Adufe sans frontiers

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘INE’

O Público errou… outra vez.

Abril 20, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE No Comments →

Desta feita trata-se de uma calinada grosseira que faz título. Confunde-se o número de agregados familiares com a população: "Metade dos portugueses não têm rendimento suficiente para pagar imposto" … Naturalmente o que se passa é que nos pouco mais de 3,5 milhões de agregados que há no país, tanto "pesa" um agregado composto por um idoso viúvo quanto uma famílias composta por um casal com dois filhos. Ora se tivermos 10 agregados dos quais 6 forem compostos por idosos a viver sozinhos, com baixas pensões, e 4 forem compostos por, digamos, um casal com dois filhos, teremos 60% dos agregados que não pagam IRS mas também teremos que, em termos populacionais, representam apenas cerca de 27% do total.

O que se passa com o título referido é que é contrariado por uma realidade parecida com a do exemplo prático aqui dado logo, a menos que algo me esteja a escapar (e que não é referido na notícia), temos mais um disparate. (Mais detalhes aqui).

O INE tem informação estatística disponível para consulta sobre a estrutura populacional portuguesa, é só pesquisar um bocadinho… 

O primeiro grande número da governação de José Sócrates

Março 19, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política 10 Comments →

Défice 2006A valor hoje apurado para 2006 (-3,9%) corresponde a uma perspectiva muito positiva e absolutamente inesperada, na sua dimensão, quanto à evolução do controlo do défice público aproximando-se o valor do estabelecido como meta para 2007. Na realidade, perante as tradicionais tangentes ou ultrapassagens aos objectivos planificados e predefinidos, é significativo que esta primeira estimativa fique tão distante pela positiva do valor com o qual o governo português se havia comprometido: 4,6%. Um muito bom momento (relativo a factos concretos) para o governo de José Sócrates. Esperemos que da próxima vez e para memória futura de futuros governos, haja mais contenção, serenidade e sentido de Estado nos dias que antecedem a divulgação pública da informação.

Ao nível da dívida pública (suponho que por via do aumento das responsabilidades do serviço da dívida em ano de incremento internacional das taxas de juro), o cenário não é animador, contudo, se a estimativa agora divulgadapara o défice se confirmar e se servir de referência para o esforço de contenção que ainda falta realizar, o mínimo que se pode dizer é que estamos no bom caminho. Haja inteligência, serenidade e coragem para se perceberem as dificuldades, as armadilhas e os erros grosseiros que estão sempre à espreita no horizonte. 

Primeiro Ministro “informa” que o défice é menos de tantos por cento.

Março 17, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política 1 Comment →

"José Sócrates assegurou hoje que o défice relativo a 2006 ficará abaixo das previsões de 4,6 por cento do Governo, mas recusou que a folga orçamental possa servir para baixar já os impostos. (…) Segundo o semanário “Expresso”, o Governo tem já dados disponíveis que lhe permitem acreditar que o défice de 2006 ficará nos 4,1 por cento, 0,5 por cento abaixo das previsões do Executivo. (…)"

In Público.

Recordo que o défice a partir deste ano é apurado pelo INE (recorrendo à informação de base enviada pelos vários agentes do Estado) e que o trabalho ainda está em curso.

Incontinências verbais destas quando o INE (dotado de independência técnica e administrativa – mas não financeira) ainda está a trabalhar no assunto são, no mínimo, infelizes.

O INE divulgará a primeira estimativa do défice de 2006 nos próximos dias (até ao final deste mês).

Número de filhos: uma proxy para o bem estar social?

Março 15, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política 1 Comment →

A ler "Menos testes do pezinho" indiciam descida dos nascimentos" de Bárbara Simões no Público (ligação indisponível). Excerto:

"O Instituto de Genética Médica recebeu, no ano passado, menos 3580 "testes dos pezinhos" do que em 2005. Como o rastreio cobre 99,3 por cento dos recém-nascidos em Portugal, o presidente da Comissão Nacional do Diagnóstico Precoce, Rui Vaz Osório, só vê uma explicação para esta quebra no número de amostras de sangue a analisar para despistar doenças graves: "Nasceram muito menos crianças".  (…)"

Por experiência própria sei que este indicador tem resultados excelentes na antecipação do número efectivo de nascimentos em Portugal. A natalidade terá registado em 2006 uma das mais fortes quebras dos últimos 20 anos. Aliás, não é surpresa nenhuma verificar que os nascimentos também andam ao sabor das crises e expansões económicas.

O assunto deveria merecer mais atenção política… Uma reflexãozita e um estudo comparado com os nossos vizinhos europeus poderiam ajudar a perceber algumas diferenças que atribuimos de forma sobrevalorizada a outros factores.

Assim não à sustentabilidade nem produto que aguentem. Melhorar as condições de vida reduzir obstáculos e incrementar alguma discriminação positiva devem ser questões na ordem do dia, convivendo com OTAs, OPAs e derivas securitárias.

Ciclo de Workshops para Jornalistas – INE, 13 de Março, As Contas Nacionais Trimestrais

Março 12, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Media No Comments →

Fazendo pedagogia no uso e (abuso) da informação estatística (II/II)

Já aqui esteve em destaque em tempos, hoje retomo a dica. O INE encontra-se a realizar o ciclo de workshops para  jornalistas. Amanhã, um assunto muito cá de casa: pelas 10 horas iniciar-se-á o workshop relativo às Contas Nacionais Trimestrais. Nos meses seguintes, ao ritmo de um por mês, teremos o Comércio Internacional e Intrastat, o Índice de Preços no Consumidor e a Síntese Económica de Conjuntura e Indicadores de Curto Prazo.

O programa completo e instruções para a inscrição podem ser consultados aqui.

Fazendo pedagogia no uso e (abuso) da informação estatística (I/II)

Março 12, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Media, Política 1 Comment →

Precisão 2

"(…) António Perez Metelo tem razão em muito do que escreve, sublinho apenas que quem hipervaloriza a capacidade de intervenção do Estado (governo) na evolução do PIB nacional é a própria classe política, hipervalorizando ao ponto do ridículo o escrutínio das variações do PIB. Houve em tempos governantes que se ocupassem de saber se uma variação nula (em cadeia) do PIB era um zero positivo ou um zero negativo, por exemplo…

Perante a divulgação mais oportuna, mais rápida, com maior timeliness da primeira estimativa do PIB que se avizinha (divulgação 45 dias após o fim período de referência) faz todo o sentido reforçar a pedagogia pública do que são e de como se podem e devem analisar e utilizar estimativas económicas oficiais, como sejam o Produto Interno Bruto. Recordo por exemplo, que no Reino Unido, entre a primeira estimativa relativa a 2006, divulgada via Eurostat ao 43ª após o final do ano, e a segunda divulgada ao 65º dia, ocorreu uma revisão em baixa de duas décimas da taxa de variação homóloga. Terá o INE britânico falhado redondamente? Not quite. Claramente, preferem ter alguma noção do andamento da economia o quanto antes, admitindo alguma perda de precisão, face à alternativa de se divulgar um número mais exacto mas eventualmente demasiado tardio face à sua utilidade enquanto conselheiro para a governação económica das empresas e do país. (…)"

Continue a ler "PIB: os números falam mas não sob tortura" no Economia & Finanças. 

O INE custa 3 euros por ano por habitante. Só?!

Janeiro 26, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Media, Política No Comments →

Vamos lá correr o risco de ganhar uma medalha de corporativismo… 

"Conhecer, por exemplo, quanto está a crescer a economia, qual está ser a aceitação das tecnologias de informação, ou quais as taxas de desemprego e inflação em 2007 absorverá, em média, 20 euros dos impostos de cada família contribuinte. Esta é uma conclusão que se retira do Plano de Actividades do Instituto Nacional de Estatística (INE) para 2007, disponível no sítio do Instituto. (…)

O INE prevê gastar este ano 37,2 milhões de euros na produção e difusão de estatísticas. Destes, 86% ou 31,9 milhões, serão financiados através de transferências do Orçamento do Estado. Os restantes 5,3 milhões de euros resultam de receitas próprias do INE "associadas a subvenções do Eurostat [o organismo estatístico da União Europeia], à execução de determinadas operações estatísticas e à prestação de serviços", lê-se no documento."

in Canal de Negócios.

Ó Joca! Aumenta aí o número das famílias que é para baixar o rácio! (Atenção! Isto é uma piada. E isto também.)

Ora deixa cá ver. Temos o Orçamento de Estado a gastar 31,9 milhões com o INE. Temos, segundo as estimativas da população para 2005, 10 569 592 residentes. Ora se em vez de dividirmos o bolo pelas famílias (há-as com 15 indivíduos e há-as com apenas 1) ficamos com 3€ por cabeça, por ano

É muito? É pouco? A minha resposta honesta seria: depende. E a sua?

Depende do quê? Da utilidade, da qualidade, do custo relativo face a outros bens comparáveis aquém e além fronteiras. Assim esta notícia não passa de má estatística e, desculpem-me lá voltar a bater no ceguinho, de péssimo jornalismo. É o mesmo que dizer qual é o PIB per capita e querer com isso caracterizar a situação económica de um país. Talvez algum detector de spin se atreva a vislumbrar mais alguma coisa…

E então, acham que fui muito corporativo até aqui? Vou tentar mais um bocadinho.

Para iniciar o dia (act.)

Junho 20, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política No Comments →

Da noite de ontem sobra uma bela pergunta do Gabriel Silva no Blasfémias que também gostava de ver respondida.

" (…) O representante do Estado na Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal, Miguel Beleza, já apresentou a «reanálise das condições remuneratórias e demais benefícios incluindo prestações de reformas dos membos do Conselho de Administração» para a qual foi nomeado em 8 de Julho de 2005? "

A semana passada andei entretido à procura da net de uma referência a este caso para tentar saber se me tinha escapado o dia em que se anunciou a reforma das reformas do BdP. Afinal, parece que o desígnio da contenção da despesa sugerido pelo novo governador do Banco de Portugal continua a poder ter demonstração pública dentro da sua própria casa.

Vou até um pouco mais longe: e que tal pagar aos técnicos do Banco de Portugal o mesmo que se paga aos que produzem estatísticas oficiais no INE e que em tantos momentos são seus pares no estudo e discussão da realidade económica nacional? A redução da despesa então era capaz de ter lugar no Guiness Book of Records. Fica a sugestão para o ex-governador Miguel Beleza: arrepie caminho, pegue na tabela salarial e carreiras do INE, que não parece chocar ninguém, e aplique-as ao Banco de Portugal. O conselho é de graça.

A síntese de conjuntura

Maio 22, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE 2 Comments →

Desta vez parece-me vantajoso para o entendimento ler a versão inglesa da Síntese de Conjuntura. Dados do INE.

"Though during the first quarter both the activity and climate indicators did not show any upward movement, reflecting the slow pace of the recovery experienced by the Portuguese economy, some positive signs have been perceived. If these favourable indications become long-lasting, a more dynamic upturn may be expected. In fact, more favourable information for the manufacturing industry has been gathered, together with a relevant growth of exports, according to the latest data. Domestic demand should have also recuperated, as a result of both private consumption and investment behaviours. Therefore, activity as a whole may have accelerated, even if all other sectors, besides manufacturing industry, seemed to have remained depressed. Furthermore, coherent with this recovery of the activity focalized on manufacturing industry, employment grew, manly due to the upward movement on that sector, together with a slowdown of the unemployment, which resulted in a more moderate increase of the unemployment rate, comparing to the previous year."

Só para que conste (act.II)

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 7 Comments →

Recupero o 1º post do dia para aqui ficar de aviso durante o fim-de-semana. 

Ao contrário do que tenho ouvido nas últimas horas na Sic Notícias, na RTP e na TSF (todos com o patrocínio da Agência LUSA), o INE não divulgará dados novos do PIB na próxima segunda-feira, nem estimativas, nem previsões (aliás o INE não faz previsões de indicadores para divulgação pública). Não faço a mínima ideia de onde os jornalistas arranjaram esta notícia.

No próximo dia 9 de Junho, tal como consta no calendário de divulgação publicado há vários meses, serão divulgados os dados do 1º Trimestre do PIB.  

Andam mosquitos por cordas em torno do INE nos últimos dias ou é impressão minha? 

Da suspeita ninguém nos livra…

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política No Comments →

" (…) Portanto, com estes dados públicos, como é que Sócrates e Teixeira dos Santos puderam afirmar o que afirmaram?  
Na melhor das hipóteses, isso significa que são excelentes adivinhos. Na hipótese mais provável, significa que tiveram acesso antecipado a dados que não lhes é permitido terem.
"

Eduardo Moura no Editorial de hoje do Jornal de Negócios.

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: Economia, INE, Política No Comments →

"A taxa de desemprego foi 7,7% no 1º trimestre de 2006

No 1º trimestre de 2006, a taxa de desemprego estimada foi 7,7%. Este valor é superior em 0,2 pontos percentuais (p.p.) face ao observado no período homólogo e inferior em 0,3 p.p. face ao 4º trimestre de 2005. O número de desempregados situa-se em 429,7 mil indivíduos, representando um aumento de 4,1% face ao trimestre homólogo e um decréscimo de 3,9% em relação ao trimestre anterior. O número de empregados aumentou 0,6%, quando comparado com o mesmo trimestre de 2005, e diminuiu 0,1% relativamente ao trimestre anterior.

Mais informação aqui (INE).

A ler

Maio 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Política 1 Comment →

O Editorial de hoje no Diário de Notícias por Helena Garrido: "Desemprego".

(mais…)

Pobres mas honrados*

Maio 18, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE No Comments →

"Ministro antecipa indicador, que o INE só divulga amanhã." in Diário Económico de hoje.

Os números das Estatísticas Oficiais do Emprego só vão ser divulgados amanhã pelo INE (ou às 11h, ou às 15 horas).

Atendendo à multiplicação de declarações feitas pelo Ministros das Finanças sobre o que se passou no 1º trimestre em termos de Emprego, parece que sabe mais do que o comum dos mortais e esse simples parecer não é bom para o INE, como é óbvio. Títulos como o que surge hoje no Diário Económico destroem boa parte daquilo que é suposto distinguir o INE de qualquer Direcção-Geral do Governo.

Mas o que é certo é que me custa a  compreender que o Ministro se decidisse inventar um número correndo o risco de ser desmentido pelos números oficiais.

Pelo menos a mim parece-me dificil compreender que este Ministro o fizesse. E como poderão saber, este tipo de declarações dura já há alguns dias, tendo passado pelo próprio Primeiro Ministro em comentário às estimativas da Comissão Europeia para o desemprego nacional em 2006.

Seja de que forma for que se olhe para a questão, a situação parece-me difícil de entender. Por um lado, os custos políticos seriam assinaláveis perante um potencial erro de previsão do Ministro (feito em cima da divulgação oficial como sucedeu ontem) e, por outro, tanta expectativa e insistência no discurso sobre os números do 1º trimestre (recordo que o Inquérito ao Emprego do INE tem divulgação trimestral) poderia também ser confundida como uma tentativa de condicionamento dos números oficiais. Em todos os casos parece recomendável que os ministros deste e doutros futuros governos se contenham e aguardem serenamente a divulgação oficial dos números da conjuntura económica. 

Fica a posição oficial do INE que encontramos hoje no Diário de Notícias e a justificação do Ministro:

" (…) Fonte oficial desta entidade, a única que calcula a taxa de desemprego para Portugal, declarou ao DN que "o INE está a ultimar os trabalhos relativos ao Inquérito ao Emprego, pelo que nada ainda foi entregue [ao Ministério das Finanças]". Habitualmente, a informação deste tipo é apresentada aos membros do Governo apenas algumas horas antes da divulgação pública, seguindo a prática da generalidade das autoridades estatísticas da União Europeia.

Fernando Teixeira dos Santos baseou a sua expectativa de travagem do crescimento da taxa de desemprego no facto de se estarem a verificar sinais "mais animadores" de recuperação económica."

* Para que não haja dúvidas no título refiro-me ao INE e falo, como sempre, exclusivamente em meu nome pessoal.

O mercado do livro em Portugal

Abril 25, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: INE, Letras e Livros Comentários Desligados

" (…) Um dos estudos a lançar pelo Ministério da Cultura, através do Instituto Português da Biblioteca e do Livro (IPBL), em articulação com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e a União dos Editores Portugueses (UEP), prevê a publicação, com regularidade, de dados sobre as tiragens e vendas para se conhecerem os números do mercado do livro. (…)"

Agência Lusa, 23/04/2006



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