Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Cinema’

Blogues Clack/Click (act.)

Agosto 07, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Cinema, Media 1 Comment →

O canal Hollywood da televisão por cabo passou hoje o filme cujo cartaz aqui se reproduz. Mais um que corria o risco de servir de entretenimento anónimo pois comecei a vê-lo já uma parte esclarecedora da trama se desenrolara.
Neste caso, acho que foi uma sorte ter apanhado o filme a meio, o efeito que julgo se pretendia com a ridicularização do ecossistema político (norte-americano) surtiu maior efeito. Houve partes do filme em que me ri que nem um tonto e contudo… Onde estava a graça?

Uma breve pesquisa na net diz-me que se trata de um filme de 1979. O maçom multimilionário fazedor de reis, a filha pródiga, o Presidente do país, os media do entretenimento político e a sua cegueira, os jornalistas de investigação, a fraqueza do sistema perante a mera hipótese da franqueza. Uma sucessão de previsíveis personagens. E o segredo que interessa, sintetizado na cena final. Uma hipérbole de metáforas, talvez.

O filme e a sua sátira fez-me pensar nos blogues… Parece-me que anda demasiada gente por estas paragens, principalmente nos grandes conglomerados políticos da blogoesfera, a achar “graça” ao que escreve (concretizando quem tenho em mente para não ser injusto: Blasfémias, O Acidental, o Barnabé e mesmo uma pitadinha a “minha” Grande Loja).
Passar por lá como quem passa por uma discussão entre um sportinguista e um benfiquista sobre qual é o melhor clube, tem uma piada imensa e é extremamente estimulante, mas para isso já temos o Sporting e o Benfica.
Por este andar tenho que criar uma nova categoria de classificação ali para a coluna da direita do Adufe: os blogues-clack/click.

Desconfio que Peter Sellers (o filme!) me patrocinou um momento de lucidez. Vou trocar umas impressões com o meu travesseiro e já volto.

Mas, já agora, então o Del Neri já está de saída do FC Porto? Quem é que ele quereria dispensar?

Con-sumo

Agosto 03, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema 6 Comments →

O Bruno recorda os Olmecs e Les Mystérieuses Cités d’Or.

Eu passo pela prateleira e vejo os temíveis Cylons preparando mais um ataque intergaláctico. Brincar à Galáctica com um escasso número de legos devidamente transformados foi o meu entretenimento caseiro favorito durante anos. Eu e mais uns amigos fazíamos autênticas recriações épicas onde a sala de jantar passava pelo espaço profundo, a porta da cozinha era zona de turbulência cósmica e o quarto era o palco para todos os desfechos finais.

Ainda há poucos dias os recordava - aos heróis da Galáctica - a propósito de uma estranha refeição que os país ofereciam (oferecem??) aos filhos em tenra idade.
A Galática para mim está intimamente relacionada com sopa de mioleira de borrego, o que é que querem!

O DVD: Eis mais um filão de ouro nascido de uma inovação tecnológica! And yet…

A dimensão da minha ignorância (act.)

Julho 28, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema 1 Comment →

Hoje comprei o DVD de “The Man Who Knew Too Much” de Alfred Hitchcock.
Tenho uma memória muito difusa deste ou de qualquer outro filme britânico de Hitchcock. Os seus filmes como muitos outros clássicos vi-os na TV num tempo em que o título e o realizador me eram perfeitamente indiferentes ou então apanhei-os a meio num qualquer canal do cabo…

Ainda não revi o filme em questão, mas espiolhei os breves comentários aos restantes filmes que compõem a colecção de filmes de Hitchcock em que este se insere - tudo da fase britânica. E foi ao ler “essas badanas” dos filmes que me apercebi que Hitchcock foi o primeiro realizador a filmar com som no Reino-Unido; fê-lo com Blackmail em 1929. É esta também a dimensão da minha ignorância.

“(…) Despite the fact that he initially shot Blackmail as a silent, Hitchcock realised that the opportunity to add speech was simply too compelling to ignore.(…)” A review by Damian Cannon

Brando: A melhor homenagem escrita

Julho 07, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema Comments Off

A não perder este texto de RICHARD SCHICKEL na Time:
Hostage of His Own Genius - Marlon Brando, 1924-2004

Um excerto:

“(…)One example out of dozens will have to suffice. Waterfront’s Terry is shyly courting Eva Marie Saint’s convent girl. She drops her glove. He picks it up and casually, talking about other things, tries to wriggle his fingers into it. What else of hers might he similarly, clumsily like to invade and possess? And how, we wonder, have we similarly, unconsciously betrayed our truest intentions while pretending that we were just kidding around?(…)”

Icone

Julho 02, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema 2 Comments →

Marlon BrandoCom James Stewart morreu o último, depois foi-se de novo com Catherine Hepburn, no ano passado com Gregory Peck, hoje morreu outro “último”: Marlon Brando. Os últimos sucedem-se e renascem.

Desconfio que vai valer a pena recordar dando um pulinho à Janela Indiscreta, mais cedo ou mais tarde. É um feeling blogoesférico.

Qual? On the Water Front

Parabéns Disney!

Maio 24, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema 2 Comments →

Não é todos os dias que a Disney ganha em Cannes com uma das suas produções.
Será que mesmo assim vai continuar a não querer “chatear” a clã Bush mantendo o incómodo documentário por exibir no US of A?
Michael Moore oferece-nos (a nós europeus?) um outro extremo conveniente para uma análise maniqueista do que são os EUA. Dessa crítica não se livra mas “tomadas as devidas precauções” o senhor cumpre um papel útil, uma espécie de bloco de esquerda para os neoconservadores.
Primeiro o Oscar, agora a Palma de Ouro.
Parece que todo o mundo do show biz se virou para o tramar, mister Bush.
Pela minha parte pago para ver este Fahrenheit 9/11.

Algumas palavras de Moore publicadas há poucas horas no seu site (atentem no Post Scriptum):

“(…)Myself and twenty-six members of our crew are here in Cannes and we are in a state of shock. None of us expected this. First came the critics’ reviews on Monday (The New York Times called it my best film ever), then the audience reaction at our premiere (a 20-minute standing ovation, a new all-time record for the festival), the International Federation of Film Critics Award on Friday, and then the best film prize last night. It’s all been an incredible week for us and I can’t wait to get back home and show you all this wonderfully powerful film we’ve made.
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A vida de Brian em Lisboa já!

Maio 10, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema 4 Comments →

Ora digam lá se não seria uma boa prenda (segue-se artigo do Cine Cartaz do Público de 7 de Maio de 2004):

Eric Idle: Brian melhor que Jesus?

Eric Idle, dos Monty Python, resolveu comparar a crucifixação de “A Paixão de Cristo” com a de “A Vida de Brian”. Nessa sátira bíblica, o protagonista - um judeu da Nazaré confundido com o Messias - acaba pendurado na cruz, a cantar “Always look on the bright side of life”. E para Idle a versão dos Python é muito superior: “Dá-me ideia que o Mel [Gibson] não tem lá muito jeito para a comédia e parece que ignorou por completo as oportunidades musicais da crucifixação.” Mas o actor até vê semelhanças entre os filmes, por existirem devido à visão obstinada de um homem. No caso de “Brian”, o falecido George Harrison, que “hipotecou a casa e quase faliu porque queria ver o filme. Por 4 milhões de dólares, continua a ser o máximo que alguém já pagou para ver um filme”… De qualquer modo, para Idle, “o filme ’snuff’ sagrado de Mel” também tem virtudes, pois a histeria à sua volta levou a que, no ano do 25º aniversário, “A Vida de Brian” fosse relançado nos cinemas. O filme estreou-se a 30 de Abril em Nova Iorque e L.A. e chegará a outras cidades, numa lógica de “contra-programação”, durante a Primavera.

Querido Diário da esquerda burguesa

Abril 29, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema Comments Off

Querido Diário de Nanni Moretti, hoje, com o Público.

Ó xôr Belmiro, é pesquisar o nome do autor do blogue na base de dados que descobre logo o NIB para onde mandar a gratificação. Cumprimentos à família e particularmente ao seu Paulo que já dá lucro. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde também a Sonae ponto come.

Cumprimentos de um admirador pioneiro

Eu hoje vou ver um filme

Março 18, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema Comments Off

Talvez um dos raros casos em que prefiro o título em português…

 Janela Indiscreta

As trevas

Março 16, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema, Religião 3 Comments →

O filme de Gibson

Pobres dos que encontram transcendência numa representação que explora o que há (e não há!) de mais grotesco no novo testamento.
Duas horas a ver saltar pedaços de carne e a ouvir estalar ossos numa tentativa deliberada de ir onde ninguém terá ido num filme do género.
Alguns escassos minutos de mensagem, demasiado escassos para que se entenda a violência, o exemplo. Demasiado escassos para equilibrarem psicologicamente quem assiste, para enquadrar a diabolização militante dos judeus - demasiado militante e demasiado crua para que não se leia nela uma generalização propagandística, tenho que admitir.
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Ontem

Fevereiro 27, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema Comments Off

Uma excelente noite de cinema ontem… Uma noite em grande!
Ainda há quem saiba escrever e contar belas histórias fantásticas no cinema…

Traduções

Fevereiro 18, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema 2 Comments →

Ainda os títulos e as traduções.
Passando por mais um texto do meu homónimo que faz um paralelo entre duas histórias em filme que têm muito a ver, retenho-me no acessório.
In The Mood for Love poderia ter sido “O Amor é um lugar assim” e Lost in Translation podia ter sido “Disponível para amar”…

In the mood for love - Disponível para amar, ora aqui está um raro caso em que o tradutor foi muito feliz, não acham?

Por falar nisto, alguém sabe quem é que faz as traduções dos títulos?
Sugiro desde já que se convençam a um brainstorming aqui na blogoesfera. Não faltarão sugestões (das boas) por onde calibrar as traduções. Serviço público gratuito num grupo de opinião perto de si.

Teimoso que nem um burro!

Fevereiro 10, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema, Portugal Comments Off

Não consigo, por mais que tente(m) não consigo deixar de gostar de ser português.
Nem sei muito bem o que é ser isso mas gosto, pronto!
Às vezes aqui o Adufe até pode dar uma ideia errada, mas eu sempre fui muito refilão, muito fã do Mister Smith Goes to Washington :-) .

Os anos passam e não há maneira de deixar de ser assim. Mas no meu caso, como no de mais alguns patrícios, trata-se de uma questão de amor por este cantinho, pelas gentes e pelo desafio que é passar cada dia a teimar por viver num dedal mais simpático e agradável para os que o habitam.
Achaques e maleitas todos temos, a última paragem também é certa, mas o resto…
Ainda houve tempos em que desconfiei que era masoquista, mas quando me vi a festejar que nem um tonto a vitória do campeonato pelo Sporting em 2000, após quase uma vida de jejum, esclareci as minhas últimas dúvidas: não era!
Aquele Rui sofredor era mesmo um tipo com genuína esperança e perseverante, caramba! Aqui que ninguém nos ouve (é verdade, já repararam) não me importo de continuar assim.
Amigos derrotistas, senhores da tanga, enquanto houver milho em Portugal contém com Ladino, o Pardal.
Segue a dança!

Um momento decisivo para contar a história que se quer contar

Fevereiro 04, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema, Palavras dos Outros 1 Comment →

“(…) Gostaria de ter entrado no mesmo cinema e repetir tudo outra vez, pois essa seria a forma mais aproximada de ser eu o protagonista do filme. Nos dias que se seguiram, ainda hoje, quero estar sentado diante de Scarlett Johasson, num restaurante, e ser capaz de a fazer sorrir, saber que sou eu que me esqueço de tudo, longe, em Tóquio, e entregá-la ao quarto de hotel sem ter a certeza se, alguma destas noites, antes de regressar a Los Angeles, vou ter coragem para a beijar.”

in Abram os Olhos

Sintonias

Janeiro 31, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema, Portugal, Sociedade 5 Comments →

São vários os blogues (os seus autores) em sintonia. Falo de sintonias difusas, não organizadas e, particularmente, penso em sintonias raras vezes sublinhadas por não girarem em torno da política, de alguma causa ou de algum choque.

Lost in Translation (um filme) de que já aqui falei, traz-nos uma dessas sintonias que ameaça atingir o ponto de popularidade que levará a ser “bem” gostar do filme. Esta é uma consequência caricata, mas há muito inscritas nos genes, que atinge todos os fenómenos de sedução que assumam um determinado patamar de popularidade.
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