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Acabe com a culpa, converta-se ao budismo

O PS não vai votar a favor de uma lei sobre o casamento de homossexuais, não porque seja contra ou a favor, mas porque não estava previsto no programa do governo.
Esta é uma das afirmações mais ofensivas da inteligência de um eleitor que ouvi a este governo. Um governo que já aprovou por diversas vezes o oposto ao disposto no seu próprio programa e um governo que, como qualquer governo que se preze, está fartinho de deliberar sobre matérias que não estão especificamente definidas no seu programa eleitoral.
Não dá jeito ao PS, deixem lá isso.
Moderno, moderno é esvaziar a lógica do próprio contrato de casamento revelando uma cegueira atroz, própria de quem se vê a si como paradigma iluminado do país.
A culpa de ter ajudado a eleger este governo, essa ninguém me a tira, nem por decreto.

2 replies on “Acabe com a culpa, converta-se ao budismo”

Vai ser difícil discutir numa caixa de comentários…
Se eu assumo um conjunto de responsabilidade e se do outro lado me oferecem em retorno garantias simétricas porque há-de o Estado preocupar-se em anular qualquer forma de compensação se uma das parte deixa de cumprir aquilo com que se comprometeu?
Tratando-se de uma condição que adquire apenas quem quer, não estou a ver porque há-de o Estado limitar neste contrato muito específico os efeitos do seus incumprimento.
Eliminar todos os efeitos do contrato como se ele nunca tivesse existido desde que uma das partes assim o deseje só faz sentido para mim se por ventura nascêssemos casados. Se eu me caso é por que faço um investimento especial esperando e abdicando algo, e é legítimo que as minhas expectativas condicionem a forma como tomo opções pessoais (de carreira, de estilo de vida, etc) pelo facto de a partilhar de forma mais próxima com outra pessoa. Naturalmete as consequências do fim de um casamento serão neste sentido muito diferentes se ambas as artes o decidirem terminar ou se apenas uma o motiva. Sendo verdade ue objectivamente o casamento terminou, nesta última situação, pode haver um desequilíbrio de expectativas e de “investimento” feito que pode e deve justificar apreciação, podendo levar também a uma compensação. E não me alongo mais para não entrar na “modernidade” associada ao fim do conceito de culpa que também me “faz espécie” neste mundo em que temos tantas hipóteses de união diversas ao casamento.

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