Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Letras e Livros’

Quando o país cresceu

Novembro 26, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Viagens No Comments →

Quando ouvi falar pela primeria vez de Mário Cesariny (na TSF, recitando poesia sua, há não muitos anos) o país cresceu, literalmente fiquei com a sensação de que se tinha acrescentado uma província ao pequeno Portugal que conhecia. Afinal também habitavam esta terra seres assim, tão esquisitos e desconcertantes, embaixadores da loucura latente e amordaçada.

Procurando com atenção acredito que encontrarei ainda terras desconhecidas nesta pátria, mas até lá é este o mapa que tenho.

É coisa pequena, pouco erudita isto que escrevo, mas para mim conta e estas palavras já bastam.

A Cooperativa dos Bancários e os Livros

Novembro 24, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, Letras e Livros No Comments →

Pelas discussões em que ando envolvido aqui e aqui, já para não falar nas bem mais serenas e instrutivas que fui tendo no Economia e Finanças relativamente à banca em geral e à questão da intervenção governamental na história dos arredondamentos, venho aqui oferecer publicidade de borla à banca. Ou melhor, à Cooperativa dos Bancários. A Cooperativa dos Bancários gere há quase três décadas um pequeno centro comercial na Rua Filipa de Vilhena, com vista para o jardim do Arco Cego (antiga estação de autocarros).

Nesse centro comercial que ocupa um rés-do-chão e uma cave, encontram-se várias lojas, desde um Supermercado, a uma agência de viagens, passando pela tabacaria, perfumaria, pastelaria/snack-bar, loja de malas…uma livraria. Uma livraria. Eis o motivo de todo este pré-texto.

Na cave encontra-se uma livraria com cerca de 40 m2 que garante os serviços mínimos. Por lá vendem-se atempadamente as últimas novidades editoriais (com conhecimento de causa por parte das vendedoras e disponibilidade para deixar encomendado) aos melhores preços da cidade. Então e a FNAC? Se pagar menos cerca de 2 a 3% sobre os preços da FNAC para si é dinheiro e se pretende encher sacos de livros com as últimas novidades para oferecer, a poupança é quase sempre garantida na Cooperativa dos Bancários. A diferença será muitas vezes simbólica mas fica o pretexto para conhecer um recanto fora de moda (das modas hiper) da cidade de Lisboa -)

Lente Invertida

Novembro 23, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Gastronomia, Letras e Livros, Lisboa, Mimos, Política No Comments →

Já agora, no final do debate da noite pode provar os excelentes vinhos da Herdade de S. Miguel.

Pode vir mais cedo e ver a excelente exposição «Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?», dos fotógrafos da Kameraphoto, espalhada por todo o edifício — bem como a mostra de bibliografia & objectos pessoais de Pedro Tamen (assinalando os seus 50 anos de vida literária), no rés-do-chão.

Hoje, na Casa Fernando Pessoa, a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, para debater o papel do Estado na Cultura, com José Fonseca e Costa, Rui Horta, Zita Seabra e Urbano Tavares Rodrigues. Às 21h30, em Campo de Ourique. O moderador é Carlos Vaz Marques.

||| Estado.

Adaptado de A Origem das Espécies

Fazer livros sem escrever uma palavra

Novembro 14, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros No Comments →

Ir lendo mais que um livro ao mesmo tempo não é tarefa que agrade a todos. No meu caso tem dias… Acontece-me frequentemente quando ando por essas aventuras ir digerindo tudo como se de um livro se tratasse o que conduz a resultados imprevisíveis, por vezes indigestos, mas nem sempre.

Por estes dias a experiência ameaça ser singular, de uma inesperada complementaridade. E muito mais não consigo (ainda?) dizer além disto. Na mesa de cabeceira "Breve História de Quase Tudo" de Bill Bryson (Quetzal Editores) e "Gramáticas da Criação" de George Steiner (Relógio d’Ã?gua). Na minha pobre cabeça, os dois entendem-se e desentendem-se às mil maravilhas. Alguém já terá lido este livro?

Um bebé é só uma pessoa que também vai morrer

Agosto 18, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros No Comments →

Back inside
This chamber of so many doors;
I’ve nowhere to hide.
I’d give you all of my dreams, if you’d help me,
Find a door
That doesn’t lead me back again
-take me away.

"The Chamber of 32 doors", Genesis, The Lamb Lies Down on Broadway

A morte agonizante de um ex-combatente. A morte agonizante provocada por um cancro. A morte agonizante de um idoso entrevado. A morte induzida pela proximidade de todas estas mortes. A família como rede distribuidora de morte onde um bebé é só uma pessoa que também vai morrer.

Entre um povo dividido, dotado de várias formas de não encarar a morte e composto por poucos redutos onde a morte nunca deixou de fazer parte integrada (será esta uma palavra feliz?) da existência individual e colectiva, dizem-me que há toda uma onda de novos romancistas (não cor-de-rosa nem "históricos") que nos oferecem os nossos fantasmas numa bandeja.

Dos outros nada sei, mas se "A Casa Quieta" de Rodrigo Guedes de Carvalho (edição Círculo de Leitores/Dom Quixote) se puder encaixar nessa "nova categoria", então diria que é uma versão concentrada na qual não encontrei pinga de salvação por mais irónico que seja o nome da personagem que tragicamente sobrevive a todas as outras. A forma de escrita não é das mais ortodoxas e surpreendentemente para mim não me causou estranheza alguma, admito apenas que registei algum enfado perante as repetições, a dada altura pereceram-me excessivas, um efeito que poderia ir sendo reduzido ao longo do livro, admitindo que o leitor precisaria de menos sinais para obter o mesmo efeito à medida que "entrasse" na técnica do discurso.

Um dos motes do livro é a estrofe que aqui reproduzo. No meu caso a empatia foi imediata. Quem conhece a música fica a saber ao que vai logo nessa primeira página. Fica a saber ao que andamos todos.

P.S.: Nunca li um romance de António Lobo Antunes.

Loiras, ruivas e morenas

Julho 14, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros No Comments →

99+1

Na costa dos murmúrios

Julho 04, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Pessoal No Comments →

Há escritores que se inspiram em notícias para escrever os seus romances, não sei se foi assim com Lídia Jorge e A Costa dos Murmúrios, mas esta notícia, "Bebida misteriosa faz 10 mortos", parece ter-se inspirado no seu romance, tragicamente.

Sugestões do dia

Junho 26, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Política No Comments →

Ler "Cabeza de Vaca" no Tempo dos Assassinos - Letras e Livros.

E ainda "Começar a preparar para os piores cenários" no Bloguitica - Política. 

À socapa

Junho 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Letras e Livros, Mimos No Comments →

Eu nem digo em que contexto foi, mas arranjei 5 minutos, literalmente c-i-n-c-o, para ver onde era a Casa Fernando Pessoa, hoje, por volta das 19 horas. Ainda tive lata de passar pelo 2º andar, com pezinhos de lã… Uma plateia atenta, digo embevecida, ouvia um tipo (o tal) que afirmava poucos minutos depois de eu ter chegado que gostava de ler mas o que lia tinha que ter um pingo de humor, sem ele, podiam até ser muito boas mas … Não gostava de livros sérios de mais. Se não o conhecesse de lado nenhum, esta tirada no meio do pedaço de conversa séria que apanhei, teria ajudado imenso para ficar a simpatizar com a figura. Mas de facto não foi preciso, isto ajuda e o sotaque brasileiro também.

Se algum dia Portugal voltar a ter um ditador, ele terá muito mais sucesso se falar com sotaque do Brasil. Tenho a certeza. Mas não digam a ninguém.

Antes de sair ainda joguei uma partida de matrecos alinhando pela equipa do Pessoa (perdi a bola, mas não digam a ninguém, também). Afinal, bem vista as coisas, já outro havia perdido a baliza antes de mim. Suspeito do próprio, o poeta.

Pronto, agora já sei o caminho, vamos lá ver se passo a passar mais vezes e menos em passe-vite. Para meu bem.

Passar bem.

Adenda: Para mais detalhes é passar pel’A Praia.

Bloglines e o líder (rev.)

Junho 17, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Letras e Livros No Comments →

Lá tive de me converter definitivamente em leitor de feeds. Prefiro o blo.gs/Frescos a avisar-me das actualizações, mas já não é tão fiável por culpa do primeiro e, por outro lado, há vantagens em espreitar de imediato o que se está a escrever de novo.

Durante o processo (estou a usar o bloglines), fui hieraquizando mentalmente os blogues cujo feed subscrevia - grosso modo subscrevi os que enuncio na página de enlaces - de modo a identificar o que apresenta mais assinantes no referido agregador. O líder é, de longe, com mais de 120 assinaturas: Alexandre Soares Silva, um senhor que só conheço desta esfera e que vem no próximo dia 22 pelas 18h30 à Casa Fernando Pessoa. Vale a pena passar por lá (pelo blogue e pela dita casa) para tentar perceber este fenómeno luso-brasileiro (é mais ao contrário mas não soa bem no ouvido).

Para começo de conversa que tal um texto recente com um batuque muito familiar: Meu Brasil brasileirinho

Uma contracapa

Junho 16, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros No Comments →

O autor, em estátua de bronze, passeia por uma das pérolas do império austro-hungaro, enquanto em casa…

" (…) A certa altura, numa das pontes sobre o Grand Canal, em Dublin, há uma placa de bronze no chão: aqui passou o Sr. Leopold Bloom, personagem de Ulysses. É a única cidade onde as personagens dos livros têm direito a placas nas ruas. (…)"

in A Origem das Espécies

Não sei se a editora ainda existe (VEGA) mas o texto da contracapa de Dubliners que a seguir transcrevo está entre os meus favoritos - sublinho que ainda não li Ulysses. Uma contracapa difícil de encontrar nos dias de hoje onde o encómio não deixa margem para análises, ainda que estas pudessem funcionar por linhas tortas como verdadeiro espicaçador de outras curiosidades.

Reza assim a última meia folha do livrinho minúsculo comprado (400$) num tempo em que apontava a lápis coisas como esta: "Comprado na Feira do Livro da Amadora de 1995":

GENTE DE DUBLIN, (Dubliners), é decerto a obra mais acessível de James Joyce. É nela que este genial virtuoso da literatura do século XX parece ter atingido a maior força de comunicação humana. Tal como Portrait of the Artist as a Young Man, constitui, sem sombra de dúvida, um dos seus mais fortes documentos literários. Composto, na generalidade, por quadros da vida de Dublin, quadros frios, nítidos, objectivos, onde se espalhavam, em toda a sua veracidade, figuras, casos, famílias, ruas, dramas, atmosferas, ridículos, da sua cidade natal, GENTE DE DUBLIN é uma obra isenta dos excessos de intelectualismo com que Joyce, não raro, asfixiava os sentimentos e paixões das suas personagens levando-as a perderem-se sob a trama do seu engenho e artifício. Alusiva ao local que mais terá marcado a sua infância e juventude, GENTE DE DUBLIN, é, talvez por via disso, a sua obra mais profundamente vivida. 

in GENTE DE DUBLIN, Colecção Contemporâneos de Sempre, Editora Vega, Lisboa, 1985.

Tradutor: B. de Carvalho 

«E se eu fosse cego?»

Maio 17, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros 2 Comments →

O título do post, acrescentado de Narrativas Silenciadas da Deficiência, é também o título do livro - Edições Afrontamento - que o vizinho Bruno Sena Martins (Avatares do Desejo) vai lançar amanhã em Coimbra e a 9 de Junho em Lisboa. Ficam os votos de sucesso literário e o convite que o Bruno nos faz a todos.

"Coimbra, 18 de Maio, 18:30, Foyer do TAGV

Apresentação com:

Boaventura Sousa Santos; José Guerra (ex-presidente da ACAPO)

Lisboa, 9 de Junho, 18:30, Fnac do Chiado

Apresentação com:

Gonçalo M. Tavares; Humberto Santos (presidente da APD)

Conto convosco."

Os sonhos de Margarida

Maio 08, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros, Palavras dos Outros No Comments →

Conforme prometido na sexta-feira segue a publicação integral de "Os sonhos de Margarida" por Francisco Goulão (recebido por e-mail). É premir o rato sobre a frase "continue a ler Os sonhos de Margarida" que surge já aqui em baixo.
(more…)

Margarida - recebido por e-mail

Maio 05, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros 4 Comments →

"Fui desencantar no meu arquivo um texto sobre MRP [Margarida Rebelo Pinto] que escrevi há três anos para meu divertimento e do meu círculo restrito de amigos. O ponto de partida é semelhante ao de J.P George: pegar nos livros de MRP sem ideias pré-concebidas. O resultado, esse, é diverso pois não tenho nem a sua experiência académica, nem o mesmo olhar.  Decidi desenterrá-lo e difundi-lo como forma de solidariedade pelo direito à crítica e à liberdade de expressão. Façam ao texto o que entenderem. Apesar de ser da minha única e exclusiva responsabilidade não tenho por ele sentimentos de paternidade.
Francisco Goulão
"

Segunda-feira publicar-se-á (sem edição especial) o artigo do Francisco Goulão na íntegra. Para já um excerto:

"(…)  É um facto! Caso ainda não tenham reparado Margarida, tal como a Toyota há quarenta anos, veio para ficar nas letras nacionais e ficou mesmo. A própria escritora admite que, para exprimir realidades e sentimentos, tem à mão “…este mundo difícil que é o das palavras” (III). Tão difícil é que Margarida recorre com abundância ao mundo mais acessível do palavrão. Neste recurso estilístico a “merda” apresenta-se como uma palavra de eleição. A “merda” é espalhada cuidadosamente nos seus textos. Seja na acção ou no resultado, no abstracto ou no concrecto a “merda” vem sempre carregada de sentidos, potenciado novos e inesperados contextos. É uma “merda” que, no fundo, é muitas vezes comum mas raramente singular.

 A merda polissémica

Cagou completamente em mim (II)

…o gajo está-se cagando para ela (II)

Estava só a pensar aqui numas merdas (IV)

…aquela merda que carregas no peito (V)

A minha vida é uma merda de um deserto (II)

Achas que eu aguentava uma merda destas? (V)

Há uma distinção clara entre a merda substantivada e as merdas indefinidas, de consistência quase abstracta, porém significativas, relativamente às quais ninguém deverá ficar indiferente. É esse o grande risco do mundo moderno: o alheamento, a alienação. Por isso a autora avisa cheia de lucidez numa frase paradoxal:“Não te cagues nessa merda!” (…)"

Casa Fernando Pessoa - programa de Maio de 2006

Abril 30, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Letras e Livros Comments Off

Recebido por e-mail (actualizações no blog Mundo Pessoa): 

"MAIO 2006 - Casa Fernando Pessoa (ligação para saber morada)

dia 4 / 18h30 – Voltar a Ler Fernanda de Castro I 

(A poesia e as memórias: apresentam Eduardo Pitta e Miguel Real);

 dia 9 / 18h30 – Antes que venha o Mundial: futebol e literatura I [A ESCRITA DO FUTEBOL]

(O futebol como matéria-prima. Os livros, os escritores e o acto criativo da escrita sobre futebol.

Convidados: Ã?lvaro Magalhães, Ferreira Fernandes, Ivan Nunes, Ricardo Araújo Pereira e Torcato Sepúlveda.);

(more…)



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