Adufe com ânimo

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
Subscribe

Archive for the ‘Ecologia e Natureza’

A cruzada da reciclagem - opinião II

Setembro 25, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Já foi publicada a 1ª parte *
Já foi publicada a 2ª parte **
Já foi publicada a 3ª parte ***
Já foi publicada a 4ª parte ****

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de Henrique Agostinho (resposta) a João Miguel Vaz:

Caro Rui,
Não quero entrar em polémicas.
A minha mensagem era bastante mais simples.
Os debates como o “reutilizáveis vs. recicláveis” tendem a ser estéreis. E tendem a ser estéreis porque se enredam em argumentos ora incompletos (apenas embalagens de líquidos alimentares ou apenas plástico vs. vidro), ora pouco realistas (porque os investimentos são grandes e há que rentabilizá-los).

Enfim, estes debates não ajudam, por isso, volto ao que me interessa: O importante é reciclar, o importante é conseguir a participação das populações na separação. Adorava ver mais gente interessada no “que é que se pode fazer para aumentar a participação da população”, em vez de desfocar o debate para os meandros técnico/políticos cujo resultado tende a ser o afastamento das pessoas que se sentem impotentes perante problemas tão complexos. Naquilo que é um portuguesismo clássico: “a culpa é do sistema, não há nada a fazer”.

No meio de todas as polémicas há um ponto unanime: “Separar é preciso!” Por isso, quem tiver ideias sobre como potenciar a participação das população, força, sou todo ouvidos! No que estiver ao meu alcance (e até está muita coisa, sou um afortunado) tudo farei para aumentar a participação das pessoas.

Foi o “prémio aos pais” do post original que me levou a intervir (é uma boa ideia mas, infelizmente como o Rui concordará, 2 contos por ano por família não são relevantes). Mais ideias houver: baldes, sacos, concursos, mais perto ficaremos de conseguir o nosso objectivo! Claro que a “realidade” é inimiga das boas intenções, mas isso é problema meu. A todos os interessados, e especialmente ao Adufe que em boa hora se interessou por este assunto, é só isso que se pede: “o que podemos fazer para aumentar a participação das pessoas?”

Por exemplo, quem lê o Adufe já começou a separar? Melhores cumprimentos

Reciclagem - Opinião I

Setembro 25, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza 4 Comments →

Já foi publicada a 1ª parte*
Já foi publicada a 2ª parte**
Já foi publicada a 3ª parte***

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de João Miguel Vaz:

Gostaria de preparar uma resposta mais completa a algumas afirmações do Sr. Eng. da Ponto Verde, Henrique Agostinho.
Neste momento não é possível. No entanto, e muito rapidamente, enuncio algumas contradições ao discurso de Henrique Agostinho.

Ao contrário do que afirma as embalagens reutilizáveis, caso das PET. Para a água ou refrigerantes, atingem facilmente ciclos de 60 “vidas” http://www.carolinen.de/unter_umwelt_start.html - a fonte é o “produtor” de água) - “usar-transportar -lavar-transportar-usar-..etc.
Henrique Agostinho afirma que os “retornáveis têm ciclos de 5 ou 6 vezes” i.e. dez vezes menos que o afirmado pela firma que usa os retornáveis !!!

Henrique Agostinho, escreve “O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas”. Os “life cycle assessment” (ciclo de vida e balanço ecológico) são quase sempre positivos a favor das embalagens retornáveis, em detrimento dos plásticos “usa-e-deita-fora”. Henrique Agostinho errou, e mais grave ainda, leva os leitores a pensar que o “usa-e-deita-fora” é o caminho certo para uma melhor prática ambiental.

É preciso explicar que os plásticos são é necessários às Centrais Incineradoras (CI’s) pelo seu potencial calorífico. Tirem o papel e os plásticos às CI’s e elas deixam de poder ser rentabilizadas. Na sequência, Henrique Agostinho afirma “… e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se “estar a fazer qualquer coisa ” . Ora, há estudos sobre a “linha-ténue”, onde se precisa o impacto ambiental de cada solução, e na maioria dos casos a incineração é sempre a pior solução. Desafio o Henrique Agostinho, a demonstrar em que casos a Incineração é positiva em relação à reciclagem !

Cito um estudo levado a cabo pelo Ministério do Ambiente alemão em que
Se afirma o seguinte:

“Bundesumweltministerium und Umweltbundesamt stellten im Juli 2002 die
Ergebnisse der Phase II der “Ökobilanz für Getränkeverpackungen für alkoholfreie Getränke und Wein” vor. Untersucht worden waren Mehrwegflaschen aus Glas und PET, Getränkedosen aus Aluminium und Weißblech, Glas-Einwegflaschen und Getränkekartons im Hinblick auf ihre gegenwärtige Umweltbilanz sowie ihr zukünftiges ökologisches Potenzial.
Die Ergebnisse fasste der Präsident des Umweltbundesamtes wie folgt zusammen: “Zwar sind sowohl bei Einweg- als auch Mehrwegverpackungen deutliche Verbesserungen zu verzeichnen, Mehrweg bleibt jedoch auch in absehbarer Zukunft Einweg überlegen. Getränkekartons bilden dabei allerdings eine Ausnahme.”
in http://www.informationszentrale.de/index.php?scr=umwelt&id=1
http://www.umweltbundesamt.de/uba-info-daten/daten/pfand.htm

Em síntese, o estudo afirma que as embalagens reutilizáveis, ou retornáveis, têm sempre vantagem ambiental no seu ciclo de vida, balanço ecológico, com uma única notável excepção a das bebidas em “treta-pak”.

Muito mais haveria a comentar. Fica para outra oportunidade.
Desde já o meu bem-haja pelo interesse !
Cumprimentos,
João Miguel C.G.Vaz, Market Analysis ? P & A Truck and Bus Room 132,
R&D Stöcken

Não percebo uma palavra de Alemão… Confio que a síntese apresentada seja fidedigna :) Amanhã há mais!

Reciclagem - O início do debate

Setembro 24, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Já foi publicada a 1ª parte*
Já foi publicada a 2ª parte**

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Volvidos alguns dias face ao comentário do Adufe às notícias do Jornal de Negócios (entrada anterior), Henrique Agostinho - o entrevistado -, Director de Comunicação da Sociedade Ponto Verde - ver resumo curricular aqui - , enviou um e-mail ao Adufe onde, a título pessoal, apresentou alguns esclarecimento, rebateu algumas das sugestões por mim feitas e sublinhou o trabalho que está em curso. O texto é reciclado na íntegra, perdão, republicado na integra, após este excerto (na entrada estendida disponível no link no final deste texto). Foi na sequência deste e-mail que vim a publicar no Adufe que surgiu um comentário de João Miguel Vaz contrapondo alguns dados apresentados como adquiridos por Henrique Agostinho.
João Miguel Vaz apresenta-se:

trabalhei como bolseiro no Instituto de Resíduos (LASU) em Münster,
Alemanha, em 1998/99. Através da prática adquiri alguns conhecimentos na área do tratamento de resíduos, sua preveção, recolha e aproveitamento.
O meu trabalho de fim de curso, ano 1998, na Universidade de Coimbra,
curso de Eng. Mecânica incidiu no tema “Queima de resíduos na Indústria do
Cimento”, a famosa Co-incineração.

No post seguinte publicarei a primeira réplica de João Miguel Vaz a Henrique Agostinho. A discussão seguir-se-á nos próximos dias.
(more…)

Reciclagem - O artigo no Jornal de Negócios

Setembro 24, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Já foi publicada a 1ª parte aqui.********

No dia 9 de Setembro voltei à carga desta feita com o comentário a dois artigos do Jornal de Negócios onde se entrevistou Henrique Agostinho responsável de Comunicação da Sociedade Ponto Verde. Nesses artigos apresenta-se um balanço da situação da reciclagem em Portugal, bem como, algumas das medidas que a Sociedade Ponto Verde se prepara para lançar. Ora leiam lá, clicando no link para o detalhe aqui mesmo em baixo.
(more…)

Reciclagem - Contributos para uma reflexão

Setembro 24, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Inicia-se aqui uma série de textos sobre reciclagem. Um debate que não tenho visto praticamente em lado nenhum…>
Nos próximos dias divulgarei aqui uma troca de opiniões que se tem realizado por e-mail entre Henrique Agostinho e João Miguel Vaz e que julgo contribuirem um pouco para esse objectivo de ir um pouco além da análise superficial sobre o tema. Os interlocutores serão apresentados com mais detalhe nas próximas entradas do Adufe. Para já um enquadramento a quem não tenha acompanhado os antecedentes.

A 3 de Setembro trouxe para o Adufe pela primeira vez o tema da reciclagem.

Escrevi: “Ora bem, pagar já nós pagamos, quer directamente (através da taxa de saneamento básico de cada Câmara, através dos impostos), quer indirectamente (cof cof, infecções, cancros, intoxicações, perda de beleza do meio ambiente, etc, etc) e ainda assim o problema não se resolve, agrava-se. Em Portugal, dizem as estatísticas, o número daqueles que recicla é mínimo… Mesmo com democracia, mesmo com o mercado a funcionar. Algo está a falhar…
De certeza que há solução, ou mesmo soluções…

Terminei com o seguinte relato:
“Uma amiga meio a brincar, meio a sério disse-me que se recusava separar gratuitamente o lixo e posteriormente colocá-lo no respectivo ponto de recolha a custo zero. “Não há gajos que ganham dinheiro com o meu lixo? Se me pagassem uma parte do seu valor eu investia tempo e dedicação em seleccionar, acondicionar e entregar o lixo. Porque o meu lixo tem retorno, como pode ter retorno a garrafa e algumas outras embalagensâ€?. Ainda argumentei “Então e a tua preocupação com o meio ambiente, esse seria um teu contributo activo para teres um mundo melhorâ€?…. Está bom de ver que a moça me atirou à cara o vizinho free rider que dá cabo do esquema.
E de facto, pensando bem, porque não consideramos esta hipótese? Se além de campanhas de sensibilização (úteis para que todos percebamos o que está em jogo, que todos “lucramosâ€? com a interiorização do princípio do não desperdício e nos consciencializamos dos custos do nosso lixo) houvesse uma retribuição equivalente a uma percentagem do valor directo do lixo depositado talvez fosse mais fácil e seguro derrotar as lixeiras e reduzir a pressão sobre o planeta. Seguramente que não seria lucrativo produzir lixo para depois ganhar o valor da reciclagem mas seria confortante perceber que o custo de não reciclar é bem maior do que o de sermos os nossos próprios lixeiros.”
Texto completo aqui.
Continua…

Sociedade Ponto Verde / Reciclagem

Setembro 23, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Tenho em carteira dois contributos sobre o tema do título. É um tema a que recorrentemente tenho dado destaque no Adufe. Assim que puder fazer uma resenha da discussão passada (e espaçada) apresentarei essas contribuições que recebi por mail. Parece-me que a nova casa me trouxe também novas visitas, leitores diferentes, pelo que para retomar o tema prefiro repetir um pouco a história. Em breve…

Direito de resposta: Sociedade Ponto Verde (act.)

Setembro 15, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Economia, Política, Portugal, Sociedade Comments Off

Não há nada como estar sempre disposto a aprender… No passado dia 9 de Setembro publiquei aqui o post Reciclagem II onde expunha alguma ideias pessoais a pretexto de duas notícias publicadas no Jornal de Negócios relativas à reciclagem em Portugal. Notícias onde eram apresentados excertos de uma entrevista a Henrique Agostinho responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
A blogo-esfera (e a internet) tem destas coisas e o Adufe recebeu há poucos dias um e-mail de Henrique Agostinho onde este, a título pessoal, ofereceu algumas impressões e alguma informação útil para melhor enquadrar o problema. Mais do que entrar em debate e argumentar em favor de algumas das sugestões que aqui deixei julgo apropriado, neste momento, deixar aqui o testemunho que me enviaram. Sem tempo para uma edição cuidada deixo-vos a missiva na integra com alguns sublinhados meus.

Caro Rui.

Muito Obrigado pela sua preocupação com a Sociedade Ponto Verde e a Reciclagem. Creio que o sucesso da reciclagem passa muito pelo WOM (pelo que uns dizem aos outros) e respectivo aumento da mobilização.

Vou fazer vários comentários, creio que tenho essa legitimidade uma vez que sou abundantemente citado, isto apesar de os comentarios serem puramente pessoais:

1) 62% Não separam. Não separam “nada”, zero. Porque os outros 38% alguns separam “alguma coisa” e mesmo muito poucos separam “mesmo”. Porquê?

Há as razões razoáveis - Porque o sistema é novo, porque os hábitos custam a adquirir, porque algumas pessoas não têm de facto a vida facilitada para separar. Há as outras razões - Porque temos uma altíssima taxa de acidentes rodoviários e porque temos uma enormíssima fuga fiscal. Porque os Portugueses são resistentes às ideia de civismo.

Pesando umas e outras razões, vemos que, apesar de ser recente, os portugueses assistiram a um imenso investimento em ecopontos, centrais de triagem, aterros, etc. Que os portugueses dispõem de mais ecopontos que Multibancos. Que quase toda a população é servida por um muito bom sistema. Mas como a participação é pequena, só posso concluir que a “culpa” o atraso cultural das pessoas que não separam, as tais “outras razões”.

2) O financiamento. E o eventual aumento do Valor Ponto Verde.

Infelizmente a notícia saiu muito pouco clara. O que eu apontei foi algo em que a matemática não deixa margens para dúvidas:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagam um valor por quilograma X.

- As embalagens recolhidas para reciclagem recebem 4X

Como isto é possivel, é porque em Portugal se recolhia para reciclagem menos de 25% das embalagens que pagam Ponto Verde. 25% de 4X = X

Acontece que no ano de 2005 vamos ultrapassar os 25% de reciclagem a caminho dos 50% que estão estabelecidos para 2012. Ora como 50% de 4X =2X (custos) e a SPV apenas recebe X, a equação não é viavel. Logo, daqui para a frente teremos de evoluir para uma situação em que:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagarão um valor por quilograma Y.

- As embalagens recolhidas para reciclagem receberão 2Y.

O que ninguém sabe é se 2Y =, 4X

Mas até 2012 Y acabará por ser > X.

Ora isto é matemática e entendamos é diferente do que estava publicado. A recolha selectiva tem de ser feita, essa recolha tem custos, os embaladores assumiram essa responsabilidade. Está arrumado.

O que não está arrumado é a questão do “prémio aos pais”. Concordo pagar aos pais pela separação é uma solução interessante. Tão interessante que se pratica no Brasil com imenso sucesso. No Brasil porque há milhões de favelados que vivem de separar o lixo das lixeiras em “regime de free-lance”. Para o bem e para o mal, a nossa sociedade portuguesa não toleraria uma solução tão pobre. E o valor unitário que tem o lixo separado é ridiculo, são precisos muitos milhares de pessoas a reunir embalagens para se obter um qualquer valor relevante. E por isso eu digo que é um “negócio de escala”, quer dizer que só com grandes quantidades de “lixo” separado se obtém algum valor relevante, que dê para contratar
pessoas e pagar ordenados.

E ainda há a questão do lucro. O “negócio” da SPV não dá lucro porque a SPV não quer. A SPV é uma empresa sem fins lucrativos e todo o dinheiro que tem reutiliza na reciclagem. Por isso é que não dá lucro e por isso é que ninguém quer concorrer com uma empresa sem fins lucrativos! Óbvio não é?

Assim resumo a questão do financiamento.

3) Os baldes, os sacos, etc. - Se nós (SPV) não ajudar-mos as pessoas a separar quem ajudará! Ora bem, se pedimos às pessoas que separem, melhor será que lhes dê-mos acesso aos equipamentos e conhecimentos necessários para o fazer. Idealmente gostava de oferecer os tais baldes e sacos, mas como isso se revelaria incomportável e pouco eficaz, apostamos em vendê-los ao menor preço. Sem margens. Com escala. Podemos reduzir o preço de prateleira para um terço. Podemos garantir que existem e são funcionais. Podemos ajudar. E é isso que vamos fazer. Com baldes, com sacos e com prémios ás escolas que mobilizarem os alunos.

Que outra forma poderia haver? Seria legitimo da parte da SPV não fazer todo este esforço de simplificação da vida das pessoas?

4) As embalagens retornáveis - Não sou especialista, mas creio que não é tão simples quanto isso. Uma embalagen retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais “sólida” logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas. E por ultimo quanto “vasilhame com depósito” ia direitinho para o lixo, mesmo nos tempos de maior aperto de cinto em Portugal?

Ora, para acomodar os produtos que consumimos, vamos usar embalagens e quer sejam usadas uma ou 5 vezes, o importante é que sejam recicladas no fim da sua vida. Ou não é?

Assim, aconselho distanciamento quando se inventar soluções para o problema. Nem sempre o que parece é, e por vezes o pior sai melhor.
Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se “estar a fazer qualquer coisa

Bem, espero ter esclarecido alguns conceitos, nomeadamente:

- Porque é que há tantos portugueses que não separam e o tamanho do problema

- Porque é o financiamento é como é e como não vale a pena inventar a roda

- Como é que as iniciativas anunciadas irão ajudar

- E que os debates entre não-retornáveis e retornáveis são estéreis.

Continue interessado e a interessar pela separação, que esse é decerto um bom caminho.

Ainda uma nota sobre Curitiba, de Henrique Agostinho, que resultou de uma troca de mails posterior:

Curitiba é um exemplo de urbanismo/desenvolvimento social irrepreensível. Os sitemas de transporte públicos, a reconversão do comércio tradicional e o sistema de recolha do lixo são extraordinários. No entanto a própria Curitiba começa a ser vítima do seu sucesso e do facto das suas soluções serem específicas para o nível de vida do Brasil. Por exemplo - Mesmo apesar do “Ligeirinho” cada vez mais pessoas tem carro privado e o transito ameaça ficar igual ao das outras metrópoles da américa latina. O nível de vida sobe e as pessoas compram carros, parece ser inevitável.
Da mesma forma a recolha/reciclagem contra vouchers de comida só funciona quando as pessoas são mesmo pobres. Por exemplo, numa conta muuuito simplificada, todo o lixo de uma pessoa normal em Portugal entregue para reciclagem vale aí uns 10E/ano! Em Portugal quem é que consideraria relevante ter todo o trabalho que implica separar por apenas 10E/ano!
Ainda assim, Curitiba continua a ser a cidade mais bem gerida do mundo (e isto não sou eu que digo).

Nota adicional:
Sociedade Ponto Verde com novo Director de Comunicação

Henrique Agostinho é, desde o início de Julho, o novo responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
Anteriormente Director de Marketing e Vendas na Oniway, entrou para esta empresa de telecomunicações em 2001 para assumir o cargo de Director de Marketing e Comunicação. A sua experiência na área das telecomunicações começou quando ingressou os quadros da Optimus, onde desempenhou o cargo de Director de Marketing.

A sua actividade profissional teve início na Procter & Gamble, em 1995. Depois de desempenhar funções como Assistant Brand Manager, rumou a Madrid e a Londres para assumir o cargo de Brand Manager.

Henrique Agostinho tem 30 anos e é Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico.

A reciclagem é agora o seu novo desafio.

A Reciclagem II - (mega post – um pouco mais 1000 palavras!)

Setembro 09, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Economia, Política, Portugal, Sociedade 4 Comments →

Correndo o risco e tendo bem presente que “Se não receio o erro é porque estou sempre disposto a corrigi-lo” cá vai disto.

«Reciclagem em balanço: SPV recicla 116 mil toneladas, mas…
62% dos Portugueses ainda não separam as embalagens usadas» in SPV

O Jornal de Negócios publica hoje dois artigos sobre as próximas novidades que envolvem a Sociedade Ponto Verde (SPV). Refere-se (1.) o processo de atribuição de uma nova licença de funcionamento como entidade dinamizadora da recolha selectiva e reciclagem em Portugal, bem como, (2.) as iniciativas práticas cuja implementação se adivinha para breve.
(more…)

O outro défice

Setembro 03, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Política, Portugal, Sociedade Comments Off

O outro défice
ou
Por que raio hei-de pôr o lixo no Eco-Ponto?

Os produtos reciclados tem valor económico directo – são matéria prima para fazer papel reciclado, vidro, metal, combustível, etc - além de um valor dificilmente quantificado pelos prejuízos que se evitam pelo seu processamento (mais) eficiente.
Mas quem quantifica esta última parcela do custo sabendo que a unidade de medida tem de ser monetária? Este passo é fundamental para implementar o princípio do poluidor-pagador por exemplo… Aparte o apoio técnico que um grupo de engenheiros, economistas e afins pudessem dar, a tarefa no final é iminentemente política. E como sabemos há quem faça escola no governo de grandes países (grandes poluidores) em desprezar esse custo na factura da administração do planeta. O paradigma mais popular desta opção política é sem dúvida o presidente dos Estados Unidos da América mas tem muita companhia. Provavelmente para estes lideres o valor económico directo é desprezável (quando comparado com o apurado na produção de futuro lixo) e o “indirecto� não se enquadra nas premissas dos estabilizadores automáticos providenciados pela estreita lógica de omnipotência do mercado.
(more…)

O frango e a galinha

Agosto 08, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Há dias vi apresentarem num documentário (National Geographic?) o “frango do mar”; referiam-se aos salmões de aquicultura.
Fiquei impressionado com os risco que as mal reguladas indústrias de aquicultura representam para a preservação das espécies selvagens - biodiversidade - e para a saúde humana. De panaceia ou mesmo solução para a sobrepesca, os ambientalistas passaram a encarar esta indústria com olhos mais preocupados. Os viveiros apresentam-se como geradores de novas doenças, promovem a degradação das espécies selvagens pelos cruzamentos acidentais entre indivíduos “domesticados” e os outros endurecidos e preparados pela selecção natural… E os métodos científicos de engorda e embelezamento (o salmão quer-se rosado, certo?) podem conter aditivos pouco saudáveis para os humanos. Onde é que já ouvimos esta histório? A era da inocência quanto à aquicultura terminou.
Enfim, a conclusão que retirei é que há muito para fazer numa indústria nova e com potencialidades interessantes. Mas tudo é mais complexo e merecedor de cautelas do que inicialmente se pensava. Fiquei-me também como “frango” do mar na cabeça…
Se o salmão é o frango, então as douradas são os patos de aviários marítimos e por aí adiante até esgotarmos a crescente lista de espécies que são já criadas em cativeiro…
Agora o que eu não sabia é que já há muito tempo temos a “Galinha do mar”. O nosso companheiro, camarada, amigo - escolha alegremente a que melhor convier que eu garanto boa conotação - da Oficina de Ideias apresentou-me a Tremelga. Um parente dos tubarões que muitas vezes serve para ir borda fora mas que na Caparica tem lugar reservado entre as melhores caldeiradas… Se for como a galinha do campo - a genuína - o tempo adicional de cozedura justifica a preferência ao frango! Fiquei com saudades de uma bela caldeirada!

Ar fresco!!!!

Agosto 07, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Media, Pessoal Comments Off

A Francisco Amaral não se deve importar, tem lá tantas no blogue dele!

Acabei de chegar a casa… Abri a torneira e ia-me escaldando… Os legumes cozidos para acompanhar o salmão grelhado vão ficar de molho no lava loiças. Mais uns minutinho e devem estar no ponto!

Terra de fogo - From Nasa

Agosto 05, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Portugal Comments Off

Nua, só com um véu…

Ladino o Pardal

Agosto 05, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Enquanto houver milho em Portugal…

Haverá sempre torgas nas serranias!

Agronomia popular aprendida nos pinhais da Benquerença… (não é sobre fogos, prometo)

Agosto 04, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza 2 Comments →

Há zonas do país onde a floresta é uma indústria na qual participam grandes e pequenos proprietários todos conscientes do que fazem. Tomemos o exemplo do pinheiro. No acto da venda a árvore é valorizada individualmente regateando-se o preço. A árvore tanto pode valer 10 como 40 euros dependendo do porte, cubicagem, etc. Noutras zonas, a esperteza de uns e a sandice dos outros levam um pinhal a ser vendido a olho, por atacado, sem que se saiba sequer quantas árvores de vendem. Não é raro com uma venda desaparecerem no camião do madeireiro o pinhal vendido e os vizinhos. Os proprietários vitimizados são muitas vezes idosos, pouco sabedores de como funciona o resto do negócio ou então (no caso dos integralmente roubados) estão ausentes, são herdeiros de um país que não podem cuidar. Às leis do mercado faltam aqui algumas premissas básicas para que funcione eficientemente…
Voltemos ao pinho. É plantado de raiz segundos leis da geometria agronómica ou, então, mais artesanalmente, é seleccionado caso nasça após um abate das antigas árvores que largaram pinhões. Todos os anos o pinheiro cresce e é conveniente moldar a árvore aos intentos. Tratando-se de um pinheiro bravo, bom para lenha, mobiliário ou pasta de papel, leva-se a árvore ao “ginásio� cortando os galhos mais baixos, canalizando forças para que cresça em altura e em diâmetro.
No início, quando a sua sombra não impede o sol de alimentar outros arbustos, é importante derrubar giestas, carapeteiros, urzes e estevas. Ao fim de poucos anos, esses concorrentes deixam de ser preocupação, o sol escasseia por debaixo e o pinhal consegue-se manter limpo com pouco esforço, a coberto do risco de pequenos fogos. Sobram as pinhas e a caruma que em muitos casos são fonte de rendimento e causa de cobiça; basta que para tal não seja muito penoso o passeio entre a lareira e o pinhal. Dependendo da terra, da qualidade dos genes, da densidade das árvores, do clima e outros que tais, em 20 e poucos anos podemos ter um belo pinhal pronto para abate e nova cultura, de pinheiros ou outras árvores.
O interior que eu conheço melhor é o do exemplo dos espertos e dos ensandecidos. Poucos há para cuidarem da serra porque poucos há com força para erguerem um malho ou controlarem uma moto serra. Entre os que sobram, os que não emigraram e a prole que resta, parece grassar uma fobia serôdia de trabalhar no campo. Estamos num beco sem saída, aparentemente, nem os ucrânianos nos valem.
Os pinhais vão ficando ao abandono. Se assim falo dos pinhais é porque dos soutos ou carvalheiras já pouca história conheci. Um sobreiro aqui um azinheira ali. Entre doenças e vistas curtas os Quercus são quase só monumentos em ruínas do esplendor de outrora. Nas serranias onde o granito e o xisto não surgem descobertos de terra, dominam as resinosas e os outros, os perfumados da Austrália. O eucaliptal das grandes celuloses que vai enchendo as serras (ordenado, desertificando) surge como único exemplo algo perturbador de uma ligação cada vez mais distante entre o homem da raia e a floresta.

P.S.: Há alguns anos que se fala de uma reforma do imposto sobre prédio rústicos. Espero que o Estado esteja em condições de assumir a propriedade de largos milhares de hectares de terra e que tenha, depois, vocação de povoador, pois nesta zona que melhor conheço, ganharia não o imposto mas a terra.

42º em Lisboa

Agosto 01, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Pessoal Comments Off

Estamos a 1º de bater o recorde histórico de 1981 informa a Protecção Civil…
E quando falamos em 42º a referência não é a baixa da cidade é a estação meteorológica do INMG ali para o lado do aeroporto.



Estatísticas