Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Se eu fosse liberal: cadê a liberdade de escolha dos que recebem menos?

  1. Vamos imaginar que acreditamos que a gestão privada de pensões é superior à pública (parece não ser a avaliar pelos retornos gerados);
  2. Suponhamos adicionalmente que defendemos que todos devem ter opção de escolher quem deve gerir uma parte da sua pensão (público ou privado);
  3. Vamos supor ainda que a gestão da transição do sistema atual para um onde uma parte da TSU ia para uma caixa individual não era um problema (é, não há dinheiro para o buraco gerado nos recursos para sustentar as pensões a pagamento);
  4. Admitamos ainda que temos consciência que a TSU não serve só para pagar pensões e que só a fração desta que está afeta a esse fim seria sujeita à opção parcial quanto a quem fará a gestão (público ou privado);
  5. Com esta agenda que sentido faz plafonamento? O plafonamento, recordo, determina que só quem receber um salário acima de um determinado valor e só para esse excedente pode escolher se prefere descontar para um regime privado em vez de para um regime público. Ora a lógica de dar liberdade de escolha não deveria abranger todas as pessoas que descontam? Se assim for para quê dizer que é só para quem recebe acima de um valor fixo? Não deveria a opção incidir sobre uma percentagem da TSU fosse qual fosse o valor?
  6. Até fazendo um esforço de pensar segundo os parâmetros liberais (que acreditam piamente na superioridade do mercado e que este gerará um benefício social muito superior ao desenhado pelo Estado), a proposta de plafonamento parece absurda. A menos, claro, que tudo não passe de um embuste que visa atingir um objetivo que nada tem a ver com o declarado, como seja o de garantir aos que mais recebem, e apenas a esses, ter direito a um desconto significativo nas suas obrigações que ajudam a sustentar o Estado social.

P.S.: Na realidade até acho que sou liberal, mas parece que sou de outra espécie de liberal. De muitos cá do burgo arrogo-me a não receber grandes lições.

O admirável debate sobre a criação de moeda no Parlamento Britânico

Há 170 anos que o parlamento britânico não discutia o processo de criação de moeda (presentemente nas mãos da banca privada – no fundamental). Hoje estão a protagonizar um dos melhores debates que alguma vez vi serem feitos num parlamento democrático com deputados incrivelmente bem preparados e motivados (através a figura do Backbench Business Debate). E atingindo um nível de consenso impresionante entre conservdores e trabalhistas. A sala não está cheia mas o debate é estimulante, participado, sem floreados excessivos ou dedos espetados. Em breve tentarei resumir as principais propostas que alguns acreditam só serão implementadas depois do atual sistema financeiro ter um último e definitivo estouro. Esta é uma discussão com um impacto colossal na vida do dia a dia de cada um de nós e particularmente importante para quem trabalho no sector financeiro e na regulação financeira. Em Portugal, gostava de ter um parlamento que conseguisse, nem que fosse de 170 em 170 anos, produzir momentos como este. Eu acho que é possível.

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