Archive for the ‘Religião’
Maio 05, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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(I/III)
(II/III)
III/III
Há quinze dias chega-me a casa uma católica praticante com uma outra frase que me levou a esta que acabei de citar. [Mas se não acreditas em Deus como podes viver?] “Sabes que hoje o padre disse que devÃamos admirar os que não crêem?â€?
“Disse que há entre eles quem respeite o próximo, quem pratique o bem, quem sirva de exemplo sem qualquer esperança de recompensa, sem qualquer perspectiva mÃstica, sem ver um além.â€?
Quis o padre com isto embaraçar o rebanho, espicaça-lo à superação de acordo com a respectiva cartilha… A perspectiva de me identificar minimamente com aquele que o padre apontou na rua dos paradigmas teve a sua piada.
Bem haja a este padre! Que se faça esta luz - eis uma expressão com muita carga religiosa - entre todos os que crêem quando virem ali ao lado o quase ofensivo indivÃduo que sem orgulho e sem temor diz que não acredita em maiúsculas.
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Maio 04, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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(I/II)
Uma noite, à porta de uma discoteca, dois árabes muito muçulmanos (do Barhein), empunhando as respectivas Coca-Colas, discutiam afavelmente as diferenças dos respectivos mundos com um punhado de estrangeiros de diversas nacionalidades, portadores de cerveja, nos quais me incluÃa. Um estranho e feliz grupo que a globalização quis juntar em Espanha sob o patrocÃnio de uma multinacional americana.
A dado momento comentavam-se os regimes polÃticos. Os árabes defenderam as vantagens da monarquia ao que foram secundados pelos britânicos e espanhóis de serviço e contraditados pelo portuga e pelos italianos. Os monárquicos alegraram-se quando revelaram a transversalidade da importância histórica da monarquia.
Passou-se então para a religião e no pequeno punhado de gente à conversa havia quase de tudo. Faltavam um judeu e um budista para termos um digno lote de embaixadores. Mas havia, muçulmanos (sinceramente não sei de que orientação, é ir ver à enciclopédia na entrada Bahrein), havia hindus, havia cristãos para todos os gostos e havia eu.
Naquele momento em que revelei que não acreditava em Deus recaÃram sobre mim pelo menos dois tipos de veredictos. Por um lado o de alguns ocidentais de pouca fé que condescendiam na minha opção (talvez por se sentirem perto dela). Por outro lado, a dos crentes fervorosos: um protestante (já não me recordo de que paÃs nem de que igreja) e os muçulmanos. Foi contudo a frase de um dos amigos do Barhein que melhor sintetizou os olhares que me lançava este último grupo.
Mas se não acreditas em Deus como podes viver?
O peso do céu estrelado e do quarto crescente aumentou subitamente e a conversa terminou por ali assim como as bebidas.
Maio 03, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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I/III
Não tenho clube religioso. Tenho educação cristã sim senhor, tenho curiosidade pela religiosidade dos outros e num sentido muito amplo que podemos dar à palavra até me podem atribuir religiosidade. Também não sou militante contra quem tem fé. A única militância que pratico é a do meu direito a viver em paz com os outros, pensando e “acreditado” no que bem entendo em termos de religiosidade. Já muito antes de Saramago - desculpa lá pá - tinha encontrado algum conforto e pacificação no entendimento da fé dos outros: “se tu acreditas, Ele existe”, só e apenas assim e isso basta-me, tal como bastaria se ninguém acreditasse.
Com este princÃpio nunca tive chatices, nunca senti que alguém ficasse ofendido e nunca ninguém me aborreceu…ou quase nunca. Também nunca me demiti de fazer respeitar o direito dos outros, o mesmo que pedia para mim. À parte umas bem intencionadas e inócuas tentativas de conversão posso dizer que nasci em tempos agradáveis para ser não crente.
Mas…
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Abril 22, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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O Jumento lembrou bem e eu aproveito para comemorar.
Há 183 anos era abolido o Santo OfÃcio em Portugal. Terminara formalmente a inquisição. Tarde de mais infelizmente. Que permaneça morta e enterrada para sempre mas bem viva na memória dos que buscam a justiça.
Março 16, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Cinema, Religião
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O filme de Gibson
Pobres dos que encontram transcendência numa representação que explora o que há (e não há!) de mais grotesco no novo testamento.
Duas horas a ver saltar pedaços de carne e a ouvir estalar ossos numa tentativa deliberada de ir onde ninguém terá ido num filme do género.
Alguns escassos minutos de mensagem, demasiado escassos para que se entenda a violência, o exemplo. Demasiado escassos para equilibrarem psicologicamente quem assiste, para enquadrar a diabolização militante dos judeus - demasiado militante e demasiado crua para que não se leia nela uma generalização propagandÃstica, tenho que admitir.
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Março 15, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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Março 11, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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São tantas as toneladas de história, de maus pensamentos, de intrigas, de ódios, de morte, de sofrimento, que de certeza alguém ficará incomodado com as minhas palavras. Há uma brutal hipertrofia dos sensores da pele entre muitos. É compreensÃvel, mas há um limite. Há um ponto onde a compreensão tem de ser substituida pela indignação, pela absoluta denúncia da irreversibilidade do destino quando só cultivamos a expectativa do sofrimento e mais não fazemos do que tentar descobrir de onde ele virá, apontando-lhe uma arma vingadora.
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Fevereiro 12, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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MICROSOFT COM MEDO DA ESTRELA DE DAVID. A Microsoft resolveu fazer um update no Bookshelf Symbol, uma tabela de sÃmbolos gráficos que podem ser usados como fonte: «Critical Update for Windows (KB833407). This item updates the Bookshelf Symbol 7 font included in some Microsoft products. The font has been found to contain unacceptable symbols.» Recebo a novidade (uso Mac) através do Jaquinzinhos que dá conta dessa reforma no Bookshelf 7, de onde é retirada, por exemplo, a cruz suástica. Mas, ao mesmo tempo, a Microsoft inclui a estrela de David entre os «unacceptable symbols» – que desaparece do catálogo.
Escuso de comentar ou de juntar adjectivos. Protestos podem ser enviados para o endereço clientes@microsoft.com da MicrosoftPortugal, e para o Costumer Support do site da Microsoft.
Esta palermice billgateana não acontece nos Macintosh.
in Aviz
Aguardo a resposta da Microsoft ao meu e-mail.
Fevereiro 01, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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Imaginem que em Fátima num qualquer dia 13 do ano, todos os anos, morria gente. Por vezes um punhado de fieis, outras vezes centenas ou mesmo alguns milhares.
Não consigo compreender…
Janeiro 30, 2004
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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Hoje, com a calma que falta durante a semana, enquanto aguardo pela excessiva chuva que se preve para o Sábado, quedei-me alguns longos minutos pela Rua da Judiaria.
Deambulei um pouco pela blogoesfera e demorei-me por ali como se me assegurasse de ter encontrado um bom refúgio para algum momento de temporal.
É bonito, tem tutano para vários gostos e inspira serenidade. As minhas costelas judaicas ouvem com respeito e admiração o rabino.
Como se valesse de alguma coisa, apregou que podia muito bem ser o melhor blogue de Janeiro.
Dezembro 22, 2003
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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Numa melodia repetida ao longo das três estrofes ouço as vozes das mulheres da beira “contando com alegria”:
Ó meu Menino Jesus,
ó meu Menino tão belo,
logo vieste nascer
na noite do caramelo.
Entrai, pastores, entrai
por este portal Sagrado.
Vinde adorar o menino
numas palhinhas deitado.
Alegra os céus e a terra
Cantemos com alegria
Já nasceu Deus Menino
Filho da Virgem Maria.

Dezembro 17, 2003
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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Eventuais leitores da comunidade judaica,
Algum de vós me sabe dizer onde posso comprar um postal de boas festa (em Lisboa) cujo motivo seja a celebração do Hanukkah?
O melhor que arranjo é o belo postal na net…
Gostaria de poder retribuir os votos que recebi de uns amigos e ainda não encontrei nada além de meninos jesus (convenhamos que poderia ser ofensivo) e bonecos de neve…
Obrigado.
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Dezembro 13, 2003
By: Rui Cerdeira Branco
Category: Religião
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De volta ao frenesim.
Como sublinha o Paulo Gorjão, parece que não é só no Barreiro que se encontram exemplos admiráveis no interior da igreja católica. Quem conhece minimamente o percurso de D. Armindo Lopes Coelho não fica surpreendido com as suas afirmações relativas à questão do aborto.
Mais um contributo para a emancipação de alguma Igreja e de muitos católicos. Emancipação face a quem? Na nossa vida caseirinha, face, por exemplo, a alguns polÃticos que se auto-consagraram como autênticos bispos evangelizadores e recolectores do respectivo (suposto) dÃzimo eleitoral.
D. Armindo Lopes Coelho perturba ainda noutra matéria quando é peremptório no prognóstico das presidênciais na eventualidade de uma candidatura de António Guterres. Sairá vencedor diz o senhor bispo. Terá sido um acto de coragem? Uma prova de amizade? Ou será uma previsão baseada nos mesmos neurónios que o levaram às afirmações lúcidas que fez em matéria de aborto onde, curiosamente, se destaca claramente de Guterres? Não sei responder, mas,ainda assim, desconfio que não são afirmações de inspiração divina .
Novembro 22, 2003
By: Rui Cerdeira Branco
Category: As Crónicas e os Contos, Religião
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Quando não encontrou resposta, quando perguntou e perguntou e não obteve resposta terá surgido ao Homem a ideia de Deus.
O tempo passou e para novas e velhas questões o Homem foi encontrando algumas respostas. A ideia de Deus deixou de ser indispensável, foi possÃvel para alguns Homens relativizarem-na. Foi possÃvel viver sem ter todas as respostas, insistindo nas perguntas.
Nada disto foi linear, pode nem ter sido assim, sabemos apenas que houve e há um caminho doloros entre estas poucas palavras.
Atrevo-me a pensar, cá para mim, que há apenas um caminho para lidar com elas.
Seja bem vindo quem vier por bem. A paz esteja connosco.
Novembro 22, 2003
By: Rui Cerdeira Branco
Category: As Crónicas e os Contos, Religião
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O inÃcio do Homem terá muito provavelmente começado quando se formulou a primeira pergunta. O fim, para muitos homens, tem chegado quando insistem em repetir esse momento.
Muitos morreram hoje de fome, de doença… Quantos homens terão morrido hoje por terem feito a pergunta errada no momento errado, no sÃtio errado? Quantos terão perdido o emprego ou as aspirações na carreira? Quantos terão fugido do seu paÃs? Quantos terão renegado a pergunta para poderem viver? Quantos terão encontrado uma resposta? Quantos terão compreendido?
O fim do Homem virá muito provavelmente quando houver Homens a menos no lugar certo, no momento certo, com a pergunta certa à procura de uma resposta.