Adufe com ânimo

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘As Crónicas e os Contos’

7 de Junho de um ano qualquer

Junho 07, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos Comments Off

Há alguns anos atrás, era ainda pequeno, chorei convulsivamente, sozinho no meu quarto, depois ter assistido a um episódio de uma série da BBC que retratava a vida num esquadrão da RAF durante a batalha de Inglaterra.
“Naquele dia” o avião de um dos heróicos pilotos foi abatido.

Porquê o choro? Não era a minha primeira morte na TV, já não era suficientemente pequeno para que não percebesse o que podia ser a guerra, para que não soubesse quão determinante ela sempre foi entre os homens. Na medida do entendimento dos meus 10, 12, 14 anos (?) já me tinham apresentado o horror do Holocausto, da guerra das trincheiras…

Também já tivera tempo para perceber quem fazia e por quem passava inevitavelmente o sofrimento da guerra: pessoas comuns como eu, como o meu pai… Percebia, ou pelo menos assim pensava.
Naquela noite, não temi o escuro do quarto, um “inimigo” há muito derrotado… Naquela noite, sei lá eu porquê, sem luzes, anjos ou foguetório onírico, comecei a perceber verdadeiramente qualquer coisa que me há-de acompanhar até ao fim do meu mundo. Uma “qualquer coisaâ€? absolutamente indizível para as minhas capacidades. O melhor que posso dizer é o que aqui lêem. Sei apenas que se algum desconforto carrego devido a esse saber, ele resulta do receio de por algum inoportuno momento regressar à ignorância.

Eles morreram por nós. Saibamos nós viver por eles!

Qual a diferença entre o campo e a cidade?

Maio 31, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 3 Comments →

A diferença é que na festa de seis dias lá da aldeia, no início de Agosto, a função fecha no final da semana com um foguetório imenso, sempre maior que o do ano anterior, promovido com esmero e aguardado com expectativa (ou temor) por todos os habitantes. Raro é o ano em que não há feridos ou incêndio…

Na cidade, a festa dura os mesmo seis dias mas em jeito salta pocinhas, três aqui, três ali, e, em cada novo dia – mania das grandezas! –, se tenta suplantar o dia anterior com o mais extenso e mais barulhento festival de traques mecanizados de que há memória. Quanto a acidentes conta-se com o sempre incerto patrocínio externo pela mão dos senhores do terror.
Uma da manhã, pum! Duas da manhã, pum! Um enfado.

O beijo

Maio 28, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 2 Comments →

Quando estendo a face para beijar e ser beijado é a direita que vai à frente.
Tenho cá para mim que há uma espécie de norma nacional. Suponho que seja assim também consigo, caso o caro leitor seja português. Ou talvez não?

Bom, tentativas de castos beijos em faces italianas resultaram em choque cultural. Elas oferecem sempre primeiro a sinistra. Pelo menos é assim com as romanas…

Hoje diz-me a moça (aquela ali do boneco da coluna da direita) que deixou dois jovens italianos nordestinos encavacados ao pespegar-lhes dois beijos na face em jeito de boa viagem. Os frios e a timidez germânico-eslava estão já demasiado perto da fronteira do nordeste de Itália…

Não são engraçados estes determinismos geográfico-antropológicos?

O senhor das planícies

Maio 24, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos Comments Off

Não é tanto pela finura, mais pelos rodriguinhos.
Não é sequer pela falta de determinação; com maior bonomia poderia dizer que nem é uma questão de engenho – embora o seja.
A arte vem-me apenas e só para as planícies e particularmente para as banhadas pela alvura imaculada dos lençóis recem-lavados.
Tudo o resto é demasiado. Demasiado subtil, demasiado repetitivo, e, se me permitem uma aparente incoerência, de uma rudez exaltada por maneirismos incontornáveis. Acima de tudo demasiado definitivo!
Afinal de contas quem se pode orgulhar de distraidamente conseguir corrigir uma bainha mal alinhavada pelo perene afago do ferro de engomar?

Cá por casa ganho aos poucos o título do senhor das planícies. Toalhas e lençóis é comigo.

Férias: o ómega e o alfa

Abril 18, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos Comments Off

Era Sábado, regressávamos inesperadamente à Benquerença para velar o meu avó Manuel falecido na sexta-feira santa. Apagara-se ao fim de quase 82 anos e após longos anos de sofrimento e invalidez num corpo e mente de quem se construiu a si próprio. O pior dos destinos para qualquer self-made man. A morte viera-lhe como um favor e era com isto em mente que entravamos no concelho de Penamacor vindos de noroeste.

É curiosa a fronteira noroeste do Concelho, há um pedaço do Fundão entalado entre a Covilhã e Penamacor. Não há placas limítrofes a avisar mas há um estreitamento impressionante da faixa de rodagem. Para quem percorre aquela estrada, o Fundão é um garrote que parece evitar o namoro da grande serra da Estrela com o vale da Malcata, onde nasce a cova da beira…

ovelha1.jpg Foi pouco depois de regressarmos a estrada digna desse nome que nos surgiu no meio da via a ovelha e o cordeiro recém nascido. Titubeava ainda o nascituro.
Não havia rebanho à vista, apenas algumas terras cercadas. À nossa frente, parado, um jipe de onde saiam dois curiosos como nós. Saiam do carro coçando a cabeça. Impávidos, mãe e filho permaneciam estacados na estrada como estátuas, apenas a cria dava sinais de vida tremendo largamente. Ali ficámos alguns instantes reverenciando talvez o único milagre incontestável (matrixs à parte).

Avaliada a situação, seria?, as ovelhas afastaram-se finalmente da estrada metendo por caminho de terra batida. Houve então tempo para a fotografia…

cordeiros.jpgPor detrás da cerca a que levava o caminho, iniciou-se uma corrida ligeira de pequenos cordeiros aparecidos sabe-se lá de onde que vinham cumprimentar o mais novo que esperava de fora. E não pensem que atribuo sentimentos aos animais… Espreitem a outra fotografia…
Chegou então a pastora, de pick up, repondo a ordem naquele caos, terminado a privacidade estrita e integrando a família.

Nós partimos para uma última homenagem de alguma forma confortados pela demonstração do grande esquema das coisas.

Férias: Espreitando o Rossio ao Sul do Tejo (act.)

Abril 14, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 3 Comments →

Adenda: melodia de fundo para esta crónica sugerida pela Giesta: 125 azul dos Trovante.

Foi no Domingo que zarpámos em direcção à Benquerença. O dia nasceu ameno como aliás nasceriam os restantes ao longo das férias que se iniciavam. Lisboa-Benquerença com paragem para juntar o útil ao agradável em Abrantes. Útil porque convém esticar as pernas pelo menos uma vez numa tirada de 300 quilómetro e agradável porque a cidade é acolhedora e havia por lá um abraço em dívida.

Na aproximação a Abrantes, já abandonada a A23, sintonizámos a Rádio Tágide e lá ouvimos o nosso amigo blogguer António Colaço, já próximo da 20ª hora da sua maratona de 25 horas em presença non-stop na Galeria Municipal de Abrantes, entrevistando um ancião do Distrito que havia ganho uma medalha pelo seu espírito inventivo. Havia inventado um novo apanhador…seria de fruta?
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O último dos proto-blogs…

Abril 05, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 11 Comments →

Amigos, se tudo correr bem regresso depois da Páscoa, entretanto fui mais uma vez ao baú. A que se segue tem exactamente 7 anos e com ela fecho os proto-blogs… Talvez se lhe sigam algumas “sequelas” mais actuais :-)

Querido filho…

Sortelha Velha, 3 de Abril de 1997

Querido filho, nora e netos, espero que convosco esteja tudo bem, que nós por cá, felizmente, vamos indo.

Muito estimamos a tua carta, meu filho, que cá recebemos pelo Entrudo.

Eu e o teu pai só agora tivemos um bocado para descansar, pois desde que a neve se foi temos andado sempre num andor.
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Tec tec tec

Abril 01, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos, Lisboa Comments Off

É estranho este som. Se caísse aqui sabendo-me apenas no interior de uma casa, no escuro da noite, e ouvisse este som - tec tec tec - poderia pensar ter ido parar a uma qualquer barraca de zinco, fustigada por um temporal.

Nesta zona da cidade, a caixa dos estores fica de fora de casa, à janela. Acresce que estas casotas de recolha dos estores são quase todas de lata.
Têm longas conversas entre elas em noites de chuva como a de hoje. Aliás, são bem mais tagarelas com a vizinhança que a maioria dos que habitam as casas que abrigam.

Lá estão elas: tec tec tec.

Verde Esperança

Março 30, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 2 Comments →

Há tanto, mas tanto para fazer melhor nesta terra… Não penso em balanços colectivos por agora… Olho simplesmente para o meu trabalho, para algo que porventura muitíssimo poucos valorizarão se for bem feito e uns quanto mais, não muitos, repudiarão se for mal feito. Há de facto muitas pequenas coisas a melhorar. É em dias descontraídos a falar com os outros, porventura com um outro lá de fora, do resto do mundo, que podemos mais facilmente abrir os olhos. Secretamente ou não, vou registando a dimensão do fosso entre os que estão à nossa frente e os que vêm lá atrás.
De quem estamos mais perto? Depende do brilho das luzes, da intensidade do sol, do poder das miragens. Não há tempo nem paciência para lamentos, não é sequer preciso esperar que uns quaisquer “elesâ€? nos mobilizem. Tratemos do nosso quintalzinho a bem de um mínimo de salubridade e depois… E depois, feito isto, levemos então imaginariamente a nossa família e/ou os nossos amigos a passear, fazendo turismo pela vizinhança, procurando sempre o espanto de nos espantarmos com esta existência. Sem medo da indignação e sem medo de sermos felizes.

A hora de pôr a escrita em dia

Março 30, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 1 Comment →

Estaria ansioso? Parecia olhar mais avidamente para o cimo da avenida no seu lento vai-vem cinco passos a subir, cinco a descer. De vez em quando, ao mudar de sentido, espreitava o relógio ou ajeitava os óculos ou mexia no bolso. Lá está ele, mais uma suave meia volta nos calcanhares e nova subida… nova descida. Não há sequer uma montra de jeito naquele pedaço de rua, apenas uma loja para alugar.

Antes de apanhar o autocarro e de ali o deixar, notei que reparou nos outros que esperavam do outro lado da avenida. Um velho alto de nariz no chão, um rapaz sentado no banco da paragem de cotovelos nos joelhos e rosto apoiado na concha das mãos, semi-escondido atrás de uns óculos de sol, e duas mulheres fardadas, preparadas para regressar à base da Limpex, a empresa ganha-pão bem visível nas letras garrafais quase florescentes que cobrem metade das vestimentas.

Ao fim de alguns minutos parecia estar meio tonto, apesar de estar à sombra e nós ao sol. Parou e quase juro que lhe vi um tremor, talvez um início de vertigem. Sossegou… Olhou então para um prédio lá mais no cimo da avenida. Perscrutou-o de baixo a alto. Fixou-se finalmente no céu que neste dia se tingira de um azul invulgar. Invulgar para centro de cidade, bem entendido.

Estaria mais calmo? O relógio de novo. Não há dúvida que esperava. Esperava talvez por ela, a mulher imperturbável, eterna, que sempre fez esperar os homens. A tal de que se atreveu a falar num livro. Que seja digna da primeira e lhe ofereça uma irrepreensível desculpa que lhe permita a melhor bonomia de que qualquer homem, em espera, algum dia tenho sido capaz.

É mesmo o escritor, o tipo. Esteve agora ali na têvê. Um “gajo porreiro”. Já lá vem o autocarro. Boas noites!

(Mário de Carvalho a Ana Sousa Dias)

A Esquadra (act.)

Março 26, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos Comments Off

Hoje falaram-me durante alguns minutos de uma esquadra da polícia no centro da capital do país.

Um colega foi roubado enquanto comia descansadamente num restaurante. O “cavalheiro” que se sentara na mesa de trás, estando costas com costas, aproveitou para lhe aliviar a carteira.
Algumas horas depois, descoberta a localização da esquadra mais próxima, lá foi dar conta da ocorrência.

Disse-me que foi muito bem recebido mas que preferia não ter partilhado a simpática companhia das forças da autoridade por mais de duas horas.
Haveria grande movimento na esquadra? Nem por isso. Havia era um fotocopiadora avariada há largos meses, um único PC funcional (quase um pré-PC pela descrição). Havia ainda um aparentemente novo software com o qual ninguém na esquadra sabia operar (ou seria o computador operacional uma efectiva novidade?) e havia uma má ligação telefónica (ou problemas de entendimento) entre o agente que desesperava em busca do botão certo em que carregar para registar a “ocorrência” e o “Help Desk” que o tentava guiar via telefone.

Mais de duas horas numa esquadra onde a infraestrutura policial era praticamente nula. As condições precárias e o profissionalismo compulsivamente reduzido à teimosa simpatia do mal amado quadro especial da função pública.

Em Lisboa, no Arco Cego, aos 25 de Março de 2004. Com vista para a magnífica sede da CGD, num estranho dia de brancas luminosidades e ares gélidos, de arreganho.

Noite em Lisboa - Deixa-me Rir (act.)

Março 26, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos, Teatro Comments Off

A noite tinha tudo para correr mal. Os cinco bilhetes comprados há um mês haviam sido emitidos para uma data errada que pertencia ao passado. Como triste remedeio de uma frustrante recusa de responsabilidade no teatro (parcialmente justa) adivinhava-se uma sessão de cinema num centro comercial das redondezas. No entanto… Depois de algum choradinho e de uma boa dose de humildade mais que genuína arranjou-se um acordo com o teatro. Esperar até à última por lugares livres, desistências na plateia e, na pior das hipóteses, providenciar umas cadeirinhas extra no fundo da sala. Mal por mal a perspectiva de jantar – era ainda início da noite – ganhara contornos mais reconfortantes, as papilas gustativas reactivavam-se e a sensação de fome ressurgida confirmavam o sinal de esperança. Talvez afinal ainda viesse a haver motivos para rir.

O jantar. Lisboetas verdinhos enganam-se na transversal. O restaurante ficava mais adiante na avenida. Estava um frio de rachar mas perante uma sucessão tão absurda de contratempos recentes a opção “ir de carroâ€? afigurava-se como um muito razoável factor de risco. Mais a mais fazia falta a carga ligeira pela Pascoal de Melo, Estefânia… Toca a libertar toxinas!
Ninguém se lembrou que o Benfica jogava em Itália e menos ainda veio à memória a tela gigante e a ligação à Sport TV. O restaurante estava quase a abarrotar, apenas duas mesas vagas em localização perigosamente próxima de perturbar a visão do relvado de São Ciro.
Eram muito raras as mulheres, quase todos os comensais trajavam de vermelho, na sala estava ainda um notável futuro presidente do grupo parlamentar do maior partido da oposição. Sofria, como os outros. Primeira parte, zero a zero.
Passados poucos minutos completou-se o grupo de amantes de teatro com os únicos dois Benfiquistas do quinteto. Faltava menos de uma hora para o início do primeiro acto. Os empregados de mesa não tiramvam os olhos do ecrã gigante. Os carrinhos com travessas, copos e garrafas deslizavam como que telecomandados até se acidentarem contra o cliente mais próximo. Evitou-se o pior… Não havia era maneira de os pratos chegarem à mesa.
GOLO do Benfica!

Ela nunca foi a um estádio, assustou-se com a euforia. Nunca me hás-de apanhar em Alvalade disse entredentes. Lá é muito mais sossegado é um espaço aberto, não faz ressonância menti descaradamente.

Passámos alguns instantes a olhar fixamente os empregados de mesa que por sua vez continuavam a olhar fixamente encantados o ecrã. Um ponta pé de baliza ou coisa que o valha lá quebrou o feitiço e finalmente mexeram-se. Comemos. Ainda antes de sairmos houve um susto de golo desfavorável, ouve aplausos perante a anulação e ouve um cabecear em direcção aos pratos, minutos depois. Final da primeira parte um a um.

Surpreendeu-nos muito positivamente a simpatia dos funcionários do teatro: “deixem-se estar aqui que havemos de vos arranjar lugar”. E arranjaram, no final saiu-nos melhor do que a encomenda. Via-se que havia gosto em ter espectadores satisfeitos. Cinco estrelas Villaret!

Deixa-me rir
A peça… Na primeira parte Spin doctors, crítica mais ou menos subliminar ao governo do país (ou de quase qualquer país ocidental), aqui e ali com laivos revisteiros; mais jogos de poder e crítica mais incisiva, com mestria humorística mais evidente na segunda. Fechando em “mais� portanto.
Um ou outro gag poderia ter beneficiado da técnica de elaboração de discursos políticos que se parodiava no peça: mais curtos confeririam um pouco mais de dinamismo evitando alguns momentos de perda de gás. Os actores, todos muito bem. No final esperaria mais mamas, talvez borbotando no último protagonista.
Para que serve o humor? Para rir e para pensar, vai muito bem com uma noite de teatro. Faz uma muito boa noite de teatro.

O vento nos salgueiros

Março 18, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 2 Comments →

Também quero!!!
Ir espreitar os choupos à beira da ribeira no Chão de Salgueiros… Ir ver se as oliveiras vingaram no Vale da Porfia…
Espreitar as estacas de marmeleiro aos Covões, que se iam finando no Verão mas das quais tenho vaga notícia de indícios de umas (des)pontas verdes (terão sido aqueles singelos baldes de água?)…
A nogueira no Chão do Pereiro…
Depois conta como correu a experiência com o telemóvel de terceira geração (ou lá o que é), bale Catarina?

Já experimentaram matar uma silva?

Março 14, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos Comments Off

Não é queimando as silvas com o nosso abrasador poder de fogo que as destruímos, elas nascem e renascem, menos exuberantes mas sempre dispersando-se, ramificando-se, cada vez mais rente ao solo, infestando uma área cada vez maior, oferecendo um saboroso fruto pejado de dezenas de sementes que mesmo um agricultor imprevidente poderá tratar de disseminar.
É preciso arrancar a silveira e expôr-lhe todas as raízes ao sol em época de pouca água, pois havendo humidade ela fará das hastes raízes e nem assim morrerá.
Sem a destreza, energia e determinação necessárias, sem arar toda terra e lançar-lhe outras sementes, sem zelar permanentemente pelo fruto, a silveira proliferará.
Já experimentaram arrancar uma silva? Mesmo com todas as cautelas, é quase impossível prever todos os espinhos…
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Abriu!

Março 13, 2004 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 1 Comment →

Eu vi com estes olhos que a terra há-de comer, cinco pimpolhos, todos satisfeitos, devorando o primeiro gelado do ano.
A 13 de Março abriu a gelataria cá da rua. Esqueçam as farmácias, deitem fora os comprimidos, está de volta o mais poderoso ansiolítico do mundo, o maior inimigo público das dietas, o defensor dos pneumáticos amigos do ambiente, o… eu vou ali já venho!



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