Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for February, 2007


Só eu sei porque não fico em casa

No fim-de-semana passado, num jogo em casa, o clube abandonou virtualmente a luta pelo título (já é a segunda vez este ano).

A noite promete ser molhada; desagradável em termos de meteorologia.

O jogo dá na televisão em canal aberto. 

A venda de bilhetes promete ser paupérrima.

Definitivamente está na hora de ir ao estádio apoiar a equipa! 

Não te fies no Figo, regressa à Figueira

Isabel Figueira Sporting(O admirável mundo do Futebol III/III)

O Bruno Sena Martins ignora o grande programa verdejante que está em marcha.

O pragmatismo dos que não têm margem para errar faz-se também poupando na conversão dos convertidos para investir nas almas disponíveis, promovendo o encontro pela alegria que é a melhor porta para se entrar no reino do Leão.

Mas basta de palavras, o Bruno fez a prova escrita e apresentou a contra-prova fotográfica. Os resultados não coincidem.

Em quê acreditar? Na imagem ou nas mil palavras?

Das cartas de Iwo Jima e outros filmes de guerra

Ontem fui ver As Cartas de Iwo Jima, uma boa história e um bom filme de Clint Eastwood. Desconfio, contudo, que o filme sirva melhor um público pouco habituado a ver filmes de guerra e, consequentemente, a reflectir sobre o fenómeno. Servirá ainda melhor um público que conhece do Japão Imperial apenas os clichês dos filmes clássicos das décadas de 50 e 60… Nesse aspecto de servir o público, o filme é excelente. Garantindo à partida a identificação com a personagem universal do soldado feito à força, comum japonês especializado no fabrico do pão, Clint Eastwood inicia uma história plausível, interpretada por Japoneses – facto não despiciendo -, onde se percorrem alguns dos traços mais marcantes da cultura japonesa vertidos (e popularizados) na sua versão bélica, enquadrando-os de modo a adquirirem o sentido "verdadeiro" que raramente terão tido noutros filmes e na cultura popular em geral. A honra e o seu confronto/complemento com o fanatismo/abnegação, a brutalidade, a ambição, a arrogância, a ignorância (do outro)…  Os japoneses ganham automaticamente humanidade. Bom filme, sem dúvida.

É muito provável que a díptico funcione como um todo mais rico mas houve já na história do cinema (e não é preciso recuar décadas) filmes que conseguiram mostrar-nos tudo isto de forma genérica ao ponto das partes em conflito pouco importarem para se fazer passar o retrato fiel da guerra e da multiplicidade de dramas e paradoxos que gera. Filmes que à história dual do "nós contra eles" retrataram muito melhor o soldado, a influência do desgaste físico e psicológico das tarefas rotineiras e não rotineiras rumo ao campo de batalha. Achei estranhíssimo o sublinhado da narrativa na construção de trincheiras na praia por oposição à relativa omissão do necessariamente brutal trabalho de preparação das grutas… Detalhes? Claramente não eram preocupação do realizador reduzindo esses factos (tal como a difteria) a brevíssimas anotações no enredo. A sensação com que saí do filme, contrariamente ao que tenho visto em outros filmes de Eastwood, foi uma de que a habitual economia narrativa redundou em simplismo e em superficialidade – mesmo tendo contado com bons actores.

Um bom filme, na linha dos clássicos como muitos têm dito, mas distante de The Thin Red Line (A Barreira Invisível) e de Saving Private Ryan (O Resgate do Soldado Ryan), para pegar nos exemplos que tenho mais presentes. Talvez eu seja particularmente exigente neste género. Recordo-me frequentemente de cenas e episódios de outras peças que este filme não conseguiu equiparar… Muitos anos a ver excelentes séries de guerra britânicas?

P.S.: Já agora, o mais emocionante filme (telefilme neste caso) sobre cartas de militares enviadas às suas famílias que vi foi "Dear America" (em torno da conflito no Vietnam).

Os títulos no miolo

Hoje, um saloio foi visto a entrar em duas cadeias no Estados Unidos. Até ao momento não foi possível apurar a que se deveu este extraordinário caso de ubiquidade transatlântica. Mais detalhes no Diário de Notícias.

No mundo do desporto destacam-se duas realidades individuais distintas. Nani, com contrato até 2010, poderá sair do Sporting (afirma o Record) se não vir a sua situação salarial melhorada em breve. Enquanto Vitor Constâncio, garante desde já o Diário de Notícias, deixará de treinar o  Banco de Portugal em 2011, cumprindo assim o seu terceiro contrato (segundo consecutivo).

Finalmente, fique a saber que "Matemática 'muito à' frente explica mosaicos islâmicos". Curiosamente um título do mesmo Diário de Notícias. 'Tá-se beeem!

Adenda: é claro que há notícias que não lembram ao diabo, seja qual for o título. 

O meu (carro) é muito maior que o teu!

Estatística a quanto obrigas… (via Tugir).

Adenda: devo confessar que numa leitura mais atenta este estudo me parece… coxo. Além de determinar quanto mede e definir os extremos apelidando-os automaticamente de problemáticos em grande e em pequeno faria sentido complementar o estudo com um similar para o sexo feminino. Coisa que não sei se já alguém tentou neste planeta… Diz-se no estudo que cerca de um milhão de portugas estão claramente abaixo da norma podendo por isso invocar assistência clínica. Será? Ora isso pode ser muito grave, mas pode até revelar-se perfeito! Tudo depende do ajustamento com as respectivas parceiras, ou estarei a ver mal os números e a morfologia da coisa? Nas mulheres não há diferenças? Isto mantendo a coisa na pura mecânica…

As cheerleaders do Sporting

(O admirável mundo do Futebol II/III) 

E agora um anúncio real para análise sociológica, antropológica ou coisa que o valha… É claro que, cumprindo os requisitos, as leitoras são livres de concorrerem.

"Precisam-se Jovens para Cheerleaders do Sporting Clube de Portugal.

Características:
– sexo feminino
– idades compreendidas entre os 16 e os 28 anos

– altura mínima de 1,60- disponibilidade para ensaios (2x semana) entra as 20h e as 23h

Dá-se preferência a quem tenha experiência ou habito de dançar e hospedeiras.

Oferece-se:

– Participação nos jogos do Sporting
– Utilização gratuita do Holmes Place Health Club
– Treinos específicos personalizados
– Uniforme Puma (ténis e equipamento)
– Oportunidade de participação em futuros eventos

Enviar curriculum vitae para:

Holmes Place Alvalade

Estádio Alvalade XXI
Rua Professor Fernando Fonseca
Edifício Multidesportivo
1600-616 Lisboa
"

O admirável mundo do Futebol I/III

Ouvi dizer que ontem um clube do Norte ganhou um jogo de futebol por não sei quantos a zero reafirmando a liderança no campeonato. Nos dois jornais desportivos mais vendidos, as capas apresentam, em quase toda a sua extensão, ou os segredos de um grego lampião, ou a saída de um jogador do Sporting (com contrato até 2010) se não renovar.

Não meus amigos, A Bola e o Record não são jornais do benfica ou anti-portista/sportinguista, são o exemplo prático no seu nível mais depurado de oportunismo de massas. Maximizar as vendas a todo o custo tentando, sempre que possível condicionar a agenda: um clube em crise vende bem; o benfica vende sempre bem. Tenho muito orgulho em me sobrarem os dedos de uma mão para contar as vezes em que com eles gastei dinheiro.

O próximo post sobre a bola, prometo, será muito mais estimulante Wink

Where is the virtue in "Little Children"?

It seems that you have the lesson very well studied Claudia (see note on the movie "Little Children" in Claudia's post)…

You say, if I understood correctly, that the ending is frustrating because it fails to present:

1) the characters breaking up with the status quo,

2) the characters pursuing their passion,

3) any edification derived from the mantra "know yourself first".

It seems to me that you have found your way to answer the eternal question on how to pursue happiness, otherwise probably you should be so… assertive in the critic – não negue à partida uma ciência que desconhece 🙂

I think that this movie stresses that it really depends of the individuals (the characters are obviously little children when it comes to manage their feelings) but not only of themselves. And I’m not only thinking of relationships as an alternative (as you mentioned). For instance, chance plays a very important role – probably a role proportional to the childness of the adult characters… Chance is an ever present element in the plot that really gives a dim to absolve the movie from most moralistic accusation. Yes, the voice of a narrator could mislead us to think we were being lectured but for me it worked out to be a playful director deceiving the audience… Was there a moralistic approach? Showing the characters as little children as definitively some moral standard in the background, but what was it? Did you feel that the writer/director with that end was telling us how to behave? Something like "Be responsible, don’t destroy your marriage?"

Well, I didn't felt that… At most, maybe something more generalist like a saying: its hard to grow up and it's something that doesn't automatically end when you stop being a teenager! Returning to chance, it is presented with sufficient power in the plot to leave the notion that even the ending could be totally different, if just a single coincidence was removed from the plot…

In this movie, with those characters, they found out (separately) and rather lately ("Little Children"!) that not to break up with their status quo was the best solution for their problems. Did they stop pursuing happiness by doing that?

Any way… Maybe the book treats the theme a little bit more thoroughly and bluntly

Da coceira aos problemas de nutrição intelectual

LivroObrigado pelos votos. É mesmo só uma ligeira coceira, nada que um sopro de palavras não cure.

Pôs-me a pensar onde é que "aprendi" algumas das coisas mais interessantes ao longo destes 30 e poucos anos e tenho de concluir que o livro, mais dado a mediações conscientes de aprendizagem (para pegar na sua definição), se limitou muitas vezes a auxiliar de memória, instrumento de rara frequência. Houve livros valiosíssimos, auto-induzidos que terão deixado marcas, sem dúvida, mas diria que mais em qualidade que em quantidade… Provavelmente em quantidade insuficiente para ficar bem num inquérito. Nem na escola os lentes me ensinaram grandes coisas, preferi sempre os outros professores, mais astutos na arte de pôr a pensar. Ora aí está, o livro talvez seja hoje, no ensino (tantas vezes pretexto para o primeiro contacto), uma pobre bengala que, se mal usada, faz tudo menos levar à aprendizagem. Ainda prolifera no nosso bacoco ensino supeior muito feudo que promove o espírito (em exclusivo, e é esse o mal) do: "Se empinar o livro estou safo". Digerir é que é pior. E agora passei da coceira aos problemas digestivos. Isto está bonito 🙂

O livro é importante, os resultados deste tipo de inquéritos será interessante para analizar quantitativamente o fenómeno da leitura (de preferência numa análise cronológica e não pontual) mas parecem-me algo extemporâneas as suas questões. Há muito tempo que há muito mais do que as folhas dos livros para nos ajudarem a fazer o nosso caminho. Sem que daí venha ao mundo grande drama ou perplexidade.

Bom fim de semana! 

Cá dentro inquietação, inquietação…

E onde é que entra a Inquietação do José Mário Branco?


A Inquietação é como uma espécie de névoa que anda sempre por aí, aquela névoa que serpenteia como nos filmes, nos thrillers. Por outro lado, mais do que uma música, mais do que uma letra, aquilo é uma canção. Se aquela letra fosse cantada de outra maneira, talvez não me motivasse tanto, mas a matriz da música, a versão do autor, na qual eu me inspirei para fazer esta, tem uma outra coisa, está-se a falar de inquietação, mas é uma espécie de exorcismo, há ali uma luta, uma espécie de manifestação dinâmica de uma forma de não rendição de qualquer coisa que inquieta. Porque de certo modo vai continuar a perseguir a própria coisa, que ainda não se sabe o que é, mas que inquieta.”

JP Simões, sobre o seu recente álbum a solo 1970 em entrevista a Bruna Pereira no Rascunho.net.
Porque é uma das minhas canções preferidas e porque não sou perfeccionista segue este apanhado que alguém nos oferece via You Tube.


JP Simoes ao vivo na Fnac Chiado, 22-1-2007, com Miguel Nogueira.