Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Opinião: Continuamos vidrados nas piruetas dos acusadores puros

Camilo Lourenço diz que ele e o FMI estão furiosos com o fim da espiral recessiva. O crescimento recente é mau.

Camilo Lourenço descobriu em 2014 que em 3 anos não se reforma estruturalmente uma economia. Camilo Lourenço reconhece, sem o assumir, que tudo isto foi uma palhaçada inútil e inconsequente (exceto na parte em que destruiu a vida de muitas pessoas). Afinal, o malvado consumismo está de volta.

E vestigios da prometida eficácia reformista? O fulgor exportador? Da austeridade expansionista? E a substituição de importações? Tudo anda a reboque do exterior, os empreendedores lusos continuam verbos de encher instrumentalizados para anular qualquer assome que justifique intervenção mais ativa do Estado na economia mas… quase nada se fez além de destruir competitividade. Sim, destruir competitividade quando se perdem quadros especializados altamente formados, quando se ignoram a assimetrias internas à zona euro no mercado de capitais, quando se força um aumento brutal e imediato nos custo de produção energéticos e quando o euro não para de valorizar dificultando-nos a porta a qualquer escape além Europa. E espantosamente, com tudo isto, esperava-se um milagre económico.
O que se recupera resulta:

1) da influência externa (porque os outros recuperam)

2) e/ou porque houve alguma folga (nem toda a austeridade esperada e depressiva era legal e veio a entrar em vigor, lembram-se?) e

3) porque chegámos a alguma psicologia favorável ao consumo por parte dos que podem – já nos anos 80 falámos do pudor induzido pela crise com uma retração “excessiva do consumo” entre aqueles que têm bolsos fundos e posteriar relaxamento do receio pela exibição consumista.
Mas não se alarmem. A culpa essa continua a ser dos mesmos. As bestas estão perfeitamente identificadas e não há mudança de diagnóstico que as redima.

A austeridade cega e o “plano” de um bando de credores que não se entende, passam incólumes. E Camilo Lourenço continua coberto de razões. De dedo em riste e pirueta sempre pronta. Um perfeito ilusionista mistificando muito mais do que esclarece. Um proverbial vendedor da banha da cobra intelectual. Está bom tempo para o seu negócio. Disso não tenho dúvidas. Um verdadeiro empreendedor.

Publicado originalmente no 365 Forte.

Ratings e Europa – Déjà vu: isto resolve-se com mais um PEC.

Também publicado aqui: “Ratings na Europa: “We are about to attempt a crash landing” “.

Notas breves sobre a descida generalizada de ratings na zona euro e uma música com história:

  1. Como se comentava há pouco no twitter (http://bit.ly/zVh2R7) “Como a UE não se federaliza, a S&P federalizou a análise” e relevou o estado geral da zona euro como mais importante do que as condições particulares dos vários países afetados.
  2. Mas será que os ratings ainda fazem mossa? A partir do momento- nesta tarde – em que começou a correr o boato de que iriam acontecer, interromperam-se as escaladas nas bolsas de valores, o euro desvalorizou rapidamente para mínimos de vários meses, os juros da dívidas soberana dispararam na periferia e entre os países expectavelmente afetados pela descida do rating. Como se fossem surpresa…
  3. As reacções dos vários Estado, aqui bem representadas pela reação do Mínistério das Finanças português (ver “Governo português lamenta decisão da S&P“), dão bom testemunho do carater paradoxal desta situação e das justificações para as descidas de rating, mas recordam também como passámos já à fase histórica no sentido em que tudo isto parece já uma história contada repetidas vezes sem que haja escriba capaz de alterar o guião.
  4. O que se segue Europa? Mais moralismo, mais tacanhez, mais negação? Continuarão as reuniões políticas a ser conversas entre condóminos incapazes de perceber que por muito diferente que seja a vista que cada um consegue disfrutar dos seus diferentes andar de residência o destino de todos está condicionado pela qualidade dos alicerces que não souberam fundamentar nem , agora, escorar?
  5. As histórias fantásticas de Laurie Anderson parecem menos surreais e mais cristalinas. Vale a pena ouvir: