Aldrabas de Ã?frica II
Mais um exemplar marroquino, recolhido pelo LuÃs Bonifácio.
Adenda: Um ferrolho-aldraba? Que deserto se esconde além daquela porta?

Mais um exemplar marroquino, recolhido pelo LuÃs Bonifácio.
Adenda: Um ferrolho-aldraba? Que deserto se esconde além daquela porta?


Todo o horizonte tem um vale, tem um monte.
Um dia alguém voltaria para se prender por aqueles montes.
As raÃzes ancestrais deixariam de sentir a ameaça da ruptura para servirem a falsa errância do citadino.
Um dia o poeta que renegou o campo não seria nem rude, nem acossado,
não se sentiria dilecto, nem fascinado.
Encontraria o seu lugar impossÃvel, surpreendendo-se, de caminho, coleccionando momentos de deslumbramento.Um dia alguém voltaria para lançar uma amarra à quele monte.
Alguém retornaria encontrando nele o contÃnuo da viagem que partilha com a cidade.
Apenas a paisagem foge ou se queda. O tempo vive-se na nossa muito própria curva.O outro Tempo… Esse permanece escondido no seio da montanha, nas entranhas do átomo, na linha perdida da grande urbe.
Ao mistério juntamos a nossa corda de mil amarras, ora concava, ora convexa, ameaçando o novelo, em finito movimento.

A propósito desta notÃcia do Jornal de Negócios sobejamente promovida um pouco por toda a blogoesfera mais “à s direitas”, como por exemplo, aqui, venho republicar um escrito do Adufe, de 23 Novembro de 2004:
“E depois de passar o Santanismo? (act.)
Santana Lopes não é mais Primeiro Ministro, uma larga fatia da corte desaparece do poder mas uma outra está lá alapada: amigos do Pedro e amigos do Paulo, muitos deles colados ao pior do pior desde que temos presidentes da república civis neste paÃs.
O que fazer com as Cardonas e outras celestes que por aà andarão? Deixá-las ficar ou substitui-las de imediato criando automaticamente mais um contingente de nomeados eventualmente com um pouco mais de dignidade e sentido de responsabilidade? Eventualmente, esperançosamente. Ou resistir ao pêndulo e preservar por lá a incompetência na esperança que cai de podre, de morte morrida? “Intervenções cirúrgicas”, talvez?
Como limpar o paÃs do esterco sem borrar as mãos?
Em qualquer dos casos, vai ser danado o dia depois.Adenda: por lapso - juro! - o tÃtulo deste post conteve um erro durante alguns dias, onde se lia “Satanismo” deveria ler-se “Santanismo”. Freud explica…”
Para uma melhor perspectiva passai por este texto de Vital Moreira.
Do Editorial de ontem (Tropa Fandanga) de Sérgio Figueiredo sobre as Forças Armadas (FA): “Nem interessa agora lembrar que a nossa tropa é a única dos paÃses civilizados que consome quase dois terços do Orçamento da Defesa em salários e pensões.”
Talvez a reacção do editorialista seja inspirada por alguma declaração menos pensada de algum “sindicato” das FA, não sei, mas tirando essa eventual atenuante apetece-me dizer algo… - declaração de interesses: tenho familiares nas ditas.
Se eu retirar qualquer capacidade operacional à s FA, em termos de instrumentos de guerra (pode até ser apenas no combustÃvel), e ficar com as FA nos quartéis para poupar o orçamento, em que é que as FA gastam dinheiro? Pelas minhas contas, em salários … Por outro lado, quantos dos paÃses civilizados são efectivamente comparáveis com Portugal, paÃs que, recorde-se, esteve em guerra até 1974 com o consequente sobredimensionamento das FA, na altura, e das pensões das ex-FA, agora? O custos da guerra ainda não acabaram, pois não.
Julgo não estar muito longe da verdade com este cenário. Suponho até que a situação não seja mais desequilibrada porque as operações internacionais onde estamos envolvidos (invenção de António Guterres mantida, e bem, desde então, remember?) têm exigido algum investimento em fornecimentos e serviços externos como o aluguer de viaturas ou de armamento (já para não falar do bacalhau para as consoadas)!
Seriamente, convinha saber se o desequilÃbrio apontado por Sérgio Figueiredo se deve ao excesso de salários e de direitos face ao que se passa nas FA de outros paÃses (tinha mesmo muita piada esta comparação!), ou antes a esta aberração que têm sido as Forças Desarmadas que temos tipo perante o patrocÃnio desleixado do Estado.
Posso estar enganado mas parece-me haver gente demais que têm na ideia uma “tropa” ainda sobre-dimensionada, ainda colonialista, a viver num outro mundo, o dos favorecidos (a dualidade de que fala Sérgio Figueiredo). Nesse sentido, a história dos submarinos enquanto gritante desperdÃcio de recursos escassos, serviu de arma de arremesso, pretexto adicional para cegar quem deveria ver mais além. Não vi nenhum movimento generalizado de entusiasmo com os submarinos entre os militares, antes pelo contrário… Pareceu-me que a sensação de se tratar de dinheiro precioso mal gasto, foi tão popular entre os militares quanto entre a populaça, mas pode ter sido só impressão minha…
As FA não precisam de quem se sacrifique por elas na praça pública, defendendo uma dama impopular. As FA são, até decisão em contrário, parte do Estado e devem ser estruturadas e pensadas como tal. Devem existir, ou não, perante uma decisão nacional, tomada por todos, com a máxima urgência, assumida em permanência. E merecem a mesma dignidade que se exige a qualquer serviço público.
Em termos práticos algumas sugestões:
- (re)defina-se a missão e os objectivos para as FA nesta situação de emergência nacional/orçamental, garantindo os meios para a operacionalidade de uma percentagem mÃnima(máxima!) do quadro de pessoal profissionalizado;
- Questione-se a razoabilidade da relação quantitativa entre os diversos nÃveis hierárquicos existentes nas FA e imponham-se restrições até que a pirâmide hierárquica seja clara e não semi-invertida permitindo uma autêntica tropa de generais;
- Conclua-se, com urgência, a instalação do sistema de contabilidade público em todas as unidades, bem como, o plano de concentração/encerramento de unidades;
- Aproxime-se a segurança social das FA ao regime geral da função pública, particularmente na assistência na doença;
- Aceitem-se, reconheçam-se e valorizem-se as especificidades da função da FA e assuma-se o regime de reserva (passagem a reserva possÃvel a partir dos 55 anos) e a idade da reforma (possÃvel a partir dos 60 anos) em vigor entre os militares como vantagem/atracção adicional para o ingresso na carreira militar. A menos que se queira uma absoluta originalidade mundial de ter artilheiros, pilotos, maquinistas a reformarem-se aos 65 anos!
- Avalie-se o sucesso do actual modelo em termos de capacidade de atracção de quadros competentes para a carreira profissional.
- Que se deixe de chamar tropa aos militares dos três ramos das Forças Armadas, há qualquer coisa de jocoso e preconceituoso que se dispensa, particularmente quando se vê “a tropa fandanga” num editorial de um jornal.
E para um bocadinho de polÃtica alternativa um eco do BloguÃtica que também já por aquiu passou, ainda que muito poucas vezes:
“Marrocos continua a poder jogar com a passividade da comunidade internacional e, inevitavelmente, a questão vai-se arrastando sem que se encontre uma solução.
O «tempo», ao contrário do que poderá pensar Rabat, não corre a seu favor. A questão saharawi não desaparecerá da agenda internacional e será uma questão de tempo até que adquira maior visibilidade. (…)”
Devia arranjar para aqui uma outra categoria de recortes, os recortes do últimos parágrafos, talvez.
Eis um último parágrafo em jeito de convite para ler o resto, assina F., perdão, f., no Glória Fácil:
“(…)sei que é considerado de mau tom criticar os mortos — sobretudo quando acabam de morrer, já que não fazemos mais nada, na história, que analisar e criticar mortos. cunhal é já a nossa, a minha história. pertence-me. e na minha história é um inimigo. quase Ãntimo, como disse, genialmente, soares. mas um inimigo. não seria coerente fazer-lhe um elogio, mesmo fúnebre.”
A fotografia já estava tirada e o post imaginado: o adufe, de bicicleta, na clandestinidade. Entretanto Ã?lvaro Cunhal morreu. Entretanto outra morte saiu à rua e levou também Eugénio de Andrade, fazendo-nos misturar ódios e paixões velhas com polÃtica e pedaços de poesia.
O adufe e seus tocadores, impressos a sol e sombra num pedaço da Beira Baixa.

Miguel Gaspar no DN de hoje, numa crónica intitulada “Eu voto Dinis Maria“:
“Pode dizer-se que Santana Lopes, ainda que pioneiro, é um aprendiz onde Manuel Maria Carrilho é profissional.”
Contas Nacionais Trimestrais
1º Trimestre de 2005
Produto Interno Bruto cresceu 0,1% em volume no 1º trimestre de 2005
O Produto Interno Bruto (PIB) português registou uma variação homóloga de 0,1% em termos reais no primeiro trimestre de 2005, em desaceleração face ao perÃodo anterior (0,5%). O contributo da procura externa lÃquida para o crescimento do PIB continuou desfavorável, embora se tenha verificado uma ligeira desaceleração das Importações de Bens e Serviços. A procura interna cresceu 2,0% em volume, igualmente em desaceleração face ao trimestre anterior.
in INE
Adenda: a este propósito, não fosse o José da GLQL teria perdido um grande momento de humor jornalÃstico: a não perder o flashback à crónica de hoje de LuÃs Delgado. Premonitoriamente intitulada “E agora como é?“
Ontem andei no meu Volvo novo pela primeira vez. É muito confortável, não tenho problemas com o tejadilho onde quer que me sente, tem excelente suspensão, um bom sistema de som e de ar condicionado e tem um design controverso (talvez o mais controverso da marca) mas muito original. Não é todos os dias que mudamos de uma viatura com quase vinte ano para um topo de gama novÃssimo.
Para quem esteja a pensar que ingressei no Banco de Portugal ou na administração de alguma empresa privada desengane-se. Estou a falar do 18 da Carris. Finalmente um transporte público condigno. Haja contágio que eu até pago mais uns tostões pelo bilhete.
Nas minhas andanças pela Suiça vi vários condutores (geralmente de veÃculos comerciais ligeiros e pesados) com o colete reflector vestido no banco do pendura…pois.
Seriam todos condutores portugueses em trânsito na Suiça? Desconfio que afinal a moda dos coletes no banco da frente não uma originalidade portuguesa mas antes uma simples importação do centro da Europa.
E esta hem?
Mais algum corrobora esta teoria?
O Jornal de NotÃcias do passado dia 1 dava conta das dificuldades de equipamento enfrentadas pela companhia de comandos que vai partir para o Afeganistão, numa missão NATO que será, provavelmente, a mais arriscada desde a guerra colonial envolvendo militares portugueses. A uma semana da partida, ainda não havia blindados disponÃveis. E a espingarda que a companhia vai usar será a velha G3. Isto porque a actual arma “não inspira confiança numa zona de guerra como o Afeganistão, por encravar com frequência”. Faltavam, ainda, os novos coletes de protecção, pois os actuais são demasiado pesados para a missão em causa.
(…)
Temos aqui um exemplo, lamentável, de como funcionam(?) as nossas finanças públicas. Gasta-se cada vez mais - a despesa corrente tem aumentado sem parar desde há muitos anos (ao contrário dos nosso parceiros europeus, que a meio da década de 90 começaram a cortar nos gastos do Estado). No entanto, para funções de soberania, como são as das Forças Armadas, e para missões militares no estrangeiro onde está em jogo o prestÃgio do paÃs, para isso não há verba a tempo. Aliás, por causa das compras feitas à pressa, gasta-se mais do que se tudo estivesse financeiramente programado.
(…)
Francisco Sarsfield Cabral em coluna do opinião no Diário de NotÃcias, hoje.
Haverá por aà investigador/jornalista que permita que a avaliação da novÃssima metralhadora (e do contrato e despesa que esteve na sua base) vá além de um artigo de opinião? Que terá Paulo Portas a dizer sobre esta análise?
Se tivesse pachorra para vasculhar o Adufe descobriria que no passado fiz por aqui uma pergunta parecida com esta “Why do you think you need chemicals to feel better?…I never thought you were depressed before, what’s going on with you?…You’re so young and pretty and smart, dear, what on earth could you be sad about?”
Há dias a Eileen, de regresso ao Home Sweet Home, deu uma long answer (link) a essas perguntas. Uma metáfora que retira alguma retórica à minha pergunta.
A selecção nacional de futebol ganhou mais um jogo, o Benfica tem um excelente e muito inteligente ex-jogador como treinador principal e o Sporting voltou a enxovalhar um agora ex-jogador escolhendo um responsável pelo marketing para lhe comunicar o desinteresse, para lhe dar a “última” palavra. Isto no mesmo dia em que Sá Pinto assina (e bem) para mais um ano, adiando talvez outra cena triste para daqui a um ano.
Famoso pelo seu Tá-lento/Talento, Pedro Barbosa foi dos mais influentes jogadores do Sporting nos últimos dez anos. Era evidente que a carreira futebolistica chegára ao fim, mas é sempre detestável deitar fora alguém em jeito de pastilha-elástica.
O tamanho de um clube não se mede apenas no interior das quatro linhas. Por estes dias, como tantas outras vezes no passado, alguém se esqueceu do seu papel institucional e envergonhou os sócios e adeptos. Uma má lição, péssima pedagogia. Felizmente o clube também são os adeptos e o verde é a cor.
Marca Banco EspÃrito Santo vale 813 milhões
Isso foi antes dos sobreiros, shame on you!