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Partido Socialista Política

PS: Esta é a hora para estabelecer prioridades e fazer contas antes de falar

O PS não deixou de fazer oposição sobre gelo fino e é bom ver tanta gente empenhada em tocar as campainhas. Enquanto não se perceber qual é a “estratégia económica e orçamental global” do PS será precipitado ser excessivamente crítico ou excessivamente laudatório, mas não creio que haverá melhor oportunidade para começar a deixar essa estratégia bem clara do que durante os próximos dias.
Hoje temos Paulo Trigo Pereira no Público a enviar os seus bitaites. Um excerto:

” (…) Sejamos claros, uma reposição total de salários de funcionários públicos em 2016, como foi defendida pelo PS no debate sobre o Orçamento de Estado, é um erro político, táctico e estratégico, para além de não derivar necessariamente do último Acórdão do Tribunal Constitucional. Do ponto de vista político esta proposta pressupõe que os funcionários públicos são desinformados e não aprenderam nada com estes anos de crise financeira, e que portanto premiariam o PS por esta promessa. Duvido que isto se verifique. Mas mesmo que se verifique, os eventuais ganhos de apoio político dos trabalhadores do público seriam anulados pela perda de apoio dos trabalhadores do privado que sentiriam, e bem, a ameaça de novas medidas despesistas. Mais, no dia seguinte a uma eventual vitória do PS, com a apresentação do Orçamento de Estado, este teria que ou renegar essa medida, ou mantê-la com compensações mais gravosas. Estrategicamente, é também um erro, pois o PS deveria concentrar-se sobretudo em medidas de crescimento económico, emprego e de redução das desigualdades (como fez e bem ao criticar a poupança de 100 milhões nos mais pobres) e pegar noutros temas como as desigualdades no acesso à educação (principal fonte de criação de desigualdades neste país). Temo, pois, que esta proposta do PS seja uma medida avulsa que não se insere numa estratégia económica e orçamental global.

Aquilo que é possível e desejável prometer aos trabalhadores em funçõespúblicas é que os seus rendimentos aumentarão durante a legislatura a uma taxa ligeiramente inferior ao crescimento do PIB nominal, ou das receitas fiscais. Ora uma reposição de salários (como aconteceria com a reposição das pensões), acima de valores considerados razoáveis, iria acentuar as desigualdades sociais! Aceitando que há um caminho a fazer na consolidação orçamental, um aumento excessivo de salários e pensões só poderá ser feito ou à custa de outras prestações sociais de combate à pobreza, ou de reduções de juros da dívida (desejáveis, mas incertas), ou de aumento de impostos. Este não é,definitivamente, o caminho para o PS ganhar credibilidade na área das finanças públicas.”

Adendas resultantes de discussão no facebook:
A dica do Tiago Antunes sobre a interpetação da obrigatoriedade ou não da reposição dos corte em 2016: Constitucional não fechou a porta a novos cortes salariais na Função Pública

E um comentário adicional:

Se o PS opta por devolver na íntegra devia responsabilizar-se desde já e ser consequente explicando mais qualquer coisinha sobre o equilíbrio orçamental. Aliás, pode propor essa devolução já este ano ou algo mais significativo do que os 20%, por exemplo, para 2015. Por mim não tenho nenhum à priori contra a devolução desde que esta seja enquadrada numa estratégia económica e orçamental global que espero seja significativamente diferente da seguida nos últimos anos. O PS vai devolver em 2016 porque pensa que tem de o fazer por lei ou porque acha que o deve fazer? Seja como for, espero que resulte de uma mudança em algumas prioridades chave sobre receitas e despesas no OE.

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Política

Mesmo no mais luxuoso hotel há quem tenha de limpar a latrina

Estes episódios de luta nos partido interessam pouco à maioria dos meus amigos, bem sei. Mas não se iludam, é nestes momentos que começa a avaliação e a definição do poder que a democracia delega. Foi também para estar melhor informado e para poder contribuir com os meus cinco tostões nestes momentos tão desprezados mas críticos na vida do país que me fiz militante.
É isso que tenho feito nestes dias, com um conhecimento de causa que se tivesse passado os últimos quase dois anos sem participar ativamente como simpatizante e militante dificilmente teria.
Todos teremos opinião mas a informação é crítica para formar uma boa opinião e nestes casos particulares ser-se militante/simpatizante ativo ou mero espetador de sofá não é a mesma coisa. Pelo que se sabe e pelo poder que se tem para influenciar o desfecho.
Tudo isto é política e é fundamental à democracia. Apesar de por vezes haver excesso de humanidade pelo meio.

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Política

Europa: Que nos lixem os mercados?

Ninguém consegue explicar com os argumentos habituais  com que nos convidam a definir a política económica e social pelo andamento nos mercados da dívida pública, porque é que bons alunos, maus alunos e alunos assim-assim estão a conseguir colocar dívida a preços cada vez mais baixos e, em vários casos, em mínimos absolutos desde que se criou o Euro. Se calhar era bom repensarmos a forma como definimos culpas, medimos rigor económico e definimos ou recusamo-nos a definir uma política fiscal comum.
É que o indicador mercados por estes dias (e em muitos outros dos últimos anos) simplesmente não tem leitura nem consistência para ser fulcro de qualquer projeto político e económico. Se há paradoxo evidente, que haja ilações claras.
Na Europa temos de nos entender e procurar um núcleo de interesse comum. E nos últimos dias a História tem-nos avivado alguns que traziamos esquecidos. Enquanto simplificarmos análises confiando em mercados, em fantasmas com quase 100 anos, em meias histórias sobre a crise recente e em preconceitos moralistas disfarçados de economicidade (com toque levemente xenófobo) mas sem fundamento factual, não nos safamos.

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Partido Socialista Política

Do 365 Forte: “PS – procurar entender”

Da semana que passou ficou esta prosa escrita no 365 Forte, sob o título “PS – procurar entender“.

Um excerto das linhas finais:

“(…) Qual seria a solução ideal?

Compreendendo e até participando do esforço de abertura ao exterior e participando ativamente na procura de novas e melhores propostas, não me faz sentido nenhum que se defenda começar do zero. O mesmo não sentido, aliás, que faz acusar a atual direção porque não adotou como um filho querido todo o passado. Antes ou em paralelo com abertura do partido para procurar um novo programa político o PS deveria, internamente, assumir a crítica construtiva daquilo que fez, olhando para o seu legado e para a expressão eleitoral a que foi sujeito. Bem como ao atual sentimento do povo face ao que teve, tem e quer ter. Refletir sobre o que são edifícios sólidos que deverão ser mantidos como políticas estruturais identitárias do PS e assumir o que são ruínas sobre as quais há que reconstruir uma opção política e uma forma de fazer política. Tanto trai o partido e os seus eleitores quem se recusa a reconhecer com humildade que não foi perfeito, recusando-se assim a mudar, como quem foge ao incómodo de liderar a reforma refugiando-se numa cisão regeneradora. Não creio que o PS precise de mudar tudo, nem possa querer repetir o passado. O passado serve para edificar uma identidade não para em torno dele se cristalizar um partido. Há experiências dessas quanto baste no espectro político nacional.

Da reflexão que escasseia surgiriam naturalmente as pontes que faltam para que alguns dos mais destacados protagonistas de ontem e os que hoje vão surgindo, encontrassem o respetivo espaço de representação pública e de defesa política do projeto do PS. Creio que ganharíamos todos, em particular o país.

 

Infelizmente, o que se vê e o que se perspetiva, passará completamente ao lado desta discussão, afinal há que mobilizar as tropas para a batalha eleitoral arriscando-se assim, um grande partido nacional a, mais uma vez, perder a oportunidade de olhar para si próprio e imaginar-se perante eleitores que se querem responsáveis, responsabilizados e inteligentes.

Ou será que o congresso pode servir para mais alguma coisa além de um eventual contar espingardas e cativação de representação em órgãos nacionais?”

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Política

365Forte: “Nem que seja para pior é possível melhorar”

Novo artigo no 365 Forte: “Nem que seja para pior é possível melhorar (Da perda de soberania)“. Um excerto: 

“Draghi põe o dedo na ferida: “Muitos Governos não perceberam que perderam soberania há muito tempo

Eu diria que a chatice não é que esse seja “apenas” um problema dos governos, é também dos povos. E acrescentaria ainda que o que se perdeu de soberania (que vai bem para além das questões de finanças correntes) também pode ter sido aceite no pressuposto de que existiria um trade-off que teria, do outro lado, um nível razoável de solidariedade entre estados que afinal, agora, parece que nunca existiu – ainda que, até 2009, povos e mercados tenham sido levados a pensar o contrário. (…) “

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Política

Nova colaboração política no novíssimo 365 Forte

Depois de uma primeira experiência coletiva – então em plena campanha eleitoral pelo MEP, num blogue do Público – aceitei o convite de voltar a lides essencialmente de debate político no novíssimo 365 Forte.

A primeira participação está aqui: O próximo governo deste país – dois cuidados fundamentais

Apareçam!

 

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Política Portugal

Humores em outubro de 2012

Se dúvidas houvesse, com a recente cimeira europeia ficou claro que nada do que interessa a Portugal será feito em breve. Muito pelo contrário. Corremos então por uma miragem.

A insustentabilidade financeria e económica do país agravar-se-á continuamente e no final receberemos o rótulo de pária.

Pagar para ver e esperar que haja algum tipo de renegociação virtuosa parece-me cada vez mais uma imensa e trágica ingenuidade.

Os valores, os interesses e a forma de mediação que estão a enformar a atual evolução europeia são aceitáveis?
A que custo, até onde e até quando?

Estão a fazer um belo serviço na missão pela destruição do sonho europeu. E ficar em negação, não nos servirá de nada.

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Um outro ar no PS – que seja o início de algo melhor

Gostei! Para um órfão, há sinais de esperança 🙂

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Economia Política

Weapons of Mass Creation

123 minutos de polémica estruturada contra o sistema monetário numa versão orientada para consumo interno nos EUA, mas ainda assim interessante e generalizável. Zeitgeist Movement uma alternativa política e filosófica altamente disruptiva do status quo.

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MEP Política

Partido Sócrates Despedido (PSD)

” (…) Abram alas para a inteligência: não há voto mais útil que o voto inteligente e livre. A eternização do “voto no mal menor” e do “voto contra” não podem, a prazo, garantir nada de muito construtivo, condenam-nos exactamente a isto: a viver num mal menor e num mundo do contra. E que tal votar por um bem maior e a favor? Já me calo antes que me chamem utópico ou algo pior.”
In Eleições 2009.