Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0



Democracia

E agora um abraço a todos os que fizeram (e dignamente desfizeram) o MEP e que há 5 anos estavam reunidos com sentido de dever cumprido à espera dos resultados. Foi uma grande aprendizagem, uma experiência inesquecível e um testemunho inspirador a que tive a sorte e prazer de assistir e partilhar. O MEP não singrou como alternativa mas, pelo menos no meu caso, face ao meu ponto de entrada, revelou-me que há motivos de esperança onde não os vislumbrava. A esperança e crença no vizinho do lado, caro eleitor, não diminuiu, aumentou. Há muito boa gente alheada da política disponível, interessada e capaz. Deu-me uma perspetiva muito mais positiva do que podemos fazer em política. Muito do que vi por lá faz uma imensa falta nos grandes partidos, a energia, a audácia de mudar internamente, de tentar novos mecanismos de comunicação e de participação e de construir e reconstruir o próprio programa político e os vários programas de governo. À medida que vou conhecendo melhor o meu partido “natural”, o PS, mais convencido estou disso mesmo. Melhor é possível e vai ter de se fazer. No meio de um imenso pessimismo quanto ao cenário político “externo” e perante um cenário de grande afastamento face uma parte crescente do eleitorado, não consigo esconder esta nota de esperança e vontade de ação. Contribuir com maior exigência, mais energia e entrega na participação cívica dentro de um partido nunca pode ser um empecilho. Será sempre o fundamental da força vital de qualquer democracia. Afinal que raio de outro caminho é que quem se fica a resmungar e a reclamar prezando a sua querida abstenção imagina como solução?
Um abraço especial ao Rui Marques, à Francisca Assis Teixeira, ao Joaquim Pedro Cardoso Costa, à Margarida Gonçalves Neto, à Laurinda Alves, ao Rui Nunes da Silva , ao Miguel Alves, ao Jorge Sousa, ao Jorge Santos ao Carlos Albuquerque, à Joana Morais E Castro, ao Rui Castro Martins, à Margarida Olazabal Cabral, ao Luis Cabral ao Tiago Neto ao Pedro Fidalgo Marques e a tantos outros.

Opinião: Uma carta, a pretexto dos parabéns ao PS

 

 

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Querido leitor,

Tenho 37 anos, sou filho de migrantes, nascido em Lisboa, criado entre o subúrbio sintrense e a raia de Espanha, lisboeta em permanência vai para 10 anos. A pretexto dos 40 anos do PS ocorreu-me discorrer sobre a minha memória da política que se confunde com o tempo de vida. E tu, caro leitor, onde estiveste nos últimos 40 anos?

As primeiras memórias que tenho da política construíram-se pela televisão, a campanha presidencial de 1980, a morte do Primeiro-Ministro, a eleição de Ramalho Eanes… E pela rua nos vários 25 de abril e festa associada. Recordo a história do 25 de abril contada pelo meu pai, beirão, ex-guardador de rebanhos, à data marinheiro de prevenção na capital, sem excessiva carga política ou entendimento de tramoias complicadas. Um genuíno e singelo amante da liberdade e da justiça.

Depois, veio a atenção aos debates na TV, Mário Soares, o fascínio pelo que era o entendimento e o desentendimento em política, a AD, o Bloco central, as várias pétalas da rosa socialista no PS, os senhores eternamente zangados do PCP, o táxi do CDS, a convulsão do PSD.

Recordo já melhor o turbilhão na segunda metade da década de 80: a era moderna da política lusa com a entrada na CEE, com o primeiro presidente civil, a primeira grande vitória política com que vibrei verdadeiramente no que uns 11 anos permitem. O fenómeno PRD, a ascensão de Cavaco e os “mestrados em política e jornalismo” com o nascimento da TSF. O desenvolvimento do sentido de justiça, em crescendo. O querer sempre defender os mais fracos, de preferência com a palavra. O soco dado e recebido, num extremo. O querer compreender, o gostar de matemática e chegar à economia começando a criticar a lógica monolítica da política económica cavaquista. Acompanhar a JS de Seguro, um tipo de uma família decente lá do concelho, à distância…

E mais instantâneos e reflexões, como o medo de perder a capacidade crítica com uma entrada precoce num “clube” político. A faculdade, uma maior participação política, a felicidade de fazer amigos politicamente muito diferentes e bons democratas. Caminhando sempre próximo do PS, em choque com a degradante praxis política nas juventudes em batalha pelas associações de estudantes. E a perceção do acerto na aposta de um afastamento consciente da política partidária organizada. A consciência de que vibraria demasiado com o “clubismo”; o Sporting a ensinar-me que precisava de mais defesas para não perder o norte. O respeito pela família com a necessidade de acabar o curso em 4 anos. As manifestações contra Cavaco, na rua. As visitas aos antiquários de São Bento sob patrocínio policial.

As várias camadas da política mediática, a política pelos jornais, do Independente ao Expresso mas sempre a minha amada rádio. A sensação de algumas oportunidades perdidas na gestão do país, a perceção de Guterres como a última grande oportunidade para fazer grandes coisas e depressa com a generosa boleia da CEE.  A dignidade, o diálogo, uma maior sinceridade e transparência na forma de fazer política. A importância da forma sobre o conteúdo. A admiração / desconfiança perante as agências de comunicação. A política espetáculo e o espetáculo da política. A surpresa civilizacional dos autóctones sobre sí próprios com a Expo 98. A vertigem para o vazio. A morte de Cunhal, a sucessão de Soares. Jorge Sampaio. Algures por aqui, começar a compor uma nova família. O cumprir serviço publico como trabalhador do Estado.

Foi também tempo de perceber a imensa dificuldade que há entre o querer e o fazer. A crescente dissonância entre o político, o povo e o interior do país. A sucessão de desiludidos da política da minha idade que foram mais para dentro do que eu e que se afastaram, à esquerda e à direita, co mraras exceções. Alguma desilusão com o PS, com o aquém de Guterres. Admiração por Ferro Rodrigues e pela capacidade de reinvenção do PS. O melhor e o pior do PS com o caso Casa Pia. A revolta perante tiques possessivos face ao país, às instituições e à democracia. A hipocrisia e o cinismo de Barroso, o que deu à sola. A degradação política dos meios e da prática de Santana Lopes. A esperança e o entusiamos com Sócrates.

O arranque reformador do PS com maioria absoluta. O político profissional. A constatação dos tiques dos pequenos poderes na administração do Estado com patrocínio partidário, sem grande diferença face ao governo do momento. Um mal social banalizado. A capacidade de reformar com nexo e concertação na Segurança Social e no Trabalho. A admiração por Vieira da Silva. O cutucar da vaca sagrada na educação, sem grande inteligência emocional. O ensino obrigatório até ao 12º ano, a boa ideia do Magalhães, a falta de procedimentos credíveis/estabilizados de sindicância de investimentos. A realpolitik à moda lusa. A capacidade de renovar, de cativar novos quadros para o exercício do poder. O plano tecnológico, as renováveis, o simplex, a lei em português claro, a e-governo com alguns excessos de velocidade, a coragem de assumir que era preciso mudar nos direitos cívicos, nas liberdades individuais.

O excesso de imagem, os sinais de obstinação, a incapacidade de compreender as ameaças latentes. A necessidade imperiosa de termos um governo melhor do que o país. A infantilização do eleitor. Não perceber onde ficou a defesa do interesse nacional perante opções simbólicas eleitoralistas. O encurralamento autoinduzido numa realidade virtual, a sucessão de mentiras, a excessiva pressão política sobre serviços públicos independentes, o fracasso político e orçamental em 2010. Mas também a traição vinda da Europa.

O MEP e finalmente a militância. Fazer duas campanhas na estrada, em dedicação exclusiva. Construir uma alternativa de raiz. A perceção de que não há ameaça bastante para motivar a renovação e a aproximação aos interesses de muitos portugueses dentro dos partidos acomodados. A descoberta de que há muitas pessoas competentes e politicamente mobilizáveis para a causa pública ativa dentro de estratos pouco comuns (jovens adultos com família, vida estabelecida e sem experiência política ativa anterior). O corte com o MEP às mãos da fábula da escorpião.

A pesada herança emocional de Sócrates. A fraca crítica interna com reflexo externo claro do passado recente. O ciclo de vida política de Seguro, o falso-lento. A pouca densidade política de Seguro em virtude da reduzida afirmação política prévia em matérias de políticas de Estado mas também a convicção da honestidade e do genuíno interesse na defesa da causa pública. As dúvidas quanto à capacidade de evitar um permanente ambiente de guerrilha e acerto de contas interno. O perigo de um racalcamento mas trabalhado. E depois a redução da perceção da ameaça e a concentração no essencial. O apelo à participação. O aceitar do desafio. A compreensão da imensidão do desafio político do momento. A catástrofe governativa. A necessidade imperiosa de uma alternativa. A imensa desconfiança na política. Os fumos do final de regime. A militância no PS, sem reservas, por fim.

E, claro, a internet, pretexto para novas amizades, para a exposição egocêntrica e narcisista, para o desabafo, para o debate, para a política, para a aprendizagem, até para o amor.

Caro leitor, mal te conheço, serás pessimista-otimista, preguiçoso-trabalhador, ativista-comodista ou mesmo teimoso errante, sei que enquanto me leste fomos um único português. Tem de ser por aí…

Mando-te os meus parabéns, ao PS.

Ao dispor,

Rui

Também públicado no 365 Forte.

Alegre ma non troppo

É óbvio que o PS tinha que apoiar Manuel Alegre. Não sei do que é que estava à espera. Da fatalidade, do triste fado.
Não, não é votando em Manuel Alegre que me sentirei mais de esquerda e mais feliz. Lamento. Por várias razões é um mau candidato, muito pior do que foi há 4 anos quando votei em Mário Soares.
Desiludido com a gritante falta de visão do MEP e o seu empedernido conservadorismo nos costumes, definidor de um extremo; revoltado com a forma de fazer política (e com a própria política) do PS e demasiado farto da inevitável traição que o actual PSD pregará a quem acreditar que vem dali algo de genuíno (antes fosse liberalismo, mesmo), terei de ir às compras visando uns odres, mantimentos e cobertores. Faz imenso frio no deserto e nos países mal governados.
Para já, resta apenas o mal menor para me mobilizar no dia D. Muito curto, não me basta, mas que fazer? Talvez empreender.

Partido Sócrates Despedido (PSD)

” (…) Abram alas para a inteligência: não há voto mais útil que o voto inteligente e livre. A eternização do “voto no mal menor” e do “voto contra” não podem, a prazo, garantir nada de muito construtivo, condenam-nos exactamente a isto: a viver num mal menor e num mundo do contra. E que tal votar por um bem maior e a favor? Já me calo antes que me chamem utópico ou algo pior.”
In Eleições 2009.

O fim da desculpa do "voto útil"

Olhando para os resultados de ontem, o cenário político nacional afastou-se como nunca do bipartidarismo. O que nos espera é o fim da era das maiorias absolutas monopartidárias e, quem sabe, de coligação. Veja-se este exercício feito pelo Pedro Magalhães no Margens de Erro, pegando nos resultados de ontem e projetando-os como se fosse de eleições legislativas:

“(…) os resultados (…) seriam os seguintes: PSD: 95 deputados PS: 72 deputados CDU: 24 deputados BE: 23 deputados CDS: 15 deputados MEP: 1 deputado (…) Em suma, neste exercício, PSD+CDS têm 110 deputados. PS+CDU+BE têm 119. A rectificação que menciono na abertura teve a ver com o MEP. De facto, com 46 deputados a serem eleitos em Lisboa, os 2,32% do MEP seriam suficientes para 1 deputado. “

Teríamos assim 6 forças políticas no Parlamento (sendo o “meu” MEP a novidade) e teríamos um cenário muito complicado de governabilidade em coligação. Mas há naturalmente mais formas de se governar um país além das maiorias monopartidárias ou de coligação. O que interessa sublinhar agora é que está na hora de cada força política demonstrar que está à altura de assumir a responsabilidade (e de mostrar a capacidade de indicar propostas) que ajudem a construir o país. Havendo boas políticas e sentido de serviço ao bem comum, a tarefa facilita-se. No fundo, a pergunta resume-se, em cada momento, ao seguinte: o que é bom para Portugal? Mas não me iludo, será uma tarefa muito difícil para quem está habituado apenas à prática negativista e demolidora de uma certa forma de fazer oposição. O MEP, esse, estará no seu elemento.

Também publicado no Eleições 2009.

A maternidade mediática está fechada, mas o bébé está a nascer na rua

Contra quase tudo e quase todas as maternidades mediáticas ,o bebé nasceu. Nasceu na rua onde há 35 anos não se admitiam ajuntamentos de mais de 3 pessoas sem que o olhar desconfiado das autoridades da ditadura se impusesse a dispersar. Hoje os bloqueios fazem-se nos jornais, nas televisões mas tal como então há formas de lutar pela nossa democracia.

Domingo vai ficar claro que é possível quebrar o bloqueio, uma imensa minoria de portugueses, pelo voto, mostrará aos outros que temos nova força política, uma alternativa credível e sustentada em quem poderemos votar a partir de agora.

O percurso do Movimento Esperança Portugal começou com a descrédito, com o comentário jocoso, com os velhos do Restelo, com quem nunca é capaz de estar do lado da solução num primeiro momento.

Entre ontem e hoje os mais avisados emendaram a mão, outros se lhe seguirão, mas convém guardar na memória, particularmente mediática, quem foi incapaz por omissão e intenção de cumprir com o seu papel. A porta estava fechada mas o bébé nasceu na mesma, com amor, carinho e promessa de uma imensa dedicação e responsabilidade futura, apresento-vos o MEP – Movimento Esperança Portugal, o partido que acredita na árdua esperança que nos levará a um país onde todos conseguiremos viver com mais dignidade e respeito mútuo.

Caravana em Lisboa – o folclore do MEP em campanha

Hoje, ao início da tarde reunimos excepcionalmente uma caravana menos ecológica em mais uma tentativa de romper o bloqueio informativo que vamos sentindo. Eis um excerto produzido pelo serviço de TV do MEP.

Transparência em Movimento – as contas da campanha

“Em política, a transparência e a prestação de contas são essenciais. Embora legalmente a apresentação de contas seja, como é natural, posterior à conclusão da campanha, queremos desde já antecipar a informação sobre custos da campanha para que as perguntas que os portugueses colocam tenham resposta clara.

Quanto custa o autocarro “MEP em Movimento”?
O autocarro “MEP em movimento” foi alugado à empresa Barraqueiro por um período de 16 dias, até 5 de Maio. O custo total do aluguer, incluindo combustível, portagens, motorista e decoração exterior foi de 10.000 Euros.

Quanto gastam em alimentação e alojamento?
Estabelecemos um subsídio de almoço de 5€ e negociámos menus de jantar de 10€. O custo de alojamento/noite é cerca de 40 €.

Quantos cartazes tem o MEP e quanto custaram?

O MEP contratou a colocação de 30 cartazes de exterior, na grande Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Leiria e Setúbal, para os três ciclos eleitorais e o custo total foi de 45.000 €.

Que materiais fez e quanto custaram?

Para comunicar a candidatura do MEP utilizamos uma revista da qual fizemos cerca de 200.000 exemplares, como um custo de 7.000 €. Produzimos também um folheto simples, com 100.000 exemplares e um custo de 500 €.

Como se financia o MEP?

O MEP financia-se de donativos e quotizações dos seus membros e amigos e recorre a empréstimos bancários para financiar a sua tesouraria.

As pessoas que estão na caravana são voluntários ou contratados?

Das cerca de 20 pessoas que constituem a tripulação do autocarro só 4 são profissionais do secretariado executivo do MEP. Os restantes são voluntários, tendo colocado férias, pedido licença sem vencimento ou pedido dispensa no quadro legal da sua candidatura ao Parlamento Europeu.”
in http://mep.pt

O papel dos Hoteis Ibis na campanha do MEP

Diário de campanha: O Minho

O dia começou em Ponte de Lima com mais uma curiosidade de campanha. Chegar perto da ponte romana no largo principal e descobrir um rancho de folclore a dançar “Laurindinha” foi uma coincidência feliz que deu a nota para um dia que ameaçou ficar marcado pela chuva e que terminou em Barcelos (depois de Viana, de Caminha, de Esposende) numa fim de tarde enxuto e numa das mais intensas e interessantes acções de campanha directa junto da população local que se encontrava concentrada numa festa organizada pela Associação Comercial e Industrial de Barcelos cujo presidente se candidatará à Câmara Municipal.plima2plima3
Os núcleos de Braga do MEP e de Lisboa engrossaram as fileiras e foram quase 40 pessoas em acção de campanha nas 5 paragens do dia, em autênticas operações relâmpago que não deixaram de permitir que houvesse disponibilidade de encetar dialogo com as gentes das terras.
O dia foi cansativo, mas extremamente animador. Passámos por outras campanhas, incluindo a do 8º elemento da lista do PSD (José Manuel Fernandes) que disputará directamente o lugar com Laurinda Alves e ficámos satisfeitos com a receptividade do povo de Esposende (onde ocorreu este encontro) e do Minho em geral.