Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Ecologia e Natureza’

ANTOFAGASTA necessita urgentemente de filtros para a água

Novembro 27, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza 3 Comments →

Um estimado leitor de ANTOFAGASTA (Chile) acabou de encomendar ao Adufe 300 filtros de água numa base mensal. Se houver interessados no negócio considerem-no desde já entregue. Para mais detalhes, nomeadamente os contactos do cliente, queiram consultar os comentários deste texto do Adufe de 6 de Outubro.
(e agora em que categoria é que eu vou pôr este texto???)

Planeta Azul

Novembro 26, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Economia, Política, Portugal Comments Off

A RTP2 está a repor há já algumas semanas, antes do telejornal das 22 horas, a série de reportagens do programa Planeta Azul. Tem sido um dos poucos momentos de televisão que tenho acompanhado com alguma regularidade nos últimos meses, um dos poucos programas que tenho pena de perder. Combóios Bala, Japão
Hoje abordou-se a questão da gestão dos transportes analisando-se mais pormenorizadamente a ferrovia sob o pretexto do destino da linha do Oeste. O cenário parece ser o de deixar apodrecer para depois chamar o economista que confirmará o óbito por “manifesta inviabilidade económica�.
Este tipo de raciocínios onde se cola o estudo da viabilidade económica à contabilidade de mercearia é o tipo de prática que dá má fama à economia e aos economistas.
As premissas de partida para a realização do estudo são determinantes para que, com honestidade intelectual, saibamos avaliar o que é que temos em presença quando é produzido um estudo de viabilidade financeira. Sublinhe-se que em regra essas premissas são ditadas por quem encomenda o estudo e não pelo investigador.
O raciocínio é cristalino se a isso estivermos dispostos. Porque é que lá fora, na Europa central e setentrional (esqueçamos o Reino Unido que esse só serve de exemplo para o como não privatizar e gerir a ferrovia) se tem investido continuamente na ferrovia? Se se limitassem à contabilidade de mercearia onde não está disponível qualquer lógica de visão integrada, de política de investimento concertado com a rodovia, com as diversas facetas da ocupação do território, com a educação cívica, com a gestão dos cidadãos automobilizados, entre outros, a conclusão do estudo de viabilidade ditaria muito provavelmente o desinvestimento na via férrea como temos feito por aqui.
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As perguntas (corrigido)

Novembro 13, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

A imprensa (e em particular o Público) lembrou-se de colocar as perguntas certas apresentando o balanço do que está feito e por fazer na área da prevenção e combate ao risco de poluição marítima. Parece que está quase tudo paralizado!
Esperemos ao menos que o nosso ministro da Defesa continue a ter relações privilegiadas com a sua santinha de eleição, não vá o diabo tece-las.

Para memória futura: Prestige

Novembro 13, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Um comprimido para a memória alinhavado pelo Leonel Vicente e a tomar ao longo deste dia que agora começa: Prestige um ano depois.

É interessante e gratificante ver este esforço por preservar na memória questões por resolver, que temos todo o interesse em não esquecer. Um esforço que passa por vários blogues desde os mais famosos a alguns bem menos visíveis. Pode ser que haja quem se decida a fazer perguntas e a obter respostas, mesmo agora, sempre agora, à distância de uma dúvida que persiste.

A propósito deste tema (o afundamento do Prestige) sugiro também um artigo que aqui deixei há alguns meses.

Quem corre por gosto… - Reciclagem

Outubro 28, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

O Henrique Agostinho e o João Miguel Vaz tem sabido manter um animado, educado e estimulante debate sobre várias vertentes do problema da reciclagem que tenho tido o prazer de promover no Adufe.
O João tem um referencial de exigência elevado, cultivado pela sua vivência num país onde a reciclagem é há muito tempo uma actividade aceite e generalizada (Alemanha); o Henrique tendo algum poder de influenciar directamente o que se faz por cá via Sociedade Ponto Verde, contacta com uma realidade alguns passos atrás do que se faz, por exemplo, na Alemanha.

Têm procurado encontrar um equilíbrio, confrontado conhecimentos, verificando ignorâncias. E julgo que têm tido algum prazer em esgrimir argumentos e em saber que contribuem um bocadinho para por outros a pensar (nem que seja este que vos lê e agora escreve).
Basta de conversa, em resposta ao texto publicado há algumas horas aqui no Adufe de autoria do João Vaz (Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais), o Henrique Agostinho oferece-nos algumas reflexões e esclarecimentos adicionais em seis pontos distintos:

1. A Incineração
2. O Tribunal Europeu
3. Será a incineração má
4. Quanto custa separar
5. Reduzir
6. Quercus
Segue-se o texto.

NOTA: se quiser saber mais consulte os textos da categoria Ecologia e Natureza
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Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais

Outubro 28, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza 14 Comments →

João Miguel Vaz regressa “ao ataque” interpelando Henrique Agostinho e aprofundando um pouco mais os seus argumentos.
O texto de hoje intitula-se “Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais.”
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Reciclar versus Incinerar - Reply

Outubro 24, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Política Comments Off

Floresta da Serra da Estrela, NaturlinkEm resposta às críticas e sugestões que João Vaz aqui trouxe ontem à Sociedade Ponto Verde (SPV), Henrique Agostinho da SPV enviou uma resposta (que o vincula só a ele não à SPV).

Caro João, bom regresso!

Comentários:
Os ecopontos estão sujos e porcos e cheios - Verdade! Devia haver forma de controlar, reclamar e impor nível de serviço. Se os estudos indicam que os ecopontos são a melhor solução para a generalidade dos casos e ainda por cima foi esse o investimento feito, então que os ecopontos funcionem bem é o mínimo que se pode exigir. Estou solidário com essa reclamação, não estou solidário com a generalização dessa reclamação a todos os ecopontos ou com a sua utilização como desculpa para não reciclar.
Mas de facto: Faz falta uma garantia do nível de serviço nos ecopontos.O porta a porta é uma questão menos prática, os seus méritos prováveis e ainda não provados têm a desvantagem de vir tarde, a decisão de fazer a recolha selectiva via ecopontos foi tomada há alguns anos, os equipamentos comprados e instalados, pelo que enquanto não houver indicação clara que a mudança de método compensa a preocupação passará por fazer os ecopontos funcionar bem. Parece lógico?!

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Incenerar não é reciclar

Outubro 23, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Política 2 Comments →

Floresta da Serra da Estrela, NaturlinkO título é da minha autoria, o texto é do João Miguel Vaz um dos participantes na discussão sobre reciclagem que se tem patrocinado aqui no Adufe. A pretexto da notíca do Público de hoje que se apresenta em anexo, João Vaz lança uma crítica bem vincada à política de investimentos da Sociedade Ponto Verde (SPV) no campo da reciclagem / inceneração.

Caros,
Há quase mês comecei um e-mail que não terminei sobre os comentários do Henrique Agostinho. Envio-o agora, com uma actualização provocada por uma notícia do Público.
O Henrique Agostinho parte de um ponto um pouco “estafado”, os portugueses são uns “ignorantes” e é difícil levá-los a fazer alguma coisa pelo ambiente, no caso pela reciclagem.
Não vale a pena ser pessimista, é preciso acreditar que podemos mobilizar as pessoas se formos criativos. Como já foi várias vezes referido, o maior inimigo da reciclagem é o seu carácter pouco lucrativo.
Tal como a amiga do Rui referiu, o que ganha ela com a separação dos resíduos ? É a pergunta que muitos fazem e para a qual o Henrique Agostinho só tem uma resposta: a consciência de que está a fazer algo pela comunidade e pelo ambiente- a minha resposta é a mesma. A minha crítica à SPV é simples: os portugueses não estão convencidos que ao reciclarem estão a contribuir para o bem de todos. A falha está na mensagem e no mensageiro: junto aos Ecopontos que eu conheço não há mensagem e o mensageiro não passou por lá. Por isso, acredito no porta-a-porta. Este sistema funciona em determinadas circunstâncias em determinados lugares.
Mais uma vez, venho chamar a atenção para os estudos já existentes que podem dar pistas à implementação bem sucedida do porta-a-porta.
No concelho de Oeiras fizeram-se várias tentativas. Confesso desconhecer os resultados em pormenor.. Li hoje esta (ver abaixo) notícia no Público e estremeci. Se realmente a SPV recolha selectivamente embalagens para depois apoiar a sua queima, então não vale a pena as pessoas andarem a separa os resíduos, para quê ? Para irem parar todas à mesma fornalha ? Para ser construídas mais incineradoras ? Para enchermos a atmosfera ainda com mais CO2, furanos e outros venenos ?
Para isso não vale a pena gastar dinheiro em contentores verdes, azuis e amarelos. Será, ou já é, o descrédito total do sistema introduzido pela SPV.

Cumprimentos,
João Vaz

Em anexo a notícia de hoje do Público.
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A Aba Recicla (act.)

Outubro 17, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza 1 Comment →

Depois da rajada de artigos e a discussão que por aqui passou sobre reciclagem (ver o arquivo de Ecologia e Natureza) recupero o tema fazendo eco de um texto hoje publicado na Aba de Heisenberg que reflecte sobre o tema acrescentando alguns dados.
O texto do Sérgio que recomendo conclui:

(…) Tudo isto é algo simplista porque nem todos os alimentos podem ser postos nos mesmo tipo de embalagem. Mas não deixa de ser interessante verificar que as embalagens de vido reutilizáveis são melhores, em termos ecológicos, que as Tetra Pack, mas quase ninguém pôe leite em embalagens de vidro reutilizáveis, porque o consumidor se habituou a consider as embalagens Tetra Pack muito mais cómodas, resistentes e higiénicas. A falta de lógica disto pode ver-se com o vinho embalado em garrafas de vidro. E, finalmente, a irracionalidade do consumismo e do desperdício encontra-se no facto das garrafas de vinho não serem reutilizáveis como foram em tempos.
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O Lixo

Outubro 04, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Finalmente, por via de uma discussão relativa à fiscalidade, as preocupações ecológicas estão em discussão cada vez mais alargada na blogoesfera. Que eu tenha notado estão dialogando O Carimbo, Catalaxia, o Liberdade de Expressão e o Católico de Direita. Falta um bocadinho de “qualquer coisa” nesta discussão mas está interessante. O Carimbo parece-me professar a opinião mais equilibrada mas estou ainda longe de me rever nela. Vou acompanhar… Mas para já, boas noites e bons livros!

Uma grande adufada para o Crítico!

Outubro 03, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza, Portugal 1 Comment →

O Crítico musical editou recentemente dois post onde reflecte sobre o uso do automóvel nas zonas suburbanas. Sem entrar em grande verborreia nesta minha entrada, faço o destaque desses post e apresento-me como subscritor quase integral do que lá surge com mais uma achega pessoal.
Morei durante 27 anos na linha de Sintra. Nesse período fiz de pêndulo regular durante cerca de 10 anos, primeiro para frequentar uma licenciatura, depois para me deslocar para o emprego. Em 6 desses 10 anos tive possibilidade de utilizar o automóvel nas deslocações diárias. Só quando era obrigado – muito raramente e geralmente por motivos profissionais – é que o fiz. Sempre preferi o comboio.
Há menos de seis meses passei a alfacinha de facto (já o era de jure). Um estatuto de que me recordo todos os meses no dia em que tenho de pagar a prestação da casa em Lisboa, bem como todos os dias, que tenho a felicidade de ir almoçar a casa. Ou ir passear descontraidamente no final da tarde, etc… Não me lembro nestes cinco meses de ter usado o carro para me deslocar dentro de Lisboa. Minto, usei-o para transportar uma pequena mobília… De resto safo-me bem com o metro, com os autocarros e com as minhas sapatilhas. Alguma coisa tem de mudar na utilização do automóvel. O conforto, o status de usar o automóvel (???) e a ignorância das alternativas têm de deixar de ser desculpas. Gostaria de ver este problema – poluição, saturação, perda de tempo, perda de competitividade económica, acidentes – ser enfrentado com a mesma garra com que colamos fotografias de pulmões deteriorados nos maços de tabaco (não, não sou fumador activo e sim, lá chegaremos às fotografias).

Hei-de voltar a este tema.

E se… - Reciclagem - Opinião Vi

Setembro 26, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

Já foi publicada a 1ª parte * Já foi publicada a 2ª parte ** Já foi publicada a 3ª parte *** Já foi publicada a 4ª parte **** Já foi publicada a 5ª parte ***** Já foi publicada a 6ª parte ****** Já foi publicada a 7ª parte ******* Já foi publicada a 8ª parte ******** O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas. É isso que quero aqui partilhar. Estejam à vontade para entrar na discussão. Opinião de Henrique Agostinho (resposta a João Miguel Vaz ): "sugiro-lhe que se iniciem campanhas porta-a-porta de sensibilização das pessoas, que lhes seja explicado o porquê da necessidade de reciclar… Efectivamente, a reciclagem só funciona quando houver um prémio real para quem recicla. Quem não separa os resíduos deve ser penalizado, talvez monetariamente." Temos aqui duas ideias importantes, e algumas nuances em cada uma delas: A sensibilização - Há semanas vi num estudo que 80% dos portugueses afirmavam separar. Eram notícias excelentes, não fosse o problema de as ditas embalagens não aparecerem no ecoponto. Olhando um pouco com mais atenção para o estudo percebe-se que a resposta foi induzida, ou seja, perguntava-se em primeiro lugar se a pessoa era amiga do ambiente e logo depois se separava, só uns 20% de ignorantes é que não perceberam a indirecta. Esta história interessa para explicar que 80% das pessoas estão sensibilizadas, sensibilizadas ao ponto de mentirem sobre o assunto. Alguma vez mentem quando se trata de ir votar? Não, a abstenção não as envergonha, mas a reciclagem sim. Isso é uma vitória, é um código postal para a coisa (meio caminho andado). A reciclagem é vista como um bem para a maior parte das pessoas e essas mesmas pessoas acham que o deviam fazer. Mas então, se estão sensibilizados, porque raio não o fazem? Porque é muito difícil explicar-lhes o "porquê da necessidade de reciclar". Porque o ambiente e as gerações futuras são muito distantes, pouco práticos e as pessoas quando confrontadas com a preservação do ambiente encolhem os ombros como se lhes estivéssemos a pedir para tapar o buraco do ozono. De que me serve então os contactos porta a porta, ou os contactos via media, se eu tenho é um problema na mensagem. Que raio se pode dizer às pessoas para elas pensarem "ih poizé vou mesmo começar a separar". É um problema parecido com os avisos nos maços e tabaco. A informação está lá, mas alguém deixa o vício por causa disso? (more…)

Sugestões - Reciclagem - Opinião V

Setembro 25, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

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Já foi publicada a 5ª parte *****
Já foi publicada a 6ª parte ******
Já foi publicada a 7ª parte *******

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de João Miguel Vaz(resposta a Henrique Agostinho ):

Caro Henrique Agostinho,

O início da minha participação nesta discussão foi determinada pela posição do Henrique Agostinho a propósito das embalagens retornáveis. Volto a citá-lo:

“Uma embalagem retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais “sólida” logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas….”

“Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue…”.

Depois disso, no seu último e-mail afirma:

“Permita-me que corrija, eu não estou a defender as embalagens descartáveis nem a menorizar as reutilizáveis.”

Ou seja, dá o dito por não dito ! O seu primeiro e-mail é a apologia dos descartáveis - se consomem menos material e energia no seu ciclo de vida, devem ser melhores ! - é a única conclusão possível. Isto recorrendo a afirmações especulativas (”Se calhar….”..”Mas, isso ninguém sabe….”) e falsas para as quais não apresentou, nem à posteriori, qualquer argumento, i.e. dados concretos de fontes credíveis.

Onde é que foi buscar os valores que apresenta “uma embalagem retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas” ? É isso exactamente que me choca, a falta de rigor e a ignorância em relação a temas sobre os quais existem estudos e onde há a possibilidade de aplicar o método científico. Henrique Agostinho procura ignorar olimpicamente toda uma panóplia de conhecimentos sobre a questão dos resíduos. Procurei, nos e-mails que lhe enviei, apresentar dados precisos que contrariam a visão errada que tem dos retornáveis. O facto de ocupar a posição na SPV há poucos meses, e daí desculparem-se algumas lacunas, devia levá-lo a ser mais cauteloso nos dados que apresenta.

O mundo dos resíduos é muito complexo e vasto. Não faca afirmações sobre o que não sabe, ou não exponha os seus preconceitos em relação a modelos de gestão de resíduos que desconhece, para não ter que depois fugir ao debate político/técnico ou dar o dito por não dito. Como lhe disse o modelo alemão, um dos mais experientes e avançados do mundo, baseia-se nos retornáveis na volumosa área das bebidas.

Pede ideias para aumentar a participação dos portugueses na arte da recolha selectiva. Pois bem, sugiro-lhe que se iniciem campanhas porta-a-porta de sensibilização das pessoas, que lhes seja explicado o porquê da necessidade de reciclar. Não basta instalar os equipamentos (muitas vezes sem explicar para quê) e fazer publicidade nos media. Efectivamente, a reciclagem só funciona quando houver um prémio real para quem recicla. Quem não separa os resíduos deve ser penalizado, talvez monetariamente. Cabe a si, é pago para isso, pensar em tais ambiciosos planos. Não é preciso ir muito longe, basta usar o “Market Intelligence” ! Copiar, adaptar e fazer melhor que os outros.
(…)

Cumprimentos, Joao Miguel Vaz

O Repto - Reciclagem - Opinião IV

Setembro 25, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza Comments Off

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O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de Henrique Agostinho (resposta João Miguel Vaz):

Caro João,
Permita-me que corrija, eu não estou a defender as embalagens descartáveis nem a menorizar as reutilizáveis. Limito-me a menorizar esse debate.

Existem argumentos a favor de uns e argumentos a favor de outros. Ninguém tem a solução completa. Vamos limitar-nos àquilo que podemos controlar.

O facto de viver na Alemanha, onde 90% da população separa tudo, coloca-o numa dimensão do problema muito diferente da minha. Em Portugal cerca de 3/4 da população (2/3 se formos optimistas) não separa, nada! Por isso, o que me interessa a proporção reutizável /descartável quando o destino de ambas é o aterro? Estou a dramatizar é certo, mas em Portugal (onde se paga poucos impostos e conduz à velocidade que apetece ao contrário do norte da europa) as embalagens reutilizáveis também iriam parar ao aterro, por isso volto a afirmar: Preocupa-me de sobremaneira a falta de participação dos Portugueses, não me preocupam os debates inceneradora/aterro ou reutilizável/descartável.

Quero lá saber se o plástico é “downcycled”, preocupa-me que ele vá para o aterro. E agradeço quem tiver ideias, planos, vontades para evitar que isso aconteça, vá digam-me!

Atenciosamente Henrique

O que é o upcycling - Reciclagem - Opinião III

Setembro 25, 2003 By: Rui Cerdeira Branco Category: Ecologia e Natureza 5 Comments →

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O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de João Miguel Vaz (resposta Henrique Agostinho):

Caríssimos,
Primeiramente, queria explicitamente dizer aos interessados neste debate que sou um defensor acérrimo da reciclagem e da recolha selectiva de resíduos.
Vivo em Hannover, Alemanha e por isso tenho à disposição uma invejável infraestrutura no que respeita à recolha de resíduos. Em casa, temos vários contentores: papel, “grüne punkt” (ponto verde), resíduos orgânicos, vidro e “restos”(tudo o que não pode ser aproveitado). Para vosso espanto, a recolha (sempre porta a porta) do ponto verde é feita de 15 em 15 dias, tal como a recolha dos restos.
O papel é recolhido semanalmente às terças de manhã, o vidro leva-se ao vidrão e o composto deposita-se numa caixa própria no quintal. Esta prática obriga as pessoas a “conviver” com os resíduos que produzem ! Os resíduos não desaparecem ao fim do dia por magia.

Sempre que visito a família em Portugal, incentivo-os a fazer o mesmo. O argumento é forte, se queremos evitar Centrais Incineradoras e Aterros, a solução passa por separar e reciclar. Permita-me a indiscrição, também separa os restos orgânicos em sua casa?
Ainda durante o meu estágio em Münster separei eu próprio o lixo dos outros, com as mãos (luvas) na porcaria. Isto inserido num estudo sobre as quantidades de cada tipo - metais, vidro, restos…etc. Sei muito bem que custa muito menos aproveitar os resíduos se estes forem separados em casa. Poupa-se tempo, energia e ambiente. Portanto, o Henrique Agostinho partilha do meu entusiasmo pela reciclagem.

Confesso-me algo surpreendido pela recusa do Henrique Agostinho em discutir assuntos que se inserem no âmbito das suas actividades profissionais e assim tentar a desqualificação do debate, invocando a complexidade do assunto e o desinteresse dos leitores. Lembro que foi o Henrique Agostinho que lançou para o texto as afirmações sobre a inutilidade dos retornáveis, e manipulando os dados tentou convencer-nos que as embalagens “usa-e-deita-fora” são as melhores do ponto de vista ambiental. (…)

É neste ponto que discordamos porque temos pontos de vista muito diferentes e acesso a outro tipo de informações e experiências. Na Alemanha, há uma quota para os retornáveis que é de 72% para todos os produtos líquidos, i.e. refrigerantes (não alcoólicos) , água, leite, cerveja…

Quando esta quota baixa são tomadas as iniciativas necessárias. No início de 2003, foi introduzida a obrigatoriedade de retornáveis para as latas de alumínio ( 25 cêntimos - 033 l; 50 cêntimos - 05 l). As empresas embaladoras e os grandes supermercados entraram em guerra com o Governo porque os “usa-e-deita-fora” são muito mais rentáveis do ponto vista comercial, mas muito piores do ponto de vista ambiental e social (emprego). Como já substanciei no e-mail anterior, os retornáveis têm vantagens ambientais indiscutíveis. Se o Henrique Agostinho tem outros dados, pode apresentá-los.
E, porque é que os retornáveis são pouco realistas? Se funcionam na Alemanha e na Suécia, onde o factor trabalho é caríssimo, porque é que não hão-de funcionar em Portugal ?

Estou plenamente convencido que os investimentos nesta área em pouco tempo reduziriam em muito a massa de resíduos que a Ponto Verde tem que tratar. (…)

Eu estou acima de tudo interessado em minimizar o uso de embalagens. A embalagem é um “mal” a evitar, porque quase sempre é uma dispendiosa (ambientalmente e economicamemte) ineficiência do sistema. Convém-se elucidar-se os leitores que a panaceia da reciclagem da maioria das embalagens de plástico é na realidade um “downcycling” e não um “recycling”. Isto porque os produtos que resultam do aproveitamento dos resíduos são de menor valor que o produto reciclado em si. Um saco de plástico negro não tem o mesmo valor de uma garrafa translúcida de água. A reciclagem do vidro e dos metais pode genericamente ser considerada como verdadeira reciclagem, com o custo ambiental (essencialmente energético) que isso acarreta. Só no caso da compostagem se pode falar de “upcycling”. O produto final, o adubo, tem um valor superior aos resíduos orgânicos com um “input” energético mínimo.



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