MEP: fim de ciclo para mim
A quem possa interessar:
“Caros conselheiros,
permitam-me algumas palavras de despedida uma vez que me vou desfiliar hoje do MEP. (mais…)
A quem possa interessar:
“Caros conselheiros,
permitam-me algumas palavras de despedida uma vez que me vou desfiliar hoje do MEP. (mais…)
I
Poderá um partido reclamar o apoio de quem se revê no centro moderado ao mesmo tempo que publicamente assume como posição oficial ao nível dos direitos civis algo muito próximo da ortodoxia doutrinária da Igreja Católica? Poder pode, mas naturalmente a proximidade doutrinária terá o seu custo ao nível da base de apoio…. É que no fundo, estas questões serão dessa forma assumidas como absolutamente essenciais e fundadoras para o próprio pensamento político. Tudo se relaciona. A transparência e a coragem pública de assumir tal posicionamento seria um belíssimo contributo para valorizar a política nacional.
II
É bom haver pessoas com capacidade e possibilidade de serem cristalinas. A “virgindade” destas declarações do Bispo do Porto, “Referendo é “uma das hipóteses” – Bispo do Porto diz que casamento entre homossexuais exige “reflexão”“, num posicionamento de bonomia e defesa face à reflexão profunda, não me parecem contudo aceitáveis para quem andou a pedir para ser deputado e desprezou a questão como prioridade ou não se comprometeu com a necessidade do alargamento do debate sabendo que seria certa uma iniciativa legislativa no Parlamento. Com aviso prévio e algum potencial custo político, outros fizeram questão de adiar uma iniciativa legislativa para depois das eleições podendo dessa forma advogar uma legitimidade reforçada. Ficar impávido e sereno perante este agendamento político fazendo de conta que ele não existiu quando foi expressamente apresentado a votos e agora vir reclamar que é necessário outras formas superlativas de debate que não as disponibilizadas habitualmente pela democracia representativa não é ser mais democrata ou estar a pedir mais democracia, é exactamente o oposto.
Lendo os outros e reflectindo:
Organizem-se
A gente que dizia que não se devia perder tempo com assuntos “não prioritários” como o casamento entre pessoas do mesmo sexo é a mesma que agora quer um referendo sobre o tema.
In União de Facto por Pedro Marques Lopes
Outra vez as fracturas. Agora o casamento… Referendar uma matéria onde ficaram claras as opções políticas de cada partido durante a campanha é um luxo de dispersão de atenção em que não deveriamos incorrer. Divorciamo-nos do país e voltamos a menorizar o Parlamento. É uma questão de economia de energias e de prioridades. E que tal discutir a corrupção e o que fazer contra ela antes que esta acabe com o regime?
Repetem-se os elogios à dignidade imanente à suspensão do mandato de Armando Vara. Apoiado! A alternativa perante este tipo de suspeição seria insustentável. Pena que a dignidade seja lenta, demasiado lenta.
Ele que nunca ligou à política arranjou cartão há uns anos. Os negócios melhoraram, a empresa passou a ter uma melhor carteira de encomendas, os bólides acumularam-se na nova garagem.
Ele não está em redes sociais, não está em grandes empresas, não quer ir para o governo, vai tratando da sua vidinha e da de alguns outros, que remédio. A ossatura é coisa de fosseis, de animais extintos. Parece que é menos primário que outros, percebe da chuva. De nós, espera inveja. É suposto e basta-lhe, de nós, quero eu dizer.
Ao largo o iceberg aproxima-se, entretanto reina o “folgam as costas”; ele crê-se feito de cortiça.
Eu recordo Al capone com fé inusitada.
Melhor é possível. É indispensável.
Findou ontem o 1º ciclo político do MEP, uma sucessão de sprints para um partido com um ano e meio que voou alto mas não o suficiente nem para alcançar o impensável, nem tão-pouco para descambar num precipício digno de Ícaro.
Segue-se a metamorfose de sprinter em corredor de fundo, com uma marca já bem firmada em alguns meio fulcrais para facilitar a caminhada futura, mas com muito mais sítios e gente onde chegar e desafiar à renúncia da sempre natural desconfiança inicial. Uma caminhada que se fará muito pela proximidade que a internet permite entre quem procura e quem quer participar, mas também junto e com as pessoas comuns que não deixámos de ser.
O MEP será fiel à ideia de se ter constituído como um movimento cívico que vai a votos. Encerrado este primeiro ciclo de votações, prosseguiremos com inovação e empenho participando civicamente na construção deste país, com especial atenção para a vida política nacional. A nível pessoal esta experiência intensa foi riquíssima. Multipliquei por várias vezes o meu circulo de amigos, aprendi qualquer coisa e fiquei um pouco mais conhecedor deste país e suas gentes – o próprio incluído.
O MEP 2.0 surgirá dentro de momentos. O Adufe esse retomará uma toada menos panfletária, mas onde a política, como sempre ocupará uma parte importante. Até já.
Para memória futura, a prosa “A Confiança“, por Adriano Moreira, hoje no Diário de Notícias:
” Não se encontra hoje em exercício responsável nenhum centro de planificação de políticas públicas que não esteja atento ao princípio da incerteza, e advertido pela experiência de que, como ficou evidente pelos efeitos colaterais da decisão de proceder à execução dos bombardeamentos atómicos, que o afastamento da ética é mais ameaçador na área da política do que no campo da ciência, o que não impede que cada um dos sectores tenha os seus loucos.
Todos, por isso, enfrentamos a inevitável circunstância de que nenhuma constituição, nem qualquer programa eleitoral, podem evitar um espaço de vazio programático, no qual nascem exigências de criatividade governativa para responder aos acidentes não previstos, e que vão originando uma narrativa sem passado.
É certamente difícil, mas não dispensável, não atribuir todo o processo a condutas maquiavélicas dos interventores responsáveis pela governação, porque a recta intenção não está isenta do erro, nem da necessidade de flexibilizar as promessas e compromissos para atender aos riscos que não fizeram parte da circunstância vivida na luta pelo poder.
Nas palavras de Oliveira Martins, meditando sobre uma das maiores crises nacionais, ” nos homens sinceros e sinceramente espontâneos, os actos e os sentimentos misturam-se, por vezes, de um modo incoerente para os que, julgados por si próprios, pensam que todos, calculadamente, procedem como actores, representando um certo papel.
Não é assim. Felizmente, a humanidade não se compõe só de historiões, embora nela predominem, com efeito, os que levaram a vida como uma comédia”. Ocupava-se de Nun’Álvares, talvez um modelo excessivo para o tempo do Estado Espectáculo, mas ainda assim uma referência excelente para recordar que, sendo estrutural a incerteza, a relação de confiança entre a população e governantes é o alicerce sem o qual nenhuma escolha de lideranças mobilizadoras é consistente.
Este saber de experiências feito, defronta o infatigável Parlamento dos Murmúrios, no sentido de descredibilizar os adversários. Não é impossível que esta traça de combate também venha acompanhada de propostas idóneas de governo, mas ainda assim o seu efeito mais determinante é o de conduzir o eleitorado no sentido de escolher o menos mau dos candidatos, e não o de conduzir para a escolha da excelência.
A atenção fixada nos defeitos das eventuais virtudes não será a mais habilitada a avaliar os méritos dos programas, e seguramente não é a mais inspiradora da confiança sem a qual nenhum regime político funciona com equilíbrio e mobilização das vontades da sociedade civil.
Nem sequer assegura que o exercício do voto consciente atraia a maioria dos eleitores, e comprovadamente tende para instaurar o descrédito do sistema jurídico, e a suspeição como precaução no que respeita à gestão do interesse público.
A amostragem do processo eleitoral a que os portugueses foram chamados deu sinais excessivos do abuso de procedimentos erosivos da confiabilidade dos responsáveis em disputa, exactamente o oposto do exigível para decidir a quem entregar o poder político, uma exigência que se torna esdrúxula quando se combinam os graves riscos sofridos com as profundas incertezas múltiplas, o que tudo agora converge na circunstância portuguesa.
Contadas vozes, algumas de movimentos demonstradamente com reduzido poder da palavra em face do sistema, fizeram ouvir apelos que, dirigindo-se menos aos programas, que sobretudo parecem mais compostos de directivas do que de propostas concretas, e dirigindo-se mais às vontades, convocaram para a exigência primária de restaurar a confiança da comunidade portuguesa, e os votos devem ser no sentido de que pelo menos tenha ficado uma semente que germine. “
Na área da integração dos imigrantes Portugal ficou agora em primeiro lugar num estudo que envolveu 42 países. Ainda há pouco tempo Portugal tinha ficado em segundo lugar num estudo que envolvia 25 países da União Europeia. Motivo de especial orgulho para o MEP já que o seu presidente, Rui Marques, foi até há pouco tempo Alto Comissário para Imigração e Diálogo Intercultural. Notem que o trabalho de Rui Marques, em concreto, só foi possível porque alguém resistiu a rasgar com todo o que havia sido feito no governo anterior.
Esta conclusão reforça o que foi apurado em 2007 pela organização independente Migration Policy Group, no seu Índice de Políticas de Integração de Migrantes (MIPEX), o qual é também agora citado pela ONU e que deu a Portugal o segundo lugar entre os 25 países da UE.
Imperdível, a ler: O interesse editorial pelo jogo do galo
Há exactamente um ano o Tribunal Constitucional reconhecia formalmente o Movimento Esperança Portugal como 16º partido da III República. Hoje, celebramos a data com a apresentação pública do programa eleitoral para as Eleições Legislativas e apresentaremos também a lista de candidatos pelo círculo de Lisboa. Convocámos amigos, simpatizantes, jornalistas e faremos a transmissão via web TV do evento. A quem interesse: a partir das 17h15m em http://mep.pt
E a prova rumo às eleições de 27 de Setembro começa!
P.S.: O MEP apresentará candidatos a todos os círculos eleitorais.
A RTP assumiu hoje que vai ouvir duas vezes cada um dos lideres dos 5 grupos com assento no Parlamento até à campanha e em jeito de campanha, em entrevista.
Para a RTP os partidos levam os votos no bolso de eleição em eleição. Igualdade de tratamento entre partidos? Nem na TV pública. Este não é um parâmetro de medida da saúda da nossa democracia?
Assine a petição Igualdade de Oportunidades para os Partidos Políticos.
No mesmo dia em que ficámos a saber que fulano de tal não conseguiu a desejada coligação com sicrano e beltrano (há um não sei quê de contratações de pré-época nestas notícias políticas), o MEP avançou com mais um fascículo do seu programa eleitoral, o segundo de quatro para ser mais preciso.
Se uma nova agenda social foi a sua primeira prioridade, hoje anuncia um conjunto de medidas vocacionados para a família.
Para quem se questionava sobre qual era a matriz ideológica do MEP e não se satisfazia com os princípios fundadores anunciados, talvez a tarefa vá ficando mais clara.
Contudo, recomendo ilações definitivas apenas no final da colecção de fascículos, lá para 23 de Julho, data do primeiro aniversário deste movimento que quer com algum indisfarçavel atrevimento, ajudar a construir Portugal.
* Mais detalhes sobre a proposta relativa ao IRS per capita corrigido e muitas outras no local de costume
Poderemos dar-nos ao luxo de comprar esta guerra que se repete e vai-se agravando e subindo de tom a cada nova legislatura? Estaremos a velar pelo melhor que podemos ter para nós, deixando-nos sequestrar por pretextos mais próprios de uma clubite do que de uma reflexão política? Vote útil, pois então, mas não finja que não é consigo ou que não lhe diz nada. Havendo inteligência e imaginação, cada um encontrará o seu caminho, de acordo com as suas convicções e, de preferência, seguindo as regras da boa eudcação. Pela minha parte, como é sabido, estou de corpo e alma com um novo movimento político que quero ajudar a que tenha representação parlamentar. Rui Marques, presidente do MEP e mais que provável cabeça de lista por Lisboa nas próximas legislativas, não exagerou quando escreveu há pouco.
In Eleições 2009.
As hostes do PS acusaram Manuela Ferreira Leite de ter feito um péssimo negócio para o Estado ao ter vendido em desespero (para cumprir com os limites do défice público acordados com Bruxelas)a infra-estrutura da rede fixa à PT. Manuela Ferreira Leite afirmou que o contrato entre o governo e a PT já tinha sido negociado pelo anterior governo, tendo-o encontrado na sua secretária quando assumiu funções, prontinho para ser assinado. Manuela Ferreira Leite, chegou, viu e assinou. Diz agora, para surpresa geral, que a decisão política era do governo anterior, revelando o tal negócio que estava já pré-acordado. Em bom rigor, nada a obrigava a assinar, podia simplesmente ter feito aquilo que agora ameaça fazer em barda e com critério ainda desconhecido se chegar ao governo: rasgar, rasgar, rasgar. Mas o que se extrai de tudo isto?
O PS estudou e negociou o contrato, não o concretizou porque caiu o governo, entrou o PSD e acabou o que o PS tinha iniciado, naturalmente, porque concordou com a proposta que estava em cima da mesa. Nunca poderemos ter a certeza absoluta se o PS, caso não tivesse caído o governo, teria subscrito tal contrato, contudo, parece altamente provável que o tivesse feito.
Apesar de todo o folclore que por aí anda, PS e PSD, quando sentados na cadeira do poder, não teriam divergido nesta política. Algo que em bom rigor surpreende pouco quem acompanha com alguma atenção os compromissos e as práticas destes dois partidos.
Perde a política da verdade, perdem os media que nem sempre parecem chegar ao segundo parágrafo que aqui escrevi e ganharão todos aqueles que fizerem questão de tornar útil o seu voto no dia 27 de Setembro. Mesmo, mesmo útil, quero eu dizer.
Também publicado aqui.