Só um comentário…
(Os sublinhados são meus, as certezas são de Vital Moreira)
"Primeiro, eram contra a novo aeroporto porque não havia estudos a provar a sua necessidade. Agora que os estudos aí estão, continuam a ser contra, porque acham que, apesar de não conseguirem refutá-los, os estudos são produto de uma conspiração de consultores, banqueiros, construtores civis e tutti quanti.
Dá pena ver nessa linha espíritos que deveriam sobrepor a razão à paixão ou aos seus interesses individuais ou paroquiais. São contra, por que não…"
Suponho que eu seja um apaixonado… Pelo menos o Virgílio Poltronas está incorrigível.
Só para que conste, os estudos a que eu, comum mortal, tive acesso são estes. Vital Moreira teve acesso a mais algum? É que eu tenho um monte de dúvidas que teimam em subsistir depois de ter passado por ali. É claro que podem ser as minhas limitações de entendimento…


Novembro 27th, 2005 at 3:0
o “cemitério” da Ota
O governo insiste na construção de um novo aeroporto que, a concretizar-se, seria inaugurado por volta de 2017, ou seja, muito depois do “pico petrolífero”, altura em que os custos energéticos resultantes da irreversível escassez da produção de petróleo face à sua procura afectarão cada vez mais o sector dos transportes e estagnarão (ou farão mesmo regredir) o volume de tráfego aéreo em todo o mundo.
Assim, investir na construção de um novo aeroporto, seja na Ota ou em qualquer outro lado, é um erro gigantesco e ruinoso para a economia nacional e constituirá um pesado encargo para as gerações vindouras, uma vez que Portugal (e provavelmente qualquer outro país do mundo) não precisa de nenhum aeroporto, a não ser para servir de futuro “cemitério” de aviões parados.
Se o governo tivesse lucidez deveria era, quanto antes, aplicar os recursos que dispõe numa política geral de substituição do petróleo por gás natural e outros meios energéticos, em todos os sectores de actividade, a começar pelos transportes.
Mas não!
Em vez disso toma uma decisão aberrante e, no mínimo, reveladora duma ignorância espantosa acerca da realidade energética mundial (será que o Eng.º Sócrates já ouviu falar do pico de Hubbert?).
Ou, pior ainda, submete-se aos lobbies da alta finança e da construção civil e subordina o interesse nacional aos interesses dos grandes grupos privados.
Novembro 27th, 2005 at 13:0
Um projecto interessante pode ser contrapor este modelo de decisão socratico ao cavaquista, da era do betão. Nao sou um especialista mas detecto algumas semelhanças, uma atitude “deixem-nos trabalhar” tambem neste projecto, a decisao baseada no feeling (nunca tenho duvidas e raramente me engano) com um pouco mais de cosmetica, enfim, nao admira que Cavaco se prepare para ganhar as eleições ele e Socrates sao faces da mesma moeda. E nao se percebe a acidez com que os Otistas e otarios criticam o esbanjamento cavaquista - se fosse do seu partido rebateriam as criticas, nao?
Ainda a favor de Cavaco (pm) a relativa abundancia de capital na altura (o que tb e um argumento contra mas nao tao grave como o esbanjamento em tempos e vacas magras) e poucos habitos e escrutinio publico da actividade executiva de entao. Hoje vivemos toda uma nova era.
Novembro 27th, 2005 at 22:0
É HdN, dá que pensar.