Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for the ‘Teatro’


Quando morre um actor, os seus cumplices saúdam-no

Morreu António Feio. Recordo acima de tudo a cumplicidade, aquela que não se vê, que se oculta pelo rito da sala mas que se sente, precisamente quando está alguém no palco e está alguém na plateia. Obrigado.

Homens de cortiça com odor a sucata

Ele que nunca ligou à política arranjou cartão há uns anos. Os negócios melhoraram, a empresa passou a ter uma melhor carteira de encomendas, os bólides acumularam-se na nova garagem.
Ele não está em redes sociais, não está em grandes empresas, não quer ir para o governo, vai tratando da sua vidinha e da de alguns outros, que remédio. A ossatura é coisa de fosseis, de animais extintos. Parece que é menos primário que outros, percebe da chuva. De nós, espera inveja. É suposto e basta-lhe, de nós, quero eu dizer.
Ao largo o iceberg aproxima-se, entretanto reina o “folgam as costas”; ele crê-se feito de cortiça.
Eu recordo Al capone com fé inusitada.
Melhor é possível. É indispensável.

Abril ânimos Mil

Eu já passei pela associação 25 de Abril visitar a exposição de António Colaço esse nome sem assento no parlamento dos Grandes Artistas reconhecidos pelos políticos responsáveis pela Cultura que pode passar pelo Parlamento Nacional.
Pasem por lá, vão ver que não se arrependem. Ó António, os licores fazem parte da exposição “permanente” até ao dia 9 de Maio?
Imagem do Luís Novaes Tito na sua Barbearia:

Abril Ânimos Mil

Fantástica a imagem de Mário Viegas que está por lá, o arroz doce, a santíssima trindade “política” e o aroma ao interior pelo meio de cravos e girassóis.

Sexy Steiner

“Compared to Professor Steiner, the autobiography of the busty glamour-model Jordan is a beacon of restraint,” said Craig Brown in the Daily Telegraph.

De queixo caído… (Thanx Claudia).
Ah, já me esquecia o livro chama-se Lust in Translation. Já leu Francisco?

E quem vai traduzir “Lust in Translation” para português?

Paulo Autran, 1922 – 2007

Paulo Autran

Paulo Autran morreu! Morreu? – II

A última peço no sítio onde nunca o vi.

Últimas palmas para Henrique Viana

Desapareceu aos 71 anos o actor Henrique Viana. Gostava muito do trabalho que lhe conheci na televisão e no cinema. Sempre conseguiu representar de forma exemplar a figura do povo e cativou-me por o ter visto a conseguir representar bem mais que isso no grande ecran. Pelas minhas medidas em grande actor. Infelizmente não o cheguei a ver no Teatro.

Na minha memória pessoal está também associado a um pedaço de geografia da cidade de Lisboa, mais concretamente à Rua dos Poiais de São Bento por onde eu passava amiúde nos meus tempos de licenciatura e onde o encontrava bastas vezes.

Fica a gratidão póstuma tal como ficou o respeito em vida. Condolência à família.

L'Emmerdeur

Adorei Jacques Brel a fazer de chato (L’Emmerdeur, 1973) – e Lino Ventura a fazer de assassino, adorei Jack Lemon a fazer de chato (Buddy, Buddy, 1981) – e Walter Matthau de assassino.

Como será António Feio a fazer de chato? Como será "em peça"?

A verificar mais logo num teatro perto de mim.

Noite em Lisboa – Deixa-me Rir (act.)

A noite tinha tudo para correr mal. Os cinco bilhetes comprados há um mês haviam sido emitidos para uma data errada que pertencia ao passado. Como triste remedeio de uma frustrante recusa de responsabilidade no teatro (parcialmente justa) adivinhava-se uma sessão de cinema num centro comercial das redondezas. No entanto… Depois de algum choradinho e de uma boa dose de humildade mais que genuína arranjou-se um acordo com o teatro. Esperar até à última por lugares livres, desistências na plateia e, na pior das hipóteses, providenciar umas cadeirinhas extra no fundo da sala. Mal por mal a perspectiva de jantar – era ainda início da noite – ganhara contornos mais reconfortantes, as papilas gustativas reactivavam-se e a sensação de fome ressurgida confirmavam o sinal de esperança. Talvez afinal ainda viesse a haver motivos para rir.

O jantar. Lisboetas verdinhos enganam-se na transversal. O restaurante ficava mais adiante na avenida. Estava um frio de rachar mas perante uma sucessão tão absurda de contratempos recentes a opção “ir de carroâ€? afigurava-se como um muito razoável factor de risco. Mais a mais fazia falta a carga ligeira pela Pascoal de Melo, Estefânia… Toca a libertar toxinas!
Ninguém se lembrou que o Benfica jogava em Itália e menos ainda veio à memória a tela gigante e a ligação à Sport TV. O restaurante estava quase a abarrotar, apenas duas mesas vagas em localização perigosamente próxima de perturbar a visão do relvado de São Ciro.
Eram muito raras as mulheres, quase todos os comensais trajavam de vermelho, na sala estava ainda um notável futuro presidente do grupo parlamentar do maior partido da oposição. Sofria, como os outros. Primeira parte, zero a zero.
Passados poucos minutos completou-se o grupo de amantes de teatro com os únicos dois Benfiquistas do quinteto. Faltava menos de uma hora para o início do primeiro acto. Os empregados de mesa não tiramvam os olhos do ecrã gigante. Os carrinhos com travessas, copos e garrafas deslizavam como que telecomandados até se acidentarem contra o cliente mais próximo. Evitou-se o pior… Não havia era maneira de os pratos chegarem à mesa.
GOLO do Benfica!

Ela nunca foi a um estádio, assustou-se com a euforia. Nunca me hás-de apanhar em Alvalade disse entredentes. Lá é muito mais sossegado é um espaço aberto, não faz ressonância menti descaradamente.

Passámos alguns instantes a olhar fixamente os empregados de mesa que por sua vez continuavam a olhar fixamente encantados o ecrã. Um ponta pé de baliza ou coisa que o valha lá quebrou o feitiço e finalmente mexeram-se. Comemos. Ainda antes de sairmos houve um susto de golo desfavorável, ouve aplausos perante a anulação e ouve um cabecear em direcção aos pratos, minutos depois. Final da primeira parte um a um.

Surpreendeu-nos muito positivamente a simpatia dos funcionários do teatro: “deixem-se estar aqui que havemos de vos arranjar lugar”. E arranjaram, no final saiu-nos melhor do que a encomenda. Via-se que havia gosto em ter espectadores satisfeitos. Cinco estrelas Villaret!

Deixa-me rir
A peça… Na primeira parte Spin doctors, crítica mais ou menos subliminar ao governo do país (ou de quase qualquer país ocidental), aqui e ali com laivos revisteiros; mais jogos de poder e crítica mais incisiva, com mestria humorística mais evidente na segunda. Fechando em “maisâ€? portanto.
Um ou outro gag poderia ter beneficiado da técnica de elaboração de discursos políticos que se parodiava no peça: mais curtos confeririam um pouco mais de dinamismo evitando alguns momentos de perda de gás. Os actores, todos muito bem. No final esperaria mais mamas, talvez borbotando no último protagonista.
Para que serve o humor? Para rir e para pensar, vai muito bem com uma noite de teatro. Faz uma muito boa noite de teatro.

Vagabundos de nós:

Interpretações irrepreensíveis, encenação eficaz, texto cheio de clichés muito adequado a meados da década de 80 ou a uma sociedade onde os clichés ainda tenham um papel a cumprir … será o caso? A ver. No Maria Matos às 21h00.

Por várias vezes me lembrei do casal de homossexuais em Sete Palmos de Terra… Que distância meus amigos, mas é apenas a primeira peça de Daniel Sampaio num país quase sem escritores de teatro. O hábito de aplaudir de pé tudo o que seja bonzinho em palco é que é um pouco irritante… Somos mesmo uma sociedade onde os clichés ainda têm um papel a cumprir, está visto.