Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Sociedade’

“Blood Diamond” - um ano depois

Fevereiro 05, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema, Sociedade No Comments →

The way to stop conflict diamonds isn't the Kimberley Process. It's to stop the conflict," Skran Says

'Blood Diamond' worried jewelers in Appleton Post-Crescent 

 

Se a memória não me falha, desde Good Night and Good Luck que não ia ao cinema. Não sendo impossível encontrar filmes mais distintos - afinal há algo de biográfico ou de histórico e de militante, de "causas", também neste "Blood Diamond" - o que é certo é que representam duas formas muito distintas de contar histórias.

O primeiro sobre uma maldade mais relativizável, intelectual, o segundo sobre um mal absoluto, físico, ambos no mesmo mundo ainda assim.

Falta qualquer coisa a este "Blood Simple"? Sim, sem dúvida, mas a sensação que fica é a de que poderia ser excelente, sendo assim "apenas" um bom filme de se ir ver.

Clichês a mais? Pois é, compreendendo-se a crítica quanto a alguns diálogos, compreendendo-se a imensidão de dilemas históricos e morais que se cruzam e que pela superficialidade com que são necessariamente abordados pouco mais se resumem que a breves marcas, pequenas sementes a deixar na mente do espectador (na melhor das hipóteses), o facto é que a história que temos tido e vamos tendo em e com África não tem passado disso mesmo, da repetição sucessiva de velhos e abomináveis clichês que se acumulam numa cada vez mais volumosa e intrincada história. Dá para duvidar se o tempo em África alguma vez deixou de ser circular, sem e com raças misturadas. 

Excelente ou apenas bom, a história que se conta afasta-a da banalização recorrente a que tem sido votada - "algures entre o desporto e a meteorologia na CNN". Uma história que é também das nossas vidas, ainda que chegue no conforto da poltrona numa sala escura… Agora também no brilho fascinante de um qualquer diamante. Diamons are not forever…

E amanhã camaradas?

Fevereiro 02, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Justiça, Media, Sociedade 6 Comments →

Pronto amigos, quando quiserem saber o que pensa o povo é falar com a Fernanda Câncio. Brincamos ao "parece-me que".

Até pode ser verdade que o caso concreto possa vir a permitir afirmar: o amor é mais espesso que o sangue. Mas é também legítimo duvidar, ter cautelas, não embandeirar. É legítimo considerar que todo o enquadramento factual conhecido pode caracterizar outras situações bem menos confortáveis a uma luta de causas. 

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Caso Esmeralda: há dois anos e meio que deveria ter tido rumo diferente

Janeiro 31, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Justiça, Sociedade 3 Comments →

Com um atraso de dois anos o Tribunal Constitucional diz que volta tudo à estaca zero. Isto é que está muito mal na Justiça portuguesa - não critico a decisão (pelo menos para já) mas a demora. Quanto ao resto, mantenho naturalmente tudo o que já aqui escrevi. Fica o essencial da notícia de há minutos:

"(…) No acórdão, os juízes consideram "inconstitucional" a decisão do Tribunal da Relação, datada de 2004, que recusa a pretensão dos pais adoptantes em discutirem o poder paternal. Com esta decisão, o casal adoptante vai poder contestar a sentença do poder paternal, datada de 13 de Julho de 2004, junto do Tribunal da Relação, que anteriormente considerou que o casal não era "parte legítima" para discutir essa decisão. (…)"

in Público.

Saturação pelo Sim; Saturação pelo Não

Janeiro 31, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Sociedade 1 Comment →

"A duas semanas da realização do referendo sobre a despenalização da IVG, confesso-me cansado da troca de acusações, dos juízos de valor e das muitas certezas apresentadas pelas duas campanhas. Imagino que não seja o único a ter atingido este estado de saturação. Parece haver um excesso de propaganda de parte a parte, sendo a blogosfera um bom exemplo disso. (…)"

in Tempo dos Assassinos.

Concordando com o Miguel, só espero que não venha a ganhar o partido do silêncio. Seria mau de mais.

“Como comentar algo que é apenas virtual?”

Janeiro 24, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Justiça, Sociedade 9 Comments →

O Henrique Silveira (Crítico Musical) oferece-nos uma resposta ao repto que aqui lhe deixei (caso esmeralda + Luís Carmelo, que ele também abordou num mesmo post) e oferece-nos ainda mais qualquer coisa. Não vou promover a dialética porque julgo que o meio não é o mais adequado atendendo particularmente aos conceitos de relativismo, percepção da realidade, ilusões virtuosas, anarquismo (?) - whatever - e, claro, ao negativismo de Shopenhauer. Talvez numa almoçarada, cafezada ou coisa que o valha, que disponibilizam sempre maiores probabilidades de entendimento (ah a diferença que faz ter os sentidos alerta para tentar compreender o outro quando discutimos algo tão brumoso).
Naturalmente poderia cingir-me à parte do texto em que o Henrique se aproxima do concreto do momento (ver excerto mais abaixo) mas os seus pressupostos desarmam todos os meus argumentos da mesma forma que os meus desarmariam os dele (porque são manifestamente antagónicos dificultando o início de um diálogo entendível). Eu começaria por dizer que os pressupostos do Henrique o enleiam em inultrapassáveis contradições… Como comprender que use um conceito de "virtual" no seio do mundo diluído que propõe? Desconfio que ele poderia dizer algo parecido sobre a valorização que não deixo de atribuir e de defender relativamente ao uso da lei. Uma coisa é dizer que a lei existe (também) para se desrespeitar, outra é imputar-lhe todos os males do mundo porque o mundo, o Homem, seu feitor, é mau por natureza. Daí ser necessário partir pedra, a tal tarefa que, por agora, não me parece viável levar a bom porto por aqui. Deixo-vos o corolário do que o Henrique escreveu para permitir vislumbrar a dimensão da divergência.

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1500 euros (act.)

Janeiro 23, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media, Sociedade 3 Comments →

"(…) não podia, se queria tanto saber se era dele o espermatozóide, pagar uns testes do seu bolso (repito-lhe, custam 1500 euros no IPATIMUP) e ter o resultado em duas semanas?"

 

Fernanda Câncio in Glória Fácil

Há qualquer coisa da realidade deste país que alguns vizinhos muito moralistas da capital (alguns até jornalistas, como é o caso - e ser-se moralista não é epiteto necessariamente depreciativo) estão a léguas de imaginar. Vá para fora cá dentro é o único conselho prático e julgo que sensato que posso recomendar. O que são afinal 1500 euros para os 20% mais pobres deste país, saberá Fernanda Câncio, ou ter-se-á esquecido temporariamente? Terei todo o prazer em lhe fornecer umas estatísticas sobre o assunto.

Para se dissolver um casamento impomo-nos a formalidade de ter o Estado a tentar uma conciliação derradeira; aos criminosos oferece-se amiude uma segunda oportunidade, uma comutação de pena, espera-se um regeneração e, se possível, uma emenda do erro. A um potencial pai de uma criança que ninguém planeou e sobre a qual é admissível ter justas dúvidas quanto à paternidade, o momento da verdade definitivo e absoluto restringe-se à reacção que tem quando é confrontado com a notícia, com a barriga ou mesmo, como por vezes sucede, com uma mãe com um filho nos braços.

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“Soltem os prisioneiros”

Janeiro 23, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media, Pessoal, Sociedade 1 Comment →

Nem sempre é bom libertar a criança que há em nós.
Ligo a televisão e ocorre-me a imagem de um linchamento. Não há Prós e Contras.
Não tenho dúvidas de que seria viável hoje um linchamento em Portugal.

Um dia havemos de resgatar a serenidade e a racionalidade ao mercado da indignação que prolifera.
Que não tarde, para o bem de todos.

Como é difícil o amor.

Como as cobaias são divertidas

Janeiro 21, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Media, Sociedade, Web 2 Comments →

guinea_baby_1.jpg

Não sei o que seria mais previsível, se a carneirada dos que foram atrás de quem tinha credibilidade (estive assim de embarcar no rebanho); se a indignação que por aqui vai e que começa a pontuar o espaço de outros vizinhos; se a posição "a ver do alto" que o cientísta social Luís Carmelo agora adopta, deliciando-se com as "suas" cobaias. E "ainda a procissão vai no adro" afirma.

Felizmente, os actos ficam com quem os pratica e não faz mal a ninguém reconhecer-lhes a autoria.
 
Imagem retirada daqui

“Caso Esmeralda: Texto Integral do Acórdão” (actualizado)

Janeiro 20, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Justiça, Media, Sociedade 61 Comments →

Através do Blogouve-se, blogue do jornalista João Paulo Meneses, chego ao texto integral do Acordo do Tribunal Colectivo do Círculo Judicial de Tomar (Tribunal de Torres Novas) sobre o caso Esmeralda - o caso da menina de 5 anos adoptada que tem ocupado os media e que vem provocando um levantamento popular de solidariedade para com o casal que a tem criado desde os 3 meses.

Lendo o resumo do caso aí disponibilizado, confesso que fico estupefacto com o que tem vindo a público em forma de notícia. Parece-me que estamos perante um terrível caso em que os intermediários (os jornalistas) têm prestado um péssimo serviço informativo. No mínimo, a opinião que formo sobre o caso após a leitura do acordão é muito menos nítida e exacerbada do que aquela que as notícias públicas me têm sugerido e têm potenciado.

Sem mais comentários, recomendo-vos vivamente a avaliarem por vós: leiam o resumo do caso segundo foi apurado nos tribunais

Adenda: recomendo ainda a leitura deste artigo - "O Caso Esmeralda" - publicado no Há Mouro na Costa onde uma leitora deixa algumas perguntas muito pertinentes que parecem não ter (co)movido nenhum jornalista antes de entrar na carneirada geral, na qual reconheço, estive na iminência de colaborar. É por estas e por outras que se desvaloriza cada vez mais o papel do intermediário clássico; resta o consolo de ter sido um Jornalista no seu blogue a atrever-se a expôr matéria de facto que justifica reflexão.

“With great power comes great responsability”

Janeiro 19, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Política, Sociedade 4 Comments →

Sintomático (para mim, como é óbvio) é que nesta discussão que decorre em preparação do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, não me atrevo a delegar opinião em ninguém e, dois meses depois de aqui ter escrito umas linhas sobre o assunto pela primeira vez, mantenho o que disse sublinhando exactamente os mesmos pontos. Se alguém estiver interessado no que penso… está aqui. Voto sim, mas com minúsculas, sem alarde.

L’esprit de Noel

Dezembro 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Sociedade No Comments →

Artificial como as melhores acabadinhas de montar na Tailândia, decorada com o que há de melhor na Espanha, iluminada com o fulgor tecnológico Indiano, decorada com o amor e dedicação de quem tem fé, fotografada por quem vos deseja que o vosso Deus olhe por vós. Está a concurso mas não é preciso votarem. Eles decidem.

 

Quantas mulheres teve Omar Shariff

Novembro 26, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Cinema, Mimos, Sociedade 1 Comment →

Caro Pedro Mexia ,

a última vez que ouvi alguém rir tão bem de si próprio (como me parece que leio no Estado Civil) foi numa entrevista de Omar Shariff a Herman José, já há alguns anos.

A menos que a comparação resulte de um erro de análise meu (é o mais certo), fica mais uma prova de que há dois caminhos inteiramente distintos para se chegar a romA. Por outro lado, pode ser que chegando-se lá pelo atalho, haja tempo para passear pela alternativa bem animada que Shariff experimentou. Em desespero de causa faça-se sócio do Sporting. O Santo António em Alvalade e a sempre verde esperança e tal.

Escrevia eu no velho Adufe a 15 de Abril de 2005:

"Devo estar a ficar velho. Cada vez acho mais piada às figuras que faço.

Quando ainda via os programas do Herman lembro-me de ter apanhado uma entrevista a Omar Shariff um grande actor (egípcio) que fica para a história do cinema pelo protagonismo em Doutor Jivago, entre outros.
Em poucos minutos abordou a carreira, os vícios, breves trechos da sua vida privada. Recordo-me dessa entrevista em particular pela espantosa capacidade que demonstrou em fazer humor, um humor com classe, de alto nível, daquele que dispensa asneiradas e que é absolutamente transversal, entendível por qualquer ser humano, independentemente de classe, credo e demais diferenças de cultura. Basta que se tenha vivido.

O seu humor era particularmente desarmante porque se ria de si próprio. O tipo que melhor conhece à face da terra.
Penso para comigo que chegar aos oitenta assim, não seria nada mau. Se pudesse ser mais cedo, melhor ainda.
Mas é difícil, demasiado difícil."

The L Word

Setembro 27, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media, Sociedade No Comments →

Estreia hoje na 2: a segunda série de The L Word. Ainda estou para perceber exactamente o que me cativa nesta série que acompanhei em versão compacta nas últimas semanas da 2 - quando repetiu a primeira série.

Sim tem uma invejável concentração de mulheres bonitas - o sorriso de Jennifer Beals para mim é impossível de superar (todo o processo de formação, não apenas um still ); sim, por vezes tem carradas de same-sex-sex que costuma animar os rapazinhos (é de antologia o dialogo sobre esta matéria que foi atribuído a episódios tantos a um highway patrol officer que serviu de confessor a um heterossexual desesperado com a sua jovem esposa sexualmente baralhada); sim, por vezes podia passar por uma telenovela mexicana ou venezuelana; sim, a maturidade sentimental de algumas das personagens recorda-me os namoros que duravam um intervalo inteiro entre aulas na escola secundária; sim, por vezes dá para desconfiar que estamos a ver algumas das melhores actrizes do planeta; sim podia continuar a desbobinar mais uns parágrafos sobre The L Word mas resumo o meu mistério a um processo de identificação. Não por também ser lésbica (como é deliciosa essa anedota, apesar de ter por lá descoberto uma nova "estirpe" que dá pelo nome de "homem-lésbica"), mas porque por vezes dá para esquecer que se trata de uma série de e sobre lésbicas. Bem vistas as coisas há pouquíssima novidade naquela série - os sacanas dos clássicos da literatura já exploraram tudo - , o que não invalida que não consiga levar-nos a ver pedaços de excelente ficção melodramática. E pronto, é só uma perspectiva; estão por vossa conta e risco.

Salam Aleikum.

Amorre

Agosto 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade No Comments →

"Portugueses continuam a matar e a morrer por amor" (no DN).

A propósito desta lembrei-me desta outra: "Está deprimido? Case-se!" no Portugal Diário.

Publicidade Eficaz *

Maio 25, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade No Comments →

Recebido por e-mail… No Brasil é assim.
Imagem283.jpg

 

* O título foi rapinado a um post do Gabriel no Blasfémias que também nos dá um belo exemplo. 



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