Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
Subscribe
  • Home
  • Sobre
  • Contactos
  • Translator

Re: Politicamente correcto (act.)

Setembro 11, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Religião

Muralha de �vila - Património da Humanidade pela UnescoPara quem quer ler pouco:

A propósito da inscrição que encontrei no meio de uma exposição que nos acompanha pelas ameias de Ã?vila e que aqui reproduzi com um breve comentário no passado dia 7 em “Detalhes de Férias - Ã?vila e a Construção Colectiva”, o ABRUPTO ligou o detector de tiradas “politicamente correctas” e apresenta-nos um sublinhado que nos aviva a memória para a inexistência histórica de uma muralha de Ã?vila resultante de um esforço colectivo de cristãos, judeus e árabes. Pois que não é para “comemorar a amizade entre os povos e religiõesâ€? nem para celebrar “ a sociedade sem classes (os “homens livresâ€? e os “servosâ€? que nela trabalharam)â€? que se constróem muralhas. JPP termina sublinhando que esta forma de pensar é “pateta e perigosa”.

Assim postas as coisas quem se atreve a discordar…
Quando li as palavras de bronze pela primeira vez lá no alto das muralhas não me alarmei com uma eventual verborreia propagandística. O local onde estava, além de ter sido um muito relevante instrumento militar, foi e é ainda hoje um exemplo notável do engenho humano. “Vi” também que ao longo da sua reconstrução e nos anos seguintes (já existira nos tempos do Império Romano), houve contributos de árabes, judeus e cristãos para a sua concretização. Objectivamente, houve indivíduos das três confissões que de livre vontade povoaram a região com o acordo dos vencedores do momento e, também objectivamente, conseguiram produzir o exemplo magnífico do engenho humano que ainda hoje testemunhamos.
É verdade que com a mesma objectividade “Avila se había convertido en una de las principales defensas de la cristiandad frente al invasor musulmán. “.

Dizeres apresentados entre as ameias das muralhas de Ã?vila - Espanha É verdade, também, que séculos passados existiu a santa inquisição e a perseguição e expulsão dos judeus. É até verdade que foi em Ã?vila que repousaram os restos mortais de Torquemada. Mas é igualmente verdade que nem no século XI havia demasiadas certezas quanto ao inimigo ao ponto de podermos hoje encontrar esta contradição aparente de se fazer a guerra ao muçulmano admitindo em certas condições conviver simultaneamente com ele. Seriam as muralhas de Ã?vila o que são sem os pedreiros árabes ou sem os ferreiros judeus? Era tão só essa a resposta que julgava encontrar naquelas palavras de bronze. Estávamos na presença de um colectivo fraterno marcado por um ecumenismo idílico? Não sei, sei que algo se conquistou nesse sentido, algo que muito significativamente se veio a perder depois. Julgo que foi esse sublinhado de uma fracção mais positiva do legado histórico que vi exaltado naquelas palavras e foi exactamente isso que me inspirou com a honestidade de recordar “Entre as memórias mais negras do tempo dos homens que por ali deixaram vida encontram-se os ecos do passar dos inquisidores, dos autos de fé, de superlativos “comandantes”. As outras “muralhas”, portanto. Faltou-me talvez sublinhar de forma mais impressiva o Al-Andaluz e a reconquista. Em suma, prefiro sublinhar esse pedaço da história e guardá-lo como possível o que não me vincula a resumir a isso o meu livro de história.

Para quem quer ler mais um pouco:

Nas muralhas de �vila lembrei-me do que conheço do nosso país pelas alturas do início da nação. Lembrei-me das imensas tonalidades de cinzento por que (também) se pautava a política daquelas eras. Lembrei-me das alianças estratégicas entre vencidos e vencedores - veja-se o exemplo dos árabes (futuros saloios) que permaneceram nos arrabaldes de Sintra após a conquista de Lisboa e que objectivamente ajudaram à implantação do reino cristão - ou mesmo das alianças entre inimigos de fé que pontualmente surpreendiam uma terceira parte inimiga natural de uns, mas amiga de outros - quantas vezes se aliou Castela ao Mouro para conter as intenções expansionistas do nosso primeiro Afonso e vice-versa?
Nem sequer a reconquista foi um processo linear, simplista, do bem contra o mal, tal como a inquisição não encontrou os judeus acabados de sair de Israel com o sangue de cristo nas mãos. Algures pelo meio de tempo da história também houve um tempo para um esforço colectivo que, convenções semânticas à parte, encerra memórias positivas. Descontando a hipótese da absoluta ingenuidade do receptor, destacar esse “bom exemplo” dos anais da história é tão estúpido e perigoso como recordar apenas o som de espadas e alfanges.
E que melhor exemplo temos nos dias de hoje, sobretudo hoje!, para os espantosos exemplos do engenho humano que aqueles que vêem do melting pot dos Estados Unidos da América? O mesmo sítio de onde se poderão formar algumas das memórias mais negras do tempo dos homens se não se investir também no compromisso de procurar a amizade entre os povos e religiões.

Já agora deixo-vos mais alguns detalhes da muralha que assim acabam por vir a propósito.Detalhe das Muralhas de �vila - Agosto de 2004

“Hecha la muralla se necesitaba poblar, gobernar y organizar la defensa de la ciudad y la región. Las distintas clases y oficios fueron las que formaron los barrios de la ciudad. Nobles con sus mesnadas, judios, árabes, molineros, labradores, canteros etc. se repartieron el territorio amurallado y sus proximidades, ocupando una zona concreta de la ciudad. Se formó un ejército de 300 jinetes, y para la defensa de las aldeas y pueblos de la comarca otro de 200.
Pronto estos ejércitos se hicieron famosos por su valentía y arrojo en la lucha contra los musulmanes. Grandes jefes los dirigieron y pasaron a la historia, como Nalvillos al cual denominaban “Cid de Avila” e incluso “Rey Nalvillos”. Era tal la destreza, valentía y fidelidad de los caballeros de Avila, que lucharon en innumerables batallas en toda la península al servicio del Rey e hicieron que la ciudad posea los títulos reales de “AVILA DEL REY”, “AVILA DE LOS CABALLEROS” y “AVILA DE LOS LEALES”.
in Avila Net

2 comentários to “ Re: Politicamente correcto (act.) ”

  1. # 1 Fernando Bizarro Says:
    Setembro 12th, 2004 at 0:1

    Conheço algumas cidades espanholas, principalmente na Andaluzia, mas infelizmente não conheço �vila. O Amigo fez-me despertar a curiosidade e se, não o puder fazer pessoalmente, devido aos meus problemas cardio respiratórios, irei acompanhando os seus textos, que mesmo, que não contivessem imagens, nos fazem visualizar o que nos transmite.

    Praticamente desde o inicio das minhas andanças pela Blogoesfera, quase há dois meses, que linkei o seu Blog.

    Fraternas Saudações,

  2. # 2 Zazie Says:
    Setembro 14th, 2004 at 23:1

    bom… enquanto a propaganda do politicamente correcto ficar por aqui e não alterar os símbolos históricos…
    eu estou com o JPP também tenho muito receio desse estúpido revisionismo. Aqui há tempo o Rui Tavares do Barnabé que se diz historiador, defendia que o brasão da cidade de Évora podia ser alterado… isto porque a imagem de um mouro a ser degolado, era uma prova de intolerância religiosa, dizia ele…
    e o Geraldes que vá às urtigas que Évora nunca foi conquistada aos mouros…
    São estas coisas que me arrepiam. Só faço votos para que esta gente nunca tenha lugares de poder que possam tocar no património.

← Símbolos do Império - Alcântara (act.)
A cor do tempo →
  • Receba por Email

    • Inscreva-se aqui
  • Subscreva o Adufe

    • Entradas (RSS)
    • Comentários (RSS)

  • Comentários

    • Ressaca em The bright side of the olympics
    • antonio pereira em Delilah: uma história de amor, traição e vingança (act.)
    • Mário em Movimento Esperança Portugal já é partido político
    • tiague em QI entre 131 e 140
    • Jimmy em A quarta medalha de Ouro da história dos jogos olímpicos
  • Artigos Recentes

    • The bright side of the olympics
    • 7200 gramas
    • A quarta medalha de Ouro da história dos jogos olímpicos
    • E que tal um pulinho a Atenas
    • Movimento Esperança Portugal já é partido político
  • Categorias

    • As Crónicas e os Contos
    • BD
    • Blogologia
    • Brasil
    • Ciência e Tecnologia
    • Cinema
    • Curiosidades Estatísticas
    • Desporto
    • Ecologia e Natureza
    • Economia
    • Educação
    • Electrico 28
    • Fotografia e Pintura
    • Gastronomia
    • INE
    • Justiça
    • Letras e Livros
    • Lisboa
    • Media
    • MEP
    • Mimos
    • Palavras dos Outros
    • Pessoal
    • Poesia e Música
    • Política
    • Portugal
    • Post patrocinado
    • Publicidade
    • Religião
    • Saúde
    • SCP
    • Sociedade
    • Teatro
    • Viagens
    • Video
    • Web
  • Arquivos

    • Agosto 2008
    • Julho 2008
    • Junho 2008
    • Maio 2008
    • Abril 2008
    • Março 2008
    • Fevereiro 2008
    • Janeiro 2008
    • Dezembro 2007
    • Novembro 2007
    • Outubro 2007
    • Setembro 2007
    • Agosto 2007
    • Julho 2007
    • Junho 2007
    • Maio 2007
    • Abril 2007
    • Março 2007
    • Fevereiro 2007
    • Janeiro 2007
    • Dezembro 2006
    • Novembro 2006
    • Outubro 2006
    • Setembro 2006
    • Agosto 2006
    • Julho 2006
    • Junho 2006
    • Maio 2006
    • Abril 2006
    • Março 2006
    • Fevereiro 2006
    • Janeiro 2006
    • Dezembro 2005
    • Novembro 2005
    • Outubro 2005
    • Setembro 2005
    • Agosto 2005
    • Julho 2005
    • Junho 2005
    • Maio 2005
    • Abril 2005
    • Fevereiro 2005
    • Janeiro 2005
    • Dezembro 2004
    • Novembro 2004
    • Outubro 2004
    • Setembro 2004
    • Agosto 2004
    • Julho 2004
    • Junho 2004
    • Maio 2004
    • Abril 2004
    • Março 2004
    • Fevereiro 2004
    • Janeiro 2004
    • Dezembro 2003
    • Novembro 2003
    • Outubro 2003
    • Setembro 2003
    • Agosto 2003
    • Julho 2003
  • Meta

    • Iniciar Sessão
    • Entries RSS
    • Comentários RSS
    • WordPress.org

  • Conheça o MEP

    MEP- Movimento Esperança Portugal
    Canal MEP no YouTube
  • Páginas

    • Contactos
    • Sobre
    • Translator
  • Blogroll

    • 100 Nada
    • A Aba de Heisenberg
    • A Barbearia do Senhor Luís
    • A Blasfémia
    • A Invenção de Morel
    • A Metamorfose
    • A Natureza do Mal
    • A Origem das Espécies
    • A Palavra Aberta
    • A Vida Breve
    • Abrupto
    • Activismo de Sofá
    • Adufe 1.0
    • Adufe 3.0
    • Almocreve das Petas
    • AmericaBlog
    • António José Seguro
    • Atlântico Expresso
    • Avatares de um desejo
    • Banco Corrido
    • Bibliotecário de Babel
    • Bios Politikos
    • Bioterra
    • Bloga-me Mucho
    • Blogo Existo
    • Blogouve-se
    • Bloguítica
    • Cachimbo de Magritte
    • Causa Nossa
    • Cão de Guarda
    • Cibertulia
    • Cinco Dias
    • Claras em Castelo
    • Claudiarium
    • Climate Crisis
    • Coisas como elas são
    • ContraFactos
    • Coreia do Norte
    • Crítico
    • Crónicas da Terra
    • Da Literatura
    • Economia & Finanças
    • Errante
    • Escola de Lavores
    • Especulador Prudente
    • Espreitador
    • Estado Civil
    • Euronext Lisbon
    • Farto Disto
    • Francisco Sena Santos
    • Frenchkissin
    • Gattopardo
    • Geração Rasca
    • Get a Second Life
    • Glória Fácil
    • GLQL
    • Goodnight Moon
    • GranoSalis
    • Há Mouro na Costa
    • Ideias Soltas
    • In Verbis
    • Insónia
    • Intima Fracção
    • Jorge Seguro Sanches
    • Klepsydra
    • Kontratempos
    • Livre Indirecto
    • Lua
    • Ma Schamba
    • Mais Actual
    • Mar Salgado
    • Margens de Erro
    • Marketing de Busca e SEO
    • Marquesa
    • Mas Certamente que Sim!
    • Mau Tempo no Canil
    • Mãos ao ar!
    • Melhor é possível
    • Memória Inventada
    • Memória Virtual
    • Minha Rica Casinha
    • Miniscente
    • Miss Pearls
    • MLS Blogue
    • Movimento Esperança Portugal
    • Movimento Liberal Social
    • Mudar o Mundo
    • Mundo Pessoa
    • Na Web 2.0
    • Nabisk (Benquerença)
    • O 31 da Armada
    • O andarilho
    • O Canhoto
    • O Carmo e a Trindade
    • O céu sobre Lisboa
    • O Fio dos Dias
    • O Insubmisso
    • O Insurgente
    • O meu filho e eu
    • O Mundo de Cláudia
    • O Mundo Perfeito
    • O País do Burro
    • Observatória da Imprensa
    • Os dedos
    • Outro, Eu
    • Peão
    • Penamacor
    • Ponto Media
    • Portugal dos Pequeninos
    • Povo de Bahá
    • Pura Economia
    • Quase em Português
    • Quatro Caminhos
    • Rastos de Luz
    • Respirar o mesmo ar
    • Retórica
    • Retorta
    • RIP - 100 Nada
    • RIP - Tugir
    • Rodrigo Santoro
    • Rua da Judiaria
    • Saúde SA
    • Sarah Adamo.
    • Sem Pénis nem Inveja
    • Snowgazestarkiss
    • Sociedade Aberta
    • Sociedade Anónima
    • Still kissin’
    • Strange Lepton
    • Tempo dos Assassinos
    • The Old Man
    • Timshel
    • Um Amor Atrevido
    • UnderWorld
    • Vem da China
    • Vida das Coisas
    • Voz do Deserto
    • Welcome to Elsinore
  • Utilitários

    • As melhores taxas de juro
    • Bloglines do Adufe
    • Blogservatório
    • Casa da Leitura
    • Dicionário
    • European-Mediterranean Seismological Centre
    • Neste Momento
    • Penamacor no Sapo
    • Sporting Clube de Portugal


Adufe 4.0 © 2007 All Rights Reserved. Using WordPress Engine Algumas imagens são Royalty Free da Corbis
Entries and Comments.

Prosumer 1.4 made by Nurudin Jauhari



Estatísticas