Para quem ainda segue o hábito ancestral de ver televisão e, mais raro ainda, acompanhar uma série em canal aberto naquele dia da semana e àquela hora, fica a notícia caso tenha passado despercebida: foi hoje emitido o primeiro episódio (da 2ª e última temporada) de uma das melhores séries de televisão dos últimos anos: Roma, na RTP 2. Sem grande prejuízo em termos de ter perdido o fio à meada, poderá acompanhar já na próxima segunda-feira.
Por mais que tenhamos já dito tudo e tudo escrito, é sempre possível contar pela enésima vez a mesma história como se fosse a primeira. Este é um conforto não negligenciável entre as coordenadas em que nos movemos. Esta é uma evidência a que chego depois de muito batalhar pela originalidade - a danada pode surgir onde menos se espera!
Lembro-me de ouvir/ler vários escritores falar do drama que é escrever depois de terem escrito. O drama de a cada nova palavra escrita se incrementar a exigência em relação à próxima. Durante estas férias de blogue não faltaram temas "blogáveis" à lá adufe mas…
As baboseiras entremeadas com algumas coisas menos sérias voltarão em breve. Ainda não será hoje. Ou foi?
Aos 31 anos (meus), a minha filhota deu-me de comer à boca pela primeira vez.
Depenicou em migalhas o pequeno pedaço de pão com que andava entretida e foi-me-as enfiando na boca. Uma migalha atrás da outra. No final, bateu palmas premiando o pai, como quem diz: já está crescidinho, até já sabe comer da mão.
Eles andavam lá por cima em máquinas coloridas desenhando parábolas.
Primeiro vinham em aviões de instrução que faziam lembrar um dos cromos difíceis das pastilhas gorila, aquele do avião com duas caudas paralelas que se uniam por um leme. Ah esta cabeça! Seria da RAF ou da Luftwaffe?
Depois vinham os artistas, geralmente em pares, treinando as cabriolas que iriam apresentar em exibições nacionais e internacionais. Às vezes, o sábado começava com um voo razantes dalgum piloto top gun e eu saltava para a janela invariavelmente tarde demais. (H)eat the dust.
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
Com e sem mas, definitivamente sim, em forma de voto, no próximo Domingo.
Por hoje vou-me ficar apenas por mudar a sugestão de leitura (feito! - ver o "F…." lá em cima) e por trocar o cromo do canto superior direito. Já por aqui rodaram imagens do vale do Paiva, de Setúbal, de Lamego, de Lisboa, de Penamacor, da Benquerença e hoje esta entre margens, sobre o rio Douro, numa viagem de regresso com um caramelo da Régua na boca para adoçar as agruras.
Primeiro foi a oferta do FC Patacôncio (estão todos a roer o chapéu mas com Clash como se pode ouver aqui), depois a ameaça de tragédia definitiva em Alvalade (com direito a "penalti" falhado e tudo) e agora os heróis sairam do banco, os improváveis Romagnoli e Bueno (e o novel Pereirinha). Para fechar como já não se via há muito, uma monumental jogada individual de Liedson. Não esquecendo o bónus de fazer aquele outro mal educado madeirense, meu homónimo, ter de enfiar a viola no saco. E ainda outro! De Bueno. Depois das críticas fica-me o consolo de já ter decidido, antes deste jogo, ir ver o meu primeiro da Taça, ao Lavradio.
E ainda outro!!! 5-1!
P.S.: Por aqui também há Clash sublinhe-se, ou pelo menos magnificência.
Estar com a minha filha pequena e vê-la devorar a sopa.
Caminhar ao lado dos velhos de Lisboa e ouvi-los exibir idades e maleitas sem pretexto aparente.
Nem sempre é bom libertar a criança que há em nós.
Ligo a televisão e ocorre-me a imagem de um linchamento. Não há Prós e Contras.
Não tenho dúvidas de que seria viável hoje um linchamento em Portugal.
Um dia havemos de resgatar a serenidade e a racionalidade ao mercado da indignação que prolifera.
Que não tarde, para o bem de todos.
Isto de um tipo se envolver em polémicas cruzadas geradoras de grande emotividade é desgastante, como é evidente. Já há uns tempos que não debitava tanto caracter por hora (ou palavra dita) em tão curto espaço de tempo - posts, comentários aqui e acolá, respostas a e-mail, conversas coloquiais. O essencial que teria a dizer e julgo que a pensar sobre os dois temas está dito e em muitos casos repetido. Nem o que se dirá hoje no Prós e Contras da RTP (caso esmeralda), nem o que aí virá de surpreendente (caso jornalista "raptada") terá grande relevo para o enfoque pessoal que escolhi para abordar os temas. A haver mais caracteres sobre essas matérias, será para tentar expressar qualquer outra coisa sobre uma abordagem distinta.
E agora antes de ir ninar mais uma musiquinha com bonecos - The Divine Comedy com The Certainty of Chance
Sintomático (para mim, como é óbvio) é que nesta discussão que decorre em preparação do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, não me atrevo a delegar opinião em ninguém e, dois meses depois de aqui ter escrito umas linhas sobre o assunto pela primeira vez, mantenho o que disse sublinhando exactamente os mesmos pontos. Se alguém estiver interessado no que penso… está aqui. Voto sim, mas com minúsculas, sem alarde.
Com as imagens e o texto do artigo "Preconceitos Coloristas", o Mário Filipe Pires transmite-nos uma perplexidade pela qual, suponho, muitos de nós terão passado, mais ou menos conscientemente.
Lembro-me que a primeira vez que vi imagens reais sobre a Segunda Guerra Mundial tive um enorme baque: definitivamente eu tinha um arreigado preconceito colorista ao ponto de mistificar na minha memória os próprios acontecimentos históricos julgando-os absolutamente longínquos.
Foi também por essa altura que me apercebi que o volfrâmio que o meu avô transportava para Espanha em 43-44 era bem mais do que um adereço de contrabando num conto de Miguel Torga…
" (…) A falta de familiaridade com a cor real desta época (apesar dos efeitos do tempo sobre as emulsões) provocou-me uma sensação de estranheza e fiz imediatamente a associação mental com o que de mais próximo me lembrava, o cinema americano dos anos 50 e 60, o que mostra que as noções muito enraizadas podem levar-nos a conclusões erradas."
A amoreira da minha infância, a mais espledorosa árvore de fruto que conheci, chegou ao jornal, infelizmentente. Pior destino que a árvore que morre queimada pelo fogo democrático é o daquela que merece o desprezo activo e personalizado do algoz. Eis uma notícia do Jornal de Fundão que o João Melo me fez chegar por e-mail.
"Destruição de velha amoreira pode acabar em tribunal O ABATE de uma amoreira centenária, na Benquerença, Penamacor, na sequência de obras realizadas pela EDP, poderá transformar-se num caso de tribunal. O proprietário, dr. Pedro Lopes Dias, que já protestou junto da EDP e do Ministério do Ambiente, afirmou ao “Jornal do Fundão” que “é importante, até por questão de cultura ambiental, contestar este tipo de abuso de poder, para mais tratando-se de uma árvore legalmente protegida”. A população da freguesia também não escondeu a sua desaprovação quando viu o resultado dos trabalhos realizados por ordem da EDP: a amoreira arrancada e um poste colocado no muro, no local que é precisamente conhecido como Rua da Amoreira. “Tudo à minha revelia (arranque da amoreira, colocação do poste e invasão da propriedade por uma pesada máquina), pois também eu fui surpreendido quando vi o deplorável espectáculo”, diz o proprietário.
A insensibilidade face ao património natural (aquela árvore constituía um património), em obras públicas ou afins, é uma lamentável prática. E, no entanto, se nos reportarmos à amoreira verificamos que a lei é taxativa: “É expressamente proibido o corte, arranque, transplantação ou destruição, por qualquer meio, de amoreiras”.
A Rua da Amoreira ficou sem a sua árvore simbólica. A amoreira resistiu décadas a tudo. Venceu intempéries, ultrapassou uma ou outra agressão pontual, conviveu com o progresso. Só não resistiu à insensibilidade. Bastava desviar uns metros… "
Artificial como as melhores acabadinhas de montar na Tailândia, decorada com o que há de melhor na Espanha, iluminada com o fulgor tecnológico Indiano, decorada com o amor e dedicação de quem tem fé, fotografada por quem vos deseja que o vosso Deus olhe por vós. Está a concurso mas não é preciso votarem. Eles decidem.