Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Sociedade’

A Quercus e os transgénicos

Agosto 22, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia, Economia, Política, Saúde, Sociedade 1 Comment →

Não sendo propriamente uma organização que coloque num pedestal - são já vários os (naturais) avanços e recuos na sua história em relação a "certezas absolutas" que foram desmistificadas -, parece-me do melhor que temos em termos de promoção da discussão e da defesa da necessidade de olharmos para a natureza como um palco sobre o qual devemos agir com precaução e responsabilidade.

Por isso e porque deixam algumas questões ao Governo que também gostaria de ver esclarecidas fica a referência para a posição da Quercus quanto aos transgénicos em Portugal

Sobre os transgénicos, aprender!

Agosto 22, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia, Política, Sociedade 1 Comment →

Via A Destreza das Dúvidas cheguei a três textos de um professor de Biologia Molecular que estou a ler com interesse (particularmente o III):

P.S.: Não dispensa a leitura dos comentários.

 

LAT - Living Apart Together em Portugal?

Agosto 13, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Portugal, Sociedade 4 Comments →

Foi há cerca de seis anos que ouvi a expressão pela primeira vez num congresso sobre demografia. Orava uma representante holandesa. Uma breve pesquisa na Internet deu para confirmar que o conceito caminha para a institucionalização e que vai fazendo escola pelo mundo ocidental.

O que é exactamente LAT?  Sugiro uma mini-reportagem levezinha da ABC News de Maio de 2006 para se perceber o conceito.

"Laurie Winter and Marvin Frank have a great family life, and they have been a couple for almost nine years.

They go to barbecues, out for fancy dinners, and sailing with Winter's kids. One thing they don't do is live together.

"I have my stuff. He has his stuff," Winter said. "We can maintain our independence."

Like Woody Allen and Mia Farrow — who once famously lived across Central Park from one another — marriage and living under one roof are just not the way Winter and Frank define their partnership.

Last year, a survey-based British study conducted by the Family Demography Unit at the Department of Social Policy at Oxford University estimated that 1 million couples in Great Britain were currently in similar relationships.

The National Marriage Project at Rutgers University found that these relationships, called "living apart together" or L.A.T. relationships, were on the rise in the United States as well.

"I like being in relationships, but I wasn't in any rush to get married," said Winter, who is divorced and has two daughters, Jennifer, 20, and Allison, 14.

 

Independent Lives

Winter said her relationship with Frank worked for her because she valued her independence. She also said that she believed their relationship was revitalized when they got back together after a few nights apart.

"It's like a first date every time," she said.

At the same time, Frank and Winter have the stability of a long-term relationship.

"Our relationship is all the same things as a married couple would have, but without being married," Frank said.

The couple met on a blind date. For Winter, the question of marriage came up quickly.

"He had never been married, and he said, 'I don't ever really want to be married,' and I said, 'Well, you know, that's fine with me, because I don't plan to, either,'" she said.

Frank also wanted to keep his bachelor's pad and not live full time in the suburbs.

"I didn't want to give up my city lifestyle," said Frank, a private investor."

Haverá muitos Living Apart Together nesta nesga de terra debroada pelo oceano?

Teu, Miguel Torga (actualizado)

Agosto 12, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Política, Portugal, Sociedade 1 Comment →

Prefácio à segunda edição de Novos Contos da Montanha (1944). 

S. Martinho de Anta, Setembro de 1945.

Querido leitor:

Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste livro. Vim ver a sepultura do Alma Grande e percorrer a via sacra da Mariana. Encontrei tudo como deixei o ano passado, quando da primeira edição destas aventuras.. Apenas vi mais fome, mais ignorância e mais desespero. Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos.
O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes. Crestados e encarquilhados, os rostos dos velhos parecem pergaminhos milenários onde uma pena cruel traçou fundas e trágicas legendas. Na cara lisa dos novos pouca mais esperança há. Ora eu sou escritos, como sabes. Poeta, prosador, é na letra redonda que têm descanso as minhas angústias. Mas nem tudo se imprime. Ao lado do soneto ou do romance que a máquina estampa, fica na alma do artista a sua condição de homem gregário. E foi por isso que fiz aqui uma promessa que te transmito:
Que estava certo de que tu, habitante dos nateiros da planície, terias em breve compreensão e amor pela sorte áspera destes teus irmãos. Que um dia virias ao encontro da aridez e da tristeza contidas nas suas fragas, não como leitor do pitoresco ou do estranho, mas como sensível criatura tocada pela magia da arte e chamada pelos imperativos da vida.
Prometi isso porque me senti humilhado com tanto surro e com tanta lazeira, e envergonhado de representar o ingrato papel de cronista de um mundo que nem me pode ler. Tomei o compromisso em teu nome, o que quer dizer em nome da própria consciência colectiva. Na tua ideia, o que escrevo, como por exemplo estas histórias, é para te regalar, e se possível comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos.

Teu

Miguel Torga

Mais Miguel Torga no Adufe aqui

Porque a osmose existe

Agosto 08, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Educação, Sociedade 1 Comment →

Eu tenho algum pudor em frequentar certos ambientes cultos. Ando sempre desconfiado que sejam locais repletos de Joões Gonçalves. Coisas de suburbano com costela raiana.

Ele na dele e eu na minha? Pois, o problema é que desconfio que a osmose existe mesmo e entre absorver a cultura e absorver os cultores como o João, eu só me arrisco com vacina.

Vai uma bejeca? 

O que se passa no Luxemburgo

Julho 25, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Sociedade, Viagens 3 Comments →

As maiores comunidades estrangeiras a viver no Luxemburgo são a portuguesa e italiana que correspondem, respectivamente, ao 3º e ao 2º país com maior percentagem de subscritores de telemóveis a nível europeu (em ambos os casos acima dos 100%). Cá para mim se lhe juntarmos a saudável competitividade latina em terras luxemburguesas temos uma bela teoria para explicar o fenómeno Luxemburguês em relação aos telemóveis.
Resta saber se o vizinho compra a teoria ou se consegue testá-la :-)

Um retrato de Ã?frica

Julho 25, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Política, Sociedade 3 Comments →

O New York Times fez durante esta primavera sondagens em 10 países da África Sub-Sahariana. Hoje divulgou o conjunto dos resultados num artigo com infografia simples e informativa. Fica a sugestão.

O último colector de plantas português

Julho 13, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia, Sociedade No Comments →

Algo completamente diferente, via A Aba de Heisenberg.

“O regime de Talião que a todos redime”

Maio 31, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Justiça, Sociedade 2 Comments →

Sobre o último caso do Supremo Tribunal de Justiça que deu brado na imprensa e que já aqui foi abordado em "O sexo, a idade e a justiça", recomendo a leitura do artigo escrito pela Lolita (que ironia, que ironia) no Bloga-me Mucho:

" (…) O STJ mais não fez do que introduzir na medida da pena uma dimensão de justiça material, que parece, a quem assim quer ver, um desagravamento da culpa do abusador, mas que na verdade introduz o prudente e imperativo critério do grau de censura da prática de um crime. Mas a verdade é que parece ser pacífico que, na nossa consciência, é bem mais grave abusar sexualmente de uma criança do que de um pré-adolescente. Foi isto, afinal, que o STJ fez: exprimir essa censura social, adequando a medida da pena ao grau de culpa - facto esse que parece, curiosamente, merecer críticas do António Cluny, para quem a validade jurídica das decisões judiciais pode ser posta em causa por causa de considerações de índole moral (como, e eu espanto-me, se o Direito não fosse tributário da moral social).

O STJ diminuiu a medida da pena. Mas suspeito que se, pelo contrário, se tratasse de um menor de cinco ou seis anos e o STJ a decidisse agravar, já se calariam as vozes da censura - o que vale por dizer que se saciaria a sede do castigo de Talião, que no fundo, lá no fundo, a todos redime."

O sexo, a idade e a justiça

Maio 29, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Educação, Sociedade 2 Comments →

Ainda do A Origem das Espécies (que anda muito em cima das notícias que interessam nas últimas semanas) o Francisco pega, no artigo "Justiça", no caso do Supremo Tribunal de Justiça que reduziu uma pena por abuso sexual de uma menor de 13 anos.

Como ponto prévio diga-se que já li coisas tão dispares como esta no Público (que me parece equilibrada): "Supremo Tribunal reduz pena de homem condenado por abuso sexual de menores " ou como esta, muito provavelmente disparatada, no Portugal Diário: "Quando a pedofilia é menos grave". Notem que nesta última se parte sem demoras para a pedofilia que, por mais que alguns jornalistas queiram ignorar, é o nome de uma patologia muito bem identificada que não dá para pôr com propriedade nos títulos de todas as notícias envolvendo menores.

Com as injecções de informação que apanhei quando da situação Casa Pia, fiquei convencido que quem pratica sexo com uma/um menor de 13 anos não é necessariamente um pedófilo. E há uma diferença imensa entre as duas coisas. Tal como há diferenças imensas entre crianças com a mesma idade aos 13 anos…

Não estou com isto a concordar ou discordar do Supremo mas consigo imaginar uma situação onde se justifica este tipo de argumentação que levou a uma redução de pena (cumprir 5 anos de prisão não é o mesmo que uma absolvição). Não me parece equilibrado uma sociedade, por exemplo, punir da mesma forma um pedófilo que abusa repetidamente crianças de 5, 6 ou 7 anos (ou mesmo de 13), de outra pessoa que engatou numa discoteca uma rapariga de 13 anos que quase parecia ter 18 - sim, há raparigas de 13 anos que já vão à discoteca. Repito, estou a dar um exemplo, não conheço o caso concreto.

Dito isto, é óbvio que também pode acontecer que um acto sexual com uma (um) menor de 13 anos seja de facto um abuso sexual sem qualquer atenuante, seja de facto um acto de pedofilia e que mereça de facto uma punição exemplar. Consigo imaginar um pai de uma criança de 13 anos ficar imediatamente chocado com esta redução de pena, mas consigo também admitir que essa não deva ser a reacção adequada para todas as situações.

O que estou a querer dizer é que o juiz deve analisar o caso concreto e deve ter alguma margem para tratar de forma diferente situações diferentes, sendo que, em todo o caso, recai sobre o adulto o ónus de garantir que pratica sexo com maiores de 13 anos que tenham dado o seu expresso consentimento, correndo o risco, se não o fizer, de ser justamente acusado de abuso sexual de menores.

Como nota de rodapé sublinho que vivemos num país em que a idade de início da vida sexual tem diminuído significativamente nas últimas décadas; um país que tem das mais altas taxas de gravidez entre adolescentes da Europa.

Os CTT responderam a 24.114 reclamações em 2006

Abril 18, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Sociedade 3 Comments →

"Em média, os CTT demoraram 26,5 dias a responder às reclamações."

No título da mesma notícia escreve-se "CTT receberam mais de 24 mil reclamações no ano passado".

(more…)

Mandamentos que se guardam no bolso

Abril 04, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Política, Sociedade 6 Comments →

1. Para destruir alguém pode bastar uma calúnia bem embrulhada.

2. Para construir boa reputação, uma vida inteira pode não chegar.

O grau de incerteza destas leis é directamente proporcional ao relevo dos cépticos numa dada sociedade, mas depende também da facilidade com que as calúnias são bem embrulhadas.

Já colocou roupa velha no contentor?

Março 19, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Sociedade 4 Comments →

Já colocou roupa velha no contentor que está perto do ecoponto, à porta do supermercado ou da Igreja?  

Então vale a pena ler as reportagens e entrevistas que hoje surgem no Portugal Diário sobre esse negócio obscuro de consequências nefastas e que se encontra correntemente na justiça Dinamarquesa. Fica um excerto e a ligação para o portal que tem investigado e denunciado o caso, o TVind Alert:

"(…) Michael Durham, o jornalista inglês que há vários anos investiga os negócios da TVIND, explicou ao PortugalDiário como funciona a estratégia do Teachers Group: o objectivo é vender roupas para obter dinheiro para o TG, o grupo de líderes da TVIND. A roupa é vendida para várias companhias, da própria organização, sedeadas em paraísos fiscais. O lucro é, assim, não declarado e o dinheiro vai parar a uma conta off-shore, em locais como as ilhas Caimão.

Mas além da evasão fiscal e fraude - cujos processos correm nos tribunais dinamarqueses - a venda de roupa tem efeitos mais perversos. Quando vendida em países africanos, como Angola e Moçambique, a preços baixos - recorde-se que os voluntários são mão-de-obra barata - acabam por arruinar os mercados têxteis incipientes nesses países.

Em Portugal, a actividade desta organização cobre as três áreas principais já observadas noutros países: recolha de roupa usada, recrutamento de voluntários para países lusófonos, e relações comerciais com empresas."

Grã Bretanha antiga colónia do País Basco

Março 06, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ciência e Tecnologia, Media, Sociedade 1 Comment →

O mais atraente diário on-line que conheço e que mais gosto de ler é o The New York Times. Por lá podem encontrar-se pérolas como esta:

"Britain and Ireland are so thoroughly divided in their histories that there is no single word to refer to the inhabitants of both islands. Historians teach that they are mostly descended from different peoples: the Irish from the Celts and the English from the Anglo-Saxons who invaded from northern Europe and drove the Celts to the country’s western and northern fringes.

But geneticists who have tested DNA throughout the British Isles are edging toward a different conclusion. Many are struck by the overall genetic similarities, leading some to claim that both Britain and Ireland have been inhabited for thousands of years by a single people that have remained in the majority, with only minor additions from later invaders like Celts, Romans, Angles, Saxons, Vikings and Normans. (…)

In Dr. Oppenheimer’s reconstruction of events, the principal ancestors of today’s British and Irish populations arrived from Spain about 16,000 years ago, speaking a language related to Basque. (…)"

in "A United Kingdom? Maybe", NYT.

Não te fies no Figo, regressa à Figueira

Fevereiro 27, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: SCP, Sociedade 1 Comment →

Isabel Figueira Sporting(O admirável mundo do Futebol III/III)

O Bruno Sena Martins ignora o grande programa verdejante que está em marcha.

O pragmatismo dos que não têm margem para errar faz-se também poupando na conversão dos convertidos para investir nas almas disponíveis, promovendo o encontro pela alegria que é a melhor porta para se entrar no reino do Leão.

Mas basta de palavras, o Bruno fez a prova escrita e apresentou a contra-prova fotográfica. Os resultados não coincidem.

Em quê acreditar? Na imagem ou nas mil palavras?



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