudo pés de barro. E é por isso que, apesar do custo, se calhar faz sentido ter esta “almofada” (que resulta da antecipação de crédito que achamos vir a precisar). Há um risco real de virmos a ter um colapso económico pior do que o de 2008 e de sermos confrontados com o cenário há dias repetido por João Ferreira do Amaral.
Aliás, para mim esta “almofada” é a prova definitiva de quão frágil continua a nossa situação e toda a política económica na zona euro. Tão grave que é prudente pagar um ror de dinheiro em juros por capital que está estagnado mas que queremos ter disponível para acudir a uma desgraça. A crise continua e tudo pode virar num ápice.

A “solução” é mais austeridade, mas a austeridade não é solução. E agora?

João Ferreira do Amaral volta a ter oportunidade para proclamar as evidências. Foi hoje na @TSFRadio.

Atendendo a que João Ferreira do Amaral no fundamental me parece correto, qual deve ser a mensagem para o eleitorado de quem quiser governar?

Ignorar esta perspetiva da mensagem política pode ser a pior opção possível a médio prazo para quem decidir correr esse risco. Este é um daqueles caso em que é fundamental apostar um pouco mais na inteligência do eleitorado e no qual os que são mais competentes a simplificar, com honestidade intelectual, um discurso complexo têm de ser chamados à primeira linha da frente política. Não, não é a apologia da saída do Euro ou da União Europeia. É o confronto com as forças inevitáveis da economia, da vontade popular e da política internacional.

Há algumas perguntas muito francas que têm de ser colocadas ao eleitorado que se forem escamoteadas redundarão na afirmação preguiçosa e populista de uma inevitável lista de culpados: os partidos habituais do poder farão naturalmente de mordomo, o culpado de bolso a quem todos facilmente podemos responsabilizar sem grandes cuidados de rigor ou de justiça.

Alterem-se as premissas hoje tidas como imutáveis e o destino poderá ser outro, naturalmente. Mas, hoje, a 21 de março de 2015, tomando por boas as posições publicamente expressas no interior da União Europeia pelos vários líderes, considerado o enquadramento do Tratado Orçamental e dos restantes tratados europeus e avaliada a situação económica e financeira nacional, da União e mundial, os avisos e a inevitabilidade de que fala João Ferreira do Amaral estão muito perto de serem um relato certo de uma história futura.

Infelizmente muito pouco mudou nesta história nos últimos 4 anos.

Pode ouvir a entrevista aqui.

O essencial e o acessório

O essencial e o acessório

Restam poucas dúvidas de que o ciclo eleitoral que vivemos é dos mais decisivos na história recente do país e do Partido Socialista. Pelo caminho teremos uma campanha que se adivinha populista, pouco escrupulosa, repleta de vitimizações, desinformação e calunia. É uma tendência que se vem agravando, mas a qual, a verificar-se, não nos deverá afastar do essencial.

E o essencial passa por afirmar que os portugueses valem muito mais do que aqueles que zelaram para que o país se dividisse segundo o patrão para quem se trabalha, a idade que se tem, o rendimento que se recebe ou o grau de formação que se possui. Pelo caminho, o PS terá de continuar a renovar-se, aproximando-se ainda mais da sociedade de que é parte, numa permanente batalha pelo contacto franco e aberto, pela modernização de procedimentos e pela comunicação mais orientada para a vida das pessoas e menos para as picardias da vida política.

O PS terá de ser um protagonista-chave da verdadeira operação de resgate de que o país precisa, o resgate da confiança em nós próprios. Somos um povo reconhecidamente generoso, solidário, com capacidade de trabalho e sem receio de novidades e de novos desafios, capaz de ser como os melhores e de singrar e prosperar perante grandes dificuldades. Temos também de resgatar a perceção de nós próprios como europeus de pleno direito nunca desistindo de nos fazermos ouvir, com sensatez e comprometimento com um projeto europeu em permanente aperfeiçoamento.

Neste ciclo político, o PS tem que demonstrar ser o partido com a melhor perceção do país e do enquadramento político em que vivemos e esse não é um desafio menor. O PS, se escolhido para governar, terá de apostar na crescente qualificação cívica, cultural, técnica e humana, na defesa intransigente da dignidade humana e na ponderação escrupulosa e competente da aplicação dos recursos públicos. A verdade é que Portugal está hoje mais frágil para enfrentar qualquer desventura que a conjuntura internacional nos ofereça nos próximos anos mas apesar do agravamento das nossas fragilidades, é um facto que uma parte fundamental da solução está na nossa capacidade de acreditar que está nas nossas mãos muito do que precisamos para sermos mais felizes, sem ter de deixar ninguém para trás.

Originalmente publicado aqui.

Candidatos a cargos políticos: cartas na mesa no ato da candidatura

Que tal no ato de candidatura a um cargo político ser automaticamente requerido um registo do deve e haver que possa existir pendente com o Estado?

E, ato contínuo, os candidatos procurarem resolver de imediato distrações/problemas/divergências que possam existir pendentes? Tinhamos todos a ganhar. Naturalmente, as partes, em caso de divergência de opinião, poderiam insistir no diferendo sem que isso impedisse o candidato de se candidatar.

Inserir este “acerto de contas” ou “revelação e contas” como ato incluío no processo de formalização das candidaturas seria de valor. Por um lado, cada um assumia pecadilhos ou obtinha resolução ou assumia os diferendos e por outro ficava protegido de surpresas posteriores. Cartas na mesa, sem margem para hipocrisias. Naturalmente, as ocultações intencionais que viessem a ser descobertas posteriormente seriam particularmente danosas, dado que acabavam as desculpas esfarrapadas do “esqueci-me”, bem como seriam mais dificultadas as suspeições sobre a conta corrente do passado, dado que o Estado teria já sido chamado a pronunciar-se.

Bem sei que seres exemplares não deveriam precisar deste estímulo, mas  conheço muito pouca gente que encaixe nesse perfil, dos políticos no ativo aos seus respetivos eleitores por isso, acho que não se perdia nada neste “confessionário” e “penitência”.

Quem quisesse votar apenas em seres completamente impecáveis em termos de cumprimento fiscal podia assim ver a sua escolha facilitada, tal como quem quisesse fazer assentar a sua política numa versão hipócrita de cumprimento exemplar tendo o próprio um registo “complicado” poderia assim ter um estímulo para refrear tais impulsos populistas. O eleitor ficava melhor informado e responsabilizado; o candidato teria o momento certo para dizer de sua justiça e o resto seria a democracia a funcionar.

Faz o que eu digo, não faças o que eu Passos

A questão de Passos Coelho com a Segurança Social talvez mereça um pouco mais de repúdio e crítica publica (e eleitoral) pelo facto de, como primeiro-ministro, ter sindicado e incentivado uma atitude de tolerância zero para com qualquer dívida existente por parte dos cidadãos para com o Estado ao ponto de admitir a execução da residência de morada por conta dessas mesmas dívidas.

Que vos parece?

Grécia e Europa: a pulsão para a mentira

Vargas Llosa para compôr o ramalhete de uma tese que quer fazer vingar afirma que o Syriza renega qualquer responsabilidade dos governos anteriores e imputa exclusivamente à austeridade todos os males atuais da Grécia. Tomando o valor facial do que o Syriza defende (não tenho forma de fazer algo diferente nem de me comprometer com mais do que o que afirmam publicamente e que avalio) estes parágrafos de Vargas Llosa publicados no DN (ver em baixo) são objetivamente incompatíveis com o que o atual governo da Grécia anda a dizer. Ou seja, são mentirosos. O governo grego atual não só diz reconhecer erros crassos de governos anteriores como diz querer convencer os parceiros europeus de que há medidas concretas por desencadear que atacam esses males. Mas assumir isso não implica desresponsabilizar a “solução da austeridade” como um garrote que não só não resolve como objetivamente impossibilita qualquer solução, pelo menos na dose prescrita.

Como há dias aqui perguntava: se os gregos chegarem a uma taxa de desemprego de 30% acham que já dá para nos pagarem? Ou será 35%? Talvez 40%? 50%? São contas complicadas, não ganhamos nada em mistificar a realidade e em exigir atuação que faria sentido numa realidade paralela…

“As desgraças são uma dívida pública vertiginosa de 317 mil milhões de euros para com a União Europeia e o sistema financeiro internacional que resgataram a Grécia da falência e que equivale a 175% do produto interno bruto. Desde o início da crise, o PIB da Grécia caiu cerca de 25% e a taxa de desemprego chegou quase aos 26%. Isto significa o colapso dos serviços públicos, uma queda atroz dos níveis de vida e um crescimento canceroso da pobreza. Se ouvirmos os dirigentes do Syriza e o seu inspirado líder – o novo primeiro–ministro, Alexis Tsipras – esta situação não se deve à inépcia e à corrupção desenfreada dos governos gregos ao longo de várias décadas, que, com uma irresponsabilidade delirante, chegaram a apresentar balanços e relatórios económicos forjados à União Europeia para dissimular os seus prejuízos, mas sim às medidas de austeridade impostas pelos organismos internacionais e a Europa à Grécia para a resgatar da impotência a que as más políticas a haviam conduzido.”

Fonte: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4401903

O que terá a Grécia de fazer para nos pagar?

Se os gregos chegarem a uma taxa de desemprego de 30% acham que já dá para nos pagarem? Ou será 35%? Talvez 40%? 50%? São contas complicadas, alguém que me ajude.

O que é preciso para a Zona Euro funcionar?

O que é preciso para a Zona Euro funcionar é politicamente inaceitável para os estados mais poderosos (sonhar com uma união fiscal completa é apenas isso, um sonho). O que é preciso para as pequenas democracias e economias que estão na zona euro funcionarem (mesmo com base zero seria difícil e não há base zero nenhuma) é politicamente inaceitável para os estados mais poderosos.
O que é preciso para percebermos que é um projeto condenado e que o nosso desígnio nacional dos próximos anos deve ser mitigar ao máximo o colapso que se avizinha?
Isto não quer dizer que o próximo PM deve ir a correr tentar tirar o país do Euro. Mas quer dizer que deve preparar a sua política interna e a nossa participação externa consciente desta impossibilidade e sendo vocal quanto a ela: nesta zona euro não temos futuro.
Não é uma vontade, é uma inevitabilidade económica determinada por um constrangimento político que pouco ou nada controlamos.
Haverá vida depois do euro, difícil (pelo menos no início) mas haverá. Não sei muito bem que país existirá dentro dele se por azar a negação da inevitabilidade durar muitos anos, mas parece-me que será algo insustentável em democracia e talvez mesmo como Estado. Acho que temos algumas “amostras” disponíveis, e isto já dura há um ror de anos sem que a sagrada solução única produza os efeitos estruturais que não pode produzir.