Sobre Eduardo Prado Coelho:
"EPC" no Still Kissin' (João Morgado Fernandes)
"Quando apareceu…" no A Natureza do Mal (Luís Januário + comentários)
"Eduardo Prado Coelho, 1944-2007" no A Origem das Espécies (Francisco José Viegas)
"EPC" no Still Kissin' (João Morgado Fernandes)
"Quando apareceu…" no A Natureza do Mal (Luís Januário + comentários)
"Eduardo Prado Coelho, 1944-2007" no A Origem das Espécies (Francisco José Viegas)
Prefácio à segunda edição de Novos Contos da Montanha (1944).
S. Martinho de Anta, Setembro de 1945.
Querido leitor:
Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste livro. Vim ver a sepultura do Alma Grande e percorrer a via sacra da Mariana. Encontrei tudo como deixei o ano passado, quando da primeira edição destas aventuras.. Apenas vi mais fome, mais ignorância e mais desespero. Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos.
O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes. Crestados e encarquilhados, os rostos dos velhos parecem pergaminhos milenários onde uma pena cruel traçou fundas e trágicas legendas. Na cara lisa dos novos pouca mais esperança há. Ora eu sou escritos, como sabes. Poeta, prosador, é na letra redonda que têm descanso as minhas angústias. Mas nem tudo se imprime. Ao lado do soneto ou do romance que a máquina estampa, fica na alma do artista a sua condição de homem gregário. E foi por isso que fiz aqui uma promessa que te transmito:
Que estava certo de que tu, habitante dos nateiros da planície, terias em breve compreensão e amor pela sorte áspera destes teus irmãos. Que um dia virias ao encontro da aridez e da tristeza contidas nas suas fragas, não como leitor do pitoresco ou do estranho, mas como sensível criatura tocada pela magia da arte e chamada pelos imperativos da vida.
Prometi isso porque me senti humilhado com tanto surro e com tanta lazeira, e envergonhado de representar o ingrato papel de cronista de um mundo que nem me pode ler. Tomei o compromisso em teu nome, o que quer dizer em nome da própria consciência colectiva. Na tua ideia, o que escrevo, como por exemplo estas histórias, é para te regalar, e se possível comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos.Teu
Miguel Torga
Mais Miguel Torga no Adufe aqui.
Da ambiguidade ibérica: La mar ou el mar?
Ando em busca da(s) minha(s) palavra(s) favorita(s).
Aqui encontramos algumas sugestões:
Mais detalhes no Certamente!
Ateliers para crianças na Casa Fernando Pessoa.
Exames nacionais [Poesia pela voz de políticos].
Duas propostas entremeadas com um resumo para quem (como eu) tem andado com pouca paciência e ânimo para políticas (veja-se a excepção no artigo anterior).
Vá comboio, meu comboio
carrega na velocidade
pára só quando chegarmos
à cidade
Custou tanto cá chegar
mil e uma peripécias
quando menos se espera
o diabo tece-as
Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o aeroporto
aqui tão perto
*Adaptação desta letra de Sérgio Godinho.
… se sabedes novas do meu amigo, ai Deus e onde é?
Adenda: entretanto o JCD também pegou na mesma peça e deu-lhe com mais inspiração.
Adenda - Micro Causa: Sérgio Godinho ao "Diz que é uma espécie de magazine" JÁ!
Para quem ainda segue o hábito ancestral de ver televisão e, mais raro ainda, acompanhar uma série em canal aberto naquele dia da semana e àquela hora, fica a notícia caso tenha passado despercebida: foi hoje emitido o primeiro episódio (da 2ª e última temporada) de uma das melhores séries de televisão dos últimos anos: Roma, na RTP 2. Sem grande prejuízo em termos de ter perdido o fio à meada, poderá acompanhar já na próxima segunda-feira.
Por mais que tenhamos já dito tudo e tudo escrito, é sempre possível contar pela enésima vez a mesma história como se fosse a primeira. Este é um conforto não negligenciável entre as coordenadas em que nos movemos. Esta é uma evidência a que chego depois de muito batalhar pela originalidade - a danada pode surgir onde menos se espera!

Este homem não pára. O Paulo Querido volta à carga com mais uma iniciativa: um desafio por semana. A saber: estabelecer um prémio mensal de escrita (com ou sem complementos multimédia) cujo juiz e promotor é o autor em causa, o Paulo. Para começo de conversa o prémio mínimo será de 15 euros e o vencedor terá difusão e créditos com divulgação garantida, no blogue do Paulo e provavelmente na TubarãoEsquilo, também. Desde que não seja anónimo e respeito algumas singularidades que o Paulo aqui explicita todos podem concorrer. Haja criatividade…
Em breve divulgará o primeiro tema semanal que concorrerá para o tal "julgamento" final. Todas as semanas destacará o(s) melhor(es) com a respectiva publicação.
Uma iniciativa a acompanhar por aqui e que poderá evoluir para algo interessante… ou não. Dependerá da receptividade, naturalmente.
Nas bancas:
1. "Íntriga de família" do vizinho Eduardo Pitta (contendo extractos do De Literatura, o blogue).
2. "Lontano da Manaus", edição italiana do por enquanto último romance do vizinho Francisco José Viegas (os serviços de informações e de estudos de Italiano do Adufe foram encarregues de recolher um exemplar, em Triestre; resta saber se já está mesmo nas bancas).
3. "Prova de Vida, Diários 2004-2006" do recentemente falecido e ressuscitado vizinho Pedro Mexia (contendo extracto do Estado Civil, o blogue).
4. "E Deus pegou-me pela cintura" do vizinho Luís Carmelo (a leitura das primeiras cento e poucas páginas das cento e muitas que tem o livro, levam-me a recomendar a leitura).
Mais algum vizinho para a lista? Entretanto, cuidado com o Campo Minado.
Ir a lançamentos de livros é sempre uma actividade fisicamente perigosa mas suponho que o que se vai realizar hoje à tarde será de baixo risco, a menos que se vá a passar do lado de fora da janela…
"Francisco José Viegas vai apresentar esta tarde, pelas 18:30, no 7º piso do El Corte Inglés, em Lisboa, E Deus pegou-me pela cintura, o último romance de Luís Carmelo, autor do Blog Miniscente."
Hoje arranjei avença no Tugir 
Obrigado pelos votos. É mesmo só uma ligeira coceira, nada que um sopro de palavras não cure.
Pôs-me a pensar onde é que "aprendi" algumas das coisas mais interessantes ao longo destes 30 e poucos anos e tenho de concluir que o livro, mais dado a mediações conscientes de aprendizagem (para pegar na sua definição), se limitou muitas vezes a auxiliar de memória, instrumento de rara frequência. Houve livros valiosíssimos, auto-induzidos que terão deixado marcas, sem dúvida, mas diria que mais em qualidade que em quantidade… Provavelmente em quantidade insuficiente para ficar bem num inquérito. Nem na escola os lentes me ensinaram grandes coisas, preferi sempre os outros professores, mais astutos na arte de pôr a pensar. Ora aí está, o livro talvez seja hoje, no ensino (tantas vezes pretexto para o primeiro contacto), uma pobre bengala que, se mal usada, faz tudo menos levar à aprendizagem. Ainda prolifera no nosso bacoco ensino supeior muito feudo que promove o espírito (em exclusivo, e é esse o mal) do: "Se empinar o livro estou safo". Digerir é que é pior. E agora passei da coceira aos problemas digestivos. Isto está bonito :-)
O livro é importante, os resultados deste tipo de inquéritos será interessante para analizar quantitativamente o fenómeno da leitura (de preferência numa análise cronológica e não pontual) mas parecem-me algo extemporâneas as suas questões. Há muito tempo que há muito mais do que as folhas dos livros para nos ajudarem a fazer o nosso caminho. Sem que daí venha ao mundo grande drama ou perplexidade.
Bom fim de semana!
“E onde é que entra a Inquietação do José Mário Branco?
A Inquietação é como uma espécie de névoa que anda sempre por aí, aquela névoa que serpenteia como nos filmes, nos thrillers. Por outro lado, mais do que uma música, mais do que uma letra, aquilo é uma canção. Se aquela letra fosse cantada de outra maneira, talvez não me motivasse tanto, mas a matriz da música, a versão do autor, na qual eu me inspirei para fazer esta, tem uma outra coisa, está-se a falar de inquietação, mas é uma espécie de exorcismo, há ali uma luta, uma espécie de manifestação dinâmica de uma forma de não rendição de qualquer coisa que inquieta. Porque de certo modo vai continuar a perseguir a própria coisa, que ainda não se sabe o que é, mas que inquieta.”
JP Simões, sobre o seu recente álbum a solo 1970 em entrevista a Bruna Pereira no Rascunho.net.
Porque é uma das minhas canções preferidas e porque não sou perfeccionista segue este apanhado que alguém nos oferece via You Tube.
"(…) A outra questão é: se os jovens urbanos até aos trinta anos votam maioritariamente à esquerda e apoiam as causas ditas fracturantes, onde aprenderam eles isso? Haverá já questões de sociedade e cultura que prescindem dos livros e mesmo de um tratamento mais profundo dos jornais? (…)"
Resposta à 1ª pergunta: ora aí está uma boa pergunta. Aquele "aprenderam" é que me dá uma coceira… Enfim, tenho umas teorias na algibeira para vários casos tipo mas acho que vou escrever um livro sobre o assunto. Por isso ziiiip!
Resposta à 2ª pergunta: Ah! A geração de 68, pois. E as do tempo entre o Iluminismo e o surgimento da rádio ou da televisão… para aí… talvez… quem sabe… Também ouvi dizer que em Berlim, nos idos 30, se liam muitos livros. Aquele "já" e aquele "e mesmo" é que me dão uma coceira…
(De)terminado que está o affaire Rute Monteiro eis que o livro chega às bancas.
Haverá quem não perdoe a "golpada" do autor (Luís Carmelo) e insista em vê-la assim, haverá quem tenho rido energicamente à posteriori para disfarçar a tropelia que sentiu, haverá quem tenha gostado genuinamente da entropia gerada e há quem tenha até ficado com vontade de - heresia! - comprar o livro (principalmente depois de ter a oportunidade de lhe ler um capítulo). E você, caro leitor, em que fica?
Guerra e Paz editores El Corte Inglés têm o prazer de convidar V. Exa.para a apresentação do livro "Deus pegou-me pela cintura" de Luís Carmelo
No dia 6 de Março, às 18h30, na Restaurante de Âmbito Cultural, Piso 7, o El Corte Inglés de Lisboa. Com a presença do autor.
Apresentação de Francisco José Viegas.