Adufe com ânimo

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Sociedade’

A morte e os touros em Samora Correia

Maio 01, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Portugal, Sociedade 6 Comments →

A notícia pôs-me a pensar e o post do Mais Actual "Quanto vale um recorde do Guiness" levou-me ao comentário que se segue:

"Esta notícia colocou-me um dilema. Quem sou eu para criticar/condicionar quem assim* deseja arriscar a sua vida? Ainda não tenho resposta.

* Sublinho apenas que este "assim" é mesmo muito particular pois faz-se em meio controlado, sem risco de externalidades negativas (ao contrário do que acontece quando alguém bebe de mais e vai conduzir por exemplo)."

Acrescento apenas que o recorde do Guiness me parece acessório, nada tem a ver de facto com a largada e com a cultura do evento (incluindo a violência, naturalmente). (Ainda) não consigo compreender por inteiro mas tenho algum pudor que me leva a evitar o dedo espetado. E não é desamor pela vida humana, acho que é mesmo o contrário disso.

Esqueçam a cegonha!

Março 27, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Saúde, Sociedade 5 Comments →

Caros pais, se têm filhotes na idade dos porquês, porque não contar logo a história toda, em bons bonecos (Where Babies Come From in Germany) ?

 

Postalinho do senhor Bom e do senhor Senso

Março 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Política, Sociedade 6 Comments →

A rábula do senhor Bom e do senhor Senso aqui congeminada e poucos dias depois amplificada por Pacheco Pereira no Abrupto e na Quadratura do Círculo (com referência à autoria) apanhou-me hoje nesta reportagem do Diário de Notícias (Marina Almeida) e lá vai seguindo o seu caminho tendo passado a ser expressão popular (ou quase). É como um filho que teve sucesso na vida graças ao padrinho influente. Snif… Estou comovido, snif. ;-)

Até as aldrabas, tão cá de casa, vieram oa barulho no meio da discussão. Tenho pena de não ter estado por lá. 

Vou tentar ouvir o debate que será transmitido na TSF, no Sábado, às 11 horas. 

E sim, estes senhores (o Bom e o Senso) sempre vestidinhos de fato e com falinhas mansas, geralmente sentados ao nosso ombro, soprando-nos ao ouvido são perigosos. Perante a insónia, dita o bom senso que se tome um comprimido para dormir, mas no dia seguinte o mais certo é a insónia voltar. E há dias em que o pior que podemos fazer é querer dormir. Lá se vai o bom senso…

(more…)

Pôr em causa

Fevereiro 10, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Sociedade 31 Comments →

Se eu quiser pôr em causa liberdade de expressão o que é que devo fazer?

Com tanta gente a clamar com outra tanta de que a liberdade de expressão não está nem nunca esteve em causa, pergunto-me muito sinceramente o que é que é preciso para a pôr nesse estado, ou seja, em causa.

O que é que levaria as pessoas que acham que os autoproclamados defensores da liberdade de expressão (entre os quais me incluo) não passam de fantoches que fazem o jogo de outros com agendas malévolas escondidas, o que é que os levaria, repito, a moverem pessoalmente ao menos uma palha para defenderem a sua liberdade de expressão?

Cobardia (act.)

Fevereiro 07, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media, Política, Sociedade 5 Comments →

Há argumentos que leio da pena de jornalistas da nossa praça e que são vizinhos aqui da blogoesfera que me deixam perplexo. Fico perplexo porque sei que são grandes consumidores de comunicação social, contactam com muito mais informação e publicações de que eu e do que a generalidade dos vizinhos cá da esfera. Como é que é possível virem com argumentos relativos ao contexto perante este caso muito concreto?

Que tipo de respeito têm por quem demonstra o seu desagrado de forma não violenta? Que tipo de respeito têm pelos cristãos e pelos judeus que recorrem ao tribunais quando se sentem caluniados, ofendidos, humilhados pelo que lêem na imprensa? Onde estavam quando dezenas, centenas, milhares de cartoons satíricos, ao longo de décadas, representaram as contradições do mundo muçulmano? Onde estavam quando esses cartoon dados à estampa, enxovalharam quem se quiz sentir enxuvalhado, mas que o fez sem o estrilho, sem as ameaças, sem a violência dos extremistas?

O que é novo nestes cartoons da Dinamarca é a dramatização provocada pelos extremistas islâmicos e o efeito global que talvez até tenha precisado de alguns detalhes mais apimentados para exacerbar mais algumas mentes.

Pela última vez faço A pergunta: deveriamos enquanto sociedade proibir a publicação daquele tipo de cartoons? Deveriamos punir quem o fez ou passe a fazer a partir de hoje?

Se alguém se dignasse a responder a esta pergunta central, talvez depois encontrassemos uma plataforma de entendimento quanto ao resto da discussão. Tanto quanto o meu entendimento consegue perceber esta pergunta tem de ter resposta clara independentemente do contexto, isto porque a lei não pode avaliar casuísticamente o contexto. Talvez depois eu já pudesse aqui vir louvar sem reservas mentais a iniciativa de Zapatero e do chefe do executivo Turco ou entrar na discussão de como definir o bom senso ou de como o condicionar sem recorrer a imperativos.

Até lá vejo que anda muita gente a fugir a esta incómoda pergunta resguardando-se em terrenos bem mais populares, bem mais fáceis. Cobardia, pura cobardia, daquela espécie que me faz temer o pior para o nosso futuro.

Eu sou Dinamarquês

Fevereiro 05, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Palavras dos Outros, Religião, Sociedade 2 Comments →

Na sequência dos posts anteriores, e que tal passear pel’A Origem das Espécies neste dia 5 de fevereiro de 2006?

Adenda: outra sugestão "A Manipulação" pelo carlos Castro no Tugir

Um perigoso tipo de cegueira

Fevereiro 05, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Religião, Sociedade 1 Comment →

É triste, muito triste mas é também é uma velha estafada e historicamente trágica reacção, própria de quem pouco aprendeu com as lições do passado. Em jeito de brincadeira, se a guerra rebentar fujo dos Ana Sá Lopianos deste mundo e dou cobertura ao João Pedro Henriquenhos! Se a guerra começar? Ah pois, ela nunca parou… E infelizmente a resposta aos cartoons dinamarqueses não se fez na mesma moeda, por exemplo, com outros cartoons… É incomodo? Era bom que nada deste fervor e reacção estivesse a acontecer? Pois era, mas isso não quer necessariamente dizer que alguém fez algo que justificasse o que estamos a ver, e muito menos neste grau.

O problema está todo aqui, nas perguntas e respostas, na sucessão de posts do Glória Fácil (2, 3 e 4 de Fevereiro). O disparate vai ao ponto de (sem silogismos!) o João Pedro Henriques ser agora um pró-nazi em potência por ter escrito isto.

A coisa é séria, muito séria e não irá embora. A atrapalhar está o tipo de matemática de uma certa esquerda (adjectivo apagado) que tenta apenas extremar as coisas encostando à direita, perdão, à extrema direita (adjectivo apagado) quem quer ter direito a discordar do outro, a rir-se dele como consegue rir-se de si próprio. Se a liberdade de expressão andar na boca da extrema-direita deverei mudar a minha semântica para não ser confundido? Antes pelo contrário, devo defendê-la, defini-la, usá-la, denunciando esses outros falsos profetas…

Segundo percebo, as embaixadas incendiadas, as bandeiras queimadas, as ameaças de vingança proferidas por extremistas (?) um pouco por todo o mundo islâmico, depois da instigação vinda das mesquitas na passada sexta-feira estão justificadas porque um grupo de extrema-direita cavalgou a onda na Dinamarca.

Eu não tenho duvidas pessoais de que não sou extremista, intolerante ou anti-semita. Não tenho  complexos, não preciso de me demarcar dos extremos e condicionar o meu pensar pelo que eles dizem. Tenho-me é como uma pessoa próxima de alguns bons velhos ideiais de esquerda e fico sim complexado quando outros que frequentemente passeiam pelas mesma ideias me apanham à traição com enormidades (adjectivo apagado).

Tenho a minha liberdade para criticar, julgar (sim julgar) e defender o mundo em que quero continuar a viver. Tenho e uso a minha autoridade de cidadão para estabelecer em que ponto o respeito pelo outro colide com as regras do meu mundo, e neste caso concreto o que me assusta é a chatagem, a resposta à ofensa - que, convenhamos, foi mais desenterrada do que proclamada como tal pelos autores - pela violência. O que me assusta é a cobardia dos meus pares em denunciar o disparate que toda esta exacerbação é (aos nosso olhos).

Eu nem sequer não deixo que me ofenda quem quer; era bom que entre os muçulmanos esta lógica vingasse, mas até lá, este cartoon ou este, ou este fazem parte da minha liberdade, da minha cultura e da minha forma de estar no mundo. Só assim, com a coragem de me definir poderei controlar, por exemplo, quem quer cavalgar a onda vendendo entre os meus pares, a selvajaria que em tantos lugares hoje grassa entre os muçulmanos. 

Mais do que nunca, nesta altura é importante distinguir o essencial e ser firme na sua defesa. O JPH simplesmente arrasou a argumentação da Ana Sá Lopes, bastou um pouco de memória,  talvez mesmo, de bom senso, daquele que vai além dos fumos e dos urros do dia ou da cartilha do mundo bicolor. O futuro dar-lhe-á razão, espero que não lha dê tarde de mais para evitarmos males maiores entre nós.

Devolução

Fevereiro 02, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Sociedade Comments Off

Se a Fernanda Câncio me indicar onde é que alguém na blogoesfera defendeu "a ideia de que as pessoas que se apaixonam por pessoas do mesmo sexo são necessariamente revolucionárias radicais libertárias de esquerda" terei muito gosto em secundá-la. Tinha para mim que ser diferente da norma e afirmá-lo já era qualquer coisa por si, sem ter de atrelar características estafadas dignas de argumentarísmo tolo*. Entretanto, que tal provar do seu próprio conselho sobre seriedade…

Quanto à bicicleta, já disse tudo o que tinha a dizer. Podem levá-la que eu até ajudo e não é de hoje. Quando pudermos falar do resto…

*  Expressão com direitos de autor.

Perguntinha anti-conservadora sobre o Estado e o Casamento…

Fevereiro 02, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Sociedade 2 Comments →

Porque é que o Estado há-de meter o bedelho definindo com todas as letras e vírgulas aquilo que eu posso fazer se quiser "celebrar um compromisso mútuo de respeito, fidelidade, coabitação, cooperação e assistência"? E porque é que se condicionam direitos à existência de tal contrato?

Acreditando que o contrato mais relevante em termos morais é aquele que celebro todos os dias com quem me ama, e feita a pergunta, vou-me calar para não atropelar as legítimas pretensões (e confusões) das citadas (ver ligação). 

A questão do dia e o Amor

Fevereiro 02, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião, Sociedade 5 Comments →

Ainda sem ter tido oportunidade de passear pela blogoesfera, retomo os posts anteriores e referindo ainda JPP: se bem percebi (até pelo que li hoje no DN) JPP é contra o casamento civil, ponto final. Acha que o Estado não tem nada que regular pela lei a forma como as pessoas contratualizam ou podem contratualizar as suas relações. Deveria existir liberdade total, nomeadamente para se lavrarem contratos privados (suponho que enquadrados pelos direitos liberdades e garantias previstos na constituição). Ou seja, com isto JPP coloca-se num outro nível do debate que me parece legítimo ainda que polémico e a ter implícito um trabalho revolucionário em termos prático-legais.

Por outro lado, havendo e estando em vigor o casamento civil, não usa a sua opinião para se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, pelo menos foi o que eu lhe percebi: lança talvez um desafio de maior ambição a essa comunidade convidando-a a trilhar caminhos mais originais. É certo que, pelo caminho menoriza - e esta é a minha principal crítica ao que lhe li - menoriza, dizia, todo um conjunto de características com consequências práticas no quotidiano que apenas estão disponíveis se se puder recorrer à figura do casamento. Mas atendendo à  não oposição que perfilha, a questão na prática acaba por ser pouco relevante.

Quanto ao comentário social de conservadorismo presente neste texto de JPP, aborda-se já outra questão. Prefiro ver a opinião de JPP como um contributo, talvez antes do tempo, para uma outra etapa pela qual haveremos de passar no futuro: submeter ao mesmo tipo de críticas, homossexuais e heterossexuais, sem pudores inspirados pelo complexo homofóbico dos defensores ou praticantes da norma vigente.

Eu também acho bizarro ver um conjunto de pessoas a lutarem pelo direito à diferença, pelo reconhecimento de alternativas à norma, por vezes durante uma vida inteira, para depois mimetizarem em absoluto os ritos vigentes sem usarem do mínimo de originalidade na celebração da conquista daquilo porque lutaram. Se sou inteiramente sensivel àqueles que batalham pela igualdade de direitos face aos restantes casais em matérias como a assistência à família, etc, já me parece que alguém anda a confundir objectivos e talvez mesmo a esperar demais de tão pouco: uma mera alteração legal.

Duas mulheres vestidas de noiva casando-se não será um acto "mais papista que o papa"? Tanta batalha para quererem vestir a pele do "inimigo", ou seja do conservadorísmo que até aqui as tem impedido de serem iguais? Esta é a minha crítica, aquela é a opção delas/deles. Apenas e só isso. Nem eu as condiciono com a minha opinião, nem eles/elas me impõem uma reescrita dos meus padrões e consequentemente da minha crítica.

Ora também os heterossexuais têm sido alvo de críticas, por exemplo de hipocrisia, quando celebram casamentos pela igreja quando não são praticantes ou quando o fausto se sobrepõe às profissões de fé e à relevância dos sacramentos religiosos ou quando se demonstra que uma das partes afinal não casou por amor, ou quando reproduzem na cerimónia acoplada ao casamento civíl todos os ritos do casamento tradicional, incluindo alguns cuja simbologia está intimamente associada ao casamento cristão (recordo-me por exemplo da troca de alianças).

O ruído no ar é muito e prefiro não avançar mais com argumentos que tenho na ponta da língua (salvo interpelação directa), até porque não quero correr o risco de ser confundido com outros opinadores que apenas aparentemente percorrem este meu caminho.

Afinal, como escreve hoje o João Morgado Fernandes em Editorial no Diário de Notícias:

"Entre uma medida revolucionária, mas que reflete os desejos da maioria dos cidadãos, e o disparate com ares de modernidade vai por vezes uma simples alínea na lei".

O fundamental para mim resume-se a:

  • Defender o levantamento imediato da restrição do casamento entre pessoas de sexo diferente;
  • Pensar em alterar no seu conjunto o enquadramento legal das formas de união/contratualização entre as pessoas estabelecidas pelo código civil.

Muito sinceramente custa-me que o Estado criminalize a poligamia (poupem-me as piadas). Quando o Estado deveria tentar garantir alguns direitos específicos e possibilidades de resolução de conflitos direitos/garantias individuais (patrimoniais no que se refere às heranças ou pessoais no se refere à responsabilidade face a crianças entre outros, o que é já de si uma discussão complexa e que terminará sempre por ter algum fundamento nos costumes e tradições dominantes de cada sociedade) tem infelizmente uma acção que me parece hoje bem mais limitadora e impositiva na forma de organização entre as pessoas. Talvez o casamento seja uma solução simples, mas manifestamente vai perdendo qualidades enquanto única opção legal para permitir algumas garantias.

Essa discussão sendo bem menos específica e bem menos popular e folclórica que a particular relativa ao casamento de homossexuais parece-me bem mais abrangente e "rentável": permitir-nos-ia resolver um conjunto de questões que acabaremos por ir abordando quando confrontados com as falhas impostas pela ausência de princípios gerais liberais e amigos (por acção e omissão) de outras formas de discriminação.

Lá chegaremos… 
Entretanto, o Amor passa ao lado desta questão tecnico-legal, certo? No meu caso passou até além de supostas restrições religiosas. Que assim seja.
 
P.S.: recomenda-se a leitura dos comentários que JPP têm publicado no Abrupto
P.P.S.: Para alguns esclarecimentos adicionais sobre o casamento civil e suas características convém passar pelo site da Direcção Geral dos Registos e Notariado.

Pois é…

Fevereiro 02, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade Comments Off

Pois é. Confesso que pensei algumas vezes antes de ter escrito o post anterior e tentei imaginar-me a ter de defender o que percebi da posição e comentário de José Pacheco Pereira (dando de barato que vindo de quem vem boa parte da reacção poderia ser à partida epidérmica e abruptamente negativa). Agradeço desde já a quem comentou e desculpem qualquer coisinha. Inspirado nesses comentários escreverei algumas linhas assim que tiver alguma disponibilidade.

Sem assobiar para o ar

Fevereiro 01, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Palavras dos Outros, Religião, Sociedade 9 Comments →

Sobre o assunto "casamento de homossexuais" hoje colocado na agenda, convém não perder a prosa de José Pacheco Pereira. Resisto a citá-lo pois para ser justo teria de aqui colocar o texto na íntegra. Convido assim os leitores (mesmo os alérgicos) a seguirem a ligação e convido-os ainda a reflectirem um pouco antes de atirarem umas pedras…

 

Vender sexo não é trabalho?

Julho 18, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade 3 Comments →

Para complementar um pouco a discussão que se fez mais abaixo nos comentários do post “Masturbação assistida” recomendo a leitura do artigo “O combate ao tráfico e a repressão da prostituição” assinado por Alexandra Oliveira (FPsiologia UPorto) e Ana Lopes (School of Social Sciences, UEast London) na página 8 da edição de hoje do Público. Além do breve ponto da situação em Portugal recorrem ao exemplo recente de descriminalização do trabalho sexual acompanhada da criminalização da sua compra recentemente instituidos na Suécia para discutir um pouco a questão e as nossas omissões.

Um mergulho ao fresco

Junho 08, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade Comments Off

Lendo os piropos que os vizinhos Fernanda Câncio e João Morgado Fernandes têm trocado e, relendo depois, os textos d’O Mundo Perfeito de Isabela fico com vontade de sugerir aos primeiros essas outras linhas. E assim como não quer a coisa, está a vontade satisfeita.
Ide lá e relativizem a coisa com um outro mergulho na antropologia instantânea.

Nossa Senhora dos Aflitos

Junho 08, 2005 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade 2 Comments →

(…) O corpo da mulher é um real objecto de arte. Habituámo-nos. Queremo-lo. Mas o corpo dos homens tem os seus mimos. Gosto de tudo, mas, sobretudo, das barrigas, dos rabos, das pernas. Gosto das barrigas a sério. De um pedaço de barriga. De qualquer coisa que se agarre, apanhe, feche nas mãos. Gosto dos defeitos. Das cicatrizes. Dos sinais. Das marcas de operações, dos transplantes de pele. O pénis é muito feio, muito arrogante; acha-se grande coisa, mas é completamente totó! Que objecto tão mal feito - não me refiro a questões de ergonomia! Não se fez para a contemplação, é isso, tenho pena. Um homem nu, deitado de bruços, é o meu jardim de delícias e só penso em amolgar-me toda sobre aquela perfeição, beijando-a na nuca e na cintura e na curvazinha que a nádega faz ao transformar-se em virilha e na curvazinha dos joelhos. Nossa Senhora dos Aflitos! (…)

Isabela, n'O Mundo Perfeito (Peço desde já perdão às futuras buscas no Google sobre a Nossa Senhora dos Aflitos que aqui venham ao engano. Coisas da liberdade literária de outrém)



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