A guerra II

A propósito desta prosa do Paulo Pedroso, "Sem Líbano governável, Israel vive melhor?", algumas palavras:

A prática mostra que após cessar a ocupação Israelita do sul do Libano o Hezzbolah ganhou capacidade bélica. Pelo menos é que me parece ao saber dos ataques directo continuados a Israel mesmo perante uma resposta musculada de Israel. Não me recordo de este tipo de acção, sublinho o  continuada, ser noticiada há vários anos. Provavelmente, terão melhorado as condições de apoio prestado pela Sìria e Irão. Ou seja, o Libano democrático não foi capaz de condicionar o Hezzbolah que me parece mais audaz do que nunca. Legitimou-se democraticamente conseguindo ver representantes seu eleitos no parlamento libanês, sem abdicar do seu programa para Israel – muito na linha do defendido pelo Irão.
Perante esta prática recente e até pelas razões ética aduzidas (fica "mal" a Israel invadir um estado democrático), se calhar Israel teria maior facilidade em controlar essa ameaça perante um estado falhado, entrando e saindo livremente do libano sempre que topasse um reforço do Hezbollah. No fundo, regressar um pouco ao passado do qual Israel se tentou livrar pela via pacífica.
Não sei se será exactamente assim, mas perante tanta "moral ocidental" que vê tamanha democracia no actual Libano, e perante a nova ameaça Iraniana e as suas afinidades com o Hezbollah, essa opção do caos poderá ser muito tentadora para Israel.
Uma eventual solução seria nós, a comunidade internacional, metermo-nos ao barulho assegurando no terreno que o hezbollah seria manietado de se estabelecer e lançar ataques a partir do sul do Libano, seja lançando rochets, bombas sujas ou raptando soldados Israelitas. Nesse cenário talvez Israel preferisse deixar o Libano entregue à sua frágil experiência democrática e aos cuidados da comunidade internacional. E, quem sabe, contribuir activamente para o sucesso do seu vizinho. Em suma, desconfio que Israel ficaria satisfeito se a ameaça desaparecesse. Mas alguém em Israel acredita na viabilidade, perenidade e eficácia dessa solução? O Paulo acredita?

É por isso que, enquanto pode, Israel segue à letra o início do Antigo Testamento. Não se pode dar sequer ao "luxo" do olho por olho, dente por dente.

Adenda: a ler "O adiamento do Estado Palestiniano" e "Diferenças Temporais" pelo Carlos Castro, no Tugir. 

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