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Economia Política

As vistas curtinhas dos cobradores de sacos

Destaque: Se o governo quer salvar o planeta do desperdício porque é que não estabelece uma relação máxima entre o volume do conteúdo e o volume das embalagens produzidas pela indústria?
Desde cd individuais embrulhados em caixas onde cabe uma resma de folhas A4, a brinquedos minúsculos apresentados nas prateleiras em caixotes bons para as mudanças, tudo se encontra disponível e reluzente nas lojas do país.

Eu uso os meus sacos de compras do hipermercado para acondicionar lixo, nomeadamente para acondicionar lixo separado com destino à reciclagem. Se passar a pagar 5 cêntimos por saco não vou deixar de consumir sacos. Aliás fico a perceber que acondicionar lixo em sacos diferente passa a custar mais dinheiro do que se meter tudo ao monte…
Serei daqueles que nada ganhará directamente com a benemérita medida de salvação do planeta e desconfio que terei um ganho marginal, muito marginal em termos indirectos pois constato que entre amigos e familiares este tipo de sacos cumpre a mesma função.
Finalmente fico ainda mais longe de perceber quanto custa o meu lixo tal é a dispersão de taxas e taxinhas em que é cobrado, desde o que o produtor paga à sociedade ponto verde (e que reflete no preço do produto), até ao custo dos saquinhos (eles também taxados pela sociedade ponto verde) passando pelas taxas de saneamento básico indexadas ao consumo de água lá de casa.

Se o governo quer salvar o planeta do desperdício porque é que não estabelece uma relação máxima entre o volume do conteúdo e o volume das embalagens produzidas pela indústria?
Desde cd individuais embrulhados em caixas onde cabe uma resma de folhas A4, a brinquedos minúsculos apresentados nas prateleiras em caixotes bons para as mudanças, tudo se encontra disponível e reluzente nas lojas do país. Tudo devidamente anunciado na TV, tudo pronto a seduzir os fraquinhos consumidores que não resistem a levar mais um saco cheio para casa.
Governo, meu pai, se faz algum sentido cobrar a quem compra para que compre menos, mais sentido fará evitar na fonte que se gere o desperdício. O poder económico do consumidor para pagar um extra pela embalagem maior ou por mais um saco de plástico não me parece uma opção razoável quando temos de salvar o planeta.

A propósito, quando é que se aprova uma lei que imponha o uso de embalagens de vidro retornáveis nas bebidas vendidas em restaurantes?
Como disse?
Já está em vigor?
Ainda não dei por nada.
Só reparei que a ASAE proibiu o uso de galheteiros e forçou o uso de embalagens individuais para o azeitinho, a bem da nossa saúde. Pois.
Fazer leis é bonito, principalmente com o fito de arrecadar directamente verba a quem não custa fiscalizar. O pretexto é que não passa mais uma vez de pura hipocrisia e/ou burrice.

2 replies on “As vistas curtinhas dos cobradores de sacos”

O governo devia começar por taxar quem dá formação às operadoras de caixa dos hipermercados, que se as deixarmos põem uma ou duas compras em cada saco; quando foram remodelados o Jumbo e o Continente da minha zona, no início tinha verdadeiras “guerras” porque queria usar os meus sacos grandes e reutilizáveis – elas quase se ofendiam (parecia que desconheciam completamente a palavra “racionalizar”) com a minha atitude.
Agora a coisa melhorou um pouco, mas algumas ainda não percebem que uma embalagem de carne, uma de leite e outra de manteiga podem “conviver” num mesmo saco… e que um par de collants e uma embalagem de bolachas não se deterioram por viajar juntos durante algum tempo.
Esta é das formas mais ridículas de roubar os portugueses – será que este governo ainda vai ressuscitar a salazarista “Taxa do Isqueiro”?

São guerras boas essas. A cultura vai-se fazendo e raramente por bons decretos. Saudações à senhora de idade que passou por aqui.

Entretanto o governo lá fez marcha atrás e está a estudar o assunto.

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