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(Continuação)

Continuo e termino com as palavras de Miguel Gaspar, actual director interino do Diário de Notícias no Editorial de 18 de Fevereiro de 2007.

" (…) A Internet, porém, não tem resposta para tudo. A Rede será o maior arquivo do mundo, mas o texto que nela é escrito é inconstante e pode mudar a qualquer momento. Obsoleto como é, o jornal mantém esse valor de referência que é exclusivo do texto impresso. A televisão chega a muito mais pessoas do que a imprensa. Mas quantas vezes a notícia de que se alimenta não foi gerada na redacção de um jornal?

Tentar responder aos dilemas da imprensa no mundo multimedia não é fácil. Aliás, ninguém parece estar perto de conhecer a resposta. Talvez nos faça falta voltar ao exemplo de Woodfall e pensar que o bom jornalismo depende mais de uma boa ideia do que de uma boa tecnologia. E faz-nos falta o jornalismo, até para a sociedade não perder a memória."

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The divine comedy's Diva Lady

Videozinho com dedicatória: para o vizinho Pedro Mexia.

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O que "tem" a imprensa que é diferente dos outros? (I/II)

A ler: "A Triologia dos 3 Q".

Bem vistas as coisas o Paulo não diz mais do que meras banalidades (qualidade, qualidade, qualidade) e, contudo, são banalidades que enfrentam dificuldades crescentes em seguir o seu rumo na prática do dia a dia. O que o Paulo quer é algo que não interessa só à elite das elites. 

Quem é que no seu juízo perfeito vai ao supermercado e compra (repetidamente) apenas embalagens vazias?

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Lisboa: chegou a hora de preparar o futuro

Lisboa BandeiraParece-me evidente que o actual executivo camarário de Lisboa expirou o seu prazo de validade.  E sinceramente mais do que esmiuçar os quês e porquês (questões importantes que darão  pano para mangas no futuro próximo) interessa não esquecer uma prioridade fundamental: preparar de imediato uma alternativa política.

Jorge Coelho, o sempre eterno manobrador (que não convém subestimar) já traçou o caminho: nada de precipitações no PS pois uma coligação deve ser sempre tentada e, como tal, avançar com nomes publicamente sem antes estabelecer o devido acordo pode ser a melhor forma de queimar a coligação ou de queimar esses nomes.

Não sei se o melhor caminho será o de tentar uma coligação. E quando digo "não sei" quero dizer exactamente isso: não sei, em absoluto. Dependerá das pessoas envolvidas de ambos os lados, suponho.

Sei é que no momento actual a câmara de Lisboa deve ser a câmara mais dificil de gerir no País. E julgo saber também que a sensação mais comum entre os lisboetas é a de haver demasiado lastro do passado, nem sempre invejável, que entorpece a acção política. Rabos de palha, uma dívida monstruosa, omissões mútuas de pecadilhos alheios, por vezes partilhados… Um misto de asneiras políticas de âmbito executivo com um progressivo acumular de vícios promovidos, quer pela falta de alternância política, quer pela própria forma de organização do poder interno no seio de cada partido. Felizmente, pelo caminho, a coligação de esquerda conseguiu prestar bons serviços em Lisboa, suficientes para ter justificado sucessivos mandatos até à vitória humilhante de Santana Lopes.

Julgo haver no ar – e não particularizo simpatizantes de nenhum partido – um clamor por gente nova, alguém que consiga começar um projecto sem mofo nem bafio, aberto para os problemas quotidianos de uma grande cidade numa vasta área metropolitana, alguém disponível para as soluções com provas dadas noutras paragens. Alguém que tenha já o "peso político" e a experiência indispensáveis para enfrentar o problema do saneamento da dívida camarária, dando garantias de não comprometer as responsabilidades públicas essenciais do monicípio. E, fundamentalmente, alguém que apresente um projecto que centre a acção política na cidade.

Anúncio de emprego:

Precisa-se (M/F):

Indivíduo com traquejo político, pragmatismo na execução, capacidade de aprendizagem, consciência social acentuada, registo criminal imaculado ou devidamente e antecipadamente publicitado, sem tiques de prima-donísmo e com provas dadas quanto à capacidade de negociação, disponível para gerir com empenho o município de uma das mais desafiantes capitais da União Europeia.

Oferece-se uma boa perspectiva de emancipação política pública a título definitivo com boas possíbilidades de ascender a líder partidário, primeiro-ministro ou mesmo mais alto magistrado da Nação. Remuneração claramente acima da média nacional, com planos suplementares interessantes.

Não vai ser tarefa fácil, mas se aparecer alguém com a maioria dos requisitos cumpridos no currículo… 

Quanto ao PS, a questão que se coloca é saber que opções é que quer ter na disputa política que se avizinha. A tentação de recuperar o passado, incluindo pessoas e coligação, já vai sendo ventilada, contudo, pelo que aqui disse preferiria que se apostasse de facto em uma equipa base onde predominasse gente nova no executivo da cidade. Gente capaz de negociar com todas as cartas uma eventual coligação; algo só possível se a não formação da própria coligação for considerada como uma hipótese real durante as negociações…

Não precisamos de saber o que se está a passar internamente (pelo mesno para já) mas espero que se esteja a passar algo desde já; que haja decisões em vias de serem tomadas e que haja projectos em elaboração. É o tempo de fazer os trabalhos de casa e, porque não, admitir que está na hora de se tentar um trabalho Seguro e profissional, com o apoio genuíno do actual líder do partido, para variar. Internamente está a chegar a hora de os interessados se chegarem à frente (ou pelo menos deveria ser assim se a política partidária fosse o que deveria ser). Depois destas tristes e sucessivas más experiências no executivo da câmara, eu votava para ver.

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Salvam-se os semanários?

"(…) Dava vontade de rir se não fosse trágico. Tudo junto, parece-me uma manobra colectiva de autodestruição dos diários portugueses. Quem deve estar contente é o Balsemão, que ao fim destes anos todos parece continuar a ser o único patrão da imprensa em Portugal que percebe do assunto."

In O Céu sobre Lisboa

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Alguns porquês do estranho mundo dos media nacionais na Internet

"O cerne do problema da edição online do DN e não só" um texto imperdível do Paulo Querido no  Expresso online.

" (…) O problema está numa especificidade portuguesa que não tem, que eu saiba, paralelo em lado algum do mundo. Em Portugal, no tempo do auge da bolha especulativa onde o dinheiro saltava em função dos press-releases destituídos de fundamentação honesta, a portalite comprou os meios.

A SIC "é" Sapo, enquanto o Expresso "é" Clix. Este é um exemplo que conheço melhor que os outros. Amarrados a contratos que, admito apenas a benefício da conversa, teriam em plena bolha eventualmente parecido fazer sentido a negociadores inocentes que se deixaram embalar na cantiga do bandido do preço da banda e dos sistemas – mas hoje, e nos últimos anos, têm sido um pesadelo. (…)"

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Felizmente as brasas do borralho também queimam

Little ChildrenSeremos verdadeiramente livres quando o desfecho do filme está condenado a ser catalogado de paz retrógrada, caro João Paulo Sousa? Passo a tentar explicar.

O João teria razão se ficasse evidente que a decisão das personagens em abandonarem o idílico e ultra-banalizado sonho de fugir dos compromissos para procurar o 'amor numa cabana' tivesse resultado dos retrógrados (eu diria antes míopes) valores que lhes eram impostos pela sociedade.

O que vi foi outro móbil que invalida esse ferrete. O que quero dizer é que não querer (continuar a) viver um grande amor pode resultar de se querer viver outro (evidentemente não carnal, em ambos os casos, para ambas as personagens), não tendo essa solução de resultar de um processo de anulamento do indivíduo. Ora este desfecho, além de pouco popular entre os meios mais liberais (de que eu julgo fazer parte), merece amiúde ser rapidamente colocado junto das histórias passadas em que o "mesmo fim" resultava de inverosímeis papagaiadas, propagandeando a moral e bons costumes caros ao censor de serviço. Não foi isso que senti ao ver este filme. Aliás, a incerteza, cujos resultados podem ser duvidosos, como o João Paulo Sousa bem sublinha, foi a constante do enredo (que confesso me agradou).

Sublinho: há naturalmente vários caminhos que levam ao mesmo desfecho e o desfecho deste filme – ficou-me "no palato" – poderia facilmente ser outro, daí talvez não lhe encontrar um cunho moralista que me incomodasse. Paz retrógada? Apetece-me dizer que já vai sendo tempo de ser encarada como uma qualquer outra opção de vida, tão legítima para uma sociedade progressista quanto qualquer outra, desde que tomada em liberdade, sem estigmas de maior.

Nota: Little Children (Pecados Íntimos) é o filme em questão. 

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Jornais de referência: a vez do DN (actualizado)

img_top_ed_papel_1.jpgIsto está tudo ao contrário. No Público deveriam ter começado por mudar a direcção. O que se fez? Mudou quase tudo menos isso.

No Diário de Notícias passou-se o ano a construir uma redação muito à custa da sangria do Público. Quando o plantel aparentou estar completo e começou a treinar correu-se em bloco com a direcção. Parece-me pena demasiado pesada para um breve pecadilho de "causas" e parece-me até má pontaria quanto às causas das (generalizadas) perdas de audiência… O que é bem verdade (como ontem mesmo aqui se sublinhava) é que o DN não existe para a Internet, existe apenas pobremente na Internet. Mantêm-se estagnado neste meio, nem edição on-line, nem uns míseros comentários, nada. Claramente aquela redação tinha, tem, de ser posta a render de outras maneiras. Duvido contudo que esse aspecto, geralmente ligado a investimentos de arranque significativos se possa imputar integralmente à direcção do jornal, ou pode senhor Joaquim Oliveira?

É esperar para ver, mas pela minha parte estou à espera do Murphy ao virar da esquina, da lei de Murphy. Espero não ter de vir aqui clamar em breve por uma edição em Português do El País.

Adenda III – alguns destaques na blogoesfera sobre o mesmo assunto (em actualização):

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PRACE de Santa Engrácia às Pinguinhas (aumentado)

O Luís tirou-me as palavras da boca (salvo seja):

"Começa a ser incompreensível o tempo (fora de tempo) que a implementação do PRACE já comporta. Estamos a entrar no fora de prazo que os próprios diplomas estabelecem. A maioria dos Ministérios ainda não apresentaram as linhas gerais das orgânicas para os seus serviços e entretanto já estão ultrapassados os 90 dias que tinham sido determinados nas macros. As que já foram aprovadas em Conselho de Ministros de Dezembro continuam por publicar.
O desatino começa a ser insustentável e o desânimo, a desmotivação e a incerteza tomam conta das conversas de todos os dias, em todos os corredores da Administração Pública. 

A indefinição é já um paradoxo e o mal estar e boataria tomam conta do Sector Estado onde a falta de expectativas impede a tomada de decisões de futuro, aumentando a sensação de que o gerir do dia-a-dia é cada vez mais uma prática inviabilizadora das medidas de progresso que já deveriam estar no terreno.

Tanta ineficácia e inoperância faz adivinhar que haverá custos futuros no cumprimento das metas delineadas num processo que parecia louvável no seu início e que actualmente deixa antever o manobrar das pressões e mafias instaladas há décadas na Administração Pública.
Estes processos, conduzidos desta forma tão pouco eficiente são mais um forte abanão na descredibilizada política e mais um rude golpe na esperança de um dia se conseguir ver o fim deste túnel medíocre em que cada vez mais nos sentimos enclausurados.
(…)"

In Tugir em Português

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