Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
Subscribe
  • Home
  • Sobre
  • Contactos
  • Translator

O feto e o fisco

Fevereiro 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Política

Há vários meses que o meu futuro rebento me dá despesas várias, directas e indirectas, muitas delas do foro médico. No fundo dá-me despesas há tantos meses quantos está em gestação (para não ir mais longe e não entrar com argumentos mais mirabolantes).

A partir do momento da concepção e salvo algumas raras excepções clínicas, o projecto de filho adquiriu personalidade jurídica com direito a toda a integridade e respectivo sustento e demais cuidados (poupem-me os preciosismos legais). Para simplificar, os pais deixam de poder pôr e dispôr livremente dele e têm para com ele o mesmo grau de responsabilidade que terão ao longo da sua infância e adolescência, pelo menos. Lembram-se da questão do aborto, certo?

Contudo, o meu futuro filho em gestação, repleto de personalidade jurídica, só adquire personalidade fiscal (pelo assim o diz o código do IRS) no dia em que nasce. Alguém vê aqui uma incoerência, ou sou só eu?

O fisco diz-me que lá em casa ainda só são dois a comer, a ir ao médico, a determinar a execução orçamental da família… Deveras?!

17 comentários to “ O feto e o fisco ”

  1. # 1 d Says:
    Fevereiro 21st, 2006 at 18:0

    …

  2. # 2 ricardo Says:
    Fevereiro 21st, 2006 at 22:0

    Código Civil Português
    “Titulo II - Das Relações jurídicas
    Subtítulo I - Das Pessoas
    Capítulo I - Pessoas Singulares
    Secção I - PERSONALIDADE e capacidade JUR�DICA
    Artigo 66.º - COMEÇO DA PERSONALIDADE
    1 -A PERSONALIDADE ADQUIRE-SE NO MOMENTO DO NASCIMENTO COMPLETO E COM VIDA.
    2 -Os direitos que a lei reconhece aos nascituros dependem do seu nascimento.”

  3. # 3 Rui MCB Says:
    Fevereiro 21st, 2006 at 22:0

    Ó Ricardo, obrigado pela correcção, mas ainda assim acho que dá para perceber onde quero chegar… Ou será que não? Aquela “coisa” que anda na barriga da mãe (perdão, só se é mãe depois de dar à luz) já vale qualquer coisa, ainda que não preencha todos os requisitos da lei (tem de haver algures na lei o detalhe para isto de que estou a falar). Se assim não fosse como é que se justifica que o aborto seja um crime? A responsabilidade nasce no momento da concepção (podemos discutir se ela é gradativa com o decurso da gravidez - outra vez o aborto) mas que está lá, está.
    Bom, mas não é ao aborto que quero chegar, era mesmo aquilo que me parece uma incoerência juridico-fiscal…Atendendo à lógica presente na política fiscal implícita no IRS (conceito de família/agregado familiar/economia de escala da economia comum/benefícios ou deduções segundo o destino da despesa/etc) acho que a questão é pertinente. Mais uma provocação…

  4. # 4 homemDASneves Says:
    Fevereiro 22nd, 2006 at 13:0

    Rui tens de admitir que aferir determinadas situações custa mais do que passar os beneficios directamente atraves da dedução fiscal. Nao estou ao corrente mas qual o montante de serviços publicos de que beneficia uma gravida/agregado em virtude da situação? Achas que se justificaria avaliar as gravidezes, aquelas que realmente resultam em alargamento familiar, etc..

  5. # 5 homemDASneves Says:
    Fevereiro 22nd, 2006 at 13:0

    E ainda sobre o aeiou.pt/weblog.com.pt: acho que eles vao dar o maximo, de certa forma é a oportunidade deles de impressionarem uma vasta audiencia e marcarem pontos junto dos bloggers. O wordpress.com irrita-me porque nao me deixa mexer no codigo, é optimo para quem nao quer fazer mas eu nao estou certo… ou talvez ande a pensar demais, tenho que me ocupar com outras coisas:)

  6. # 6 homemDASneves Says:
    Fevereiro 22nd, 2006 at 13:0

    E ainda sobre o aeiou.pt/weblog.com.pt: acho que eles vao dar o maximo, de certa forma é a oportunidade deles de impressionarem uma vasta audiencia e marcarem pontos junto dos bloggers. O wordpress.com irrita-me porque nao me deixa mexer no codigo, é optimo para quem nao quer fazer mas eu nao estou certo… ou talvez ande a pensar demais, tenho que me ocupar com outras coisas:)

  7. # 7 homemDASneves Says:
    Fevereiro 22nd, 2006 at 13:0

    E ainda sobre o aeiou.pt/weblog.com.pt: acho que eles vao dar o maximo, de certa forma é a oportunidade deles de impressionarem uma vasta audiencia e marcarem pontos junto dos bloggers. O wordpress.com irrita-me porque nao me deixa mexer no codigo, é optimo para quem nao quer fazer mas eu nao estou certo… ou talvez ande a pensar demais, tenho que me ocupar com outras coisas:)

  8. # 8 Rui MCB Says:
    Fevereiro 22nd, 2006 at 16:0

    Sobre as grávidas estamos a falar de um problema de cruzamento da informação. Hoje, para se recorrer a algum apoio do Estado durante a gravidez, este já verifica a existência de gravidez, nomeadamente através do médico de família ou seu substituto. Mas percebo o que dizes, a questão é que chegámos a um ponto em que as soluções genéricas parecem ser incomportáveis financeiramente (além de serem também geradores de efeitos por vezes contrários aos pretendidos), nada que não se resolva com alguma organização no interior do Estado e alguma acção mais localizada a criar noutras áreas (depois de se criar folga orçamental para tal).

    Wordpress, tenhamos então alguma paciência…

  9. # 9 ricardo Says:
    Fevereiro 23rd, 2006 at 1:0

    Rui MCB: bem sei que foi um preciosismos jurídico da minha parte, contudo, não de todo irrelevante. É que efectivamente a personalidade jurídica (susceptibilidade de se ser sujeito de direitos e deveres), em rigor, só começa com o nascimento. O que não quer dizer que não possam haver direitos, ou melhor expectativas de direitos antes do nascimento. Expectativas porque dependem do nascimento para nascerem, passo a imagem redondante. E isto, que mais parece o sexo dos anjos, pode ter muita relevância prática.
    Quanto à questão fiscal, pelo menos para grávidas há benesses, nomeadamente, não pagam nada para ser assistidas pelo hospital.

  10. # 10 Rui MCB Says:
    Fevereiro 23rd, 2006 at 11:0

    Exacto Ricardo.
    Tal como se forem à consulta de planeamento familiar não pagam nada pela pílula, pelo preservativo… Este ano deu-se até um pequeno passo no sentido de aproximar a política de saúde (e fiscal) à situação real com a comparticipação parcial de uma das ecografias (a morfológica) que há vários anos é considerada um meio de acompanhamento e diagnóstico fundamental na gravidez… Mas há ainda argumentos válidos para sustentar a minha sugestão de reflexão em termos fiscais. Parece-me inquestionável que os efeitos financeiros na economia do lar promovidos por um filho começam sempre antes do seu nascimento.
    O curioso é que parte desta incoerência se “resolve” se a malta começar a apontar para que a fecundação e o parto recaiam no mesmo ano, afinal de contas, um dependente (nascido) a 31 de Dezembro tem o mesmo impacto na dedução à colecta desse ano que outro nascido no mesmo ano quase 12 meses antes… Curiosidades.
    Ainda estou é para perceber a lógica deste sistema fiscal num cenário de suposto interesse nacional numa “retoma” demográfica. Acho que preferia que o apuramento do imposto fosse mais simplificado (sem grandes considerandos quanto à forma de organização familiar) e que os apoios do Estado se traduzissem em serviços publicos essenciais mais generalizados e de melhor qualidade.

  11. # 11 ricardo Says:
    Fevereiro 23rd, 2006 at 16:0

    Rui: correndo o risco de estar enganado, a ideia que tenho é a de que as despesas dedutíveis no IRS, com descendentes, são as da saúde e escolares. Ora, o feto não tem dessas despesas …

  12. # 12 Rui MCB Says:
    Fevereiro 23rd, 2006 at 17:0

    Há mais qualquer coisa: ainda tens o abatimento à cabeça na colecta (150 € por dependente) e impacto na taxa de imposto do agregado. E quanto às escolares sei de quem não tendo ainda filho nado já paga joia e mensalidade em lista de espera de infantários para assegurar lugar perto do emprego para quando o filho nascer…

  13. # 13 ricardo Says:
    Fevereiro 23rd, 2006 at 17:0

    Oaabatimento à colecta dos 150€ por dependente compreende-se que só seja possível no ano do nascimento, pelas dificuldade de provar o momento da concepção. Quanto à despesa dos infantários aí já acho uma observação pertinente. Mas a lei nunca é perfeita … Enfim, felicidades para o rebento, é o que interessa!

  14. # 14 Rui MCB Says:
    Fevereiro 23rd, 2006 at 20:0

    Quanto à prova sobre a concepção (ou melhor, sobre o estado da mulher - grávida ou não no ano fiscal ) a resposta está lá em cima no meu 2º comentário.
    Obrigado pelos votos, que é mesmo o que interessa mais :-)

  15. # 15 ricardo Says:
    Fevereiro 24th, 2006 at 11:0

    Não, a concepção é o mesmo que mulher grávida. Aliás, o CCivil até fala disso, a propósito do momento legal da concepção (isto até é giro):
    ARTIGO 1798º

    (Concepção)

    O momento da concepção do filho é fixado, para os efeitos legais, dentro dos primeiros cento e vinte dias dos trezentos que precederem o seu nascimento, salvas as excepções dos artigos seguintes.

    (Redacção do Decreto-Lei 496/77, de 25-11)

    Mas voltando a vaca fria, embora considere pertinente a tua observação, como já disse, a questão é muito mais ampla do que considerar o feto com a relevância fiscal dum descendente. Na verdade, há muito para fazer ao nível da protecção da maternidade e, já agora, da paternidade, já depois do nascimento. Eu sofro na pele porque tenho dois bem pequenos que além de me consumirem o juízo consome-me a carteira, e de que maneira. Mas não te assustes, tudo se arreanja - mas se eu soubesse o que sei hoje … :))

  16. # 16 Rui MCB Says:
    Fevereiro 24th, 2006 at 15:0

    :)) Não há nada como passar pelas experiências para perceber (melhor) os problemas.

  17. # 17 AP Says:
    Junho 17th, 2006 at 17:1

    A questão aqui, são os direitos do feto ao ponto de atenuarem as despesas fixas do agregado familiar, já que as mesmas têm inicio muito antes do seu nascimento.

← See TU girl
Mas houve festa, ou melhor, festinha →
  • Receba por Email

    • Inscreva-se aqui
  • Subscreva o Adufe

    • Entradas (RSS)
    • Comentários (RSS)

  • Comentários

    • Ressaca em The bright side of the olympics
    • antonio pereira em Delilah: uma história de amor, traição e vingança (act.)
    • Mário em Movimento Esperança Portugal já é partido político
    • tiague em QI entre 131 e 140
    • Jimmy em A quarta medalha de Ouro da história dos jogos olímpicos
  • Artigos Recentes

    • Um outro silêncio na política lusa
    • The bright side of the olympics
    • 7200 gramas
    • A quarta medalha de Ouro da história dos jogos olímpicos
    • E que tal um pulinho a Atenas
  • Categorias

    • As Crónicas e os Contos
    • BD
    • Blogologia
    • Brasil
    • Ciência e Tecnologia
    • Cinema
    • Curiosidades Estatísticas
    • Desporto
    • Ecologia e Natureza
    • Economia
    • Educação
    • Electrico 28
    • Fotografia e Pintura
    • Gastronomia
    • INE
    • Justiça
    • Letras e Livros
    • Lisboa
    • Media
    • MEP
    • Mimos
    • Palavras dos Outros
    • Pessoal
    • Poesia e Música
    • Política
    • Portugal
    • Post patrocinado
    • Publicidade
    • Religião
    • Saúde
    • SCP
    • Sociedade
    • Teatro
    • Viagens
    • Video
    • Web
  • Arquivos

    • Setembro 2008
    • Agosto 2008
    • Julho 2008
    • Junho 2008
    • Maio 2008
    • Abril 2008
    • Março 2008
    • Fevereiro 2008
    • Janeiro 2008
    • Dezembro 2007
    • Novembro 2007
    • Outubro 2007
    • Setembro 2007
    • Agosto 2007
    • Julho 2007
    • Junho 2007
    • Maio 2007
    • Abril 2007
    • Março 2007
    • Fevereiro 2007
    • Janeiro 2007
    • Dezembro 2006
    • Novembro 2006
    • Outubro 2006
    • Setembro 2006
    • Agosto 2006
    • Julho 2006
    • Junho 2006
    • Maio 2006
    • Abril 2006
    • Março 2006
    • Fevereiro 2006
    • Janeiro 2006
    • Dezembro 2005
    • Novembro 2005
    • Outubro 2005
    • Setembro 2005
    • Agosto 2005
    • Julho 2005
    • Junho 2005
    • Maio 2005
    • Abril 2005
    • Fevereiro 2005
    • Janeiro 2005
    • Dezembro 2004
    • Novembro 2004
    • Outubro 2004
    • Setembro 2004
    • Agosto 2004
    • Julho 2004
    • Junho 2004
    • Maio 2004
    • Abril 2004
    • Março 2004
    • Fevereiro 2004
    • Janeiro 2004
    • Dezembro 2003
    • Novembro 2003
    • Outubro 2003
    • Setembro 2003
    • Agosto 2003
    • Julho 2003
  • Meta

    • Iniciar Sessão
    • Entries RSS
    • Comentários RSS
    • WordPress.org

  • Conheça o MEP

    MEP- Movimento Esperança Portugal
    Canal MEP no YouTube
  • Páginas

    • Contactos
    • Sobre
    • Translator
  • Blogroll

    • 100 Nada
    • A Aba de Heisenberg
    • A Barbearia do Senhor Luís
    • A Blasfémia
    • A Invenção de Morel
    • A Metamorfose
    • A Natureza do Mal
    • A Origem das Espécies
    • A Palavra Aberta
    • A Vida Breve
    • Abrupto
    • Activismo de Sofá
    • Adufe 1.0
    • Adufe 3.0
    • Almocreve das Petas
    • AmericaBlog
    • António José Seguro
    • Atlântico Expresso
    • Avatares de um desejo
    • Banco Corrido
    • Bibliotecário de Babel
    • Bios Politikos
    • Bioterra
    • Bloga-me Mucho
    • Blogo Existo
    • Blogouve-se
    • Bloguítica
    • Cachimbo de Magritte
    • Causa Nossa
    • Cão de Guarda
    • Cibertulia
    • Cinco Dias
    • Claras em Castelo
    • Claudiarium
    • Climate Crisis
    • Coisas como elas são
    • ContraFactos
    • Coreia do Norte
    • Crítico
    • Crónicas da Terra
    • Da Literatura
    • Economia & Finanças
    • Errante
    • Escola de Lavores
    • Especulador Prudente
    • Espreitador
    • Estado Civil
    • Euronext Lisbon
    • Farto Disto
    • Francisco Sena Santos
    • Frenchkissin
    • Gattopardo
    • Geração Rasca
    • Get a Second Life
    • Glória Fácil
    • GLQL
    • Goodnight Moon
    • GranoSalis
    • Há Mouro na Costa
    • Ideias Soltas
    • In Verbis
    • Insónia
    • Intima Fracção
    • Jorge Seguro Sanches
    • Klepsydra
    • Kontratempos
    • Livre Indirecto
    • Lua
    • Ma Schamba
    • Mais Actual
    • Mar Salgado
    • Margens de Erro
    • Marketing de Busca e SEO
    • Marquesa
    • Mas Certamente que Sim!
    • Mau Tempo no Canil
    • Mãos ao ar!
    • Melhor é possível
    • Memória Inventada
    • Memória Virtual
    • Minha Rica Casinha
    • Miniscente
    • Miss Pearls
    • MLS Blogue
    • Movimento Esperança Portugal
    • Movimento Liberal Social
    • Mudar o Mundo
    • Mundo Pessoa
    • Na Web 2.0
    • Nabisk (Benquerença)
    • O 31 da Armada
    • O andarilho
    • O Canhoto
    • O Carmo e a Trindade
    • O céu sobre Lisboa
    • O Fio dos Dias
    • O Insubmisso
    • O Insurgente
    • O meu filho e eu
    • O Mundo de Cláudia
    • O Mundo Perfeito
    • O País do Burro
    • Observatória da Imprensa
    • Os dedos
    • Outro, Eu
    • Peão
    • Penamacor
    • Ponto Media
    • Portugal dos Pequeninos
    • Povo de Bahá
    • Pura Economia
    • Quase em Português
    • Quatro Caminhos
    • Rastos de Luz
    • Respirar o mesmo ar
    • Retórica
    • Retorta
    • RIP - 100 Nada
    • RIP - Tugir
    • Rodrigo Santoro
    • Rua da Judiaria
    • Saúde SA
    • Sarah Adamo.
    • Sem Pénis nem Inveja
    • Snowgazestarkiss
    • Sociedade Aberta
    • Sociedade Anónima
    • Still kissin’
    • Strange Lepton
    • Tempo dos Assassinos
    • The Old Man
    • Timshel
    • Um Amor Atrevido
    • UnderWorld
    • Vem da China
    • Vida das Coisas
    • Voz do Deserto
    • Welcome to Elsinore
  • Utilitários

    • As melhores taxas de juro
    • Bloglines do Adufe
    • Blogservatório
    • Casa da Leitura
    • Dicionário
    • European-Mediterranean Seismological Centre
    • Neste Momento
    • Penamacor no Sapo
    • Sporting Clube de Portugal


Adufe 4.0 © 2007 All Rights Reserved. Using WordPress Engine Algumas imagens são Royalty Free da Corbis
Entries and Comments.

Prosumer 1.4 made by Nurudin Jauhari



Estatísticas