Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘Brasil’

Saudade!!

Junho 16, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Blogologia, Brasil 1 Comment →

Acabei de receber na caixa de correio electrónico uma triste notícia relativa ao Ruy Lira Zananiri, um internauta brasileiro que deu com o Adufe há algumas semanas e que acabou por colaborar no blogue com o seu humor e com a sua curiosidade lusa-brasileira. Ajudou-me, por exemplo, a acompanhar mais de perto a crise no Rio de Janeiro e a sentir um bocadinho melhor o que de bom pode surgir com esta “brincadeira” na blogoesfera. Transcrevo o e-mail enviado pelo seu filho. Obrigado Ruy.

“Estou comunicando a todos os amigos e Parceiros do meu PAI, Ruy Lira Zananiri, a sua MORTE por motivos de saúde no dia 6 de Junho do ano de 2004. A família agradece a solidariedade de todos os amigos e parceiros. Este e-mail continua como contacto e eu Emmanuel de Souza Zananiri vou dar continuidade aos seus compromissos.

Grato
Emmanuel de Souza Zananiri e Família.

Essa saudade dentro do meu peito (corr.)

Maio 04, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil Comments Off

O prestável correspondente brasileiro do Adufe, Ruy Lyra Zananiri, lembra-nos um evento marcante na vida cultural brasileira. Ainda que já o Aviz e outros nos tenham lembrado que Dorival Caymmi comemorou 90 anos a 30 de Abril, sublinho o recorte do Globo On-line que o Ruy me enviou. Nele se faz a crónica do ciclo de homenagens que três dos filhos do mestre, também eles no ramo das musicas e das letras, iniciaram no Rio por ocasião do nonagésimo aniversário do “velho baiano”.

Há muito tempo (tanto quanto a minha condição de sub 30 permite falar nestes termos) o nome de Dorival Caymmi faz parte do meu imaginário, quase sempre pela boca de outros como João Gilberto (principalmente) ou Maria Betânia (mais recentemente)…
D. Caymmi, A. Barroso, A.C. Jobim, V. De Moraes, R. Guimarães, C. Lyra são alguns dos enigmáticos autores que durante anos me deliciei a ouvir no leitor de Cd’s. Destes todos apenas tive o prazer de ouvir em pessoa, António Carlos Jobim, numa hilariante e triste - um dia eu explico - aventura Sintrense. Dos outros, aos poucos, tenho juntado peças, acumulado descobertas. E tem sido sempre um prazer enriquecedor ir mantendo uma antena virada para o passado e para o presente do outro lado do atlântico. Faz bem à alma do português saber-se um bocadinho brasileiro.
Caymmi foi um dos melhores a cantar a saudade ao pensar na Bahia. Um grande rival de muitos compositores de fado não fora saudade no Brasil escrever-se samba-saudade.

Que Brasil chega a Portugal

Abril 27, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil 4 Comments →

Caro Xará, muito bom dia !!

Na próxima segunda-feira, dia 16, Ipanema completará 110 anos, com larga comemoração programada pelo prefeito (alcaide) [presidente da câmara municipal ;-)]do Rio. A importância do bairro em que moro é tão grande, que de acôrdo com as estatísticas, 98% dos turistas que aqui no Rio de Janeiro aportam, elegem Ipanema como o “point”, pela sua beleza, descontração, vida intensa, fama internacional,etc… cantada em prosa e versos. COPACABANA JÃ? ERA !!!!!

Inúmeras são as nacionalidades que circulam pelas ruas e restaurantes do bairro ; temos norte-americanos, canadenses, quase todos os paízes europeus representados, e muito, MAS MUITO MESMO, portuguêses.
(…)

Um forte abraço brazuca,

Ruy Zananiri

A longa escalada até ao fundo do poço

Abril 23, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil Comments Off

A contestação à governadora do Rio sobe de tom, assim como a avaliação da segurança dos paióis militares, após a descoberta de um mini-arsenal de minas antipessoais e granadas ontem no Rio de Janeiro. Um arsenal que é apenas uma ponta do iceberg dos que se escondem nas favelas, segundo alguns especialistas citados nos jornais brasileiros. Pela imprensa vão passando alertas que visam construir um novo destino como o que Cora Rónai, articulista d’O Globo escreveu ontem no segundo caderno.

Atentem neste parágrafo que aqui reproduzo:

(…) Às vezes a gente olha para a Colômbia e se pergunta como pôde um país daquele tamanho mergulhar tão profundamente no caos. A resposta está aqui, na nossa cara: assim, passo a passo, com a conivência e a omissão das autoridades, com a incompetência estabelecida em todos os níveis da administração. A governadora e o secretário seu marido podem até não ser os únicos do lote, mas são, certamente, os que têm a pior atitude. Ou falta de. (…)

Com a colaboração de Ruy Zananiri

Humor carioca…

Abril 22, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil 1 Comment →

Limites.jpg

Enviado pelo Ruy Zananiri

Dicionário da Língua Portuguesa*

Abril 21, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil 2 Comments →

Onde em Portugal se escreve “substâncias estupefacientesâ€? no Brasil deve escrever-se “substâncias entorpecentesâ€?. O Houaiss ajuda-me: estupefaciente vem do latim stupefaciens, entis: ‘que entorpece’.
Dito isto baralhemos e voltemos a dar. Estupefacto e entorpecido. Em ambos os casos narcotizado. Benditos sinónimo e benditos sinônimos!

* Se o leitor aqui veio parar na esperança de encontrar um Dicionário da Língua Portuguesa, para que não saia daqui completamente defraudado com esta simples entrada, procure algo mais substancial aqui, aqui ou (a pagar mas do melhor que há) aqui.

“Parabéns São Paulo: 450 anos da Cidade”

Abril 21, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil Comments Off

O título deste post é o nome do livro que Maurício de Souza (sim, o pai da Mónica que me inspira há largos meses) apresentará na 18ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A Mónica e a sua turma farão uma homenagem à cidade. Será que vai chegar a Portugal, caro Ruy?

Os dois caminhos do Brasil

Abril 21, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil 2 Comments →

rocinha.jpg

Enviado pelo Ruy Zananiri.

Terminando a volta ao mundo…

Abril 21, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil Comments Off

Neste dia de bloguice gratificante o Adufe termina onde começou, no Brasil.
E o nosso correspondente brasileiro (Ruy Zananiri) destaca da revista de imprensa brasileira a crónica de Arnaldo Jabor (O crime no Rio vive do nariz dos otários) no segundo caderno d’O Globo (afinal o acesso é gratuito mas exige registo prévio). A crónica de Jabor de certa forma zurze alguns pontos que surgem na epístola da Alessandra Sampaio ao apresentar o conceito de “pós-miséria”, vincando o afastamento de qualquer ideia romântica sobre o criminoso e a racionalização do crime.

Um excerto de Jabor:
“Os criminosos cariocas têm a mesma vantagem dos terroristas — não têm rosto e ninguém sabe de onde vêm. Eles são microempresas privadas, filiais da grande multinacional do pó. Nós somos o Estado incapaz. Eles agilizam métodos de gestão. Eles são rápidos e criativos. Nós somos lentos e burocráticos. Eles lutam em terreno próprio. Nós, em terra estranha. Eles não temem a morte. Nós morremos de medo. Eles estão no ataque. Nós, na defesa. Nós nos horrorizamos com eles. Eles riem de nós. Nós os transformamos em superstars do crime. Eles nos transformam em palhaços. A droga e as armas vêm de fora. Eles são globais. Nós somos regionais. “

Há um fascínio pelo que se passa no Brasil que vai bem além dos laços emotivos e históricos. Esta dedicação que por aqui passa e que o Ruy ajuda a patrocinar tem um interesse egoista muito relevante. Há uma diferença de dimensão, de violência entre o que se passa no Brasil e em Portugal ,à nossa escala, o diagnóstico de Arnaldo Jabor serve-nos de barrete para enfiar bem enfiado.
Ainda hoje ouvimos os números que atestam um aumento signifcativo da criminalidade organizada em Portugal geralmente associada ao tráfico (de drogas e de pessoas). Lá como cá combatemos o problema com meias políticas. Nem nos decidimos por uma revolução legalizadora, nem enfrentamos o boi pelos cornos optando (como apenas fingimos fazer) pelo combate e pela proibição. There’s is a war como dizia Cohen. Por uma via ou por outra temos de regressar a essa guerra.
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Epístola Brasileira - Rocinha, Rio de Janeiro

Abril 20, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil 1 Comment →

Acho que esta carta merece aqui um cravo de Abril…
Imagem estilizada de um cravo disponÃvel na página do Instituto Camões

Ruy,

Boa noite!

O homem da classe média alta, fez com que os seus próprios filhos se viciassem nesta máfia das drogas, alimentando os bandidos com um cigarrinho de maconha, traficando um mix de produtos, não só com as drogas e armas.
É muito cruel saber que perdemos o direito de ir e vir na hora que quisermos, pois o Brasil lutou tanto pela democracia e com o voto direto e deixou a história para trás.

Quando um País se torna escravo da violência encontrolável, deveria no mínimo unir a UNIÃO MAIOR de todas as forças governamentais, para que se implante uma solução imediata e progressiva, diminuindo esta desigualdade social que chega a nos envergonhar diante dos nossos próprios filhos!

Quando um filho de 07 anos se depara diante de um Pai desempregado há 04 anos, o que se passa na cabecinha desta criança?

Como terá uma perspectiva de futuro, profissão se o próprio Pai não consegue?

Não podemos perder os nossos ídolos, pois é através deles que nos espelhamos para o futuro e quando vejo um governo sem ídolos, sem líder, fico envergonhada em ter que contar, se sobreviver, esta história para os meus futuros filhos e netos.

A Máfia do tráfico só acabará quando desigualdade social amenizar e o governo deveria se conscientizar que quando não temos a capacidade de gerar empregos, não poderemos exigir impostos e encargos para esta classe tão prejudicada e não privilegiada.

Eu acho que deveria num primeiro momento liberar geral os camelos, no intuito de gerarem empregos e outros, bem como planos de vendas direta e indireta nos diversos canais, desde porta a porta até nas indústria, facilitando desta forma a capacidade do ser humano evoluir e ter perspectiva de futuro, se sentir importante, útil a sociedade e não se desesperar e caí neste beco
sem volta.

Embora ficasse uma poluição visual, mas de outra forma estabelecia salários que suprissem as necessidades básicas de um ser humano.

As drogas só chegam nos morros devido a liberação da polícia federal nas fronteiras, percebe?

Falamos tanto da cultura, educação e pergunto :
Estes policiais não estudaram?
Pois, é conflitante quando ganância supera toda a nossa existência de leadade, desigualdade, etc.

Jesus lutou tanto, se sacrificou por todos nós, e o que me parece é que esquecemos de toda a história de vida e morte!

Enfim, Deus é soberano e nos trará a Luz seguida de vitória e paz.

Um abraço,
Boa noite.
(sic)

Alessandra Sampaio (Brasil)

Perdemos geral! - Rocinha, Rio de Janeiro

Abril 20, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil Comments Off

O Ruy Zananiri continua mandando os seus despachos do Brasil sobre a situação no Rio de Janeiro. Hoje selecciono uma crónica de Joaquim Ferreira dos Santos editado no Globo - a Globo que me perdoe mas reproduzo em anexo mitigando a infracção com o convite a outras crónicas que por lá se podem ler. Mais daqui a pouco passará pelo Adufe um depoimento nascido da mesma emoção, desta vez enviado por uma amiga do Ruy que ele (com o seu acordo) sugere que chegue aqui a esta outro canto da portugalidade.

Pelo que leio O Globo vem fazendo um excelente trabalho escrito - bem menos sensacionalista do que o que por vezes perpassa na TV (e na própria Globo também). A crónica “Esculacho” de Joaquim Ferreira Santos é um exemplo excelente da complementariadade à notícia. O melhor tempero para nos apurar os sentidos sobre o que é a refrega. Estamos longe, felizmente, do conflito armado concreto que existe no Rio de Janeiro, mas parte da inquietação que transparece da crónica de Joaquim Ferreira dos Santos é-me demasiado familiar no meu quotidiano. O “chico espertismo”, a perda de referências quanto ao papel da autoridade (exercício e percepção), o desenrascanço, o alheamento fatalista. Talvez seja só a luz que me ilude a semelhança ou talvez não.
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As regras de conduta na favela… (act.)

Abril 19, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil 2 Comments →

O correspondente do Adufe no Brasil - acho que posso atribuir-lhe o título, caro Ruy Zananiri - informa-nos com uma detalhada revista da imprensa das últimas notícias sobre a crise nas favelas do Rio. Sociólogos, antropólogos, advogados, polícias, políticos discutem, discutem…
Discutem-se as leis, a despenalização, a eficácia da polícia, as razões para a erupção recente de violência com uma intensidade sem precedentes entre os grupos de traficantes rivais e a polícia do Rio, discutem o envio das Forçar Armadas para controlar a situação…

Talvez haja quem ache “pitoresco”, mas prefiro considerá-lo particularmente simbólico da dimensão do problema. Falo do código de conduta no interior de cada uma das favelas. Um código que condiciona brincadeiras de crianças, a indumentária, o vocabulário autorizado. Peço-vos que atentem no artigo da Globo que deixo em anexo.

Adenda: O GNT, disponível na TV Cabo, tem oferecido ampla cobertura sobre os acontecimentos no Rio de Janeiro.
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Do mal dos livros e dos diminutivos: Lulu, Dudu, Rocinha - Rio de Janeiro

Abril 18, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil Comments Off

“não é romântico fora dos livros nem fora dos filmes”

Caçada na Rocinha

Abril 18, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: Brasil 2 Comments →

O Emmanuel Souza envia-nos por mail as notícias mais recente do Brasil na questão da violência na Rocinha - Rio de Janeiro.
Em anexo fica a notícia mais recente da Globo recebida na caixa de correio.
Outra fonte aqui.
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