Adufe sans frontiers

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Sociedade’

Hello, I love you, wont you tell me your name?

Janeiro 12, 2008 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Política, Saúde, Sociedade 2 Comments →

BebéUm indivíduo faz um donativo de esperma para uma clínica de fertilidade. Potencialmente poderá vir a ter uma prole infindável se o seu donativo tiver saída entre as clientes que recorram à clínica. O indivíduo só alinha no donativo (que é alguns países é remunerado) se lhe garantirem o anonimato eterno.
Então e se dois filhos biológicos deste indivíduo acabarem por casar na perfeita ignorância da sua herança genética?
Via A Origem das Espécies chego a esta notícia do Expresso “Gémeos proibidos de casar” que nos lembra como este cenário é provável ainda que no caso concreto tenha acontecido aparentemente sem ter havido sequer intervenção médica do foro fertilizante. A frase chave é:

“A criança tem todo o direito de saber a identidade dos seus verdadeiros progenitores. Casos como este podem repetir-se no futuro se as crianças não tiverem acesso à verdade.”

“O Português” entra para a lista de espécies em vias de extinção

Janeiro 11, 2008 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Portugal, Saúde, Sociedade 1 Comment →

BebéComo habitualmente o Instituto de Genética Médica Jacinto de Magalhães divulga no início do ano o número de testes do pezinho realizados no ano anterior aproximando com um rigor de quase 100% o número oficial de nascimento que o INE estima e divulga no inicio de 2º trimestre. Segundo dados deste ano terão nascido em 2007 menos 3000 bebés que em 2006, fixando o número em cerca de 102 000 crianças, o número mais baixo de sempre sendo que a queda parece estar a acelerar e não a abrandar.
Parece que isto não vai lá por decreto, nem com encerramentos generalizados de escolas, nem com encerramentos generalizados de serviços públicos no país semi-despovoado, nem com os 2% de crescimento do PIB ao ano, nem com abonos pré-natais visíveis à lupa.
Sermos menos é um problema no sentido em que é uma mudança para o desconhecido. E leva a perguntas peregrinas como:
- Quem é que vai comprar essas casa todas que estão à venda?
- Se interior está largamente abandonado por falta de gente, vamos também ter matagais a florescer nos subúrbios e centros mais mal planeados?
- E quem é que vai mudar-me a fralda quando eu chegar aos 80 anos?
- Para quando a eutanásia?

Sobre gays, lésbicas e heteros (act. 30NOV2007)

Novembro 29, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Sociedade No Comments →

O mundo possível e desejável não será aquele em que ninguém poderá contar anedotas sobre ninguém. Somos intrinsecamente ridículos e adoramos rir-nos ao espelho.
O caminho é percebermos que nos estamos a rir de nós próprios e não do “outro”. O outro não existe.
Até chegarmos aqui ainda há muito a penar, mas dá muito jeito que haja gente a apontar o caminho no meio de tanto sofrimento, militância, leviandade e dedo em riste. O caminho é este: o outro não existe mesmo.

Nesse dia um bar onde só possam entrar gays será tão absurdo quanto um bar onde só possam entrar heteros.
Um abraço especial para o Francisco (ler no JN) e para o vizinho Miguel.

P.S.: depois de ler o texto do Miguel fiquei a pensar na “beata”, aquela figurinha que papa missas.

ADENDA: estes temas são profícuos em reacções de entre as que li destaco a do Daniel Oliveira. Parece-me um bom ponto para que a conversa prossiga até bom porto. Vejamos se há “troco” à altura.

O assédio dos Ventos de Oeste

Novembro 21, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Justiça, Política, Sociedade No Comments →

Perante uma violação na High School, a vítima decidiu processar a administração estadual por esta pactuar com a licenciosidade e, em última análise, patrocinar a própria violação, afinal, sabia-se que de quando em vez os menores que frequentavam a Elementary School haviam sido vistos a roubar beijos uns aos outros, no recreio, sem que as autoridades agissem. E um beijo na bochecha roubado aos seis anos de idade é, como se sabe nos Estados Unidos, meio caminho andando para uma vida de abuso sexual.
Por cá, diria que seria garantia do contrário, mas os ares são outros. Ainda que a tendência seja de mais cedo ou mais tarde acabarem por cá chegar.

Visto por este olhos, por estas mentes, como interpretar aquela cena de nos States os pais beijarem os filhos encostando os lábios nos dos filhos? Pedophiles!?! All of them!?!

People are all messed up

Novembro 19, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia, Sociedade No Comments →

POKIN AROUND: A real person, a real death” via Quase em Português.

Casadíssimos aos olhos de Deus, separadíssimos na declaração fiscal

Outubro 31, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Justiça, Política, Sociedade No Comments →

(O assunto foi abordado no Economia & Finanças, mas como julgo que poderá interessar particularmente a alguns leitores do Adufe sai aqui em estéreo)

 

Não há no mundo nenhum sistema de redistribuição de rendimentos justo, pelo menos inteiramente. A justiça nestas matérias deve ser um objectivo permanente e não uma exigência utópica sem a qual se possa argumentar sem mais que "então não vale  a pena". Devemos estar sempre preparados para admitir alguma percentagem de abuso. A palavra-chave aqui é precisamente saber qual essa percentagem. E aí cada sociedade terá a sua. Há quem diga até que depende se se é mais de esquerda ou de direita em termos políticos, pessoalmente parece-me um raciocínio demasiado simplista.

Vem isto a propósito da utilização da recolha de um imposto sobre o rendimento onde se faz política social para “questões cirúrgicas” como sejam a discriminação positiva de certo tipo de agregados familiares.

O legislador acreditou no passado e continua a acreditar ainda hoje que conhecer o Estado Civil dos contribuintes é determinante para os tornar elegíveis ou não para determinados abatimentos à colecta.

Calendário Fiscal IRS 2006Sabendo o Estado e o legislador que há tipicamente um risco mais elevado de pobreza em agregados formados por pais solteiros, resolveu simplificar o seu trabalho e assumiu que estar casado com filhos significava estar menos sujeito ao risco de desfavorecimento, por oposição às famílias que enfrentam divórcios ou separações tendo filhos a cargo.

Há relativamente pouco tempo o divórcio era coisa rara até mesmo extremamente difícil de se obter em Portugal. Até há bem pouco tempo a constituição de uma família sem que houvesse desde logo um casamento, uma união formal, era socialmente inaceitável e apenas reservado aos audaciosos pouco católicos.

Hoje a realidade é bem diferente. Particularmente nos grandes centros urbanos, o casamento deixou de ser uma imposição cultural e social e em algumas situações a maternidade sem parceiro chega mesmo a ser uma opção desejada e não uma "fatalidade" da condição humana. Contudo, o sistema fiscal continua a aceitar a qualificação do Estado Civil de quem tem uma criança a cargo como a melhor aproximação possível para identificar situações que mereçam apoio social do Estado.

Mas de que estamos a falar em concreto? Estamos a falar por exemplo dos abatimentos à colecta que um pai (ou mãe) divorciados podem passar a  fazer caso paguem pensão de alimentos ao outro pai que ficou com a custódia do filho. Aparentemente o prémio que o Estado está a dar a quem esteja nestas situações é de tal forma elevado que está a levar alguns casais a divorciarem-se formalmente por razões de gestão fiscal. A poupança, dependendo dos rendimentos, pode ir, segundo o Fórum Família (que está a patrocinar uma petição para que se acabe que a discriminação por via do estado civil) dos 1200€ para rendimentos brutos anuais conjuntos dos pais (um titular com uma criança) de 18000€, até aos 5000€ para separações de casais com dois titulares que aufiram em conjunto 48000€ por ano (eis o ficheiro recebido por mail com várias simulações; não tive oportunidade de validar: Poupança IRS – pensão alimentos).

Pessoalmente conheço dois casos de casais que optaram por esta via estando agora na prática a entregar declarações separadas, em que um se apresenta como mãe solteira e o outro como pai que ajuda mensalmente na educação e criação do filho pagando a pensão de alimentos. Continuam casadíssimos aos olhos de Deus… E a morada fiscal de um deles não é de facto a sua residência.

Olhando para a situação, parece evidente que a cada ano que passa o espírito e objectivo da lei fiscal está a afastar-se das suas consequências práticas e a menos que o Estado se decida a ir a casa de cada um (talvez colocando umas escutas) para averiguar da efectiva ausência de economia comum e matrimonial (a partir de quantas visitas nocturnas à ex-mulher estaremos perante um ilícito fiscal?) era bom que se arrepiasse caminho e que se encontrasse uma forma mais justa e económica de apoiar efectivamente as famílias carenciadas. Talvez até tendo como consequência uma redução generalizada do imposto sobre o rendimento a pagar.

Fica a dica de poupança, para o Estado. Entretanto, o Fórum Família, ameaça veladamente com a possibilidade de os casais com filhos declararem em massa que estão separados, "a dar um tempo".

Jovem, precisas de dinheiro?

Outubro 15, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Sociedade 2 Comments →

Então vai ter com uma meretriz ilegal que ela é capaz de te resolver o problema.

Eis um clássico que recrudesce em Portugal, a avaliar por este artigo do Diário de Notícias.

O bom samaritano que se substitui ao Estado a troco de uma módica quantia.

Queres casar comigo? São 4 mil euros.

Importa-se de repetir?!

Setembro 06, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade 1 Comment →

" A PJ de Braga esclareceu esta quinta-feira que os assaltantes a duas ourivesarias em Viana do Castelo continuam a monte e que nenhum deles morreu na fuga à perseguição policial, desmentindo informações anteriores da própria Judiciária, da GNR e da PSP.

 

A Polícia Judiciária (PJ) de Braga já havia esclarecido que ouviu apenas dois suspeitos de transportarem ao Hospital da Trofa um dos assaltantes de duas ourivesarias em Viana do Castelo, não tendo detido nenhum dos alegados criminosos, considerando precipitada informação anteriormente dada pela própria PJ e PSP.

Uma informação oriunda da PJ e da PSP de Viana havia adiantado que os assaltantes haviam sido detidos, facto que a PJ/Braga considera ter sido «uma precipitação natural» dada a inesperada sequência dos factos. (…)"

in Diário Digital

O “Novo” abono de família e o apoio à natalidade – aspectos práticos

Setembro 05, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Política, Sociedade 59 Comments →

No Economia e Finanças apresento um conjunto de exemplos sobre aspectos práticos relativos ao Decreto-Lei n.º 308-A/2007 de 5 de Setembro:

ADENDA (17 de Setembro): Este e outros temas estão a ser acompanhados nos:

Fóruns do Economia e Finanças, lançados a 15 de Setembro de 2007. Não deixe de participar, colocar as suas perguntas ou testemunhar a sua experiência. Escolha o fórum adequado e participe!
Obrigado.

Que não se proibam as escarradeiras no local de trabalho

Setembro 04, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Saúde, Sociedade No Comments →

Se não se pode fumar, ruminação com eles:

"Philip Morris diversifica produtos para contrariar declínio de vendas" na Meios & Publicidade.

 

A Quercus e os transgénicos

Agosto 22, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia, Economia, Política, Saúde, Sociedade 1 Comment →

Não sendo propriamente uma organização que coloque num pedestal – são já vários os (naturais) avanços e recuos na sua história em relação a "certezas absolutas" que foram desmistificadas -, parece-me do melhor que temos em termos de promoção da discussão e da defesa da necessidade de olharmos para a natureza como um palco sobre o qual devemos agir com precaução e responsabilidade.

Por isso e porque deixam algumas questões ao Governo que também gostaria de ver esclarecidas fica a referência para a posição da Quercus quanto aos transgénicos em Portugal

Sobre os transgénicos, aprender!

Agosto 22, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia, Política, Sociedade 1 Comment →

Via A Destreza das Dúvidas cheguei a três textos de um professor de Biologia Molecular que estou a ler com interesse (particularmente o III):

P.S.: Não dispensa a leitura dos comentários.

 

LAT – Living Apart Together em Portugal?

Agosto 13, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Portugal, Sociedade 4 Comments →

Foi há cerca de seis anos que ouvi a expressão pela primeira vez num congresso sobre demografia. Orava uma representante holandesa. Uma breve pesquisa na Internet deu para confirmar que o conceito caminha para a institucionalização e que vai fazendo escola pelo mundo ocidental.

O que é exactamente LAT?  Sugiro uma mini-reportagem levezinha da ABC News de Maio de 2006 para se perceber o conceito.

"Laurie Winter and Marvin Frank have a great family life, and they have been a couple for almost nine years.

They go to barbecues, out for fancy dinners, and sailing with Winter's kids. One thing they don't do is live together.

"I have my stuff. He has his stuff," Winter said. "We can maintain our independence."

Like Woody Allen and Mia Farrow — who once famously lived across Central Park from one another — marriage and living under one roof are just not the way Winter and Frank define their partnership.

Last year, a survey-based British study conducted by the Family Demography Unit at the Department of Social Policy at Oxford University estimated that 1 million couples in Great Britain were currently in similar relationships.

The National Marriage Project at Rutgers University found that these relationships, called "living apart together" or L.A.T. relationships, were on the rise in the United States as well.

"I like being in relationships, but I wasn't in any rush to get married," said Winter, who is divorced and has two daughters, Jennifer, 20, and Allison, 14.

 

Independent Lives

Winter said her relationship with Frank worked for her because she valued her independence. She also said that she believed their relationship was revitalized when they got back together after a few nights apart.

"It's like a first date every time," she said.

At the same time, Frank and Winter have the stability of a long-term relationship.

"Our relationship is all the same things as a married couple would have, but without being married," Frank said.

The couple met on a blind date. For Winter, the question of marriage came up quickly.

"He had never been married, and he said, 'I don't ever really want to be married,' and I said, 'Well, you know, that's fine with me, because I don't plan to, either,'" she said.

Frank also wanted to keep his bachelor's pad and not live full time in the suburbs.

"I didn't want to give up my city lifestyle," said Frank, a private investor."

Haverá muitos Living Apart Together nesta nesga de terra debroada pelo oceano?

Teu, Miguel Torga (actualizado)

Agosto 12, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Política, Portugal, Sociedade 1 Comment →

Prefácio à segunda edição de Novos Contos da Montanha (1944). 

S. Martinho de Anta, Setembro de 1945.

Querido leitor:

Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste livro. Vim ver a sepultura do Alma Grande e percorrer a via sacra da Mariana. Encontrei tudo como deixei o ano passado, quando da primeira edição destas aventuras.. Apenas vi mais fome, mais ignorância e mais desespero. Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos.
O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes. Crestados e encarquilhados, os rostos dos velhos parecem pergaminhos milenários onde uma pena cruel traçou fundas e trágicas legendas. Na cara lisa dos novos pouca mais esperança há. Ora eu sou escritos, como sabes. Poeta, prosador, é na letra redonda que têm descanso as minhas angústias. Mas nem tudo se imprime. Ao lado do soneto ou do romance que a máquina estampa, fica na alma do artista a sua condição de homem gregário. E foi por isso que fiz aqui uma promessa que te transmito:
Que estava certo de que tu, habitante dos nateiros da planície, terias em breve compreensão e amor pela sorte áspera destes teus irmãos. Que um dia virias ao encontro da aridez e da tristeza contidas nas suas fragas, não como leitor do pitoresco ou do estranho, mas como sensível criatura tocada pela magia da arte e chamada pelos imperativos da vida.
Prometi isso porque me senti humilhado com tanto surro e com tanta lazeira, e envergonhado de representar o ingrato papel de cronista de um mundo que nem me pode ler. Tomei o compromisso em teu nome, o que quer dizer em nome da própria consciência colectiva. Na tua ideia, o que escrevo, como por exemplo estas histórias, é para te regalar, e se possível comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos.

Teu

Miguel Torga

Mais Miguel Torga no Adufe aqui

Porque a osmose existe

Agosto 08, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Educação, Sociedade 1 Comment →

Eu tenho algum pudor em frequentar certos ambientes cultos. Ando sempre desconfiado que sejam locais repletos de Joões Gonçalves. Coisas de suburbano com costela raiana.

Ele na dele e eu na minha? Pois, o problema é que desconfio que a osmose existe mesmo e entre absorver a cultura e absorver os cultores como o João, eu só me arrisco com vacina.

Vai uma bejeca? 



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