Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Fala como um verdadeiro Leão: Domingos Paciência

O mulato da palavra (em defesa do acordo ortográfico e em resposta ao jeito de desgarrada)

O mulato da palavra

Há nesta terra fidalguia madura,

donos da língua, patronos do antigo.

Confundem mundividência pura

com um inaceitável castigo.

 

Julgam-se mordomos da história,

mas o que amam é ditadura,

ignoram a antiga obra,

que lhes prova a alma impura.

 

Que foi fraca a nossa embaixada,

que nos coloniza o estrangeiro,

gente pobre e ensimesmada,

nunca chamará bunda ao traseiro.

 

Agarram-se à imagem do seu passado,

defendem uma moral indistinta,

recuperam um dicionário calado

ignorando crimes sem tinta.

 

Zurzem no esforçado linguista,

criminoso ouvinte fora da quinta

douto e interessado copista

que converteu o verbo dito em tinta.

 

Para eles a língua sempre velha,

para nós algo que se renova,

para eles não é propriedade alheia,

para nós a fala é a prova.

 

Fieis de um estúpido princípio,

abominam a natural transformação,

ignoram a riqueza desde o início,

desta coletiva construção.

 

Língua minha pátria mui amada,

dou-te para aumentar a tua lavra,

deixando-me da conversa fiada,

dos que abominam o mulato da palavra.

 

Nota: Atrevi-me a este ridículo de poesia como desgarrada de resposta ao vizinho Fernando que me sabe no role dos “Arjumentos!

Ratings e Europa – Déjà vu: isto resolve-se com mais um PEC.

Também publicado aqui: “Ratings na Europa: “We are about to attempt a crash landing” “.

Notas breves sobre a descida generalizada de ratings na zona euro e uma música com história:

  1. Como se comentava há pouco no twitter (http://bit.ly/zVh2R7) “Como a UE não se federaliza, a S&P federalizou a análise” e relevou o estado geral da zona euro como mais importante do que as condições particulares dos vários países afetados.
  2. Mas será que os ratings ainda fazem mossa? A partir do momento- nesta tarde – em que começou a correr o boato de que iriam acontecer, interromperam-se as escaladas nas bolsas de valores, o euro desvalorizou rapidamente para mínimos de vários meses, os juros da dívidas soberana dispararam na periferia e entre os países expectavelmente afetados pela descida do rating. Como se fossem surpresa…
  3. As reacções dos vários Estado, aqui bem representadas pela reação do Mínistério das Finanças português (ver “Governo português lamenta decisão da S&P“), dão bom testemunho do carater paradoxal desta situação e das justificações para as descidas de rating, mas recordam também como passámos já à fase histórica no sentido em que tudo isto parece já uma história contada repetidas vezes sem que haja escriba capaz de alterar o guião.
  4. O que se segue Europa? Mais moralismo, mais tacanhez, mais negação? Continuarão as reuniões políticas a ser conversas entre condóminos incapazes de perceber que por muito diferente que seja a vista que cada um consegue disfrutar dos seus diferentes andar de residência o destino de todos está condicionado pela qualidade dos alicerces que não souberam fundamentar nem , agora, escorar?
  5. As histórias fantásticas de Laurie Anderson parecem menos surreais e mais cristalinas. Vale a pena ouvir:

Cesária Évora

Ergue-se o cálice em honra dos vencedores

Mas que pomada! No cálice restava apenas um gole cor de caramelo daquele inacreditável moscatel. Venâncio da Costa Lima, Reserva 2006. Cada gota fazia questão de se expandir com estalo pelo palato, aquecendo com a amplitude de uma névoa todas as papilas conhecidas e já esquecidas que ocupavam aquele palco de eleição.

Vasco fez-se a ele e virou o copo sobre a mesa em sinal de remate.

O Sporting voltara a ganhar com classe e empenho, vingando-se do digno Setúbal que assim, naquele néctar, fazia a vénia devida ao vencedor.

Saúde!

REM separam-se ao fim de 31 anos

Não será a melhor mas é a que apetece ouvir: It’s the end of the world as we know it (and I feel fine). Somebody hurts other time. Let’s party with:

No dia em que se acabaram as Golden Shares (em Portugal)

” (…) Há nove países que mantêm as suas acções douradas, apesar da pressão de Bruxelas e das sentenças do Tribunal de Justiça Europeu. Entre elas, estão dois países insuspeitos e muito liberais, o Reino Unido e a Irlanda. .”

André Macedo in Dinheiro Vivo.

Só de pensar que foram inventadas por Margaret Thatcher.

“I’m starting to think that the Left might actually be right” – The Telegraph

Para não variar os nossos governantes actuais parecem querer implementar com afinco e considerável atraso histórico, uma política que se vai revelando um pouco por todo o mundo Ocidental, como merecedora de grande suspeição.

A ler: I’m starting to think that the Left might actually be right

” (…) And when the banks that look after our money take it away, lose it and then, because of government guarantee, are not punished themselves, something much worse happens. It turns out – as the Left always claims – that a system purporting to advance the many has been perverted in order to enrich the few. The global banking system is an adventure playground for the participants, complete with spongy, health-and-safety approved flooring so that they bounce when they fall off. The role of the rest of us is simply to pay.

This column’s mantra about the credit crunch is that Everything Is Different Now. One thing that is different is that people in general have lost faith in the free-market, Western, democratic order. They have not yet, thank God, transferred their faith, as they did in the 1930s, to totalitarianism. They merely feel gloomy and suspicious. But they ask the simple question, “What’s in it for me?”, and they do not hear a good answer.

Last week, I happened to be in America, mainly in the company of intelligent conservatives. Their critique of President Obama’s astonishing spending and record-breaking deficits seemed right. But I was struck by how the optimistic message of the Reagan era has now become a shrill one. On Fox News (another Murdoch property, and one which, while I was there, did not breathe a word of his difficulties), Republicans lined up for hours to threaten to wreck the President’s attempt to raise the debt ceiling. They seemed to take for granted the underlying robustness of their country’s economic and political arrangements. This is a mistake. The greatest capitalist country in history is now dependent on other people’s capital to survive. In such circumstances, Western democracy starts to feel like a threatened luxury. We can wave banners about “life, liberty and the pursuit of happiness”, but they tend to say, in smaller print, “Made in China”.

As for the plight of the eurozone, this could have been designed by a Left-wing propagandist as a satire of how money-power works. A single currency is created. A single bank controls it. No democratic institution with any authority watches over it, and when the zone’s borrowings run into trouble, elected governments must submit to almost any indignity rather than let bankers get hurt. What about the workers? They must lose their jobs in Porto and Piraeus and Punchestown and Poggibonsi so that bankers in Frankfurt and bureaucrats in Brussels may sleep easily in their beds.

When we look at the Arab Spring, we tend complacently to tell ourselves that the people on the streets all want the freedom we have got. Well, our situation is certainly better than theirs. But I doubt if Western leadership looks to a protester in Tahrir Square as it did to someone knocking down the Berlin Wall in 1989. We are bust – both actually and morally.

One must always pray that conservatism will be saved, as has so often been the case in the past, by the stupidity of the Left. The Left’s blind faith in the state makes its remedies worse than useless. But the first step is to realise how much ground we have lost, and that there may not be much time left to make it up.”

Novo Ciclo

O PS elegeu hoje um novo líder: António José Seguro. O que esperar? Além de se esperar uma aproximação àquilo que julgo ser, ainda, a matriz do que é o PS para muitos eleitores socialistas – e que na minha opinião foi muito mal tratada nos últimos anos – espera-se que cumpra com aquilo com que se comprometeu: uma perspectiva muito clara de que há um trabalho de construção, partindo dos fundamentos históricos. Um trabalho que leve à aproximação e participação para encontrar soluções inovadoras, inclusivas e justas para melhor organizar a vida em comunidade e para a própria participação política.

O mundo está mesmo em mudança, particularmente na forma como nos relacionamos uns com os outros e na forma de viver um partido político, de viver em democracia e de exercer os cargos públicos. Uma forma decente, exemplar, dedicada, rigorosa, responsável, frontal, inteligente e transparente de fazer política e de contar com todos para o efeito, sem elitismos, sem preconceitos, sem  arrogância nem paternalismo.

Uma política que valorize muitas das palavras dos parágrafos de cima, gastas, depreciadas de tanto abusadas e maltratadas. Já seria um excelente contributo para melhorar a auto-estima e a capacidade de mudar e melhorar.

 

Amy’s final frame

Aquilo que podia ter sido e que foi só um bocadinho… Uma história que se repete, vezes sem conta, às vezes com a exuberância que a linguagem da música e da arte em geral permitem. Fica o bocadinho que foi e foi bom.



Amy Winehouse – Love Is A Losing Game por AmyWinehouse