Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
Random Image

As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Se a razão não contaminar a Europa que futuro teremos?

O economista Ricardo Reis surge hoje citado pelo Negócios da seguinte forma: “Não estamos assim tão longe de um próximo resgate”.

Pois eu acho que tem razão e esta conclusão deve servir vários propósitos.

Desde logo perceber porque é que ao fim de vai para seis anos de austeridade (em que em três deles andou particularmente desbragada) e quase quatro anos de “reformas estruturais” sucessivamente sindicadas pela troika, nada de substancial mudou quanto ao risco de novo resgate. A reflexão inteligente sobre estes porquês ajudará a compreender quão complexo é o problema e quão absurda foi a simplificação feita por alguns políticos (entre eles os que agora estão no poder em Portugal) sobre as causas da crise. A dada altura chegou a bastar imaginar que tudo se resolveria extraindo o primeiro-ministro de então da cadeira do poder. Foi no mesmo tempo, aliás, que se avançou com a garantia que um forte emagrecimento das gorduras do Estado (que não pressupunham mexer em salários e pensões) bastaria para equilibrar as contas públicas. Afinal, a história estava mal contada e hoje, mesmo tendo-se  cumprido boa parte da receita “salvadora” redesenhada afincadamente pelo atual governo e pela troika temos de concordar com frases como as de Ricardo Reis se queremos ser intelectualmente honestos: estamos ainda sob grande fragilidade, ou melhor, estamos em vários aspetos mais frágeis, mais pobres e mais desprotegidos.
Este reconhecimento deveria também permitir avançar de forma mais inteligente para os fundamentos da nossa fragilidade: para os que a alteração depende direta e imediatamente de nós e para os que dependem coletivamente daqueles com quem partilhamos o projeto europeu e a moeda única.

A verdade é que por muito bons alunos que sejamos (de boas ou más receitas salvadoras) não há solução duradoura dentro do Euro sem alterações profundas na União Monetária. Nem para nós, portugueses, nem para ninguém. E aqui Ricardo Reis aponta algumas ideias que permitirão comprar tempo por um lado (emitir dívida a prazos mais longos) e, por outro,  aproximar-mo-nos de algo mais sustentado para anularmos os choques da própria união como um maior orçamento europeu de investimento e mecanismos de solidariedades comuns (como o subsídio de desemprego). Só que nesta segunda parte todos estamos muito ceticos e se o ceticismo se consolidar (como tem vindo a acontecer) em imobilismo e em reforço do “não há alternativa” que não a austeridade e o empobrecimento, pouco poderemos fazer para evitar o próximo resgate ou mesmo a saída do Euro. E mesmo saindo desta dicotomia habitual e entrando numa perspetica de reforma institucional que tem sido avançada mas que passará por não mexer no orçamento comum (que não existe como tal para a Zona Euro) e reduzir a reforma a um diretório centralizado que decidirá os orçamentos nacionais sem qualquer correlação com a vontade popular ou sem o condigno mecanismo de solidariedade comum via orçamento, não será em rigor alternativa nenhuma.

Uma solução definitiva dentro da Zona Euro estará portanto bem para lá da nossa capacidade de sacrifício, para pegar num termo muito caro aos tempos atuais… Não haverá magnitude humana e democraticamente sustentável que nos livrará desse destino. E dito isto convém que quem quer ser primeiro-ministro seja muito claro quanto a este risco de que fala Ricardo Reis. Convém que não se invista em poderes que não tem e responsabilidades que não pode assumir mas convem que trace muito bem, ao mesmo tempo, o caminho da esperança que temos pela frente. Seja dentro da zona euro, seja fora dela, com inevitável acerto de passo na dívida, há um caminho, um caminho que poderá ter tanto de escolhido quanto de imposto. O futuro o dirá.

Para já, o que temos como certo é que haverá pano para mangas neste caminho para as legislativas de 2015 e muito a que estar atento e porque batalhar na defesa dos interesses dos portugueses no espaço europeu.

PS: Nota final para preparar os dias seguintes

Sobre o discurso de ontem de António Costa, gostei da referência genérica a todo partido e compreendo não ter havido referência particular a Seguro. Fazê-lo exigiria entrar em níveis de hipocrisia que não acho saudáveis porque geradores de um momento claramente inverosímil para todos os que acompanharam a campanha (tendo ou não participado no ato eleitoral).
O discurso final de Seguro foi digno, sim senhor. Já o que fez e disse na campanha, nem de longe, nem de perto, e espero que uma das lições desta campanha para os próximos anos seja precisamente a de que há um caminho de confronto que não é curial nem proveitoso para quem o trilha. E que, no fundo, é profundamente indigno e destrutivo. Felizmente, provou-se, essencialmente, auto-destrutivo.
Dito isto, hoje é um novo dia, há que fazer para todos os que são militante, simpatizantes e eleitores potenciais e continuo a dizer o que dizia há meses em público e em privado: unido o PS pode ser o partido mais competente para governar o país. Como? Com todos os neurónios disponíveis, acarinhando a tarimba política (não sei AVANÇAR sem valorizar o saber acumulado e sem olhar com crítica CONSTRUTIVA sobre o passado coletivo) e combinando-a e equilibrando-a com a audácia dos que procuram além da ortodoxia nacional e internacional a reação sustentável a uma realidade complexa, que seja corretamente interpretada e publicamente exposta de forma a envolver todo o país.
Será por aqui que o PS poderá constituir-se como a melhor opção para os próximos governos do país, guiado pelo serviço aos interesses populares que desde sempre justificaram a sua existência e o seu papel na sociedade portuguesa.

Já temos um bom princípio…

Tudo volta a fazer mais sentido…

Imaginem um indíviduo que passou quase toda a sua carreira política a disputar internamente, no seu partido, o poder. O adversário era sempre o seu companheiro ou o seu camarada. Era sempre esse que se lhe opunha ao seu objetivo. Os políticos de outros partidos ou eram irrelevantes para a contenda interna ou eram inclusive aliados  partilhando com ele o inimigo comum.
Imaginem que um dia essa pessoa chega a uma posição na qual o adversário interno foi vencido e tem de se dedicar exclusivamente a opor-se àqueles com quem até ali, mais ou menos publicamente, tinha partilhado argumentos contra o adversário interno.
A tarefa adivinha-se difícil, até porque a narrativa dos agora adversários fora por ele partilhada durantes anos a fio e resumia-se a simplisticamente eleger como único culpado dos problemas em debate o seu antigo rival interno.
Ah que saudades de se poder virar contra o seu adversário habitual, o companheiro ou camarada que tantas vezes conseguira superar. E que energia ele recupera quando precisamente, perante a ineficiência da oposição aos adversários de outros partidos, o adversário interno ganha ânimo e volta a dizer presente e lhe disputa o poder. Tudo volta a fazer mais sentido, a genica perdida que alguns nunca viram publicamente ressurge e uma sensação de vitalidade preenche-o e enebria. Tal como nos bons velhos tempos…
Fim.

Venho de colher um cravo, minha boquinha de riso

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira. Este é o lema de um verdadeiro beirão, cidadão do mundo. spoti.fi/1p8Cytn

Venho de colher um cravo #BeiraBaixa #Adufe ♫ Portugal: Macelada – Two elderly women with adufe accompaniment spoti.fi/1smPVfq

Minha boquinha de riso… #Adufe #BeiraBaixa ♫ Srª do Almortão – Ao Vivo – Zé Perdigão, Adufeiras da Idanha-a-Nova spoti.fi/1rX1Ja3

Alguém que explique a Seguro a definição de carga fiscal

“Se a carga fiscal aumentar enquanto for primeiro-ministro demito-me”

ouvido ontem a António José Seguro (por memória)

 

Se Seguro não aumentar impostos mas o país entrar em recessão demite-se? Faz birra porque a economia não está a colaborar e outro que governe? Abandona o cargo quando mais preciso será ter rumo, sangue frio e estabilidade política? É que nesse caso – em recessão – a carga fiscal pode aumentar.

Será que conhece a definição de carga fiscal?

Vai a correr baixar impostos para cumprir a promessa de não subir a carga fiscal caso o PIB esteja a patinar mais depressa do que a recolha de impostos? Se sim de que despesa prescinde? E basta que a carga fiscal suba “um dia” durante o mandato para se demitir? Creio que é possível obter a carga fiscal oficial via INE com dois anos de desfasamento mas é possível estimar com mais frequência. Pode-se demitir logo ao final da primeira execução orçamental? Ou esta é daquelas promessas que como é dífícil de operacionalizar em tempo útil é só mais um chavão populista para competir com o Marinho e Pinto?

O que fazer no dia 29 de setembro?

O que fazer no dia 29 de setembro?
Hoje acho que o atual SG do PS dará um péssimo PM. No dia 29 de setembro de 2014 não vou ter uma opinião diferente. Convenci-me disso durante estes últimos cerca de dois anos, não é propriamente algo que mude num estalar de dedos ou numa noite eleitoral. Se a convição não fosse tão forte, talvez o dia seguinte me fosse mais simples mas no caso, pessoalmente, há pouco a fazer.
Se a maioria dos militantes e simpatizantes do PS escolher aquele que acho será um péssimo PM para o país para concorrer às legislativas pelo meu partido tenho duas opções. Aceitar democraticamente a escolha e respeitar os estatutos do PS ou não aceitar e ir à minha vida. Em todo o caso garanto que manterei os níveis de hipocrisia em valores compatíveis com o meu amor próprio, de que esta breve prosa é aliás uma pública promessa. É simples. Qual é o drama?
Até lá há uma campanha pelo melhor para o país e para o PS em que faço questão de me envolver. Tenham uma boa semana!

É impossível não imitar as ideias de António José Seguro

Em 2011, António José Seguro era radicalmente contra as primárias.

Em 2011, António José Seguro era radicalmente contra os debates públicos na disputa da liderança do PS. Impediu mesmo que dois deles (com Assis) feitos em Lisboa e Porto pudessem ser transmitidos fora das paredes partidárias.

Em 2011, António José Seguro era contra um pedido de fiscalização da constitucionalidade do Orçamento de Estado 2012 que acabou por ser imposto por um grupo de deputados do PS (no pleno exercício dos poderes e deveres que lhes são conferidos pelos seus representados nos termos da lei)  que em consciência acreditaram que não poderia pactuar com um Orçamento inconstitucional. O Tribunal Constitucional deu-lhes razão.

Hoje, António José Seguro é o campeão das primárias.

Hoje, António José Seguro teria feito muitos debates com António Costa mesmo antes de haver candidaturas oficializadas e acusa o seu contendor de coisas feias (que recuso reproduzir) por não se ter disponibilizado a ir além do que estabelece o regulamento das primárias – três debates televisionados em canais de emissão nacional.

Hoje, António José Seguro usa frequentemente as sucessivas declarações de inconstitucionalidade que o Tribunal Constitucional veio a confirmar relativas a normas dos vários orçamentos de estado (inclusive o de 2012) como legítimo argumento contra o governo.

É certo que continua a dizer que foi vítima de traição por parte de alguns deputados, é certo que se denigre (curiosa palavra) com os argumentos que hoje usa sobre opções que eram suas no passado e é certo que se converteu num campeão das primárias apenas depois de ter surgido um amplo movimento de apoio à interpretação política pós- europeias que lhe quer disputar a liderança, mas Seguro é, com tudo isto, cristalino quanto ao que podemos esperar dele enquanto Primeiro-Ministro. Muito golpe de asa, muita capacidade de reinvenção, total disponibilidade para ridicularizar rapida e inapelavelmente o seu EU passado.

E o bónus final é este: é praticamente impossível não imitar as ideias de António José Seguro.

Em certas circunstâncias, um adversário temível.

 

Reforma eleitoral de Seguro: do disparate à imitação por antecedência

De volta à política nacional e ao PS. Uma coisa é certa, António José Seguro evolui na sua opinião a uma velocidade estonteante. Ainda há dias defendia tonitroante do palanque que devíamos ter 180 círculos uninominais para 180 deputados querendo assim mostrar “coragem”. Ou terá sido antes uma prova de vida populista em pânico perante a oposição mais estruturada de António Costa? Afinal quem entre os descontentes recusa reduzir o número de deputados, “essa corja”? Basta ouvir o que decorre dos estudos de opinião de deteção dos eixos do populismo que engrossam fileiras Marinhistas. Seguro apareceu assim, lesto (depois de 3 anos de zigue-zague inicial e posterior silêncio prático sobre esta questão) ao propor uma redução de deputados de 230 para 180 e convivendo de forma aparentemente descontraída com a estupefação com que muitos (incluindo apoiantes seus) encararam o absurdo da proposta. Rapidamente muitos perceberam que seria impraticável e uma boa proposta para impedir que algum dia algo mudasse no sistema eleitoral de tão absurda a iniciativa…

Mas agora Seguro mudou de opinião, afinal, desta vez alguém se lhe antecipou sugerindo algo mais sensato e sublinhando que reduzir o número de deputados criando círculos uninominais onde só os votos no vencedor contarão e todos os restantes irão literalmente para o lixo fracamente contribuiria para que os eleitores se sentissem representados. No mínimo, tal proposta exigiria um circulo de compensação nacional para garantir um mínimo respeito pela proporcionalidade. Uma reciclagem de milhões de votos (não exagero) que com 180 círculos uninominais em 180 deputados iriam para o lixo. Se bem percebo, ao ler a entrevista dada ao Paulo Ferreira e ao Sergio Figueiredo hoje no Diário Económico agora Seguro toma como proposta sua a existência do tal círculo de compensação que, naturalmente, impedirá que haja 180 círculos uninominais para 180 deputados.

Esta evolução pode ter-se inspirado em vários imitadores de Seguro – ainda que imitadores que se lhe anteciparam, como já vai sendo a sua sina – e apesar da clara melhoria ou evolução agora publicada que se saúda, pensar melhor antes de falar era o que se precisava de um candidato a primeiro-ministro. Acontece que, felizmente, desde finais de maio de 2014 estamos mesmo em período de escolha do melhor candidato do PS para Primeiro-Ministro. Há uma alternativa que não sendo salvífica ou “mágica” – imito agora o vocabulário de Seguro na entrevista – bate aos pontos as propostas de Seguro precisamente nestes particulares que implicam uma articulação ponderada desse grande recurso nacional que tem sido tão parcamente aproveitado. Qual será?

Nunca deixes para amanhã um elogio que podes fazer hoje

O que se passou hoje no Parlamento dignifica-o. Em pleno mês de agosto houve fiscalização da ação executiva (Ministra das Finanças) e regulatória/de supervisão (governador do Banco de Portugal). Houve deputados empenhados em todas as bancadas, houve resposta cabais em muitos casos e outras que hão-de dar ainda pano para mangas.

Nem tudo foi excelente mas hoje acho que se justifica destacar o que se fez pela positiva. Houve essencialmente deputados que se excederam pela positiva estabelecendo uma bitola que não vemos todos os dias e que também por isso deve ser sublinhada para compensar a facilidade de maledicência em que tantas vezes caímos quando há (ou não há) alguma justa razão de desconforto.

Hoje dou os parabéns aos deputados e aos eleitos e mandatados. E envio também um abraço especial e público ao Joao Galamba pelo competência demonstrada no longo pedaço da audição ao governador do Banco de Portugal que tive a oportunidade de acompanhar. É continuar assim que o país agradece.

Separar a política dos negócios: com suspeição todos temos telhados de vidro

2013: Candidato do PS à câmara de Cascais: João Cordeiro (histórico presidente da Associação Nacional de Farmácias e um dos mais visíveis e ativos dirigentes corporativos dos últimos 30 anos que, segundo a imprensa, foi imposto pela direção do partido, liderada por António José Seguro, como candidato autárquico às estruturas locais do PS).

2014: “É preciso afastar a política dos negócios” citando António José Seguro.

Há aqui qualquer coisa que não bate bem, em particular face à postura “pura” e acusatória que se tem visto. Este é um tema importante para o país mas não serve para lançar libelos diretos e indiretos a emporcalhar uma das candidaturas em presença na disputa interna do PS. Há objetivamente telhados de vidro por parte de quem se quer apresentar como acima de qualquer suspeita. Se é de suspeitas que vamos fazer a campanha, ninguém sairá ileso. E não é assim que vamos oferecer um contributo para a melhoria de salubridade na participação política.
Passamos adiante?