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A Rádio não existe. A rádio somos nós

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Primeiras emissões de tsf

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Abrantes,17 Março 1984,primeiros encontros de rádios. 

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Abrantes,5 Abril 1986.III Encontro.Emído Rangel presente.

Li, algures, que as rádios estiveram reunidas em mais um congresso da Associação Portuguesa de Radiodifusão. Destes congressos, os ecos que me chegam, em regra – entre reivindicações avulsas, a que se acrescenta, agora, a dificuldade de adaptação ao DAB, finalmente morto, como alguém terá reconhecido – denotam que há mais preocupação pelo como de que a rádio é feita do que o porquê e o para quê é que ela continua a servir.

Saudades dos primeiros esboços de estatutos da nossa associação e da necessidade que, então, sentimos de a criar,  só para que fosse cada vez melhor e mais presente no quotidiano das comunidades a que nos dirigíamos, a rádio que, então, já nos fazia e nós faziamos.

Passados estes anos todos, tropeço em muitas emissões, apenas emissões, percebo, agora, de gente mais preocupada com o DAB, o DRM+, etc, etc, e menos com o raio da Rádio que parimos, e a nós, então, ela mesma nos pariu! Chama-se a isto deslumbramento pela rádio entendida como um fim e, jamais, como um meio. É por isso que a crise que revelam, por mais internet e sofisticados meios que utilizem, tal como parecem ter concluído os participantes, só se agravará e aprofundará, porque mais facilmente a net espalhará o veneno letal, amorfo e apático que lançam sobre os apáticos e amorfos dias, com excepção dos honrosos casos das poucas rádios que, para além de relatarem o que acontece, fazem, também, e de que maneira, acontecer!

Rádio com internet dentro, sim, mas como quem se  intromete e intermete na vida, a questiona, revoluciona e transforma, em suma faz dela a sua verdadeira razão de ser. A verdadeira rádio só existe porque há gente que insiste em viver.

Por uma Rádio com a vida toda dentro dela. O resto resolve-se.

Era isto que queríamos quando demos os passos para a criação da associação. Porque queríamos viver mais, encher as rádios com todas as vidas, da VIDA das nossas vidas.

A Rádio não existe. A Rádio somos nós!

antónio colaço

PS

1.Mário, deu jeito a lembrança do teu Palavras Ditas: “As palavras somos nós”.

2.Por falar em Encontros, passem aqui pelo outro Mário, o Mário Filipe Pires, do Retorta, e fiquem a saber tudo o que se passou no IV Encontro de Blogues. Nós próprios iremos digerir.Para além disso, é sempre um fascínio para os olhos o que os olhos do Mário vêem, através da sua sofisticadíssima camera. Cá está: um óptimo meio tecnológico que acrescenta beleza à Beleza que a vida é o Mário ajuda a revelar. Tás perdoado no que o tlm diz respeito!

3.A propósito do debate que vai animado nos comentários, a sugestão ao Mário Filipe de que, se quiser, avançar com a tal conta no FlicK quê?! avança, meu. A gente agradece.

3 replies on “A Rádio não existe. A rádio somos nós”

A consagrada escritora Alice Vieira estará presente na próxima tertúlia Via Latina,

a ter lugar na sexta-feira dia 21, pelas 21:30, na Galeria Matos Ferreira,

à rua Luz Soriano, em Lisboa (Bairro Alto).

Mais detalhes em vialatina.wordpress.com

1
Para a via latina, obrigado por fazerem do adufe/ânimo,uma via privilegiada para dar conta das vossas iniciativas. Quando quiserem DETALHAR, estejam à vontade.
2
Mário, a tua efervescente retorta é tão ingénua quanto a nossa mas, se bem percebi, não alcançaste o que queria dizer, eu, ingénuo dos ingénuos a tentar “faustinar”* a componente merceeira da apr(assoc.port radiodifusão):
– A rádio não tem que resistir, a rádio pode e deve é denunciar aqueles que se servem dela para a assassinar no que à sua nobre missão de dar conta da vida diz respeito.
Ou seja, e aqui sim, estou de acordo contigo, só pessoas que têm VIDA dentro de si é que podem estar dentro do rádio da RÁDIO!Dizia, quando por lá andava – e, não te escondo,que para lá quero regressar! – que quando entramos e fechamos as portas de um estúdio de rádio, abrem-se, de par em par, TODAS AS PORTAS DA VIDA!Sou dos que continuo a ser, portanto, por uma rádio no ar com os pés bem assentes na (nossa) terra.

*O actual presidente acusou-me, há uns anos, de querer destruir as rádios face ao meu empenhamento no aparecimento das televisões de proximidade (então chamadas regionais).Claro que nunca o encontrei nos 8 anos que durou a luta pela legalização das rádios livres e, muito menos, se tem alguma ideia sobre qual o papel da rádio.

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