Adufe sans frontiers

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Religião’

Haverá relação entre o celibato e a pedófilia?

Março 15, 2010 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião, Saúde No Comments →

Uma amiga, insuspeita de estar enviesada em prol da Igreja, desconfia que há uma desproporção na perceção da gravidade da pedofilia no seio da Igreja à conta da exacerbação mediática. Será? Como gostava de ter estatísticas sobre a prevalência de casos de pedofilia entre Igreja com e sem obrigatoriedade do celibato.
Entretanto este texto do Bruno Sena Martins (antropólogo) deixa-me a matutar: Celibato e Pedofilia.

O Padre, o árbitro, os media e uma anedota que é notícia (no bom sentido, espera-se)

Março 25, 2009 By: Rui Cerdeira Branco Category: Media, Religião, SCP 1 Comment →

A e B foram à missa contaram a história a C que contou a D que pôs no blogue que é lido por E que pediu detalhes para contar a F que escreveu em G cujas histórias são publicadas por H, I J, L. M, N, O, P, Q… Quanto aposta que chega à televisão?

Eis o que D escreveu no seu blogue: “Até morrer Sporting Allez

ADENDA: Escreve e muito bem o Miguel Marujo:

“Um padre faz uma piada, mas (percebo agora) o humor está-lhes vedado… Primeiro: na missa não cabe o futebol (dizem-me; cabe tudo, cabe a vida toda); segundo: não cabe o humor (e afinal, estão quase de acordo com Ratzinger); terceiro: os jornalistas são muito ignorantes (e não vale a pena mandá-los aprenderem; sabem tudo, lido em 1200 caracteres). Santa paciência!”

É nestes momentos que espero estar do lado errado da verdade absoluta.

Julho 14, 2008 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião, Sociedade No Comments →

Conheci brevemente o Padre António Sobral, pároco na cidade do Barreiro durante mais de trinta anos. Conseguiu ser respeitado e admirado numa terra predominantemente anti-clerical, o que se atendermos ao período histórico em questão é de si sinal de singularidade humana.
Do contacto que tive julgo ter percebido parte do porquê. A forma como abruptamente se rebelava contra a superficialidade e a beatice, o empenho que dedicava aos que mais necessitavam preterindo o paternalismo, o elitismo e o seu estrito interesse pessoal, o modo franco e genuíno com que interpelava crentes e não crentes, ficam-me na memória, junto de exemplos grandes de homens mais mediáticos que em bom rigor não conheci melhor.

Não sendo propriamente um repositório de fé na acepção cristã do termo (e agora falo de mim), o contacto com o Padre Sobral permitiu-me reforçar que há tanto de profundamente errado num proselitismo forçado quanto num ateísmo militante. Permitiu-me também reforçar a ideia de que há imensas igrejas dentro da ICAR. Algumas delas empenhadas e particularmente capazes de serem parte da solução para muitos dos problemas que todos em conjunto enfrentamos.

Singularidades admiráveis no exemplo de vida que alguns de nós conseguem construir tornam apenas mais evidente quão disparatado é cairmos em generalizações simplistas. E alerta-nos também para um paradoxo aparente. Sendo certo que as generalizações, irmãs de um mundo a preto e branco são meio caminho para a incompreensão, é também certo que há de facto uma batalha ética e moral em que todos, crentes, não crente e anti-crentes estamos todos envolvidos.

Não acredito que haja vida além desta que conhecemos, terrena, mas em dias como este espero estar do lado errado da verdade absoluta.
Obrigado, António Augusto Sobral.

“Faleceu durante a madrugada de hoje, aos 77 anos, Padre António Augusto Sobral, responsável pela Igreja de Santa Maria durante mais de 30 anos no Barreiro, tendo também sido director do Jornal do Barreiro durante 21 anos.

O corpo estará na Igreja de Santa Maria no dia 16, próxima quarta-feira, a partir das 18h30, onde serão celebradas as exéquias fúnebres, sendo transladado na quinta-feira, às 8h30, para o cemitério de Elvas onde será cremado.

António Augusto Sobral foi director do Jornal do Barreiro desde 29 de Maio de 1975 até 21 de Março de 1997. Natural de Viseu mas há mais de 30 anos no Barreiro, esteve ligado ao Corpo Nacional de Escutas, à Caritas Paroquial e foi o principal fundador do Centro Paroquial Padre Abílio Mendes. Em 2002 foi distinguido como Profissional do Ano pelo Rotary Clube do Barreiro e em 2004 com a Medalha de Mérito Municipal de Ouro.”

in Jornal do Barreiro, 14 de Julho de 2008

Pai, quando eu ofereço uma prenda no Natal estou a ser hipócrita?

Dezembro 11, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Religião 3 Comments →

Adoro oferecer prendas. Adoro receber prendas. Desconfio que haverá muito poucas civilizações presentes e passadas que não tenham reservado um momento, uma época para festejar colectivamente o amor. Acho inspirador o genuíno espírito natalício seja ele o pagão, seja o cristão, ou algo parecido que caiba noutra religião e que se comemore por estes dias.
Acho tristíssimo que a mensagem se perca, tal como acho tristíssimo que se ponham todas as culpas em cima do (inegavelmente poderoso) sistema de indução ao consumo patrocinado por quem quer vender.
Festejar o Natal não é hipócrita. Só é hipócrita quem diz festejar e ignora ou chega a abominar o que é suposto estar a representar. Desesperadamente triste é quem oferece prendinhas exclusivamente por obrigação. Por outro lado, acho revoltante que se confunda com estes todo aquele que quer festejar efectivamente. Uma festa que, sublinhe-se, é por definição transbordante. E aí, a culpa para o mau ambiente, meus caros, não está em quem é triste por si, está antes em quem só sabe apontar o dedo. Em quem não faz o mínimo esforço por compreender o que vê, em estudar minimamente os símbolos em presença, em quem vê na generalização todo um programa simplificado e perfeito.
A minoria existe – não sei sequer se é minoria, e nem isso é minimamente relevante – mas o que é certo é que existe, é que se anima, é que festeja de facto a partilha com os outros. Basta um para poder dar essa garantia.
A superioridade moral é uma coisa…

Boas festas!

P.S.: continuo tão herege como no dia em que fiz A pergunta.

Embrulho natalício – versão AAA/DO

Dezembro 03, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Educação, Política, Religião No Comments →

Eu hoje até podia falar daquele penalti falhado pelo Paulo Bento ou mesmo dessa novíssima região muito rica e desenvolvida que o governo descobriu entre o eixo Sines-Beja mas prefiro cirandar por uma prosa mais natalícia. Convido o leitor a apreciar como com um pouco de memória se pode fazer um dos melhores embrulhos de natal. Amen.

O mundo imperfeito

Setembro 12, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Justiça, Política, Religião No Comments →

Afinal, ainda cá volto. O melhor post do dia está aqui com a devida ilustração. E agora um roubo:

"O Dalai Lama ri às gargalhadas enquanto fala e caminha. As pessoas sérias, como o Papa, não dão gargalhadas: abençoam e rezam, e depois, abençoam e rezam. As gargalhadas autênticas e sonoras estão compreensivelmente reservadas aos anjos, aos loucos e às crianças; quero dizer, aos verdadeiros inquilinos do reino dos céus."

Isabela in O Mundo Perfeito

Shalom; Salem

Setembro 12, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião No Comments →

  • Começa hoje o ramadão (na maior parte do mundo muçulmano). 

Alguém conhece um blogue muçulmano (ou de um muçulmano) escrito em Portugal? Desde o encerramento já longínquo do Resistência Islâmica que não sei de nenhum.

Onde estás?

Setembro 06, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião 1 Comment →

"(…) Isto é típico dos católicos: fazem boas perguntas, mas não aceitam a resposta." Para uns será provocação, para outros mais uma acha para a fogueira da reflexão. O texto integral que acompanha este remate está no "A Vida Breve". Sublinhe-se que Madre Teresa e Calcutá e Bento XVI estão implicados.

God’s Gonna Cut You Down – Johnny Cash

Agosto 07, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Poesia e Música, Religião, Video 3 Comments →

Quando o fantástico e o singelo formam um só heart beat, na música e no video.

Do melhor que conheci através do You Tube. Menos de 3 minutos de Johnny Cash e famosos amigos: God’s Gonna Cut You Down.

Aprender com as formigas

Maio 23, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Palavras dos Outros, Religião No Comments →

Excerto da National Geographic portuguesa de Maio de 2006.

Entrevista de Tim Appenzeller a Edward O. Wilson:

" (…) NG: É óbvio que encontra uma certa espiritualidade na natureza, um encantamento. Como encontra sentido num mundo que surgiu devido a mutações casuais e à selecção natural?

EO Wilson: A mente humana evoluiu para procurar um sentido. O universo é tão belo, complexo e surpreendente… Tal como a vida. Lembre-se da frase de Darwin: "Formas de vidas infinitas, belas e maravilhosas, estiveram e estão a evoluir." Hoje, temos mais indícios disso do que Darwin. Compreendemos isto até ao nível molecular; quão extraordinária é a vida enquanto fenómeno. Só isso convida mais à espiritualidade do que qualquer outra coisa fornecida pelos escribas de um reino do deserto da Idade do Ferro que escreveram a Bíblia Sagrada. Eles criaram uma obra literária impressionante. Mas não compreendiam verdadeiramente o mundo que os rodeava ou as estrelas do céu. Transformaram-nos em metáfora, atribuíram-lhes características poéticas, fizeram o melhor que podiam. Mas ainda assim, ficaram aquém daquilo que a humanidade consegue sentir no que respeita ao sagrado e à beleza estética. (…)

 

Javé não é flor que se cheire

Maio 23, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Religião No Comments →

Eu já desconfiava… Sou daqueles que não se sentindo filiado em nenhuma das organizações religiosas disponíveis, nem na verdadeira (a do leitor), nem nas outras, têm uma ideia muito vincada sobre o que acham que deveria ser Deus. Há terceira ou quarta praga das dez que se enunciam no livro do Êxodo fiquei a torcer pelo Faraó… Em nome do fair play.

Help!

Abril 21, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Pessoal, Religião Comentários Desligados

Pergunta que me sobrou de ontem: um incréu pode pregar o ecumenismo?

Eles perguntaram (act. II)

Abril 20, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa, Religião 12 Comments →

Nas cerca de duas horas em que estive no Largo de São Domingos perguntaram-me se era ali que a Câmara ia acender 40mil velas pelos judeus mortos e se era ali que se ia inaugurar o monumento ao judeu de Lisboa… Depois perguntaram-me também, em várias línguas, o que se celebrava ali. Estavam menos de 20 pessoas em volta de uma Oliveira enfeitada com velas entre as raízes e ainda assim (talvez por isso) as pessoas que passavam aproximavam-se e perguntavam… O que é?

Falei com uma simpática beata da Igreja Católica (plena de contradições que me escuso documentar) que desconhecia este episódio da história daquele lugar, falei com uma turísta que repetiu a viagem e o inquérito para saber exactamente o que se comemorava, falei com outro casal que ficou admirado pela distância (500 anos) face ao evento. Mas a noite, além da companhia dos que por ali partilharam com saudável cumplicidade a humilde homenagem (com cerca de 80 velas que ficaram ardendo encostadas ao aconchego da parede do edifício fronteiro à Igreja), trouxe ainda uma longa conversa que eu e a Cláudia tivemos com um curioso e simpático casal caravanista alemão (de Munique/Lago Constança). As perguntas que o homem fez fizeram-me lembrar muito as tuas Lutz: as perguntas dele aos pais enquanto jovem (era homem para estar nos 40) para tentar comprender a história recente da Alemanha, a curiosidade quanto à forma como os portugueses encaram uma memória destas com 500 anos e porque o fazem. E ainda a surpresa por se tratar de uma homenagem pública pioneira e não um hábito antigo… Acabámos falando do encanto pelas viagens, do futebol e da surpresa muito agradável que parecia estar a ser a cidade de Lisboa para eles… e se calhar um bocadinho para nós também.

No final da noite chegou a cacimba, amainou o vento que insistia em apagar as velas e ficaram  três zeloso polícias, a ver-nos virar a esquina. Sim: a homenagem, a lembrança. E mais nada? Eles perguntaram, houve mais qualquer coisa. E ainda bem que assim foi.

Não foram 4 mil velas (lá) Nuno, mas valeu bem a pena.

Adenda: referência na Sic a que cheguei pela Lua

Adenda II: referência hoje na capa (fotografia) e página  13 do Público (Maria José Oliveira) e página 22 no Diário de Notícias (Fernanda Câncio)

Mais logo no Largo de São Domingos ao Rossio

Abril 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa, Pessoal, Religião 1 Comment →

É curioso saber que o estimado Gabriel Silva teve conhecimento da Matança da Pascoela de 1506 atraves deste post do Adufe, datado de Agosto de 2003. Falar do sucedido tem também (essencialmente!) uma função de "serviço público", como se constata.

Hoje, Quarta-Feira, quando a noite ocupar as ruas de Lisboa irei ao Rossio (Largo de São Domingos) com uma pequena luz na mão, tentando resgatar essa memória. 

"A que horas vais?" Perguntam-me alguns leitores pelo correio. Eu estou a pensar passar por lá e por lá ficar um pouco, por volta das 21h00. E espero que fique lá por mim, durante mais algum tempo, ao menos uma vela.

Adenda:

Haverá também quem por lá passe a partir das 20h

Adenda II:

E haverá ainda que por lá passe a partir das 19h (I e II

- Para actualizações ao blogue consulte o post anterior –  

… começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas rua…

Abril 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Lisboa, Religião Comentários Desligados

21h00? Porque não? 

Republica-se um excerto da Rua da Judiaria [texto de Damião de Góis (ligação para uma bibliografia ficcionada) (1502-1574)]:

«500 Anos: O massacre de Lisboa V

March 27th, 2006 – Testemunhos

Antes que el Rei fosse de Lisboa para Almeirim, ordenou Tristão da Cunha à Ã?ndia por capitão de uma armada, da qual, e do que nesta viagem se fez se dirá adiante, no ano de mil quinhentos e oito, em que tornou. Pelo que nestes dois capítulos, que são já derradeiros desta primeira parte tratarei de um tumulto, e levantamento, que aos dezanove dias de Abril, deste ano de mil quinhentos e seis, em Domingo de Pascoela fez em Lisboa contra os cristãos-novos, que foi pela maneira seguinte.

No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, e os corpos mortos, e os meio vivos lançavam e queimavam em fogueiras que tinham feitas na Ribeira e no Rossio a qual negócio lhes serviam escravos e moços que com muita diligência acarretavam lenha e outros materiais para acender o fogo, no qual Domingo de Pascoela mataram mais de quinhentas pessoas.

(mais…)



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