Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

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Archive for the ‘Saúde’


Negação (pós-troika e a saúde)

“Não, não foi preciso um doente terminal com hepatite C, em desespero, ter acesso aos telejornais para que o ministério da Saúde adquirisse um medicamento que curava e salvava a vida a muitos pacientes dessa doença.

Não, o Boston Consulting Group não afirmou que a quebra da despesa absoluta per capita em saúde posicionou o país na cauda da Europa. Também não afirmou que Portugal é o país da União Europeia com menor acesso a novos medicamentos.

E não, pagar a taxa moderadora não demoveu ninguém que de facto precisava de cuidados de saúde de deslocar-se a uma consulta num centro de saúde ou hospital.

Afinal, não é verdade que perder o emprego, ou parte do salário, ou da pensão bem como sofrer um corte total ou parcial dos apoios sociais num país a envelhecer tenha relação com a redução de pelo menos 1.250.000 de consultas em cada ano, em centros de saúde, desde que começou a austeridade. Um casal com dois filhos que tenha um rendimento mensal per capita igual a 315 euros já não está isento das taxas moderadoras.

Portugal está melhor, os portugueses é que estão pior.”

Publicado no Diário Económico.

Opinião: Bagão sobre as pensões mínimas

O tema já aqui foi referido várias vezes mas é sempre interessante e de valor ver alguém que não é deste lado da casa ser tão meridianamente claro e estar tão justamente alinhado com o que por aqui se pensa:

“(…) 6. As pensões mínimas

É meritório o esforço feito para não penalizar as pensões mínimas e até actualizá-las face à inflação.O que já não compreendo é que o Governo, sendo tão pressuroso a introduzir condições de recursos erodindo a  lógica e o fundamento dos regimes de base contributiva, não aplique aqui o mesmo critério. É que pensão mínima não quer dizer automaticamente pensão de uma pessoa pobre. Estudos realizados apontam até para que uma significativa parte destes beneficiários tenham outros recursos. Muitas pessoas obtiveram a pensão mínima pela circunstância de terem escassos descontos num tempo em que a SS dava os primeiros passos. O mais justo e razoável no contexto actual seria – aqui com toda a propriedade – usar a condição de recursos, e até aumentar mais os pensionistas que provem ter mais baixos rendimentos. E para isso existe já um benefício que poderia servir de aferição: o complemento solidário para idosos.”

In Sobre (tudo) pensões por Bagão Felix no Público.

Via @fcancio

Saúde pública mais cara versus saúde privada ainda mais cara?

A ler o último artigo de Paul Krugman sobre o exemplo Norte Americano até porque o assunto é de todo relevante para o nosso futuro em termos de escolha política: “O Medicare permite economizar dinheiro” (ou no original “Medicare Saves Money”). Um excerto:

“(…)Afinal, os gastos com o Medicare não subiram dramaticamente ao longo do tempo? Sim, subiram: considerada a inflação do período, os gastos do Medicare por beneficiário subiram em mais de 400% entre 1969 e 2009.

Mas os custos dos planos de saúde privados, também considerada a inflação, subiram em mais de 700% no mesmo período. Portanto, embora seja verdade que o Medicare não realizou o trabalho necessário de controle de custos, o setor privado se saiu muito pior. E caso neguemos o Medicare às pessoas de 65 e 66 anos de idade, as forçaremos a bancar planos privados de saúde -se puderem-, e eles custarão muito mais do que se os serviços equivalentes fossem fornecidos pelo Medicare.

Aliás, dispomos de provas diretas dos custos mais elevados dos planos privados de saúde, por meio do programa Medicare Advantage, que permite que beneficiários do Medicare obtenham cobertura junto ao setor privado. A ideia era que isso propiciasse economia de custos; na verdade, o programa custa aos contribuintes substancialmente mais por beneficiário que o Medicare tradicional.

E dispomos também de indícios internacionais. Os Estados Unidos têm o sistema de saúde mais privatizado entre os países avançados. Também oferecem, de longe, a saúde mais cara, sem que isso represente vantagem clara de qualidade, apesar de todos esses gastos. A saúde é uma área na qual o setor público consistentemente faz um trabalho melhor que o privado, no controle de custos.

De fato, como aponta o economista Bruce Bartlett, que foi assessor do presidente Reagan, os elevados gastos privados de saúde dos Estados Unidos, comparados aos dos demais países avançados, praticamente cancelam quaisquer benefícios que pudéssemos auferir de nossa carga tributária relativamente baixa. (…)”

Ordem dos Médicos diz que pedir o genérico pode matá-lo?

Como interpretar esta reacção da Ordem dos Médicos à decisão do Governo de vir a permitir a um paciente escolher o medicamento que há-de comprar SE este for um substituto do receitado pelo médico, ou seja, se tiver o mesmo princípio activo:

” (…) O bastonário da Ordem dos Médicos disse hoje que “não há qualquer vantagem” em os doentes passarem a escolher a marca do medicamento que compram, considerando que a medida “põe em causa a vida das pessoas”.

“É um processo perfeitamente pernicioso que põe em causa a vida das pessoas”, disse à agência Lusa Pedro Nunes, que reagiu ao anúncio do secretário de Estado da Saúde sobre a possibilidade dos doentes poderem escolher, a partir de março, qual a marca do medicamento que compram, desde que respeitem a substância ativa prescrita pelo médico. (…)”

E como interpretar ainda uma afirmação destas que intencionalmente quer atemorizar para algo que não está em causa:

” (…) O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) adiantou que “não há qualquer vantagem para o Ministério da Saúde em implementar medidas dessa natureza”, sublinhando que “se os doentes soubessem que medicamentos queriam tomar e quais os melhores não iam médico”. (…)”


In Expresso

Os médicos receitam marcas de medicamentos antes de receitarem princípios activos?
Porque é que a prática corrente e experimentada em outros países tantas vezes apontados como modelares não pode fazer escola por cá e é mesmo apodada de representar um risco para a saúde pública?
Porque é que a Ordem dos Médicos nunca descobriu a alternativa que seria ajudar o Infarmed a melhorar os seus padrões de avaliação dos medicamentos, já que insiste em minar a confiança da população nos genéricos?

Note-se que o médico pode proibir que se troque o medicamento que receitou exigindo-se para tal que justifique na receita, por escrito, porque se recusa a permitir a substituição do medicamento, por exemplo, por um seu genérico.

Recentemente tive de ir a uma consulta. Receitaram-me um analgésico e um anti-biótico. O médico disse-me que não punha objecções em que comprasse um genérico do analgésico e acrescentou que não me recomendava substituição do anti-biótico (apesar de haver outro genérico significativamente mais barato) porque duvidava da qualidade dos genéricos disponíveis pois, por vezes, não apresentavam com rigor a gramagem rotulada do princípio activo (?!). Naturalmente, acreditei e fiquei informado para poder, mais tarde, se assim o entendesse, averiguar sobre a razoabilidade das dúvidas do médico.
Com a proposta que agora se faz promove-se a institucionalização deste diálogo e, claro, produz-se informação relevante para que a própria autoridade do medicamento analise a informação.

Se eu fosse uma pessoa desconfiada ainda acreditava que tudo isto não passa de uma forma de estrebuchar por parte da Ordem dos Médicos por ver diminuído o poder do médico em condicionar o ritmo de vendas do medicamento A ou B ao prazer dos favores devolvidos pelo respectivo industrial farmacêutico.
Um medicamento genérico é ou não é um medicamento genérico?

Haverá relação entre o celibato e a pedófilia?

Uma amiga, insuspeita de estar enviesada em prol da Igreja, desconfia que há uma desproporção na perceção da gravidade da pedofilia no seio da Igreja à conta da exacerbação mediática. Será? Como gostava de ter estatísticas sobre a prevalência de casos de pedofilia entre Igreja com e sem obrigatoriedade do celibato.
Entretanto este texto do Bruno Sena Martins (antropólogo) deixa-me a matutar: Celibato e Pedofilia.

Esta semana vou ser vacinado

Esta semana vou ser vacinado. Entro como sempre no jogo das probabilidades e procurarei evitar a gripe… sazonal. Sobre a outra falta-me importância mas vou procurando informar-me por aí.

Gripe A versus Gripe Sazonal

Talvez a seguinte imagem ajude a identificar diferenças.

gripe a_sazonal

Nº Saúde 24: 808 24 24 24

Entretanto, para quem gosta de acompanhar especialistas na matéria, fica a sugestão do blogue de João Vasconcelos da Costa (http://jvcosta.planetaclix.pt/gripe.html) , um virologista.
O Nuno Teles está a oferecer uma análise interessante no Ladrões de Bicicleta, em “A Economia Política da Gripe- I “. Simpatizo com as suas preocupações, na Saúde sou claramente muito pouco pró-mercado – há demasiado espaço para falhas nos pressupostos de bom funcionamento do próprio mercado para que o Estado possa admitir business as usual.
Via Economia & Finanças.

Um dos mais graves problemas de saúde pública em Portugal

“Os números já eram maus, mas em 2008 o consumo de calmantes e antidepressivos voltou a subir, afastando-se mais da meta definida no Plano Nacional de Saúde. Em vez das 92 doses diárias por mil habitantes, Portugal já regista 151, quatro vezes mais que a média na Europa. Num quadro geral de melhoria dos indicadores de saúde – em que até o consumo de antibióticos desceu -, a toma excessiva destes medicamentos é hoje “um problema grave de saúde pública”, admite a alta comissária da Saúde, Maria do Céu Machado. “Estamos a falar de medicamentos vendidos nas farmácias. Ou os farmacêuticos os dispensam ou os médicos os receitam. O facto é que estão a subir. E é preciso saber porquê. Acho que esta questão merecia um estudo”, refere, acrescentando também “que as pessoas pressionam cada vez mais” os profissionais de saúde para os obter.
(…)”

O resto da notícia vem no i.

Como perder peso. Contacte-me

É desta que se descobriu forma de combater saudavelmente a obesidade. O Público reproduz a boa nova recolhida junto dos ratinhos de laboratório. Admirável Mundo Novo que se propaga numa soma de comprimidos: Ratinhos obesos respondem à hormona da saciedade.

Subsídio à maternidade partilhado por quem recorre à IVGravidez

É no mínimo bizarra a mensagem política que está implícita num subsídio de maternidade destinado a quem tenha decidido recorrer à Interrupção Voluntária de Gravidez. E se é certo que a leitura detalhada do decreto-lei me permitiu atenuar o choque inicial (o subsídio nesses casos é apenas uma fracção) parece-me que se perdeu uma excelente oportunidade de usar do pudor e de alguma reserva. Era e é possível recorrer a outros instrumentos ao dispôr da mulher debilitada na sua saúde, sem estabelecer preto no branco a relação directa que está na recente lei: o aborto dá direito a subsídio de maternidade.
Dá para perceber a indignação adicional gerada por esta lei, particularmente entre quem se opôs à despanalização da IGV (que não foi o meu caso), mas também entre pelo menos alguns dos que defenderam e defendem a IGV. A fronteira entre isto um subsídio directo e promotor do aborto esbate-se. Era um caminho que se dispensava inteiramente.
Por isso concordo largamente com a opinião pública hoje apresentada pelo MEP.