Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0



Se eu fosse liberal: cadê a liberdade de escolha dos que recebem menos?

  1. Vamos imaginar que acreditamos que a gestão privada de pensões é superior à pública (parece não ser a avaliar pelos retornos gerados);
  2. Suponhamos adicionalmente que defendemos que todos devem ter opção de escolher quem deve gerir uma parte da sua pensão (público ou privado);
  3. Vamos supor ainda que a gestão da transição do sistema atual para um onde uma parte da TSU ia para uma caixa individual não era um problema (é, não há dinheiro para o buraco gerado nos recursos para sustentar as pensões a pagamento);
  4. Admitamos ainda que temos consciência que a TSU não serve só para pagar pensões e que só a fração desta que está afeta a esse fim seria sujeita à opção parcial quanto a quem fará a gestão (público ou privado);
  5. Com esta agenda que sentido faz plafonamento? O plafonamento, recordo, determina que só quem receber um salário acima de um determinado valor e só para esse excedente pode escolher se prefere descontar para um regime privado em vez de para um regime público. Ora a lógica de dar liberdade de escolha não deveria abranger todas as pessoas que descontam? Se assim for para quê dizer que é só para quem recebe acima de um valor fixo? Não deveria a opção incidir sobre uma percentagem da TSU fosse qual fosse o valor?
  6. Até fazendo um esforço de pensar segundo os parâmetros liberais (que acreditam piamente na superioridade do mercado e que este gerará um benefício social muito superior ao desenhado pelo Estado), a proposta de plafonamento parece absurda. A menos, claro, que tudo não passe de um embuste que visa atingir um objetivo que nada tem a ver com o declarado, como seja o de garantir aos que mais recebem, e apenas a esses, ter direito a um desconto significativo nas suas obrigações que ajudam a sustentar o Estado social.

P.S.: Na realidade até acho que sou liberal, mas parece que sou de outra espécie de liberal. De muitos cá do burgo arrogo-me a não receber grandes lições.

Quando a equidade intergeracional se quer fazer esquecendo metade da história

Se a lógica do cada um por si, perdão, “liberdade de escolha” na Segurança Social, na Educação, na Saúde vinga, uma “liberdade de escolha” onde eu terei a liberdade de contribuir só um bocadinho para o coletivo, em especial se ganhar suficientemente bem, ainda vou ter aqueles que me pagaram 16 anos de escola pública a pedir reembolso direto para as suas respetivas contas de aforro públicas que a PAF propõe.

Afinal esses, em relação aos quais, votando na PAF, terei a liberdade de escolher não lhes financiar boa parte das reformas vindouras, esses dos quais muitos já são reformados ou estão em vias disso, também podem invocar que deixaram de poupar para a reforma para pagarem impostos que me sustentaram a educação pública (ou semi-pública via contratos de associação com IPSS), a saúde pública, a Segurança Social  e tudo o resto que contei como adquirido, da justiça à segurança pública passando pela defesa nacional e por todas as infraestruturas e serviços municipais e nacionais de que beneficiei durante décadas sem pagar um tostão.

Se é para encher a boca com a equidade intergeracional, convém não fazer por esquecer metade da história, ignorando o que é de facto a solidariedade intergeracional, algo que não se inicia no dia em que se começa a descontar para pagar as reformas dos nossos pais e avós mas que começou no dia em que nascemos, ou mesmo antes dele. Estamos todos no mesmo barco, desde sempre.

Conseguem perceber o que é exatamente caminhar para a “liberdade de escolha” que a PAF quer implementar?

Não é centro direita meus amigos, é já outra coisa. Não se arrependam do voto daqui a uns meses. Peçam esclarecimentos, informem-se não se acomodem com um “são todos iguais”.