A ler
Aqui está um assunto que muito interessa ao INE e não só. "Salvemos o Censo" n’O Canhoto, por Rui Pena Pires.
Aqui está um assunto que muito interessa ao INE e não só. "Salvemos o Censo" n’O Canhoto, por Rui Pena Pires.
Pois é, o diabo é que a categoria é das menos "excluíveis" que temos. Venha a nós a chuva para reduzir a factura!
De qualquer forma, continua a ser interessante acompanhar o que nos trará o Comércio Internacional nos próximos meses. As exportações continuam a crescer mais depressa que as importações, mesmo contando com a categoria famigerada.
* Uma paródia privada, se me dão licença.
Diverto-me a ler não só Luís Delgado, mas também Ribeiro e Castro; divirto-me com uma hipótese simplista, uma hipótese que tem de partir do princípio de que tudo o que João Cesar das Neves aqui escreveu é um puro disparate. Vamos assumir que os governos respondem directa e imediatamente pelo PIB… A ser assim, e tendo o PS tomado posse a 10 (ou 11 ) de Março de 2005, só é responsável pelo PIB de cerca de 20 dias do 1º trimestre, mais o resto do ano… Quanto cresceu o PIB nesse período face a igual período do ano anterior?
0,42954% É verdade. Exactamente 0,42954%. Pois é, mais 27,9% do que os 0,33584% divulgados a semana passada pelo INE…
Mas se calhar já temos que descontar o efeito Cavaco Silva, que antes de o ser, já o era como afirma Ribeiro e Castro.
Está um dia lindíssimo, não acham?
“Produto interno bruto cresceu, em volume, 0,7% no 4º trimestre de 2005 [variação homóloga] e 0,3% no conjunto do ano
O Instituto Nacional de Estatística divulga as primeiras estimativas das Contas Nacionais para o 4º trimestre e para o conjunto do ano de 2005. Divulga igualmente os resultados definitivos e detalhados para 2001 e 2002.
No 4º trimestre de 2005, verificou-se uma aceleração no crescimento homólogo do Produto Interno Bruto (PIB), o qual se fixou em 0,7% em termos reais, face a 0,4% no período anterior.
Carregue na imagem para aumentar.
No conjunto do ano de 2005 o PIB registou um crescimento em termos reais de 0,3% em 2005, após a variação de 1,1% verificada em 2004. A procura interna teve um contributo positivo para o crescimento do PIB, embora menos intenso do que o verificado no ano anterior. Por outro lado, o contributo da procura externa líquida para o crescimento do PIB foi menos desfavorável do que em 2004. A Necessidade de Financiamento da economia portuguesa, medida em percentagem do PIB, passou de 5,8% em 2004 para 7,9% em 2005. (…)”
A análise encontra-se aqui. Para ter acesso aos quadros estatísticos (Excel) o melhor é procurar no site do INE no Tema ‘Economia e Finanças’, Sub-tema ‘Contas Nacionais e Regionais’.
" De Janeiro a Dezembro o défice da balança comercial aumenta 10,6%
(…) A análise dos resultados preliminares do ano de 2005, por trimestre, permite-nos verificar que o défice da balança comercial apresenta uma tendência decrescente ao longo do ano. A taxa de cobertura foi de 62,5% no 1º semestre o que corresponde a uma deterioração de 3.5 p.p face ao mesmo período do ano anterior. No 2º semestre a taxa de cobertura foi de 62,2%, igual à verificada no 2º semestre de 2004. (…) Para o período em análise destacaram-se, nas entradas, o aumento dos Combustíveis e lubrificantes de 40,8% e de Máquinas e outros bens de capital, com um acréscimo de 4,5%.
Do lado das saídas verificou-se um acréscimo de 58,1% dos Combustíveis e lubrificantes. " Mais informação aqui.
Nota: mais logo (15h) temos o PIB.
Ainda o PIB do 4º trimestre anda a tombos e já chegam novidades para o 1º Trimestre de 2006: o Benfica já está a ganhar. O Simãozinho (esse salafrário) está a fazer tudo por tudo para auxiliar o nosso comércio externo…
* Ou: "Já deito PIB pelos olhos"
Uma breve citação do Público de hoje:
"A nova presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Alda Carvalho, que tomou posse há três meses, está satisfeita com a clarificação feita pelo Governo de que é o INE quem reporta as contas nacionais ao Eurostat e confiante de que será possível ultrapassar os "mal-entendidos" com o Banco de Portugal. Mas, ontem, na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, não deixou de se queixar de "alguma arrogância" do banco central em aceitar as contas feitas pelo INE.
As relações com o Banco de Portugal… Se eu pudesse, dizia um disparate. Se calhar, nalgumas áreas, até eram boas de mais. Estabeleceu-se alguma subserviência de alguns técnicos do INE em relação ao Banco de Portugal", disse Alda Carvalho, em respostas às perguntas feitas pelo deputado do PSD Miguel Frasquilho. A presidente do INE também assinalou a "disparidade de meios" entre o instituto e o banco, que pode praticar melhores tabelas salariais. (…) "
A propósito de algumas notícias relativas ao Investimento empresarial que sairam hoje na imprensa especializada e que se inspiram no Inquérito ao Investimento ontem divulgado pelo INE, deixo aqui alguns dados históricos relativos a esse mesmo inquérito (disponíveis mediante pesquisa aqui) que deverão ser tidos em conta para valorizar devidamente a previsão de aumento do investimento para 2006.
Comparando exclusivamente os inquéritos ao Investimento empresarial efectuados até Janeiro de cada ano atente-se ao seguinte gráfico:
Todos estes inquéritos foram realizados ao longo dos últimos meses de um determinado ano (n-1) tendo o período de recolha de informação terminado nos primeiros dias do ano n. Parece evidente que ao longo dos últimos anos as primeira previsões que os empresários fazem do investimento que realizarão no ano que acabou de começar pecam sistematicamente por excesso. As revisões posteriores são por vezes muito elevadas. O principal facto que resulta do inquérito ontem divulgado (relativo a 2006) é meramente indicativo. Qual a indicação? Apesar de a variação prevista poder estar sobrevalorizada - no passado assim foi, no futuro se verá - o valor de partida é o mais elevado dos últimos anos. Mas cuidado com o valor facial da variação. Esta primeira previsão acaba por dizer muito pouco quanto àquele que será o nível (e a variação) final do investimento a realizar efectivamente em 2006.
Ainda me hão-de explicar como se constroem estas estatísticas: Catástrofes naturais aumentaram 18% em 2005 (in Diário Digital).
Como é que se contam secas? E inundações? Haverá critérios políticos? A seca em Portugal foi a mesma que aconteceu em Espanha? E se o Algarve fosse independente teria direito a contar como "uma seca" mais? E uma inundação próximo da nascente de um rio que depois inunda o resto do percurso é só uma inundação ou são várias? Que tamanho tem um seca? Como se comparam duas secas diferentes? E uma inundação?
Houve mais 18% de catástrofes naturais. Mais 18% em número… Se este ano se repetísse o dilúvio biblico haveria uma queda drástica do número de catátrofes naturais, certo? Apenas uma.
Já se o jornal tivesse destacado para título a variação no número de mortos (que até aponta para uma diminuição) a coisa melhorava, mas só um bocadinho.
" (…) Sexta medida – Vamos criar, para as empresas, um novo regime de Prestação Única de Contas.
Actualmente, e ao longo do ano, as empresas estão obrigadas a praticar numerosos actos perante diferentes serviços do Estado, em que se repete muita informação, sempre em formulários diferentes: a declaração do modelo 22 para as Finanças; o depósito da prestação de contas e respectivos anexos nas Conservatórias de Registo Comercial e ainda os formulários de informação estatística para o INE e o Banco de Portugal, entre muitos outros.
Vamos agora unificar, num único momento e num único acto, todas estas obrigações. O que o Governo pretende é que haja um único período no ano, por exemplo o mês de Maio, em que as empresas têm de praticar um único acto de prestação de informação e contas, acto esse que será desmaterializado e realizado por via electrónica.
Esta, senhoras e senhores Deputados, é uma medida de extraordinário alcance: vamos com isto eliminar milhões de actos burocráticos isolados, a que estão obrigadas as 350 mil empresas. Poupa-se tempo, reduzem-se custos e simplifica-se o próprio controlo administrativo. (…)"
Excerto do discurso do Primeiro-Ministro José Sócrates hoje no Parlamento, texto no Canal de Negócios.
"(…) O Banco de Portugal vai lançar amanhã um novo sistema de informação estatística sobre a economia portuguesa que permitirá a todos os interessados o acesso "online" gratuito à sua base de dados.
Esta base de dados reúne a informação habitualmente divulgada no« Boletim Estatístico do Banco que integra informação própria e informação do INE. Portugal terá assim, pela primeira vez, um portal de informação estatística creditada sobre economia. (…)"
In Jornal de Negócios
A acompanhar.
Ao cuidado do INE:
"RESPOSTAS QUE VALEM DINHEIRO (1). Procuram-se dados estatísticos sobre o volume anual da publicidade online em Portugal. Dão-se alvíssaras a quem fornecer indicações sobre o seguinte conjunto de elementos: por cada ano desde o mais remoto possível (1995 seria óptimo!), os totais de pageviews, número de anúncios servidos, número de anúncios seguidos ("clicados") e volume de negócios. Estou interessado ao ponto de pagar. Quanto vale esta resposta?"
Aproveito este meio para dar um grande abraço aos colegas do Instituto Nacional de Estatística que negociaram nos últimos dias a reforma antecipada com a sua entidade patronal, iniciando assim uma nova etapa nas suas vidas.
Saúde e felicidades!
Há um ror de trabalho pela frente se tentarmos seguir estas linhas (ver post anterior) ou outras próximas destas. A actual conjuntura do INE caracteriza-se entre outros por:
A conjuntura actual do Estado, sem condições para poder resolver com dinheiro os problemas que dependem em boa parte da falta dele, bem como a tradição de incumprimento das sucessivas tutelas, não augura anos muito fáceis para o INE, mas se o mal for bem distribuído pelas aldeias, o INE está seguramente entre as instituições que tem mais a ganhar do que a perder no processo de redistribuição (e redução) da despesa pública. Pessoalmente acho também que é das organizações da administração pública com maior capacidade de gerar valor acrescentado para o pais, mas… eu sou suspeito.
Como nota positiva: nem tudo depende do dinheiro e como já aqui disse há algum tempo, não há-de ser difícil à futura direcção, fazer melhor, assim a tutela o permita bem como o engenho e arte dos novos actores.
Como nota final: tinha muita piada esta direcção conseguir terminar o mandato, por exemplo. E mais piada ainda teria se a próxima já entrasse com um estatuto do INE mais blindado à intervenção política. Talvez até com mandatos ligeiramente superiores a uma legislatura, por exemplo. Enfim, já divago. Passem bem.