Archive for the ‘Lisboa’
OTA: mais uma acha para a fogueira…
" (…) Segundo um relatório da NAV, os 50 anos previstos de durabilidade da pista, afinal, são 13.
A capital precisa de um aeroporto que se possa redimensionar no futuro. Não de um despejar de verbas que ao fim de umas décadas se revelam pouco frutíferas.
Espera-se bom-senso quanto às opções a tomar tendo em conta o futuro do país.
A construção deve arrancar a curto prazo e a obra deve perdurar além do médio prazo."
in Tugir pelo Carlos Castro.
Aeroporto da OTA - provas gritantes de planificação amadora
Via Tugir percebo que o Diário de Notícias fez ontem da OTA tema de capa.
O tema está longe de estar encerrado e de ter sido pacificado. Lendo os dois artigo disponibilizados on-line não sei qual me deixa mais perplexo face aos factos, se este "120 camiões por hora antecipam acessos à Ota" onde se dá prova do mais puro amadorísmo na planificação do projecto - tudo o que por lá se escreve poderia ser previsto por qualquer leigo sem necessidade de "agora" se descobrir que antes de fazer o Aeroporto têm de construir desde já boa parte dos acessos de modo a permitir a entrada e saída de materiais da campina - se este outro "Estudar nova localização atrasará novo aeroporto em três anos" onde se sintetiza o que é inegável e incontestado como sendo alterações colaterais inevitáveis.
A rede eléctrica nacional vai ter de desviar literalmente a sua espinha dorsal em 60 a 120 km, o aeroporto ficará inundado se por ventura surgir a maior cheia dos últimos 100 anos (e no caso de vingar a proposta da NAER se houver a maior cheia dos últimos 30 anos), enfim, é ler o artigo.
É inacreditável que aquele seja o melhor sítio da área metropolitano de Lisboa para se construir um Aeroporto Internacional. Escolher novo Aeroporto agora é impensável? Só para quem nunca ouviu falar em sunk costs e nas piores asneiras de todos os tempos.
Sondagem Lisboa
Número mais interessante que retenho:
"(…) Se houvesse eleições, já tem uma ideia em que partido votaria, esperaria para saber quem é o candidato, ou abstinha-se?
Já tem uma ideia: 29%
Esperaria para saber quem é o candidato: 56%
Abstinha-se:9%
Ns/Nr: 6% (…)"
Fonte: Margens de Erro
A malta de Lisboa é inteligente. E a dos partidos? Por favor, tenham isto em conta. Atrevam-se!
Fechem o carmona* do Portas
Há gente que não se enxerga.
Um passou dois anos descansando e comandando os seus lacaios que se entretiveram a minar a direcção do partido. Objectivo: garantir um bilhete de regresso quando entendesse. Ele e o seu grupo: o acabado exemplo do "cavalheirismo e da honestidade".
O outro, tenta uma confrangedora fuga para a frente perante fogo cerrado de todos os lados menos por um, o da oposição política (poderá haver fogo, mas longe de ser cerrado).
Resta saber se quem não se enxerga são eles ou se quem está por eles. Que não sejamos nós!
* Carmona: s.f. ferrolho de porta ou janela que se embebe ao mesmo tempo em cima e em baixo; (…)
Lisboa: chegou a hora de preparar o futuro
Parece-me evidente que o actual executivo camarário de Lisboa expirou o seu prazo de validade. E sinceramente mais do que esmiuçar os quês e porquês (questões importantes que darão pano para mangas no futuro próximo) interessa não esquecer uma prioridade fundamental: preparar de imediato uma alternativa política.
Jorge Coelho, o sempre eterno manobrador (que não convém subestimar) já traçou o caminho: nada de precipitações no PS pois uma coligação deve ser sempre tentada e, como tal, avançar com nomes publicamente sem antes estabelecer o devido acordo pode ser a melhor forma de queimar a coligação ou de queimar esses nomes.
Não sei se o melhor caminho será o de tentar uma coligação. E quando digo "não sei" quero dizer exactamente isso: não sei, em absoluto. Dependerá das pessoas envolvidas de ambos os lados, suponho.
Sei é que no momento actual a câmara de Lisboa deve ser a câmara mais dificil de gerir no País. E julgo saber também que a sensação mais comum entre os lisboetas é a de haver demasiado lastro do passado, nem sempre invejável, que entorpece a acção política. Rabos de palha, uma dívida monstruosa, omissões mútuas de pecadilhos alheios, por vezes partilhados… Um misto de asneiras políticas de âmbito executivo com um progressivo acumular de vícios promovidos, quer pela falta de alternância política, quer pela própria forma de organização do poder interno no seio de cada partido. Felizmente, pelo caminho, a coligação de esquerda conseguiu prestar bons serviços em Lisboa, suficientes para ter justificado sucessivos mandatos até à vitória humilhante de Santana Lopes.
Julgo haver no ar - e não particularizo simpatizantes de nenhum partido - um clamor por gente nova, alguém que consiga começar um projecto sem mofo nem bafio, aberto para os problemas quotidianos de uma grande cidade numa vasta área metropolitana, alguém disponível para as soluções com provas dadas noutras paragens. Alguém que tenha já o "peso político" e a experiência indispensáveis para enfrentar o problema do saneamento da dívida camarária, dando garantias de não comprometer as responsabilidades públicas essenciais do monicípio. E, fundamentalmente, alguém que apresente um projecto que centre a acção política na cidade.
Anúncio de emprego:
Precisa-se (M/F):
Indivíduo com traquejo político, pragmatismo na execução, capacidade de aprendizagem, consciência social acentuada, registo criminal imaculado ou devidamente e antecipadamente publicitado, sem tiques de prima-donísmo e com provas dadas quanto à capacidade de negociação, disponível para gerir com empenho o município de uma das mais desafiantes capitais da União Europeia.
Oferece-se uma boa perspectiva de emancipação política pública a título definitivo com boas possíbilidades de ascender a líder partidário, primeiro-ministro ou mesmo mais alto magistrado da Nação. Remuneração claramente acima da média nacional, com planos suplementares interessantes.
Não vai ser tarefa fácil, mas se aparecer alguém com a maioria dos requisitos cumpridos no currículo…
Quanto ao PS, a questão que se coloca é saber que opções é que quer ter na disputa política que se avizinha. A tentação de recuperar o passado, incluindo pessoas e coligação, já vai sendo ventilada, contudo, pelo que aqui disse preferiria que se apostasse de facto em uma equipa base onde predominasse gente nova no executivo da cidade. Gente capaz de negociar com todas as cartas uma eventual coligação; algo só possível se a não formação da própria coligação for considerada como uma hipótese real durante as negociações…
Não precisamos de saber o que se está a passar internamente (pelo mesno para já) mas espero que se esteja a passar algo desde já; que haja decisões em vias de serem tomadas e que haja projectos em elaboração. É o tempo de fazer os trabalhos de casa e, porque não, admitir que está na hora de se tentar um trabalho Seguro e profissional, com o apoio genuíno do actual líder do partido, para variar. Internamente está a chegar a hora de os interessados se chegarem à frente (ou pelo menos deveria ser assim se a política partidária fosse o que deveria ser). Depois destas tristes e sucessivas más experiências no executivo da câmara, eu votava para ver.
Zonas livre de publicidade (’pub-free’)
Eis uma "modesta proposta" absolutamente imperdível que nos é oferecida n'O Céu sobre Lisboa.
Um excerto (notem que há duas modestas propostas neste post, a clássica de Swift, e esta outra que se segue):
"Em Lisboa, a moda de cobrir integralmente os veículos de transportes públicos com publicidade, incluindo as janelas, começou pelos eléctricos da Carris, depois passou aos autocarros e aos comboios suburbanos. É verdade que se pode sempre optar por ir de táxi ou de carro, ou mesmo a pé. E também é verdade que o objectivo dos tansportes públicos é transportar pessoas, e não pô-las a ver a paisagem.
As janelas serão até, talvez, um luxo desnecessário. E, como se sabe, os transportes públicos são altamente deficitários e financiados pelo estado. Assim, privar-se de ver a rua durante alguns minutos, viajando em veículos sem janelas, poderá ser uma maneira de os esbanjadores de dinheiro público que os utilizam darem mais uma pequena contribuição, libertando o maior espaço possível para publicidade, tanto dentro como fora do veículo. (…)"
Vale a pena ler tudinho.
Mais um tremorzinho de terra em Lisboa
I'm all shook up!
Metafísica pela goela abaixo
Estar com a minha filha pequena e vê-la devorar a sopa.
Caminhar ao lado dos velhos de Lisboa e ouvi-los exibir idades e maleitas sem pretexto aparente.
Cheira a Lisboa
Até parece que hoje todos os cães do mundo adubaram as ruas de Lisboa.
LX Reporter
LX Reporter. Eis um blogue utilitário para quem se interesse por estar a par de notícias sobre a grande Lisboa - muitas deles que têm pouco espaço para aparecer em órgãos de comunicação profissionalizados.
A iniciativa é gerida pelo blogger/jornalista Miguel Marujo (Cibertúlia) que aqui se saúda!
Por exemplo, já ouviu falar do Transporlis?
Lente Invertida
Já agora, no final do debate da noite pode provar os excelentes vinhos da Herdade de S. Miguel.
Pode vir mais cedo e ver a excelente exposição «Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?», dos fotógrafos da Kameraphoto, espalhada por todo o edifício — bem como a mostra de bibliografia & objectos pessoais de Pedro Tamen (assinalando os seus 50 anos de vida literária), no rés-do-chão.
Hoje, na Casa Fernando Pessoa, a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, para debater o papel do Estado na Cultura, com José Fonseca e Costa, Rui Horta, Zita Seabra e Urbano Tavares Rodrigues. Às 21h30, em Campo de Ourique. O moderador é Carlos Vaz Marques.
||| Estado.
Adaptado de A Origem das Espécies
Cheira bem, cheira a Lisboa
Aindei à cata de uma boa notícia (ou melhor de uma boa promessa) e lá consegui desencantar (que raio de palavra) esta no Diário de Notícias: Câmara quer acabar com os ecopontos e envolver a população na reciclagem. Assina Marina Almeida no Diário de Notícias.
Mudando de assunto: ando com saudades de ouvir um belo fado. O blogue (ou melhor este blogue anda muito ao abandono, mas lá terá de aguentar). Entretanto há novidades no Economia e Finanças, nomeadamente:
Carrilho ameaça regressar
«Vereadores socialistas "aguentam" Carmona» escreve hoje o Diário de Notícias. Nada surpreendente diga-se. Na iminência de eleições intercalares para a Câmara, o PS ainda tem o trabalho de casa por fazer. É que se dúvidas houvesse Manuel Maria Carrilho continua a ser o candidato natural do PS à Camara Municipal de Lisboa.
Carris? Buc you! (actualizado II)
Não há nada (pior) do que recomeçar a labuta com um choque de "urbanidade".
Antes de ir trabalhar desloquei-me ao posto de atendimento da Carris para me desfazer dos 7 BUC (bilhetes pré-comprados) da Carris que esta empresa vai substituir por um cartão com chip integrado (o Sete Colinas). Conseguem imaginar o que é que podia correr mal? Eu não consegui. Gato escaldado em troca de bilhetes com a Carris fui o caminho todo congeminando sobre o que é que podia correr mal.
A Carris já anunciou publicamente que aceitava a conversão dos BUC em novas viagens no Sete Colinas, por isso o que é que podia correr mal?
Eis o que é que pode correr mal:
CADA UTENTE SÓ PODE TROCAR 4 BUC.
Excerto do diálogo tido com a funcionária:
Eu: E se vier amanhã posso trocar o resto?
Ela: Pode.
Eu: Espere! E se eu deixar que atenda esta senhora e depois lhe pedir para me trocar o resto dos BUCS posso?
Ela: Pode.
Eu: Portanto o único problema é trocar mais do que 4 de uma vez?
Ela: Certo.
Eu: E já agora, posso requerer mais do que um cartão Sete Colinas por pessoa?
Ela: Claro que pode. Quantos quer?
Kafka anda à solta e o resto é chuva miudinha.
Adenda:
Estive a matutar nesta representação de Kafka e fiquei desconfiado que um tipo na Carris apercebeu-se que 5 ou mais BUCs equivalem a 10 ou mais viagens. Ora uma viagem custa 0,75 € (1,5 € por BUC) mas no novo cartão Sete Colinas 10 ou mais viagens tem direito a desconto caindo o valor unitário para 0,665 €. Assim, se o cliente trocar mais do que 4 BUCS tem o hipotético direito a receber a diferença entre, por exemplo, as 10 viagens do BUC que pagou (7,5€) e os 6,65 € das 10 viagens no Sete Colinas. A chatice é que no cartão Sete Colinas a compra de 5 viagens (2 BUCS e meio) já têm desconto ficando o preço unitário abaixo dos 0,75€ (cerca de 0,70 €), por isso a minha teoria cai por terra. Sinceramente preferia que me carregassem as viagens na quantidade e cartão que eu entendesse ao preço que já paguei por elas. O preço desceu para grandes quantidades? Porreiro, mas não preciso do "troco" de volta. Vai-se a ver e tudo não passa de algum problema no software de controlo de gestão por centros de custo ou coisa que o valha. Hiulariante mesmo seira se a Carris tivesse alguém na sua estrutura a trabalhar em algum serviço com o pomposo nome de CRM - Customer Relationship Management. Enfim, uma embrulhada com resultados absolutamente ridículos e negativos para a imagem e serviço da Carris e dos transportes públicos. Detalhes… a somar a outros.
Adenda II:
Informam-me agora que só se fazem trocas de BUC virgens… Ou seja, se por ventura já utilizou uma das duas viagens disponibilizadas pelo seu BUC o melhor é usar a outra até ao final de Outubro. Não precida se a usar até lá? Então dei-te o bilhete para o lixo ou ofereça-o a um desconhecido. Se não é virgem não dá direito a ser convertido em suporte magnético. Mais um detalhe…

