Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Negação (pós-troika e a saúde)

“Não, não foi preciso um doente terminal com hepatite C, em desespero, ter acesso aos telejornais para que o ministério da Saúde adquirisse um medicamento que curava e salvava a vida a muitos pacientes dessa doença.

Não, o Boston Consulting Group não afirmou que a quebra da despesa absoluta per capita em saúde posicionou o país na cauda da Europa. Também não afirmou que Portugal é o país da União Europeia com menor acesso a novos medicamentos.

E não, pagar a taxa moderadora não demoveu ninguém que de facto precisava de cuidados de saúde de deslocar-se a uma consulta num centro de saúde ou hospital.

Afinal, não é verdade que perder o emprego, ou parte do salário, ou da pensão bem como sofrer um corte total ou parcial dos apoios sociais num país a envelhecer tenha relação com a redução de pelo menos 1.250.000 de consultas em cada ano, em centros de saúde, desde que começou a austeridade. Um casal com dois filhos que tenha um rendimento mensal per capita igual a 315 euros já não está isento das taxas moderadoras.

Portugal está melhor, os portugueses é que estão pior.”

Publicado no Diário Económico.

PS em dissonância cognitiva?

Há dias afirmava-se que a prova do fracasso do governo seria este ter de recorrer ao programa cautelar. Agora ataca-se a falta de solidariedade europeia se formos forçados a uma saída limpa (sem programa cautelar). Eu até entendo e concordo com esta última parte da falta de solidariedade, aliás tenho-o dito desde que se soube a verdade sobre a saída irlandesa (o programa cautelar era politicamente inaceitável e indesejado pelo próprios parceiros europeus). O que me choca é que só agora volvidos vários meses e depois do disparate de colocar a suposta prova dos nove do sucesso ou fracasso da atual política e do atual governo em cima da decisão de um sim ou não a uma programa cautelar, se tenha percebido o que se estava a passar na Europa.
Não sei se é falta de assessoria de qualidade em matéria económica, se é distração a mais com ameaças internas, se é pura inépcia política, o que sei é que cada vez sinto mais desconforto e menos esperança…
O que se devia ter feito há uns meses quando se entrou na rábula do “cautelar” era afirmar que estamos objetivamente mais frágeis do que há dois anos, mais endividados, “estruturalmente” muito reformados em várias áreas (afinal foram 10 avaliações positivas da troika, lembram-se?) e, ainda assim, com uma mão à frente e outra atrás, tementes do primeiro espirro que possa vir da economia mundial – cujo ciclo económico, por agora, nos está finalmente a ajudar. Em suma, estamos sem acesso sustentável aos mercados e, objetivamente, dependentes de aval externo isto, claro, admitindo que queremos continuar a manter a farsa de que a Zona Euro e a União Europeia como está montada ainda é sustentável e nós nela.
É assim tão complicado não fazer asneira quanto a isto? E como será amanhã?