Archive for the ‘Religião’
Sem saudades da Idade Média e das Cruzadas
Só para que conste continuo a afastar-em cada vez mais da igreja católica e de alguns católicos. A defesa que vou ouvindo do que se está a passar em Dili (Timor Leste) vai ajudando. Por outro lado, não esqueço a autêntica lavagem cerebral a que (outrora?) sábios católicos se parecem ter entregue. Por momentos parecem acreditar que o espirito santo determinou 2000 anos de nomeações papais. Se assim for, dizer que Deus escreve direito por linhas tortas é claramente um dos maiores “understatements” da história (refiro-me ao grau de sinuosidade das linhas).
E mais não digo que os tempos recomendam a reflexão dos ateus/hereges/agnósticos. Ao menos alguém que consiga fazer esse trabalho de casa. Muito em breve teremos um tempo para a palavra.
Recorte da blogoesfera
E com estas palavras que se seguem do Terras do Nunca, inicio e findo tudo o que tenho a dizer sobre o papa:
” Fé - caso prático
De Ratzinger, reaccionarÃssimo assumido, dizem agora muitos que será Papa surpreendente e bom. Homens e mulheres de fé, está bom de ver.”
Oração aberta
Ninguém está livre de ser vidente de coisa aquém e além desejada. Coisa real ou sobrenatural, percebida ou imaginada.
Também ninguém está livre de ser assaltado por uma, muitas legiões de seguidores que acreditam por nós e/ou como nós.
Pela minha parte, se tiver tal sorte, renuncio desde já aos dias de luto a haver em minha memória.
Façam desse dia um dia de luta à infantilidade e à mal querença.
Sejam pastores e não carneiros. Sejam lúcidos e amem!
Amém.
Re: Politicamente correcto (act.)
Para quem quer ler pouco:
A propósito da inscrição que encontrei no meio de uma exposição que nos acompanha pelas ameias de Ã?vila e que aqui reproduzi com um breve comentário no passado dia 7 em “Detalhes de Férias - Ã?vila e a Construção Colectiva”, o ABRUPTO ligou o detector de tiradas “politicamente correctas” e apresenta-nos um sublinhado que nos aviva a memória para a inexistência histórica de uma muralha de Ã?vila resultante de um esforço colectivo de cristãos, judeus e árabes. Pois que não é para “comemorar a amizade entre os povos e religiõesâ€? nem para celebrar “ a sociedade sem classes (os “homens livresâ€? e os “servosâ€? que nela trabalharam)â€? que se constróem muralhas. JPP termina sublinhando que esta forma de pensar é “pateta e perigosa”.
Assim postas as coisas quem se atreve a discordar…
Quando li as palavras de bronze pela primeira vez lá no alto das muralhas não me alarmei com uma eventual verborreia propagandÃstica. O local onde estava, além de ter sido um muito relevante instrumento militar, foi e é ainda hoje um exemplo notável do engenho humano. “Vi” também que ao longo da sua reconstrução e nos anos seguintes (já existira nos tempos do Império Romano), houve contributos de árabes, judeus e cristãos para a sua concretização. Objectivamente, houve indivÃduos das três confissões que de livre vontade povoaram a região com o acordo dos vencedores do momento e, também objectivamente, conseguiram produzir o exemplo magnÃfico do engenho humano que ainda hoje testemunhamos.
É verdade que com a mesma objectividade “Avila se habÃa convertido en una de las principales defensas de la cristiandad frente al invasor musulmán. “.
É verdade, também, que séculos passados existiu a santa inquisição e a perseguição e expulsão dos judeus. É até verdade que foi em Ã?vila que repousaram os restos mortais de Torquemada. Mas é igualmente verdade que nem no século XI havia demasiadas certezas quanto ao inimigo ao ponto de podermos hoje encontrar esta contradição aparente de se fazer a guerra ao muçulmano admitindo em certas condições conviver simultaneamente com ele. Seriam as muralhas de Ã?vila o que são sem os pedreiros árabes ou sem os ferreiros judeus? Era tão só essa a resposta que julgava encontrar naquelas palavras de bronze. Estávamos na presença de um colectivo fraterno marcado por um ecumenismo idÃlico? Não sei, sei que algo se conquistou nesse sentido, algo que muito significativamente se veio a perder depois. Julgo que foi esse sublinhado de uma fracção mais positiva do legado histórico que vi exaltado naquelas palavras e foi exactamente isso que me inspirou com a honestidade de recordar “Entre as memórias mais negras do tempo dos homens que por ali deixaram vida encontram-se os ecos do passar dos inquisidores, dos autos de fé, de superlativos “comandantes”. As outras “muralhas”, portanto. Faltou-me talvez sublinhar de forma mais impressiva o Al-Andaluz e a reconquista. Em suma, prefiro sublinhar esse pedaço da história e guardá-lo como possÃvel o que não me vincula a resumir a isso o meu livro de história.
Para quem quer ler mais um pouco:
Nas muralhas de Ã?vila lembrei-me do que conheço do nosso paÃs pelas alturas do inÃcio da nação. Lembrei-me das imensas tonalidades de cinzento por que (também) se pautava a polÃtica daquelas eras. Lembrei-me das alianças estratégicas entre vencidos e vencedores - veja-se o exemplo dos árabes (futuros saloios) que permaneceram nos arrabaldes de Sintra após a conquista de Lisboa e que objectivamente ajudaram à implantação do reino cristão - ou mesmo das alianças entre inimigos de fé que pontualmente surpreendiam uma terceira parte inimiga natural de uns, mas amiga de outros - quantas vezes se aliou Castela ao Mouro para conter as intenções expansionistas do nosso primeiro Afonso e vice-versa?
Nem sequer a reconquista foi um processo linear, simplista, do bem contra o mal, tal como a inquisição não encontrou os judeus acabados de sair de Israel com o sangue de cristo nas mãos. Algures pelo meio de tempo da história também houve um tempo para um esforço colectivo que, convenções semânticas à parte, encerra memórias positivas. Descontando a hipótese da absoluta ingenuidade do receptor, destacar esse “bom exemplo” dos anais da história é tão estúpido e perigoso como recordar apenas o som de espadas e alfanges.
E que melhor exemplo temos nos dias de hoje, sobretudo hoje!, para os espantosos exemplos do engenho humano que aqueles que vêem do melting pot dos Estados Unidos da América? O mesmo sÃtio de onde se poderão formar algumas das memórias mais negras do tempo dos homens se não se investir também no compromisso de procurar a amizade entre os povos e religiões.
Já agora deixo-vos mais alguns detalhes da muralha que assim acabam por vir a propósito.
“Hecha la muralla se necesitaba poblar, gobernar y organizar la defensa de la ciudad y la región. Las distintas clases y oficios fueron las que formaron los barrios de la ciudad. Nobles con sus mesnadas, judios, árabes, molineros, labradores, canteros etc. se repartieron el territorio amurallado y sus proximidades, ocupando una zona concreta de la ciudad. Se formó un ejército de 300 jinetes, y para la defensa de las aldeas y pueblos de la comarca otro de 200.
Pronto estos ejércitos se hicieron famosos por su valentÃa y arrojo en la lucha contra los musulmanes. Grandes jefes los dirigieron y pasaron a la historia, como Nalvillos al cual denominaban “Cid de Avila” e incluso “Rey Nalvillos”. Era tal la destreza, valentÃa y fidelidad de los caballeros de Avila, que lucharon en innumerables batallas en toda la penÃnsula al servicio del Rey e hicieron que la ciudad posea los tÃtulos reales de “AVILA DEL REY”, “AVILA DE LOS CABALLEROS” y “AVILA DE LOS LEALES”. in Avila Net
Um outro tipo de ecologia
Ainda a propósito do terror e matérias afins proponho um lema simples descoberto há muitos anos: conhecermo-nos a nós, conhecer o outro.
Acho que este é o único caminho seguro para enfrentar os nossos males do mundo e para reagir a qualquer provação. Aliás este lema não é uma reacção pontual, é tão simplesmente algo que nos deve acompanhar permanentemente.
É um lema transversal aos ditos e escritos de várias religiões (ainda que humanamente ignorado), é também um dos fundamentos do humanismo renascentista europeu se a história não me falha. Há maior deslumbramento, melhor surpresa do que estar atento ao outro seja ele um filho, um amigo, um desconhecido, um estrangeiro ou mesmo um antepassado?
É importante ser curioso, é importante estar atento, é importante termos liberdade, uma coisinha que se mima e vive de mimos.
Liberdade para perguntar, liberdade para viajar, liberdade para saber.
Esta batalha pelo conhecimento mútuo é a única que verdadeiramente interessa. Um desafio que permanece latente, imperturbável e incontornável seja qual for a moda polÃtica ou social de cada ocasião.
Foi, é e será sempre preciso abrir a porta, espreitar, oferecer a mão aberta, mostrar os dentes, sorrir. Este é um irrenunciável “risco” que todos temos de saber correr sob pena de nos destruirmos mutuamente.
Mas estes ancestrais gestos só são possÃveis pela proximidade e nunca pela distância. E estar próximo faz-se por um caminho, por muitos caminhos.
O destino destas andanças é das poucas coisas que mais aquecem a nossa precária existência e está ao dispor de todos independentemente do credo, fé ou condição. Perante esta preocupação basilar discutir Deus é secundário ou, para alguns, a mesma coisa.
Apenas este árduo caminho de saber, dar e receber será seguro. Acho que é por aqui que temos todos de assinar por baixo e deitar mãos à obra, em cada dia, até ao nosso fim.
Por vezes esqueço-me, por vezes é difÃcil saber como, mas há tarefas bem mais difÃceis, convenhamos! Exige apenas disponibilidade e o melhor que há na nossa humanidade. Recursos próximos e renováveis, portanto!
(Também na GLQL)
As palavras dos outros
Dois links para a Grande Loja, não para textos meus, mas para os dois últimos textos do “Manuel”:
Matrix que é quase o estatuto “editorial” da Grande Loja (mais alguns detalhes sobre o caso da Casa Pia);
E um outro intitulado um blasfemo autêntico… que aborda uma polémica com o AAA do Blasfémias na qual se opõem duas das “correntes” que por estes dias (e pelos séculos passados!) laboram numa das mais surdas guerras no interior da Igreja Católica Apostólica Romana.
Lamego
Em Lamego ontem, ainda antes do jogo a cidade estava cheia de bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas. Ainda pensei que o fervor nacionalista fosse por lá superior do que o da capital mas hoje de regresso percebi a “inflação” de bandeira que também por aqui ocorreu durantes estes últimos quatro dias.
No meio da poluição verde-rubra houve uma outra bandeira que me chamou a atenção lá em terra de Rangers…

Grato ao Leonel Vicente que ajudou nos detalhes téccnicos para se visualizar o boneco.
Terras ditosas
O Lutz, o Timshel, o Marco Oliveira o Cibertulia, o A bordo, o Rui Almeida, o Guia dos Perplexos, o PorfÃrio Silva e o PartÃculas Elementares (espero não esquecer ninguém) vão dinamizando nos seus blogues e neste outro com o feliz nome de Terra da Alegria uma conversa estimulante sobre religião e afins.
O que é que o riso tem a ver com a religião, por exemplo? Passem por lá (pelos blogues e pela Terra da Alegria) e entrem na conversa se assim entenderem ou então fiquem a ler silenciosamente com um sorriso nos lábios e uma satisfação na alma (ou seja lá o que for essa coisa que outros também chamam alter ego).
Para o caso de vos estar a passar despercebida fica o mais que merecido destaque.
Os ateus e os outros
Os conceitos confundem-me um pouco, falo de ateÃsmo, agnosticismo. Nunca me sinto muito confortável a autoclassificar-me quando alguém me pede um rótulo. O mais adequando para os ouvidos de alguns interpelantes será talvez “herege”. Baptizado que não acredita… Outros mais ecuménicos, tolerantes ou ainda evangelizadores dizem-me que não, que para ser herege teria de ter confirmado o crisma. Falo do universo católico que me rodeia, naturalmente.
Passo por alguns blogues ateus e julgo perceber neles algo mais do que um não acreditar, antes um anti-acreditar, uma definição pela negativa, a mesma sobranceria e segurança moral que me ameaça naqueles que me desdenham ou estranham do alto da sua religiosidade formalizada.
Se tenho as minhas indignações e perspectiva muito caustica da herança de interacções religiosas havidas na história da humanidade, também é verdade que não me identifico com o mesmo processo (a tal rejeição tendencialmente violenta e absoluta do outro) só porque o executor se diz estar do “meu lado da barricada�.
Ser ateu para estar do outro lado da barricada leva-nos exactamente ao mundo de incompreensão que se gera entre dois religiosos que se olham mutualmente como infieis.
A essa missa eu também não vou.
Da Moral…
Segue texto do Sérgio.
Rui,
Tenho andado nas duas últimas semanas arredado da internet (trabalho e outras preocupações consumidoras de tempo) e por isso ainda não tinha lido as entradas sobre moral no teu blog.
Se não interpretei mal, ouve alguém [o timshel] que disse que a moral resultava da religião pois esta impunha-a (Sem uma referência a um direito de origem divina não é possÃvel nenhuma fundamentação teórica válida de uma obrigação moral absoluta). Para mim, esta é uma visão muito aterradora pois jamais atribui um papel emancipado ao ser humano (não se acredita nas capacidades do ser humano).
Falando agora de matemática. Um blogger sentiu a necessidade de matematizar esta questão. Excelente ideia pois ela é a linguagem universal.
Acho que a moral pode ser explicada pela teoria de jogos!
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Da tolerância
Meu caro Timshel,
A propósito do problema puramente intelectual que me colocas-te a propósito deste texto tenho apenas de reforçar aquilo que o Lutz em muito boa hora escreveu e acrescentar no final um detalhe.
É para mim difÃcil aceitar a premissa do absolutismo conferido por um direito de origem divina versus relativismo de um direito de origem secular, se quisermos chamar-lhe assim. Esta estranheza acontece muito provavelmente porque, como escreve o Lutz, esteja sistematicamente a ser convidado a olhar comparativamente os códigos de várias sociedades, colocando-me ora pairando sobre o mundo ora sentindo-o na casa do vizinho e na minha própria casa. Observando ainda que pouco mais do que superficialmente diversas religiões e os seus percursos históricos, o próprio carácter absoluto, dogmático, de certos princÃpios surge (para não dizer mais), camuflado de tal forma que na prática foi bem diferente (relativo) em distintas épocas.
O que é o mal ou o bem nunca foi suficientemente perene em muitas religiões para que possas considerar inatacável essa caracterÃstica de fundamentação absoluta a uma moral que atribuis a um direito de origem divina. Será o destino das religiões nunca encontrarem testemunhas que as mereçam e deixarem-se sempre ser manipuladas pela “consciência moral colectivaâ€? de que falas? Da mistura, da correlação de poderes de que o peão da religião não está isolado resumes o problema da fundamentação divina versus profana a um único dilema. Isto porque o divino se traduz no religioso, o teórico na prática.
Mais perguntas: o teu actual momento da história é mais válido que o dos cristão que durante a 2ª Guerra Mundial se colaram ao nazismo para usares o exemplo que referes? Uma religião é outra coisa que os seus religiosos/crentes?
Enfim, repito questões mais ou menos clássicas que ajudam a recusar um raciocÃnio meramente lógico, ou teológico numa espécie de sentido estrito.
Podemos discutir que falo de interpretações, que as palavras nunca mudaram, que teoricamente… Mas julgo que é fraca essa defesa quando o que pões em causa na moral do leigo descrente é precisamente o impedimento de qualquer julgamento de validade sobre uma qualquer obrigação moral. Não há matérias estanques, e seguramente os axiomas religiosos com o devido tempo têm demonstrado um evidente grau de permeabilidade. Vamos destruindo para (re)construir sempre.
Bom, mas com isto tudo acabo por fugir a outra questão. Onde vou eu, leigo sem fé, encontrar a minha âncora, o meu referencial? Como o Lutz muito bem enuncia, não nego estarmos perante um paradoxo pessoal: “Posso observar a moral como variável e um produto da sociedade, mas não me é possÃvel viver segundo uma moral relativa.â€? Em suma diz: eu preciso de um axioma! Mas acrescenta: “Só que a assunção do axioma não elimina a minha observação anterior: a da sua arbitrariedade.â€?
O Lutz remata que a moral pessoal funda-se nas consequências retiradas dessa observação que o levam à tolerância, ou melhor, continua, à permanente desconstrução dos edifÃcios que tende a ir erigindo em torno de um axioma sempre demasiado limitativo.
Com a apresentação deste processo de construção de uma moral e com a formalização parcial da mesma que os regimes democráticos permitem através do Estado de Direito, encontramos uma hipótese de satisfação básica das nossas necessidades de entendimento, uma alternativa à indispensabilidade de uma religião que, contudo, não nega ou recusa. Temos um modelo tolerante para usar, julgo que não abusivamente, o termo do Lutz.
Uma nota final. O conceito de tolerância… Vejo-o ser usado demasiadas vezes com uma conotação passiva, quase paternalista. Há os tolerantes e os intolerantes? Parece-me demasiado redutor eleger esta dicotomia como preponderante. Redutor mas tanto mais aceitável quanto mais estes forem tempos de fundamentalismo. Infelizmente, por isso desconfio que tenhamos de andar a marcar passo num outro projecto mais ambicioso de entendimento.
Conformando-me com o conceito de tolerância, prefiro sem dúvida o esclarecimento final do Lutz que o apresenta como um processo. O axioma corre o risco de só o ser enquanto processo de pesquisa e prova de uma curiosidade militante que nada rejeita para se ir reconstruindo. Desse “axioma� e deste relativismo faço a minha “profissão de fé� e a minha roupa moral e respectiva fundamentação.
A antinomia fundadora continuação (A Questão Maiúscula)
Responde o Lutz à interpelação do Timshel
Timshel, o problema reside, no meu entender, na questão se, quando escreves o post/comment, estás fora do contexto social (com os seus códigos socialmente determinados) ou dentro. Visto de fora, parece-me evidente, que cada cultura/sociedade tem os seus códigos socialmente gerados e determinados, mas que parecem absolutos aos que estão dentro.
(Onde essa contradição deixa de ser oculta, é na forma como tratamos, pelo menos nas democracias, as leis normais: concordamos ou não com eles, lutamos eventualmente pela sua alteração, mas enquanto valem, merecem-nos respeito.)
Acho que nós contemporáneos da aldeia global estamos, talvez pela primeira vez, na condição de olhar comparativamente aos códigos de várias sociedades, inclusive a nossa, e assim de estar ao mesmo tempo fora e dentro (com todos os problemas de auto-referencialidade, que este facto acarreta).
O resultado é um paradoxo: Posso observar a moral como variavel e um produto da sociedade, mas não me é possÃvel viver segundo uma moral relativa.
Essa incapacidade exige de mim o estabelecimento ou a assunção dum axioma.
Só que a assunção do axioma não elimina a minha observação anterior: a da sua arbitrariedade.
E daà parece-me resultar a seguinte exigência ética: Devo integrar na minha moral as consequências tiradas desta observação! Cuja prÃncipal é: tolerância.
Não tenho grandes conhecimentos da lógica nem da matemática, mas lembro-me que um axioma é tanto melhor quanto mais genérico é. Por isso empenho-me, reconhecendo a minha necessidade do axioma, desse núcleo religioso, na permanente desconstrução dos edifÃcios que nele tendo erigir.
A questão Maiúscula - reacções
É algo angustiante mas hoje tem sido e continuará a ser impossÃvel dar resposta condigna à interpelação do Timshel (ver comentários ao texto). O trabalho está primeiro. De qualquer forma destaco aqui o texto do Timshel a esta triologia preparando o eventual leitor para a resposta.
Aliás, lá mais para o fim da tarde darei destaque à interessante resposta que o Lutz deixou noutro comentário da mesma mensagem. Fica muito bem entregue o Adufe hoje :-)
«Desculpa fazer um copy and paste de um post que fiz há uns tempos atrás mas gostaria de saber a tua opinião sobre ele:
“A obrigação moral ou assenta em axiomas ou então é um mero produto de relações de forças conjunturais localizadas no tempo e no espaço. Nesta última perspectiva, ela varia ao sabor das circunstâncias.
Sem uma referência a um direito de origem divina não é possÃvel nenhuma fundamentação teórica válida de uma obrigação moral absoluta. Poder-se-á dizer que as regras da convivência entre os homens produzem essa obrigação moral sem necessidade de recorrer à sua fundamentação divina.
Mas essa afirmação impede qualquer julgamento de validade sobre uma qualquer obrigação moral. Na medida em que as circunstâncias sociais se alterem, a tortura, o assassÃnio, ou todo e qualquer comportamento criminoso podem deixar de o ser. O direito sem esta fundamentação divina é apenas o produto de uma relação de forças, a lei do mais forte.
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A Questão Maiúscula III/III
III/III
Há quinze dias chega-me a casa uma católica praticante com uma outra frase que me levou a esta que acabei de citar. [Mas se não acreditas em Deus como podes viver?] “Sabes que hoje o padre disse que devÃamos admirar os que não crêem?â€?
“Disse que há entre eles quem respeite o próximo, quem pratique o bem, quem sirva de exemplo sem qualquer esperança de recompensa, sem qualquer perspectiva mÃstica, sem ver um além.â€?
Quis o padre com isto embaraçar o rebanho, espicaça-lo à superação de acordo com a respectiva cartilha… A perspectiva de me identificar minimamente com aquele que o padre apontou na rua dos paradigmas teve a sua piada.
Bem haja a este padre! Que se faça esta luz - eis uma expressão com muita carga religiosa - entre todos os que crêem quando virem ali ao lado o quase ofensivo indivÃduo que sem orgulho e sem temor diz que não acredita em maiúsculas.
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