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Fazer a síntese no PS e arredores – I de II

 

 

O Tugir, um blogue do Luís e do Carlos, ambos socialistas, vai surgindo nos últimos tempos com uma agenda dual mais vincada. Notam-se divergências políticas coladas à distância geracional.

O apartar das águas fez-se sob pretexto das últimas intercalares em Lisboa. O Carlos militou e propagandeou António Costa, o Luís mantendo a lealdade partidária de jure foi sublinhando as virtudes da democracia de facto em cada acto eleitoral. Quando um tenta manter uma posição minimamente ambígua (no bom sentido) enquanto o outro anda de bandeira em punho, já se sabe no que pode dar. Sendo os dois bem educados, deu em cordial e firme discordância com umas alfinetadas para apimentar. Mas mais do que o episódio lisboeta, subsistem as divergências de estilo e de conteúdo. Tanto quanto sei o Luís e o Carlos (que já tive o prazer de conhecer) foram, são e continuarão a ser bons amigos, independentemente de um ou outro puxão de orelhas que se ofereçam por estes dias.

Falo deles e do Tugir, não tanto para o relato dos costumes à maneira de fofoca mas mais por querer sublinhar a discussão que o PS terá de ir fazendo se continuar a querer ser mais do que uma marca de concurso em boletim de voto. Não tenho o Luís como um "perigoso" extremista de esquerda, ainda que esteja mais permeável a Alegrias, nem tenho o Carlos como um pragmático oportunista de agenda individualista disfarçado de fraterno igualitário defensor da liberdade. Um dos paralelos comuns que me ocorrem quando leio o Tugir é o de olhar para o partido trabalhista inglês e compará-lo com o PS – e aqui a culpa é do Carlos que é um apaixonado por tudo que que vem de terras de sua majestade em termos políticos.

Simplificando: Sócrates estaria para Blair como Manuel Alegre estaria para a ala sindicalista ortodoxa do Partido Trabalhista que se opôs a Blair. Logo, o caminho está já definido: Manuel Alegre é o Passado; o pragmatismo do "socialismo moderno" é o Futuro e o senhor que se seguir será o Gordon Brown português.

Será?

(Continua amanhã dia 31 às 8h30m)

6 replies on “Fazer a síntese no PS e arredores – I de II”

Excelente argumento: quem se opõe é passado e ultrapassado. O discurso modernaço continua a beber em Josef (Estaline) Sócrates. O argumento da diminuição de cáries foi um must…

Cumprimentos

Estes modernaços são uns castiços… acham que quem não o é pertence à pré-história e não compreende a evolução. Esquecem-se de um pequeno pormenor que faz toda a diferença – são os valores. Estes conservam-se, alimentam-se, cuidam-se e suportam, de facto, a evolução do homem e da sociedade.
Penso que é aqui que reside grande parte dos problemas com que o PS se defronta – ausência de fortes valores por parte da direcção.

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