Adufe 4.0

As armas do meu Adufe não têm signo nem fronteira
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Archive for the ‘As Crónicas e os Contos’

A história de George Monk

Novembro 03, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos, Blogologia No Comments →

Na TubarãoEsquilo há alguns blogues únicos que nos remetem para paragens físicas e metafísicas que costumam ser alheias à maioria da vizinhança. O Atlântico Expresso, escrito a quatro mãos entre Lisboa e Cabo Verde é talvez o mais simbólico desses blogues. Como exemplo esta crónica de Cabo Verde que nos leva de regresso à Segunda Guerra Mundial ao que de melhor há entre os homens; texto de Fernando Peixeiro. "Viajar 5.000 quilómetros para dizer obrigado" começa a assim:

"George Monk é um inglês de 90 anos, que serviu quando jovem na marinha britânica. Um dia o barco em que trabalhava foi atacado por um submarino alemão e desapareceu no Atlântico. O homem foi salvo por cabo-verdianos e agora, 66 anos depois, veio cá agradecer. Também me fascinou, este senhor! (…)"

Agarrados à morte

Junho 18, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos No Comments →

Escreveu cinco romances em três tempos. Primeiro dois. Depois outros dois e finalmente um. Entre a primeira linha e a última, a semente germinada do pinho, plantada em boa encosta beirã, não o ultrapassou em altura. Editados, publicados e bem vendidos, sobrou-lhe a amplitude do braço para pôr a estrela no cimo da sua árvore de natal bem aventurada.

Ontem, inundado de louvores, agraciado por admiradores e bajuladores, enquanto se esforçava por se humildar e manter firmemente algures entre o "nascer, com sorte viver e depois morrer", saiu-lhe ao caminho uma pergunta que rebolou lá por dentro, o suficiente para encontrar abrigo para reaflorar na serenidade das passadas solitárias rumo a casa com que conseguiu fechar o dia.

"Porque é que você, e tantos outros jovens escritores portugueses, se agarra tão firmemente à morte para desenrolar os seus sublimes romances?" 

Perguntinha a merecer um aforismo por resposta. Um remate de classe. Um sinal inequívoco de saber. Uma belíssima pergunta que era todo um programa. Fazia dele porta-voz da recem criada geração nova, detentor da chave de ouro que firmaria as décadas vindouras coladas à sua imagem e aos romances que viessem dele e de outros, desde que sempre agarrados à morte.

Porque raio deu ele então aquela resposta? A cada passada na calçava, com raiva, como se ele próprio estivesse no chão que pisava, fincava um pouco mais as pontas dos pés no gesto final de se elevar para o passo seguinte. Porquê uma resposta tão prosaica e sem chama? Porquê um desvio para o infinitamente mundano? Porquê aquela soberba insuportável?

"A morte é o último reduto da escrita perante a ostensiva tomada pelo inimigo de todos os restantes sentimentos e seus gatilhos, instrumentalizados, por exemplo, ao serviço do romance histórico, da literatura light e dos guiões das novelas televisivas."

Chegado a casa, atirou-se ao computador, fez-se personagem e matou-a logo ali, a meio da primeira página, esmagada por um ecoponto que se soltou do guindaste da recolha, incapaz de suster o imenso peso do papel para reciclar.

Todas as grandes viagens tem por destino a outra margem

Março 31, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos No Comments →

Andava nisto há meses, mirrando de saudades do sonho que ali a levara.

Nem todos os viajantes encontram a felicidade.” Esta máxima que ouvira, acompanhada pelo bandoleon, reverberava-lhe na cabeça sempre que sentia o cheiro a maresia em cada final de tarde.  Um sonho que se fizera de milhares de quilómetros, dezenas de camas, meia dúzia de línguas e quatro mares. Fazer a estatística era também algo inteiramente novo na viagem. Mau sinal…

Navio na névoaTinha uma vaga ideia de no início se convencer: regressaria!

Mas regressaria à família? Regressaria ao país, à vida sem viagens? Retornaria à contemplação das várias matizes da nuvem de smog? Recolheria à serra? Porque haveria de regressar?

Olhou para as mãos maltratadas pela água das lides com que ganhava para pagar o quarto da pensão. Ali, no fim de tarde, expostas à maresia, as mãos cobriam-se de branco, uma brancura áspera de pele cortada e endurecia. Uma brancura impossível de esconder quando impulsivamente tentava refugiar uma mão na outra. Nesse gesto sentia dois tocos mal definidos espetando um no outro as duras limalhas de pele retorcida e morta que se elevavam sobre o que restava colado à carne. A minha pele. A minha casa de banho, os meus cremes de beleza, a minha banheira, os meus sais de banho de fabrico caseiro. A lembrança de andar enrodilhada nas minhas toalhas… Foram estas memórias que a acordaram para outro sonho, que lhe permitiram encontrar uma razão, a razão que faltava para que se atirasse ao porto e procurasse navio.

Lá longe, em casa, faltava-lhe um amor à espera que nunca tivera; aqui, na viagem, faltava-lhe já a vontade de resgatar os cenários onde nunca vivera. Sobrava-lhe a razão que acautelara ao fazer viajar consigo as chaves da sua casa; sempre aninhadas num pequeno bolso interior da variável bagagem de viagem.

Hoje mesmo zarparia pelo Atlântico para a última etapa rumo ao prazer da água quente perfumada com manjericos.

Nem todos os viajantes encontram a felicidade e nem todos viajam para a encontrar. Todos tentam chegar lá longe, à outra margem.

 

(Em memória de um grande português, para o que interessa anónimo, imigrante, que morreu hoje, vítima de cancro, a milhares de quilómetros de uma família que conquistou com amor, contra preconceitos e tradições, literalmente traído quando havia já decidido dar por finda a dura lavra e fazer-se ao porto para rumar definitivamente a casa.)

 

Ã?gua mole

Março 30, 2007 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 2 Comments →

As mãos…

Os dedos…

Da palma à cota.

Dos nós à ponta das unhas.

Tudo terra sem fronteira;

Por propriedade areão grosso e limalhas.

Pele propriamente dita só por baixo dos punhos e adiante.

Não estava escrito

Julho 11, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos No Comments →

Um tipo cinzento entrevistava outro tipo cinzento a ver se lhe haveria de dar emprego.

Numa última pergunta, quando tudo havia corrido o mais cinzento possível e não se adivinhava bom porto para as intenções do entrevistado, o entrevistador visivelmente enfadado atirou:

    - Diz aqui [no currículo, na última linha] que gosta de ler. O que é que está a ler neste momento?

    - A História do beijo.

Surpresa! Os olhos brilharam, o entrevistador ajeitou-se melhor na cadeira e retomou a conversa com um "Ai sim, e então?". Nos minutos seguintes, sem que houvesse alteração no timbre monocórdico em que sempre decorrera a entrevista, falou-se cinzentamente do beijo. Contudo… Já não eram exactamente dois tipos cinzentos numa conversa enfadonha. O cinzentismo era agora esforçado em vez de mecânico.

Um dia depois o telefone tocou e o emprego foi oferecido. O sacana do entrevistado pediu mais dinheiro. Não estava escrito…

Belos a vida inteira

Maio 07, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 7 Comments →

O preâmbulo:

Passo a vida profissional no meio da ditadura dos grandes números: por um lado a macroeconomia, por outro a estatística e os seus princípios basilares que se escudam em universos e amostras, acreditando que o resultado do trabalho nos leva tendencialmente à verdade. Por outras palavras, se bem perguntado, a verdade ser aquilo que os números nos dizem, é mais a regra do que a excepção. Ainda assim, convivemos no mundo da estatística com uma dúvida incontornável: ninguém pode ter a certeza absoluta de que a exepção não é, em determinado caso, a verdade procurada. Tentamos medir os limites da nossa incerteza errando muito menos do que acertando.

O pretexto:

Escreve a dada altura o vizinho Pedro Mexia, "(…) A beleza dura poucos anos. Não há quase nenhuma pessoa que seja bela uma vida inteira. E essa devastação progressiva do tempo sugere o fatal fascínio da beleza: a beleza é fascinante porque dura pouco. A beleza é fascinante porque é angustiante, porque está em contagem decrescente, porque (tal como todos nós) não anda no mundo muito tempo."

O texto do Pedro remete-me para os grandes números, para insignificância da excepção, para todo o peso da realidade apurada por somas e contagens. Todo um instrumental aplicável a qualquer objecto de estudo, mesmo ao primeiros passos de um ensaio sobre a beleza. Mas… Em vez de reter o fatalismo, fico pendurado no "quase", na excepção: "não há quase nenhuma pessoa que seja bela uma vida inteira".

O desafio:

Quem preenche as fileiras que justificam o quase?  Serão esses que nos salvam?
Quem é belo a vida inteira?

Esqueçamos num primeiro momento o que é a beleza (o debate formal em torno do conceito que dura há alguns anitos - medidos em anos de Plutão), exemplifiquemos com casos práticos: quem é belo a vida inteira? Até para perceber se o conceito tem como ingrediente com peso avassalador o apelo sexual.

Bom, mais que não seja o vizinho Pedro terá ao menos um nome na manga que lhe justifique o quase. Tenho para mim que não serão assim tão poucos, mas encontra-los entre pessoas reconhecíveis pelo imaginário colectivo talvez não seja trabalhar com uma amostra não enviezada. Talvez nesse universo seja mais difícil encontrar os que nos oferecem o "quase". Será que foi com base nesse universo-estrito que o Pedro apurou o seu corolário (que suponho pretender-se de aplicação geral)?

Termino com um exemplo e uma constação pessoal ainda que repleto de dúvidas.

Os avós, (será por serem aqueles que nunca conhecemos novos?) conseguem por vezes ser belos até ao fim.

P.S.: É curioso como a beleza também anda em discussão de uma outra (?) forma, por aqui (I, II, III e IV). 

Porque nada do que antes tiveram deixaram de ter

Maio 04, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 3 Comments →

Estavam num cadeirão largo forrado com almofadas creme. Ele sentado, de fato azul, talvez de seda, impecavelmente engomado. Ela quase deitada, com a cabeça aninhada no ombro dele, embrulhada num xaile cor de pérola.

Olhavam a noite da cidade, com a vista que se tem dos telhados. A espaços ele sussurrava e ambos riam com igual discrição. Esperavam pelo acender e apagar das luzes dos vizinhos como antes esperaram os traços de luz a atravessar o firmamento.

Antes, no tempo em que ele não usava fatos e ela ainda não descobrira aquele ombro, quando a cidade não existia, a solidão oferecia-lhes palavras, melodias, sensibilidades. Era generosa. Uma dor boa que transformavam, cada um à sua maneira, em antecipação rosada.

Depois, quando ela finalmente descobriu o seu ombro, houve um tempo em que embruteceram para o mundo, desperdiçando-se por entre essências.

Hoje, neste momento, agora, estão de novo no terraço, encontrando magia nas luzes dos pirilampos da cidade. Ele está a esticar o braço… com cautela para não a acordar.
Apagou a fraca luz de presença. Que disse?…

Boa noite.

Apenas um gato

Abril 04, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos Comments Off

gato rotina.jpgA minha vida por um parágrafo.

Apenas um gato, na zona antiga de Penamacor.

Excertos para um auto-plágio futuro

Abril 03, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos Comments Off

Vivia cercado pela rotina.

De tempos em tempos, sem periodicidade certa, ia estrebuchando contra ela. Conseguia mesmo identificar nos arquivos primevos da sua memória momentos desses que poderiam ter sido tão aparentemente inócuos como passar a ir para a escola por um caminho diferente (algo que, pensando melhor, não tem nada de inócuo na idade de todas as inseguranças e curiosidades no mundo de um menino mimado) ou tão corriqueiros como mudar de penteado ou de modo de vestir. Sabia agora que o fizera, não para afirmar a personalidade ou para procurar identificar-se com alguma tribo mas, para cumprir uma outra eventual teoria que estudasse a batalha perene contra a rotina. Sem surpresa e com algum gozo, matutava neste instante que as teorias só se dão bem com fenómenos rotineiros.

Os anos passaram e hoje continuava a combater a rotina de forma não militante e não sistemática. Contentava-se com espasmos pouco exuberantes, apenas muito pontualmente cedia a pulsões românticas; devaneios pela estrada fora sem destino nenhum. Habitualmente preferia meter-se dentro de um livro, ou escrever no blogue, residência à qual alterava fundos, tipos de letra e nomes oficiais com bastante regularidade. Teria como arma fundamental na luta anti-rotina a cosmética, ou pelos menos, esta bastava-lhe na grande maioria dos acessos de angústia induzida pela rotina. Divertia-se. Rir contra rotina, atacando-a com ela própria!

A verdade é que era um ser pacífico, não suportaria viver sem rotina durante muito tempo. "Há poucos males absolutos e a rotina não é um deles", pensava quando imaginava os milhões de humanos anónimos supostamente ignorados pela História.

Contudo… Hoje pôs-se a matutar de novo na rotina, no seu excesso e, particularmente, na forma ironicamente rotineira, que escolhera para controlar aquela febre esporádica. Descobriu que se inspirara nos escapes das locomotivas que frequentara a caminho da Beira (Baixa) durante muitos anos, desde criança. Pelo meio de uma sucessão de pouca-terras ouvia-se de quando em quando um silvo gasoso, com marca singular, libertando-se de parte incerta.  Era este o seu programa anti-rotina: tinha como padroeiro um cavalo mecânico mas relinchante.

Aqui está ele agora, levantando um copo imaginário e brindando enquanto clama que relinchar é o seu remédio, isso e um ou outro coice acidental, “ e serei sempre assim, até ao ponto final”, promete numa tentativa de autoconvencimento.

Enquanto o néctar imaginário lhe escorre pela goela abaixo, remata: “Eis um simpático programa para que se possa dar o devido valor a um belo parágrafo”.

(em estéreo, em breve e com bonecos) 

A dupla vida de Veronique à escala global

Fevereiro 15, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos, Blogologia, Política 2 Comments →

Eu tirei muitas lições pessoais (não, não andei a contar espingardas - as opiniões pessoais e sua história interessaram-me mais como objectos de estudo pessoal, sendo irrelevante, para o que aqui digo, o rosto ou o nome dos personagens) e confirmei uma teoria muito íntima (e nada original) ainda que a expensas próprias, pois isto de debater, conseguir ler e perceber os outros e tentar replicar é estimulante mas também desgastante, extremamente desgastante se nos dermos efectivamente ao trabalho e almejarmos um efectivo, ainda que algo utópico, passo em frente. É sempre preferivel não ter que passar por esse desgaste, mesmo que se esteja a falar apenas de um debate, disparando teclas e mais teclas…  Quem não quer ser amado? Será esse, o da disputa, o caminho mais fácil?… E no entanto…

Esta história dos cartoons foi (e continuará a ser) muito mais do que um fait divers, uma micro-causa, uma demarcação de território entre tribos, para pegar na terminologia do curioso enunciado que Pacheco Pereira vai construindo.

Não me entendam mal, a particularidade da discussão não se deve à novidade do tema ou dos argumentos. O valor intrínseco do debate neste momento do tempo e do espaço provém dos seus efeitos dinamizadores e catalizadores. O que esteve (e está) em causa baralhou as velhas e estafadas cartilhas da política corrente relegando-as para um segundo plano (não desmerecendo, o seu merecido lugar) e, por outro lado, despertou alguns indivíduos para o Dilema, para a definição do que é um dilema. Não há nada como um boneco para generalizar um conceito, mesmo que sobre o boneco e não efectivamente do boneco.

Tenho para mim que pôs muita gente a pensar, a pôs em causa o conforto dos caminhos trilhados, apresentou o desconhecido a algumas cabecinhas que não encontraram nas referências do costume as ideias que julgavam resultar simples de somas singelas, puros sofimas disfarçados de silogismos -ainda que desconfie que muitas dessas cabecinhas só o confessem para os seus botões, por enquanto.

Talvez a percepção de que o que é considerado como adquirido está sempre em risco não tenha chegado apesar de tudo a muitos, não chegou certamente a todos nesta pequena esfera, mas talvez, talvez tenha ido além do que é normal nestas conversas em círculo estrito…

Pôs alguns a fruirem de uma rara espécie (felizmente rara!) de pureza de pensamento (retirando ao relativismo o carácter de instrumento de uso universal para a construção do pensamento) e pôs outros a defender, de forma menos consistente do que o habitual, que nada há para pensar ou discutir, porque nada está em causa além da necessidade de se manter uma espécie de fórmula geral de interpretação e convivência no e com o mundo, sustentada no muito ocidental e proverbial senso comum, supostamente apurado ao longo de séculos de tentativa e erro.

Para as mentes mais simplistas, algumas das "velhas alianças" soçobraram. Para outros olhos, ficou provado que há vida para além da matriz e que há um admirável e perigoso mundo novo que não existe apenas nos livros de história e que pode não se resumir à vidinha.
Não, não são os tambores da guerra, é apenas o PRESENTE que está aqui connosco acertando-nos na cabeça com o peso do seu passado, forçando-nos a "resolvê-lo", convidando-nos a viver cada dia, em cada acto, uma vida em comunidade.

Não se iludam: somos todos responsáveis, mesmo todos. Afinal somos demasiado parecidos, uns com os outros…

E depois disto, que tal passar pel’A Origem da Espécie

A Serra de Opa

Fevereiro 08, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 4 Comments →

Fica nos limites do concelho de Penamacor com o concelho do Sabugal. O seu cume marca parte do limite entre a Beira Baixa e a Beira Alta, mas não se enganem: a serra de Opa até nem é muito alta e estando em boa forma trepa-se bem pelo próprio pé, sem necessidade de especiais adereços. Um cantil cheio trazido de casa e um cajado de ocasião escolhido já a caminho podem ajudar.

No cimo talvez encontre como bónus as ruinas de alguns castros de antanho. De lá do alto poderá  disfrutar de belas vistas para o vale da Meimoa-Benquerença mas também, espreitando para Norte, a silhueta de Sortelha, para Oeste a Estrela e o vale da Cova da Beira, para leste a Malcata e um vislumbre da Serra da Gata, já em Espanha.

Vale a pena subir à Serra de Opa, vale sempre a pena subir a uma montanha.

Como uma pluma

Janeiro 28, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos, Desporto 9 Comments →

liedson_28_01_2006_II.jpg

Ouvem-se os passos, só os passos. A gente aperta-se, sem pressas, sem empurrões, numa ordem que só se consegue pela disciplina ou pela apatia.

Milhares de passos de milhares de pessoas. Descemos os degraus, tantos degraus, desde o topo da bancada, literalmente desde as luzes da ribalta até às entranhas dos bastidores.

Na rua recebe-nos o lixo dos preliminares: os restos dos cachorros quentes, dos couratos, da cerveja e algumas bandeirinhas de uso efémero que nos ofereceram à entrada. Chegados ali, vamo-nos apagando como brasas que se separam numa fogueira… É nessa altura que o frio nos assalta que a chuva se torna inclemente. É então que a derrota é mais nossa.

Haja o aconchego de um cachecol, pintado com as nossas cores, sempre ao pescoço, sem vergonha. Para uns como uma cicatriz, para outros como uma pluma.

Hoje tenho uma pluma em casa. 

A quantia certa

Janeiro 19, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 1 Comment →

 "(…) Faltavam-lhe sempre a serenidade e as mãos para meter os produtos nos sacos, tirar o cartão, digitar números, continuar a arrumar a tralha para logo interromper a tarefa recolhendo o talão e os cartões (o de débito e o cartão de desconto para o estacionamento).

Acabava sempre acossado, com as compras atafulhadas à pressa nos sacos, quando avançava já sobre ele o cliente seguinte, geralmente com a cara cheia de olhos, reclamando o território que já deixara de lhe pertencer. (…)"

Qual é o seu conto favorito? - 2

Janeiro 18, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos, Letras e Livros 1 Comment →

A propósito deste desafio, o Ã?lvaro deixou-nos na caixa de comentários a sua sugestão: "O Fosso e o Pêndulo" de Edgar Allen Poe. Não conhecia o conto mas pelo que leio vem bem a propósito, no seguimento de Frei Genebro do Eça. E você? Não tem um conto predilecto? Diga coisas.

Eis um excerto do início e a ligação para o original em inglês de "The Pit and the Pendulun (1842)":

" I WAS sick –sick unto death with that long agony; and when they at length unbound me, and I was permitted to sit, I felt that my senses were leaving me. The sentence –the dread sentence of death –was the last of distinct accentuation which reached my ears. After that, the sound of the inquisitorial voices seemed merged in one dreamy indeterminate hum. It conveyed to my soul the idea of revolution –perhaps from its association in fancy with the burr of a mill wheel. This only for a brief period; for presently I heard no more. (…)"

Qual é o seu Conto favorito?

Janeiro 18, 2006 By: Rui Cerdeira Branco Category: As Crónicas e os Contos 1 Comment →

Um dos meus contos favoritos é o Frei Genebro do Eça de Queirós. Pode ler-se aqui.

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