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Epístola a um banco distraído

      Querido Banco,

    Se tu fosses mais inteligente do que os outros bancos saberias que terias tudo a ganhar em antecipar-me o trabalho de pensar sequer em mudar de banco. Podias fazê-lo tomando a iniciativa de me contacteres propondo-me, por exemplo, uma redução do spread do meu empréstimo à habitação. Sabes muito bem, melhor do que eu, que a taxa que me cobras há vários anos, competitiva na altura de celebração do contrato, há muito deixou de poder concorrer no mercado; será fácil encontrar outro banco que me ofereça melhores condições cativando-me para a sua carteira.

    Terei então uma opção, mudar para o banco que me oferece um contrato mais interessante ou ficar onde estou se entretanto me deres as mesmas condições. Pode até acontecer que em situação de empate ou mesmo perdendo um pouco, mais que não seja de conforto por ter de me mexer, eu me lembre da mágoa com que fiquei ao te ver tão desinteressado, fazendo-te de esquecido, esperando que também eu me esquecesse que já roçavas a exploração naquilo que me cobravas pelo teu dinheiro.

    Querido Banco, não será melhor mandares-me um carta em antecipação com uma proposta que eu não possa, felizmente, recusar? 

    Com amizade, deste teu ainda cliente. 

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